O prefeito Edivaldo Holanda Junior, dono de uma popularidade incomum para chefes de Executivo em final de segundo mandato, continua em silêncio e até o momento não deu o menor sinal de que pretenda se envolver na disputa em que está em jogo sua própria sucessão.
O governador Flávio Dino, que esteve neutro no primeiro turno, já declarou apoio ao candidato Duarte Júnior (Republicanos), o que motivou vários secretários a seguirem o chefe postando mensagens nas redes sociais, mas Edivaldo continua focado apenas em concluir as obras de sua administração para não deixar pendências para quem o suceder no cargo.
Depois que o governador se posicionou, todas as atenções se voltam para o prefeito Edivaldo. No primeiro turno, embora filiado ao PDT, que disputou o pleito com vice chapa encabeçada por Neto Evangelista (DEM), o prefeito se manteve distante e não participou da campanha.
Até o momento, Edivaldo se mantem indiferente, se recusa falar sobre eleição, mantém o foco apenas na administração, aumentando assim a expectativa sobre sua postura em relação ao pleito faltando pouco mais de dez dias para o embate final entre Duarte Júnior e Eduardo Braide.
Duarte pertence ao partido do vice-governador e sua eleição representa o fortalecimento do projeto de Carlos Brandão para 2022, enquanto Braide, que faz oposição ao governador, caso eleito, significará o triunfo dos adversários de Dino, entre os quais o presidente Jair Bolsonaro e o senador Roberto Rocha.
Nos bastidores da sucessão, as apostas dão conta de que ele se manterá distante da disputa, mas vale esperar, pois seu posicionamento pode ser fundamental para as pretensões de um dos candidatos.
Um dia após os resultados das urnas, na votação de 15 de novembro, terem confirmado Duarte (Republicanos) no segundo turno para concorrer ao cargo de prefeito de São Luís, várias manifestações de apoio têm acontecido.
A primeira e já esperada foi a do governador Flávio Dino, logo após a votação de domingo ter sido sacramentada. “Com convicção, votarei nele, disse Dino, em postagem em rede social.
Duarte fez parte do governo Dino, de 2015 a 2018, presidindo o PROCON e o VIVA Cidadão, além de fazer parte da base aliada do governo estadual ao se filiar ao partido do vice-governador Carlos Brandão, o Republicanos.
Outras alianças já se propuseram a fortalecer a candidatura de Duarte e fizeram publicações de apoio em redes sociais, a exemplo do secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão. “Se tem uma coisa que sou é fiel e grato ao meu governador. Sou de grupo. Sigo com ele. Estou com Duarte Jr no segundo turno”, declarou em sua conta no Twitter.
Ao declarar apoio, o secretário de Saúde do Estado, Carlos Lula (PSDB), destacou como ponto negativo aliados do governo Bolsonaro em torno da candidatura do adversário no segundo turno. “Se você, assim como eu, discorda do projeto político de Bolsonaro, Edilázio, Roberto Rocha e Ricardo Murad, você não pode votar em Braide. Por isso, meu voto no segundo turno é Duarte Jr”, disse.
O secretário de Estado da Comunicação e Assuntos Políticos, Rodrigo Lago, também confirmou adesão a Duarte. “O 2º turno de São Luís tem dois candidatos. Duarte, aliado de Flávio Dino, x Braide, aliado de Bolsonaro. Ninguém pode ter dúvida de escolher o lado certo. É Duarte 10. Bora resolver!”, manifestou.
Na mesma linha, seguiu o secretário de Estado de Cultura, Anderson Lindoso. “Assim como o governador, no segundo turno em São Luís, estou com Duarte Jr. Tenho convicção que é a melhor opção e que terá o melhor grupo para governar nossa capital”, publicou.
Secretária de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplan), Cyntia Mota também destacou o alinhamento com Dino em torno da candidatura do atual deputado estadual. “Sempre estive ao lado do governador Flávio Dino, e sempre estarei, por isso no 2º turno estou com Duarte Jr”, disse.
Outro a manifestar apoio foi o secretário de Estado de Esporte e Lazer (Sedel), Rogério Cafeteira. “Se antes tínhamos várias opções boas para São Luís, agora temos uma única, que é Duarte Jr”, garantiu.
O secretário de Estado de Governo, Diego Galdino, também aderiu à campanha. “Somos um grupo unido que vem mudando a história do Maranhão. Por isso, nesse segundo turno, sigo com o governador Flávio Dino e declaro apoio com convicção em Duarte Jr, na certeza que, com nosso grupo, fará a melhor gestão na nossa capital”, pontuou.
Nas próximas horas, novas adesões devem ser manifestadas.
Os partidos da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) e do senador Roberto Rocha (PSDB) saíram da eleição municipal sem conseguir eleger um único representante na Câmara Municipal de São Luís.
