Continua tendo forte repercussão nacional a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, de afastar cautelarmente por 180 dias o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, Daniel Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão, no bojo de uma investigação da Polícia Federal que apura a atuação de uma suposta organização criminosa responsável por fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e assassinato de um empresário. Com o afastamento de Daniel, apenas quatro das sete cadeiras do TCE estão com seus titulares. Veja abaixo extensa matéria do jornal O Globo sobre as vagas que estão abertas na Corte de Contas do Estado e as motivações.
O Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA) está com duas vagas sem preenchimento definitivo devido a decisões do ministro Flávio Dino, relator de ações em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolvem decisões de seu ex-vice e hoje adversário político, o governador Carlos Brandão (MDB). Nesta segunda-feira, Dino afastou Daniel Brandão da presidência da Corte de Contas. Com o afastamento dele, que é sobrinho de Brandão, só quatro das sete cadeiras estão ocupadas por membros titulares.
A decisão de Dino foi tomada no âmbito de um processo que apura a tentativa de obstrução de Justiça no assassinato do empresário maranhense João Bosco Sobrinho, em 2022. O caso é o mesmo que levou à prisão domiciliar o ex-secretário estadual Raimundo Soares Cutrim, apontado como interlocutor da família Brandão no caso. De acordo com a investigação, o sobrinho do governador teria participado da reunião em que ocorreu o desentendimento que culminou na morte de João Bosco.
Como mostrou o GLOBO, na decisão de segunda-feira, Dino aponta que o TCE-MA não pode ser presidido por uma pessoa que “figura no epicentro de investigações sobre homicídio, mau uso de recursos públicos, cobrança de propinas e pagamentos fraudulentos”.
Em fevereiro do ano passado, em outro processo, o ministro também suspendeu a indicação do advogado Flávio Costa, indicado por Brandão. Em outra decisão, no mesmo mês, Dino suspendeu o processo de seleção de outra vaga no TCE, a partir de questionamentos do Ministério Público e do Solidariedade sobre irregularidades na seleção.
Na ocasião, Flávio Dino apontou “a falta de regras constitucionais, seguras e estáveis” para o “intenso processo de sucessão na Corte de Contas” do estado.
De acordo com ele, as regras adotadas no Maranhão estariam em desacordo com o “princípio da simetria”, já que as normas estaduais estabelecem que o indicado pela Assembleia Legislativa deve ter o apoio de um terço dos parlamentares, sem que um mesmo deputado apoie mais de um candidato.
As vagas foram abertas com a antecipação da aposentadoria de conselheiros, e a Polícia Federal (PF) abriu uma investigação a pedido do magistrado para apurar um suposto esquema de compra de venda de vagas no TCE.
Integrantes do grupo político de Carlos Brandão criticam a atuação do ministro no caso e dizem que ele deveria se declarar suspeito para julgar processos ligados à política no Maranhão, de que Dino foi governador de 2015 a 2022. Brandão foi seu vice nos dois mandatos. Hoje eles são adversários políticos após um racha ocasionado por divergências de poder e embates jurídicos.
Aliados de Brandão também afirmam que as regras hoje criticadas pelo ministro do STF são as mesmas adotadas em seus mandatos como governador, enquanto interlocutores do magistrado afirmam que nenhum conselheiro do TCE foi nomeado na cota do governador durante sua gestão.
Aliado na presidência
Na avaliação de observadores da política local, caso as nomeações não estivessem suspensas, Carlos Brandão teria a possibilidade de indicar pessoas alinhadas ao seu governo e, com isso, alterar a correlação de forças no órgão. Atualmente, os casos estão parados no gabinete de Dino.
Pela lei, dos sete conselheiros, quatro são escolhidos pela Assembleia Legislativa e três pelo governador. Com o afastamento de Daniel, os membros titulares são Marcelo Tavares, Caldas Furtado, Jorge Pavão e Flávia Gonzalez Leite — esta a única indicada por Carlos Brandão, em 2024.
