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  • Jorge Vieira
  • 24/set/2026

PF acha nova reserva de Flávio Bolsonaro em jatinho ligado a Vorcaro

247 – Uma nova reserva de voo encontrada pela Polícia Federal registra o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sua mulher e suas filhas entre os passageiros previstos para viajar em um jatinho operado pela Prime You, empresa que teve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, como sócio. A programação, de janeiro de 2024, previa um deslocamento entre Brasília e São Paulo, mas a PF concluiu que a viagem não ocorreu nas condições indicadas inicialmente.

Segundo o jornal O Globo, a informação consta de documentos extraídos do celular do advogado Willer Tomaz, alvo de busca e apreensão na investigação sobre supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O material revela uma nova reserva envolvendo Flávio Bolsonaro e o Legacy 650 de prefixo PP-NLR, aeronave que o presidenciável utilizaria posteriormente, em janeiro de 2025, para retornar dos Estados Unidos a Brasília.

De acordo com reportagem, Willer recebeu, em 13 de janeiro de 2024, um e-mail enviado pela Prime You com informações sobre uma viagem marcada para o dia seguinte.

A mensagem tinha como assunto “Confirmação de voo”, acompanhada do número da reserva. Na lista de passageiros estavam Willer, familiares do advogado, Flávio Bolsonaro, sua mulher, Fernanda Bolsonaro, e as filhas do casal.

O voo estava programado para partir de Brasília em direção ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A aeronave indicada era justamente o Legacy 650 PP-NLR.

PF conclui que voo reservado não ocorreu como previsto

A PF, contudo, concluiu que a viagem entre Brasília e São Paulo não ocorreu nas condições estabelecidas na programação encontrada pelos investigadores.

Registros migratórios mostram que Willer entrou no Brasil às 22h13 do próprio dia 14 de janeiro, procedente da Cidade do Panamá e a bordo de outra aeronave privada.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, entrou no país às 00h43 do dia seguinte, também procedente da capital panamenha, mas utilizando um voo comercial.

Dados de plataformas de monitoramento de tráfego aéreo também indicam que o Legacy 650 permaneceu em Brasília durante o dia 14 de janeiro de 2024. Dois dias depois, a aeronave viajou para Miami.

Flávio diz que acreditava que avião era de Willer

O mesmo jatinho aparece em outro episódio envolvendo Flávio. Em 19 de janeiro de 2025, ele utilizou a aeronave para retornar de Fort Lauderdale, na Flórida, a Brasília. Willer e integrantes de sua família também estavam a bordo.

Em entrevista ao O Globo, Flávio afirmou que não sabia da relação da Prime You com a aeronave e que acreditava que o avião pertencia ao advogado.

“Na época, o avião era do Willer, eu tive zero contato com Vorcaro. Fizemos uma viagem em família, mais nada. O avião era dele. Não sabia da cota da empresa (Prime You). Para mim, o avião era do Willer. Qualquer coisa além disso é distorção da realidade”, declarou.

O candidato do PL à Presidência foi procurado pelo jornal para comentar especificamente a reserva de janeiro de 2024 entre Brasília e São Paulo, mas não se manifestou.

Willer nega participação de Vorcaro

Após a revelação da viagem realizada em janeiro de 2025, Willer também negou qualquer participação de Vorcaro no episódio.

Em nota, o advogado afirmou que “não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio, de qualquer natureza”.

“Vorcaro não pagou, não cedeu, não autorizou e não participou daquele voo — nem direta, nem indiretamente. Quem viajou o fez como convidado de Willer Tomaz: carona entre amigos, sem custo, contrapartida ou benefício de parte a parte”, afirmou.

Willer sustenta que possuía cotas que lhe davam direito ao uso do avião. Procurado por O Globo para se manifestar especificamente sobre a nova reserva de janeiro de 2024, ele não comentou.