O MDB, que já foi o maior partido do Maranhão e esteve no comando do Maranhão ao longo de décadas, pela segunda eleição consecutiva não consegue colocar representante no parlamento municipal.
Sob a liderança de Roseana, a quem sempre cabe a última palavra, ainda que a legenda seja comanda oficialmente em São Luís pelo deputado Roberto Costa, tende cada vez mais ao esvaziamento.
Mesmo com 31 vagas em disputa, o que permitiu que partido sem expressão, a exemplo de Avante, Patriota, DC, PSC, entre outros, conseguissem ter representante, o MDB se mostrou incapaz de ocupar uma cadeira no plenário da Casa.
Outra decepção foi o PSDB do senador Roberto Rocha. O partido obteve resultado ridículo para quem já foi considerado uma das maiores legendas no Estado, com forte representação na Câmara Federal até 2014 quando era comandado pelo atual vice-governador Carlos Brandão.
Desde que Roberto Rocha tomou a legenda da Brandão bajulando a direção nacional do PSDB após ser eleito senador pelas mão do governador Flávio Dino, o partido murchou e vem definhando a cada eleição.
Ao transformar os tucanos numa legenda familiar, a primeira consequência foi o afastamento de várias lideranças, parlamentares e vereadores e o resultado vem sendo o esvaziamento a cada eleição.
No ritmo que vai, acaba se transformando em mais um partido nanico no Estado.
Principal partido da aliança que sustentou a candidatura de Neto Evangelista (DEM) no primeiro, o PDT, através do seu presidente a principal articulador da coligação, senador Weverton Rocha, em nota, reconheceu a derrota, porém não indicou o caminho que pretende seguir no segundo turno a ser disputado entre os deputados Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Júnior (Republicanos).
Na nota oficial publicada nesta segunda-feira (16), em sua página no Instagram, Weverton, que teve seu projeto para 2022 aranhado com a derrota na capital e em outros importantes municípios do interior do Estado, disse que o PDT é um partido cuja a história está profundamente ligada aos princípios democráticos. “Sabemos, portanto, conviver com vitórias e derrotas, entendendo que o mais importante é a defesa dos nossos ideais”.
O senador, após a confirmação nas urnas de que o PDT está fora do jogo sucessório, agradeceu aos candidatos que brigaram por uma vaga na Câmara Municipal e a militância, mas nada falou sobre projeto futuro, muito menos se pretende seguir o governador Flávio Dino, que declarou apoio a Duarte tão logo foi oficializada sua passagem para disputar o segundo turno com Braide.
A nota diz apenas que “o PDT continuará participando da vida cívica de São Luís, por meio dos nosso vereadores, das nossas atividades partidárias, das nossas lideranças comunitárias, sempre buscando cooperar para que a cidade se desenvolva cada vez mais”, conclui a nota, sem nada dizer sobre segundo turno.
A julgar pelos comentários nos bastidores dos candidatos que ficaram pelo meio do caminho na briga por uma vaga no segundo turno da eleição para prefeito de São Luís, o governador Flávio Dino terá muita dificuldade em reunir a base de apoio do governo para apoiar Duarte Júnior no segundo turno.
Terceiro mais votado no pleito de 15 de novembro, o candidato do DEM, deputado Neto Evangelista, ainda no período pré-eleitoral, já manifestava para jornalista que não apoiaria Duarte, caso ele passasse para o segundo turno, por conta sua postura como deputado. Após o último debate na TV Difusora, Neto voltou a dizer que se o representante do Republicanos conseguisse a segunda vaga, pegaria a estrada nesta segunda-feira (16).
Yglésio Moisés, que disputou a eleição pelo PROS, outro partido da base de sustentação do governo Flávio Dino nunca negou sua antipatia por Duarte. Ele inclusive já avisou que não subirá no palanque do Republicano, até pelas críticas públicas que fez às suas proposta e principalmente após vir a público a denúncia de que havia testado positivo para Covid-19 e continuado a fazer campanha, colocando em risco a saúde pública.
O representante do PCdoB, Rubens Júnior, partido do governador, ao ser questionado pelo titular deste blog se teria condições de votar em Duarte, após as agressões que ele fez ao seu pai, Rubens Pereira, quando se recuperava de Covid-19, disse que seguirá a orientação do governador. Dino, logo após a confirmação do resultado da eleição declarou apoio a Duarte.
Dentre os representantes da base dinista, o deputado Bira do Pindaré foi o único que se manteve em silêncio sobre a possibilidade de apoiar no segundo turno a candidatura de Duarte contra Braide, mas é bom lembrar que Bira sempre foi aliado de Flávio e deve ficar com o projeto do governador na briga com adversários.
No centro desta complicada articulação que visa cicatrizar feridas aberta durante a campanha, o governador deve contar com o vice Carlos Brandão, principal líder dos Republicanos no Estado e que deve ter todo interesse em levar o candidato do seu partido ao Palácio de La Ravardiére.