Tavares ingressou no tribunal em setembro de 2021, no governo do próprio Dino. Antes, foi seu chefe da Casa Civil em duas ocasiões: entre 2014 e 2018, quando o agora ministro deixou o cargo para disputar a reeleição, e de 2019 até 2021, quando tomou posse no Tribunal de Contas. Ele também já ocupou a presidência do TCE em 2023 e 2024.
No cargo, Tavares era o principal articulador do governo de Flávio Dino com a Assembleia Legislativa. Ele é sobrinho do ex-governador Zé Reinaldo Tavares, um dos grandes apoiadores do ministro em sua primeira eleição ao governo, em 2014. Apesar da proximidade com o atual ministro do STF, aliados de Dino dizem que sua escolha para o TCE ocorreu na cota da Assembleia.
Afastamento de Daniel
O homicídio que levou à investigação em que o presidente do TCE do Maranhão foi afastado ocorreu em 2022. A vítima, João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira, era funcionário da Secretaria de Educação do estado e estava envolvido na cobrança de propina para a liberação de verbas públicas.
O assassinato aconteceu durante uma reunião para o acerto de contas de propina de que Daniel Brandão participou. Houve cobranças e ameaças e um dos presentes, Gibson Cutrim, sacou a arma e atirou. Daniel teria saído pouco antes, mas é suspeito de obstrução das investigações que começaram logo depois. O episódio é conhecido como “Caso Tech Office”, em referência ao nome de um edifício de São Luís onde ocorreu o crime.
De acordo com a decisão de Flávio Dino, há indícios de que foi Daniel quem marcou a reunião com João Bosco para a discussão “de pagamentos ilícitos com verbas públicas”. O Supremo também investiga se empresas ligadas a Daniel e à família Brandão foram utilizadas para realizar pagamentos a fim de “comprar o silêncio” de Gilbson.
Dino determinou que Daniel fique afastado por 180 dias, além do aprofundamento da apuração sobre o envolvimento de Daniel no homicídio e, ainda, de sua possível ligação ao uso de emendas parlamentares federais para o pagamento de propinas no Maranhão.
Gilbson Cutrim, que confessou o crime, é parente de Raimundo Cutrim. No ano passado, ele e sua família passaram a alegar que pessoas ligadas ao grupo político do governador Brandão o pressionaram a mudar os depoimentos prestados à polícia.
De acordo com a Polícia Federal, antes de ser preso, Gilbson teria entrado em contato com Daniel e Marcus Brandão, irmão do governador, ocasião em que “ambos teriam prometido vantagens substanciais (como cargo público, imóvel e apoio financeiro) em troca do silêncio absoluto acerca do contexto real do crime e a participação de agentes públicos”.
Com o afastamento, Daniel está proibido de acessar os sistemas do Tribunal de Contas, de frequentar ambientes em razão do cargo e também de “manter contato direto ou indireto” com o tio governador, com Raimundo Cutrim e todos os outros envolvidos ou mencionados na investigação do assassinato do empresário.
Sigilo da fonte
Raimundo Cutrim também é alvo de outro inquérito no Supremo. Na semana passada, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-secretário após ele ser apontado como a fonte de um jornalista do Maranhão que fez uma reportagem sobre o uso de veículo oficial por parte do ministro do STF.
O jornalista em questão é Luís Pablo, que, em março, já havia sido alvo de outra operação, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Para os investigadores, ele é suspeito de perseguir Flávio Dino.
Cutrim teria utilizado seu cargo para obter as informações e as imagens dos veículos que foram posteriormente divulgadas por Luís Pablo. Tais dados teriam sido obtidos a partir de sistemas com acesso controlado, conforme a PF.