Prime You operava o Legacy 650

O vínculo empresarial em torno da aeronave é um dos elementos analisados pela investigação. Vorcaro foi sócio da Prime You, empresa de táxi aéreo, até setembro de 2025.

Segundo a reportagem, a Prime You havia firmado, em dezembro de 2022, um contrato com duração de dez anos para operar e administrar o Legacy 650 PP-NLR. A proprietária formal da aeronave era a Fraction 024.

Documentos em poder da PF indicam que Vorcaro, por intermédio de uma de suas empresas, possuía 33% da Fraction 024, uma sociedade anônima.

O mesmo Legacy 650 também foi utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto de 2025, conforme havia revelado anteriormente o colunista Lauro Jardim, de O Globo.

Jatinho aparece em documentos sobre escritório de Viviane Barci

A Fraction 024 também aparece em documentos encontrados pela Polícia Federal sobre a relação empresarial entre Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci, mulher de Alexandre de Moraes.

Em maio de 2025, a Viking Participações, de Vorcaro, firmou com o escritório um contrato de prestação de serviços advocatícios que poderia alcançar R$ 50 milhões.

Uma semana depois, as partes assinaram um termo que previa a quitação de R$ 40 milhões por meio da transferência de participações em duas empresas relacionadas a aeronaves.

Uma dessas participações correspondia a 33,33% da Fraction 024, proprietária do Legacy 650 PP-NLR. A outra equivalia a 20% de uma empresa relacionada a um helicóptero.

Pelo acordo descrito nos documentos, os R$ 10 milhões restantes seriam pagos mediante reembolso de despesas relacionadas ao uso das aeronaves.

O escritório afirma que não adquiriu as cotas previstas no acordo.

Mesmo avião levou Flávio Bolsonaro da Flórida a Brasília em 2025

Ao contrário da reserva de janeiro de 2024, que não se concretizou nas condições programadas, Legacy 650 foi utilizado por Flávio em janeiro de 2025. Em 19 de janeiro daquele ano, o senador utilizou o jatinho para retornar de Fort Lauderdale, na Flórida, a Brasília. Willer e familiares também estavam a bordo.

Registros migratórios mostram que Flávio havia deixado o Brasil em 27 de dezembro de 2024 utilizando um voo comercial.

A volta ocorreu na véspera da posse de Donald Trump para seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, realizada em 20 de janeiro de 2025.

Durante a passagem pela Flórida, Flávio e Willer estiveram juntos no Hard Rock Hotel & Casino, na região de Miami, conforme informação publicada à época pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo.

Flávio deixou os Estados Unidos em 19 de janeiro, um dia antes da cerimônia de posse do presidente Donald Trump.

  • Jorge Vieira
  • 23/set/2026

Lula vira no 2º turno sobre Flávio Bolsonaro na pesquisa Atlas/Bloomberg

O presidente Lula (PT) virou a disputa em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aponta a nova rodada da pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (23). Na rodada anterior do levantamento, realizada em 16 de setembro, Flávio Bolsonaro aparecia numericamente à frente com 47,2% das intenções de voto, contra 46,8% de Lula.

Agora, Lula assumiu a liderança numérica e soma 47,7% das intenções de voto, enquanto o parlamentar do PL registra 47,4%, segundo levantamento do AtlasIntel em parceria com a Bloomberg.

No cenário estimulado para o primeiro turno, o presidente Lula aparece na liderança com 45,8% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 43,4%. Em um patamar mais distante na disputa, Renan Santos (Missão) soma 4,5%, seguido pelo escritor e médico Augusto Cury (Avante), que foi testado pelo instituto e atingiu 2,1%.

Ainda no levantamento de primeiro turno, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), alcança 1,3% da preferência do eleitorado, enquanto o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), aparece com 0,9%. O grupo de eleitores que declara voto em outros nomes representa 0,8%. Os votos brancos e nulos somam 0,7%, e os entrevistados que não souberam responder correspondem a 0,5%.