Entidades de imprensa criticaram a determinação de Moraes. A Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) expressaram “profunda preocupação” com o caso, além de afirmarem que “ações judiciais que quebram o sigilo da fonte não têm amparo constitucional”. (O Globo)
Por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Daniel Brandão, foi afastado cautelarmente do cargo por 180. O afastamento ocorreu no âmbito de investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre uma suposta organização criminosa envolvendo possíveis desvios de recursos públicos, contratos, assassinato e outras irregularidades no Maranhão.
A decisão do STF estabelece uma série de medidas cautelares. Daniel Brandão fica impedido de acessar os sistemas internos e as dependências do TCE-MA, bem como de utilizar bens e serviços pertencentes ao Tribunal, incluindo veículos, funcionários, telefones celulares e passagens aéreas.
Daniel Brandão também está impedido de manter contato com pessoas relacionadas às investigações. As medidas têm caráter cautelar e buscam preservar o andamento das apurações conduzidas pelas autoridades.
Segundo a decisão, caberá ao próprio Tribunal de Contas do Estado do Maranhão adotar as providências necessárias para a substituição de Daniel Brandão durante o período de afastamento, seguindo as regras previstas no regimento interno da Corte.
Daniel é sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB) e teve seu nome relacionado as investigações sobre o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho.
Entre os pontos relacionados à medida cautelar do afastamento constam possíveis tentativas de obstrução das apurações e a eventual atuação de agentes públicos relacionados ao episódio.
Diante da medida tomada pelo Supremo Tribunal Federal de afastar Daniel Brandão, o Tribunal de Contas do Estado Maranhão reuniu nesta manhã de segunda-feira (17) e definiu que o conselheiro Marcelo Tavares assumirá o comando da Casa.
A decisão do afastamento está relacionada aos processos que tramitam no Supremo e às investigações que envolvem o Maranhão. Daniel é citado nas apurações, mas nega qualquer participação em irregularidades.
A apuração sobre o assassinato de um empresário maranhense avançou para um conjunto mais amplo de suspeitas envolvendo corrupção, fraudes em contratos públicos, emendas parlamentares e tentativas de interferência nas investigações. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Flávio Dino.
As informações foram reveladas pela coluna de Daniela Lima, no UOL, nesta sexta-feira (14), após Dino retirar o sigilo de decisões relacionadas ao inquérito. Um dos despachos descreve o que a Polícia Federal vê como um megaesquema de corrupção com participação de empresários e políticos do Maranhão.
Segundo a investigação, o homicídio de 2022 teria relação com divergências sobre pagamentos de contratos públicos e propinas. A PF aponta uma sequência de fraudes em licitações, desvios de contratos públicos e uso de emendas parlamentares em benefício de um grupo ligado ao governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB). Em apenas um dos episódios analisados, os valores movimentados superariam R$ 14 milhões.
Em despacho, Dino registrou a avaliação dos investigadores sobre a conexão entre o homicídio, os atos de corrupção e as manobras posteriores para dificultar a apuração.
“Nesse passo, na visão dos trabalhos policiais, o homicídio praticado em 2022, derivado de atos de corrupção, levou a vacâncias e nomeações no Tribunal de Contas do Estado e a sucessivos atos tendentes a impedir ou embaraçar as investigações e a atuação do Poder Judiciário, abrangendo a Justiça do Estado, o STJ e este STF”, afirmou o ministro.
A investigação também identificou a suspeita de envolvimento de um policial federal, Edvar Rodrigues dos Santos, que foi afastado do cargo por decisão do Supremo. De acordo com a PF, ele teria mantido contatos reiterados e não autorizados com o pai de um investigado preso por homicídio em Brasília.
“No curso das investigações, identificou-se que o agente de Polícia Federal Edvar Rodrigues dos Santos estabeleceu contatos reiterados e não autorizados com o pai do investigado preso [por homicídio] em Brasília/DF e pessoa diretamente vinculada à investigação sigilosa em tramitação nesta Polícia Federal, referente a suposto esquema de obstrução à colaboração com o inquérito em curso neste Supremo Tribunal Federal”, registrou a PF.
Além do braço relacionado ao homicídio, a apuração no STF envolve suspeitas de corrupção por meio de emendas parlamentares e fraudes em licitações. Segundo a coluna, ao menos dois políticos com foro privilegiado aparecem no contexto das investigações: um deputado federal e um senador.
Os procedimentos seguem sob análise no Supremo, que apura tanto a possível estrutura de corrupção quanto os indícios de obstrução à atuação da Polícia Federal e do Judiciário. Até o momento, os fatos descritos nos despachos se referem a suspeitas em investigação.
A corrida às duas vagas que o Maranhão tem direito a eleger no Senado este ano tem a presentado números que indicam resultado imprevisível. É fato que a ex-governadora (MDB) estaria em situação um pouco melhor na intenção de voto, com um percentual de diferença distante dos demais concorrente, mas é bom lembrar que a campanha ainda não começou e o cenário pode sofrer alterações ao longo do percurso.
Pelos números da pesquisa divulgada nesta quarta-feira (12) pelo Instituto IPPI Roseana lidera com 23,8% de intenções de voto para o 1º voto, seguida por Lahesio Bonfim (Novo) com 14,7%, André Fufuca (PP) com 12,7%, Weverton Rocha (PDT) com 12,5% e Eliziane Gama (PT) com 8,6%.
Em um outro cenário levantado pelo IPPI, aquele em que o entrevistado é perguntado sobre o 1º e o 2º voto para o Senado, Roseana Sarney mantém a liderança com 34,9%, vindo em seguida Weverton Rocha (23,5%), André Fufuca (23,1%), Lahesio Bonfim (22,5%), Eliziane Gama (17,3%), Hilton Gonçalo (4,1%), Wilson Leite (4,0%), Cidônio Gonçalves (PL): 3,5%.
Com pode se deduzir do levantamento feito as vésperas de iniciar a campanha das eleições 2026, a corrida será acirrada com cinco candidatos disputando as duas vagas, com o fator que não pode deixar de ser levado em conta: normalmente o candidato a governador favorito para vencer a eleição costuma ser fundamental para a eleição do senador.
O poder de fogo de cada candidato começará a ser medido a partir do próximo domingo quando todos estarão livres para pedir votos. Os dois senadores que buscam a reeleição, Wverton Rocha e Eliziane Gama, são vice-líderes do governo do presidente Lula, mas estão em palanques opostos,
A senadora apoia o candidato a governador Felipe Camarão (PT) e o senador Orleans Brandão (IMDB), mas ambos pedem votos para o presidente Lula. Roseana e Fufuca também apoiam a reeleição presidente., porém com um diferença: Fufuca é aliado do candidato a governador Eduardo Braide (PSD), favorito na corrida ao Palácio dos Leões, enquanto Roseana está no palanque de Orleans.
Dos quatro candidatos que reivindicam o apoio de Lula Weverton Rocha possuem situação delicada por estar sob investigação da Polícia Federal, sob acusação de ser integrante da organização criminosa que se apropriou de indevidamente de recursos de aposentados e pensionistas do INSS, naquele que é considerado o maior escândalos de corrupção de instituição.
A senadora Elziane Gama tem o apoio declarado do presidente, é filiado ao PT e possui uma imagem limpa, sem mancha e tem um mandato exemplar, digno de orgulho de quem lhe confiou o voto na eleição de 2018.
André Fufuca, ex-ministro do Esporte do governo Lula é outro candidato que tem a simpatia do presidente e serviço prestado ao país e ao Maranhão. Já Roseana foi líder do primeiro mandato de Lula e seu pai, o ex-presidente José Sarney é muito amigo do petista.
E no meio destes quatro candidato lulistas, aparece o represente da direita Lahesio Bonfim, aliado de Braide, sempre pontuando entre os primeiros colocados na corrida ao Senado.
Resta saber que terá fôlego para chegar ao “céu”.