Cenários de segundo turno

Em uma eventual simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa indica um cenário de empate técnico. O atual chefe do Executivo registra 47,7% das intenções de voto, enquanto o senador marca 47,4%. Os eleitores que declaram voto em branco, nulo ou que se mostram indecisos no confronto direto entre ambos somam 4,9%.

O levantamento do instituto AtlasIntel também testou a força do presidente Lula contra outros potenciais adversários em eventuais cenários de segundo turno:

Lula x Romeu Zema: Lula soma 47,6% contra 42,2% do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo). Brancos, nulos e indecisos chegam a 10,2%.

Lula x Ronaldo Caiado: O presidente registra 46,6%, enquanto o ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD) alcança 44%. O grupo de brancos, nulos e indecisos é de 9,4%.

Lula x Augusto Cury: Lula atinge 46,2% das intenções de voto, frente a 39,4% de Augusto Cury (Avante), com 14,4% de brancos, nulos ou indecisos.

Lula x Renan Santos: O presidente marca 46,5%, ao passo que Renan Santos (Missão) soma 31,2%. Neste cenário, a soma de brancos, nulos e indecisos atinge o patamar de 22,3%.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg foi realizada entre os dias 17 e 22 de setembro, entrevistando 5.015 eleitores por meio da metodologia de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro do levantamento é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A sondagem foi contratada pela Bloomberg e está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04739/2026.

  • Jorge Vieira
  • 22/set/2026

Campanha para o Senado entra na reta final com cinco favoritos a duas vagas

Enquanto a eleição para o governo do estado apresenta o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) como favorito, num pleito que pode ser decidido já no primeiro turno, conforme apontam alguns instituto de pesquisa, a campanha para o Senado entra em sua fase final com total indefinição sobre quem serão os dois representantes do Maranhão eleitos em 4 de outubro.

Faltando pouco mais de dez dias para o pleito, as pesquisas que já foram divulgadas até o momento apontam um quadro bastante confuso onde a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) se destaca em primeiro lugar com uma margem de vantagem não muito segura para outros quatro candidatos: André Fufuca (PP), Lahésio Bonfim (Novo), Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT).

O candidato a governador favorito para vencer a eleição costuma “puxar” os candidatos ao Senado. Foi assim ao longo das últimas eleições quando Flávio Dino teve papel fundamental nas eleições de Roberto Rocha em 2014 e Weverton Rocha e Eliziane Gama em 2018, todavia nesta eleição o cenário não é nada parecido quando da eleição em que Flávio Dino se elegeu e reelegeu governador do Maranhão.

O quadro apresentado por institutos de pesquisas, ao invés de orientar eleitor, tem contribuído para confundir, pois estão apresentando resultados completamente divergentes sobre a sucessão estadual. Alguns apontam o candidato a governador do MDB, Orleans Brandão, em primeiro lugar, enquanto outros dão vantagem para Eduardo Braide com larga margem de segurança. Na disputa para o Senado o quadro é semelhante, o que não permite fazer qualquer prognóstico sobre quem dos cinco principais candidatos serão eleitos.

Está o forno uma nova pesquisa da Quaest, contratada pela Rede Globo e que deve ser divulgada ainda esta semana. Por se tratar de um instituto que vem fazendo pesquisas nacionalmente sem contestação dos resultados apresentados, deve indicar a realidade da tendência do eleitorado maranhense em relação ao governo e ao Senado.

Mas é bom lembrar que uma amostragem favorável a um dos concorrentes, tanto para governo como para o Senado,  que venha a ser apontado pela Quaest, não significa que o resultado que o resultado da eleição já estará decidido. O nível de competitividade dos candidatos ao governo e ao Senado recomenta cautela.

  • Jorge Vieira
  • 21/set/2026

BTG/Nexus: Lula lidera no primeiro turno e empata no segundo, estando numericamente à frente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a corrida presidencial no primeiro turno e aparece tecnicamente empatado com seus principais adversários nas simulações de segundo turno, segundo a nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (21). Contra Flávio Bolsonaro, Lula está numericamente à frente por 46% a 45%.