O presidente Lula (PT) lidera todos os cenários de intenção de voto para a eleição presidencial de 2026 e registra números que o deixam no limite de uma vitória em primeiro turno, segundo dados da 169ª Pesquisa CNT de Opinião, realizada pelo Instituto MDA e contratada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).
Na pesquisa estimulada de primeiro turno, Lula aparece na liderança isolada com 42,4% das intenções de voto. Seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), figura em segundo lugar com 28,7%. Na sequência, aparecem Ronaldo Caiado (4%), Romeu Zema (3,3%), Renan Santos (2,8%), Augusto Cury (1,2%). Os demais não chegam a 1%. Os votos brancos e nulos somam 6,8%, enquanto os indecisos representam 7,2%.
Matematicamente, a definição da eleição no primeiro turno exige que o candidato vencedor obtenha mais de 50% dos votos válidos, superando a soma de todos os seus concorrentes diretos. Na amostragem da pesquisa CNT/MDA, a soma de todos os adversários de Lula atinge 43,4% das intenções de voto. Dessa forma, caso Lula consiga atrair apenas 0,6% dos votos que hoje estão distribuídos entre seus oponentes, ele alcançará 43,0% contra 42,8% do conjunto da oposição, garantindo numericamente a maioria absoluta necessária para vencer o pleito em primeiro turno. Essa pequena margem de crescimento pode ser alcançada ao longo da própria campanha eleitoral, impulsionada pelo início da propaganda no rádio e na televisão, pelo fortalecimento dos palanques regionais e pela mobilização de sua base aliada. Cabe destacar que o Instituto MDA foi o que apresentou o maior índice de acerto no resultado final das últimas eleições presidenciais, o que confere ainda maior relevância estratégica e precisão analítica a esse cenário.
O levantamento revela ainda a força do potencial eleitoral de Lula: 52,6% dos entrevistados afirmam que votariam nele com certeza ou que poderiam votar na sua candidatura.
Nas simulações de segundo turno, o presidente vence com folga todos os adversários testados:
O levantamento do Instituto MDA para a CNT foi realizado de maneira presencial entre os dias 5 e 9 de agosto de 2026, com 2.002 entrevistas distribuídas proporcionalmente pelo país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06935/2026.
Quem está atento ao noticiário pode ter a impressão de que os políticos maranhenses já estão em campanha. Mas oficialmente a propaganda eleitoral, a fase de pedir voto abertamente nas ruas, no rádio, na TV e na internet, não começou. Ela só passa a valer em 16 de agosto (próximo domingo), um dia depois do prazo final para o registro de candidaturas.
Faltando quatro dias para o encerramento do prazo, estão registrados para concorrer ao Governo do Maranhão Saulo Arcangeli (PSTU), Felipe Camarão (PT), André Luís (Missão), Orleans Brandão (MDB) e Reginaldo Lima (PCB). O ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) e o ex-senador Roberto Rocha (PRTB) deverão encaminhar seus pedidos de registros nos próximos dias.
Diante do prazo estabelecido pelo TSE para os candidatos começar a pedir votos significa que a partir da próxima semana os sete candidatos que concorrerão ao governo estarão livres para usarem os meios permitidos para convencer o eleitor que possuem capacidade administrativas e que defendem as melhores propostas para governar o estado, considerado um dos mais pobres da Federação.
Para esta eleição, a população que vai as urnas possui um leque de opções que vai da extrema esquerda à extrema direita. No campo do radicalismo de direita se apresentam os candidatos do Missão André Luís e do PRTB Roberto Rocha, sendo os dois estarão brigando pelo voto dos conservadores. O candidato do PRTB já deixou claro no debate da TV Band que seu palanque será o do bolsonarismo.
No outro extremo encontra-se o candidato do PSTU, Saulo Arcangeli e suas ideias estatizantes, discurso radical contra patrões e em defesa da classe trabalhadora. A exemplo de outras eleições, este segmento da política brasileira deve aproveitar o pleito apenas para marcar posições e tentar fazer alguns represente nas parlamentos estadual e federal.