No cenário estimulado de primeiro turno, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula registra 40% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece com 37%. Na sequência estão Augusto Cury, com 6%; Renan Santos, com 5%; Ronaldo Caiado, com 3%; e Romeu Zema, com 1%.

O resultado mostra Lula três pontos percentuais à frente de Flávio no cenário estimulado. Considerando a margem de erro de dois pontos adotada nas rodadas recentes do BTG/Nexus, a distância entre os dois não permite afirmar estatisticamente uma vantagem fora da margem de erro.

Lula também lidera na pesquisa espontânea

Na pesquisa espontânea, em que os entrevistadores não apresentam previamente os nomes dos candidatos, Lula registra 40%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 34%.

Nesse levantamento, portanto, a diferença numérica entre os dois primeiros colocados é de seis pontos percentuais.

Augusto Cury aparece com 4%, seguido por Renan Santos e Ronaldo Caiado, ambos com 3%. Romeu Zema tem 1%.

A comparação com a rodada anterior precisa considerar os diferentes cenários pesquisados. No levantamento divulgado em 14 de setembro, o principal cenário estimulado colocava Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 37%. Naquela rodada, Augusto Cury tinha 6%, Ronaldo Caiado 5%, Renan Santos 2% e Romeu Zema 1%.

Maioria acredita em vitória de Lula

Outro dado da nova pesquisa mede a expectativa dos eleitores sobre quem vencerá a eleição, independentemente da intenção pessoal de voto.

Nesse quesito, 54% dos entrevistados dizem acreditar na vitória de Lula, enquanto 36% esperam uma vitória de Flávio Bolsonaro.

A expectativa de vitória não equivale à intenção de voto e não constitui uma projeção do resultado eleitoral. O indicador registra apenas a percepção dos entrevistados sobre o provável desfecho da disputa.

Lula 46% x 45% Flávio Bolsonaro

O quadro fica mais apertado nas simulações de segundo turno.

Contra Flávio Bolsonaro, Lula registra 46%, ante 45% do senador. A diferença de apenas um ponto percentual caracteriza empate técnico, embora o presidente esteja numericamente à frente.

O cenário de equilíbrio vem se repetindo nas pesquisas do instituto. Na rodada divulgada em 14 de setembro, Lula tinha 47% e Flávio Bolsonaro 46%. Uma semana antes, Flávio aparecia com 46%, contra 45% de Lula. As oscilações dentro da margem de erro mostram uma disputa sem vantagem estatisticamente conclusiva entre os dois nesse cenário.

Empate também contra Caiado e Cury

O BTG/Nexus testou outros quatro adversários de Lula em um eventual segundo turno.

Contra Ronaldo Caiado, o resultado é um empate numérico: 45% para Lula e 45% para Caiado.

No confronto com Augusto Cury, Lula aparece com 44% e o escritor com 43%. A diferença de um ponto também configura empate técnico.

Lula registra distâncias numericamente maiores nos confrontos com Romeu Zema e Renan Santos. Contra Zema, o presidente aparece com 47%, ante 41% do adversário. Diante de Renan Santos, Lula tem 47%, contra 39%.

Assim, os cinco cenários são:

  • Lula 46% x 45% Flávio Bolsonaro
  • Lula 45% x 45% Ronaldo Caiado
  • Lula 47% x 41% Romeu Zema
  • Lula 47% x 39% Renan Santos
  • Lula 44% x 43% Augusto Cury

Os números mostram que o cenário mais polarizado, entre Lula e Flávio Bolsonaro, permanece praticamente dividido ao meio.

Reta final segue competitiva

A nova rodada do BTG/Nexus chega a menos de duas semanas do primeiro turno e se soma a outros levantamentos que mostram uma eleição competitiva.