O grande embate mesmo deve ocorrer no campo do centro e centro esquerda, onde encontram os candidatos favoritos para vencer a eleição: Eduardo Braide, Orleans Brandão e Felipe Camarão. Hoje a polarização envolve Braide e Orleans (centro), mas o fator Lula pode virar o jogo em favor de Camarão (centro esquerda), único postulante ao Palácio dos Leões que tem o apoio declarado do presidente, considerado o maior cabo eleitoral do Maranhão.
Pesquisas realizadas a partir do início das campanhas que vão dizer para que lado tende o eleitor. Levantamentos passados não devem ser levados em consideração, até porque apresentaram resultados duvidosos e difíceis de acreditar. Quem observa o cenário político local com lupa, escorado em pleitos passados, acredita que o jogo começa a partir do próximo domingo, dia 16 de agosto, data em que os candidatos vão poder botar para valer o bloco nas ruas, ir para o corpo-a-corpo com o eleitor.
Por enquanto o que houve foi treino, articulações para formação de alianças, composição de nominatas e até armações para deixar adversários fora da corrida ao Senado, como aconteceu com o deputado Duarte Junior, impedido de concorrer a uma das duas cadeiras que estarão em disputa diante da pressão exercida contra os dirigentes do partido Avante.
O jogo é bruto, mas espera-se que seja jogado de forma limpa e dentro das leis que regem o sistema democrático, sem abuso de poder político e econômico.
247 – O senador Weverton Rocha (PDT-MA) encaminhou um ofício à Mesa Diretora do Senado Federal cobrando medidas rigorosas contra o vazamento de materiais extraídos de seu celular funcional, apreendido em dezembro do ano passado, relata Lauro Jardim, do jornal O Globo. O documento foi endereçado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após a divulgação de uma fotografia pessoal gravada no aparelho do parlamentar.
A imagem que motivou a reação do parlamentar registra um encontro social realizado em abril de 2023, na área da piscina do rancho do advogado Willer Tomaz. Além de Weverton, aparecem na foto diversas figuras políticas de destaque, entre as quais o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), os deputados federais Elmar Nascimento (União-BA) e Paulo Azi (União-BA), além do ex-ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União-MA) e do deputado federal cassado e foragido da Justiça Alexandre Ramagem (PL-RJ).
No documento apresentado à presidência do Senado, Weverton Rocha argumenta que a divulgação de dados e registros fotográficos privados expõe indevidamente autoridades que sequer figuram como investigadas no processo. Para o senador, a veiculação fracionada do material indica uma suposta instrumentalização seletiva do acervo sigiloso retido pelas autoridades judiciais.
O texto do ofício reforça que a exposição pública desses arquivos viola garantias constitucionais basilares, tais como o direito à intimidade, o sigilo dos autos e o princípio da presunção de inocência, condutas que podem configurar o crime de violação de sigilo funcional por parte de quem custodia ou manuseia as provas.
Diante do episódio, o parlamentar formalizou uma série de pedidos para resguardar as prerrogativas do Poder Legislativo:
Contexto da investigação e desdobramentos
Weverton Rocha é investigado desde o ano passado no âmbito da Operação Sem Desconto. Em fase recente deflagrada pela Polícia Federal, os investigadores miram uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro relacionada a desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo as investigações da PF, há suspeitas de que uma rede composta por empresas, sociedades patrimoniais e postos de combustíveis tenha sido utilizada para ocultar a origem e movimentar valores decorrentes das fraudes previdenciárias.
Em nota oficial, o advogado Willer Tomaz repudiou veementemente a divulgação do registro fotográfico feito em sua propriedade. Ele ressaltou que a fotografia se refere a um evento estritamente particular, retirado do telefone do senador sem qualquer pertinência com a atividade profissional dos presentes ou com os fatos sob apuração. Tomaz esclareceu ainda que não é investigado por fraudes previdenciárias no inquérito que apura as irregularidades no INSS.