O Datafolha divulgado na semana passada, por exemplo, registrou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno. No segundo, marcou 46% para Lula e 44% para Flávio, também dentro da margem de erro.

A série do próprio BTG/Nexus também mostra oscilações nas últimas semanas. Em 31 de agosto, Lula tinha 39% e Flávio 33% no principal cenário estimulado. Em 8 de setembro, os percentuais passaram para 39% e 35%. Na rodada de 14 de setembro, chegaram a 42% e 37%, respectivamente.

Na pesquisa desta segunda-feira, Lula permanece na primeira posição no primeiro turno e numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no confronto direto, mas o empate técnico no segundo turno confirma o elevado grau de competitividade da eleição presidencial na reta final da campanha.

  • Jorge Vieira
  • 19/set/2026

Eleições 2026: candidatos só poderão ser presos em flagrante a partir deste sábado até 48 horas depois do primeiro turno

Os candidatos que disputam as Eleições de 2026 passam a contar, a partir deste sábado (19), com uma proteção legal que limita prisões e detenções: os concorrentes só poderão ser presos em caso de flagrante delito. A limitação das prisões seguirá até 48 horas depois da votação do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

A garantia está prevista no artigo 236 do Código Eleitoral e começa a valer 15 dias antes da eleição. Na prática, nenhum candidato poderá ser detido ou preso entre 19 de setembro e 6 de outubro, salvo se for preso enquanto comete um crime.

A mesma regra será aplicada no segundo turno, agendado para 25 de outubro. Os candidatos que permanecerem na disputa estarão protegidos entre os dias 10 e 27 de outubro, também com exceção dos casos de flagrante.

A medida tem como finalidade preservar a igualdade de condições entre os concorrentes e impedir que prisões sejam utilizadas para influenciar o resultado ou prejudicar candidaturas.

A restrição não impede a prisão em flagrante, situação em que a pessoa é presa cometendo um crime ou logo após sua prática.

Entre os exemplos de crimes eleitorais que podem resultar em prisão imediata estão a compra de votos e a chamada boca de urna.

Caso um candidato seja preso em flagrante, ele deverá ser apresentado logo em seguida a um juiz, que avaliará a legalidade da detenção.

Mesmo diante de uma prisão em flagrante, o candidato não perde automaticamente o direito de disputar a eleição.

A legislação eleitoral prevê a inelegibilidade apenas em situações específicas, como condenações por órgão colegiado ou decisões transitadas em julgado.

  • Jorge Vieira
  • 18/set/2026

Flávio Bolsonaro embarcou em viagens com Willer Tomaz e Weverton Rocha, investigados no escândalo do INSS

Registros obtidos pela Polícia Federal (PF) revelam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, realizou ao menos cinco viagens internacionais no primeiro semestre de 2025 em companhia do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de integrar um esquema de fraudes e desvios de recursos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), informa o jornal O Globo. A aproximação entre ambos envolve ainda o compartilhamento de imóveis, voos em jatinhos particulares e atuação conjunta em processos judiciais.

A identificação dos deslocamentos internacionais ocorreu após a PF analisar o celular e a caixa de e-mails de Tomaz, apreendidos durante mandados de busca e apreensão cumpridos em seu escritório, em Brasília, no mês passado. O acervo de provas reúne fotografias, bilhetes aéreos, comprovantes de reservas e contratos de aluguel de veículos. Entre os arquivos, destaca-se uma viagem de uma semana realizada em março de 2025 à África do Sul — nove meses antes de o parlamentar se lançar à corrida presidencial —, que incluiu um safári e contou com a presença do senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado no escândalo do INSS. Uma das fotos encontradas pelos agentes mostra Flávio, Weverton e Tomaz acompanhados de crianças na savana, todos vestindo camisetas padronizadas com a inscrição “Big Five”, termo utilizado no turismo de safári para designar os cinco grandes animais locais (elefante, leão, leopardo, rinoceronte e búfalo).

A apuração da PF demonstra que a rotina de voos para fora do país teve sequência nos meses seguintes. Em abril de 2025, Flávio e Tomaz embarcaram juntos com destino a Portugal, retornando no mesmo voo poucos dias depois. No mês posterior, em maio, os dois voltaram ao continente europeu acompanhados por suas famílias, em um roteiro que contemplou passagens por Portugal e pela França. Mensagens de e-mail analisadas pela polícia indicam que, antes do embarque, uma representante da agência de viagens contratada pelo escritório de Tomaz alinhou com uma funcionária do advogado o aluguel de veículos para traslados executivos em Lisboa, capital portuguesa, e em Nice, no sul da França.

Além das passagens pela Europa e pela África, os investigadores mapearam viagens aos Estados Unidos. Em janeiro de 2025, na véspera da posse de Donald Trump, Flávio, sua esposa e suas duas filhas embarcaram em Fort Lauderdale, na Flórida, com destino a Brasília, ao lado do advogado e de seus familiares. O grupo voou em um jatinho particular pertencente à empresa Prime You, que teve como sócio Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, até setembro de 2025. Meses antes da posse, em janeiro, Flávio e Tomaz também haviam passado parte de um fim de semana juntos no hotel Hard Rock Hotel e Casino, na região de Miami. Em maio do mesmo ano, o senador e sua esposa, Fernanda Bolsonaro, voltaram à Flórida com o advogado a bordo de uma aeronave emprestada por um empresário representado juridicamente por Tomaz.

No âmbito da investigação sobre as fraudes no INSS, o relatório da Polícia Federal aponta que Willer Tomaz atuava como um centralizador estratégico (“hub financeiro, patrimonial e logístico”) para dar sustentação a envolvidos no esquema. A estrutura contava com empresas, imóveis, aeronaves, pilotos e operadores financeiros para lavar ou ocultar valores desviados das aposentadorias. Entre os elementos citados na representação policial está o repasse de R$ 11 milhões de empresas ligadas ao advogado para a esposa do senador Weverton Rocha, apontado pela PF como liderança política do grupo.

As revelações sobre a convivência de Flávio com Tomaz expõem também o uso compartilhado de bens imobiliários. No mês passado, o advogado cedeu um apartamento localizado na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo, para utilização do senador durante compromissos políticos. O uso do imóvel virou alvo de questionamento por adversários no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o argumento de que a cessão deveria ter sido declarada como doação de campanha. A propriedade também se vincula ao ecossistema do Banco Master: antes de pertencer a Tomaz, o apartamento estava em nome de Fabiano Zettel, cunhado e apontado pela PF como principal operador financeiro de Vorcaro, banqueiro preso sob suspeita de comandar fraudes no sistema financeiro nacional.

A relação entre o parlamentar e o advogado antecede os fatos investigados e inclui compromissos profissionais e de lazer. Em julho, levantamentos mostraram que Flávio e Tomaz advogam juntos em processos judiciais, incluindo uma disputa empresarial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que envolve a execução de R$ 159 milhões. O senador também costuma frequentar propriedades do advogado, como uma casa na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), e o “Rancho Tomaz”, localizado em Planaltina (DF), local utilizado para encontros políticos.

Procurado para comentar o teor das investigações e das imagens apreendidas, Flávio Bolsonaro declarou que mantém uma “relação de amizade” “legítima” com Tomaz e afirmou que “qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”. O parlamentar não respondeu se teve despesas custeadas pelo advogado. Em nota, Willer Tomaz afirmou que as viagens “são de caráter estritamente privado”, decorrentes de uma “relação de amizade pessoal de longa data”, e que foram “custeadas com recursos próprios”. Ele declarou ainda que “jamais manteve” relação pessoal, comercial ou societária com Zettel ou Vorcaro, e não respondeu sobre a cessão do apartamento. Já o senador Weverton Rocha afirmou que sua ligação com o advogado é de compadrio e amizade antiga, tratando-se de relações privadas sem uso de verbas públicas.

  • Jorge Vieira
  • 17/set/2026

Dino pede investigação de todos os magistrados com indícios de ligação com o Master

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a abertura de procedimentos contra todos os magistrados sobre os quais existam indícios de relações indevidas com o Banco Master. Nesta quinta-feira (17), ele divulgou a íntegra da questão de ordem levada à Corte durante a sessão extraordinária de 15 de setembro, em meio à disputa sobre como o tribunal deve conduzir as apurações derivadas do caso.

A proposta discutida no plenário previa a identificação dos magistrados mencionados nas investigações do caso Master quando existissem indícios de recebimento indevido de valores do banco, além da abertura de prazo para manifestação tanto dos juízes citados quanto do procurador-geral da República. Segundo o próprio STF, a questão de ordem foi formalizada pelo decano Gilmar Mendes a partir de sugestão de Dino.

O movimento busca ampliar o alcance da resposta institucional do Supremo, que até agora se concentrou principalmente em duas frentes: uma relativa a informações encontradas pela Polícia Federal que mencionam o ministro Alexandre de Moraes e outra relacionada à atuação de André Mendonça na condução das investigações do Banco Master.

Na sessão de terça-feira (15), Dino sustentou que eventuais irregularidades deveriam ser apuradas de maneira uniforme, sem que apenas um dos magistrados citados fosse submetido imediatamente ao escrutínio do plenário. “Todas as situações duvidosas, erradas ou tipificadas em lei como crime devem ser apuradas”, declarou durante o julgamento.

O ministro também questionou por que a Corte analisaria naquele momento especificamente a situação de Moraes enquanto outros nomes mencionados em documentos relacionados ao Master permaneceriam sem previsão de apreciação. “Por que um vai abrir o processo hoje, e os outros, um outro, que seria o ministro André [Mendonça], na próxima, e os outros, sabe Deus quando?”, afirmou. Dino classificou uma eventual diferenciação como risco de “combate seletivo” à corrupção.

O debate surgiu durante o julgamento da Petição 16.662, originada de relatório da Polícia Federal com informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que registra supostos diálogos relacionados a Alexandre de Moraes.

A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade do relatório. Paralelamente, tramita a Petição 16.704, aberta a partir de informações apresentadas por Moraes e relacionada a suspeitas sobre a condução do caso Master por André Mendonça.

A questão de ordem discutida pelos ministros propõe que as duas petições tramitem conjuntamente, com sorteio de um novo relator. Também prevê que sejam identificados nos autos outros magistrados sobre os quais existam elementos que justifiquem providências relacionadas ao caso Master.

Dino argumentou ainda que a análise conjunta seria uma forma de garantir isonomia. Durante a sessão, ele declarou que, sem tratamento uniforme, poderia surgir a impressão de que Moraes estaria sendo submetido ao julgamento não apenas por eventuais irregularidades, mas também em razão de disputas externas à Corte.

A discussão terminou sem decisão após Dino pedir vista da questão de ordem. Antes da suspensão, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e André Mendonça haviam se posicionado contra a reunião dos processos. Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes votaram pela tramitação conjunta. Dino, embora tivesse defendido a unificação, pediu que seu posicionamento não fosse contabilizado no placar provisório após solicitar vista.

O mérito das suspeitas relacionadas a Moraes não chegou a ser analisado pelo plenário. Segundo o STF, a votação estava limitada naquele momento à definição do rito e à possibilidade de julgamento conjunto das duas petições.

A paralisação teve efeito também sobre o processo relacionado a André Mendonça. Nesta quinta-feira (17), Fachin cancelou a sessão extraordinária que estava marcada para 23 de setembro para discutir a atuação do ministro. Uma nova data ainda não foi definida. O adiamento ocorreu porque a questão sobre a reunião dos processos continua pendente após o pedido de vista de Dino.

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