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  • Jorge Vieira
  • 28/dez/2014

Governo possui dívida de R$ 1,12 bilhão por terceirização ilícita

Uma sentença de janeiro de 2013 emitida pela
Justiça do Trabalho do Maranhão exige que o Governo do Estado e o
Detran (Departamento Estadual de Trânsito)  suspendam os
contratos com as empresas terceirizadas para fornecimento de mão-de-obra para
atuar no órgão em atividade-fim da referida autarquia. Pelo
descumprimento da ordem por parte do governo Roseana Sarney, o Governo do
Estado já acumula dívida que chega a R$ 1,127 bilhão.

A sentença resulta de ação do Ministério
Público do Trabalho que identificou irregularidade na terceirização de serviços
que deveriam ser prestados através de concurso público. A decisão foi publicada
em janeiro de 2013. No entanto, o governo Roseana Sarney não cumpriu a ordem e
desde então incide multa diária de R$ 10 mil por cada servidor
contratado de forma terceirizada. Pelo descumprimento, acumulou-se a dívida
bilionária do Estado do Maranhão, que cresce diariamente.

Sem legalizar as contratações de mão-de-obra e
mantendo os contratos terceirizados, o Governo do Estado e o Detran
desrespeitaram a decisão judicial, enquanto moviam no Tribunal Regional do
Trabalho um Recurso Ordinário, que ainda aguarda julgamento.

A ação iniciou-se em 2010, quando o Ministério
Público identificou as irregularidades que vinham acontecendo desde 1988,
quando todas as administrações públicas foram obrigadas a realizar concurso
público para compor o quadro de servidores. Passados 22 anos, o Detran do
Maranhão não tinha realizado nenhum concurso público. E somente
em 2011 é que teve certame público para o DETRAN e ainda assim apenas para 160
vagas, embora em 2010 tenham sido criadas 490 vagas para assistentes de
trânsito e 60 vagas para analista de trânsito.

A execução provisória decorreu de diligências
realizadas pela própria Procuradora do Trabalho, Annya Gadella, pois
a partir da decisão, o Detran ficou impedido de realizar novas
contratações e o Detran continuou contratando pelas mesmas
empresas, apesar de ter realizado concurso e não ter chamado todos os
aprovados. Essa solução encontrada pelo Governo Roseana foi o método
encontrado para a  manutenção das empresas IADESB e Diplomata, que
fornecem mão-de-obra para o órgão.

São 232 funcionários contratados pelo IADESB
e 193 pela Diplomata. Ambas também são rés na ação movida pelo
Ministério Público e acumulam multas de R$ 671 mil (Diplomata) e R$ 248,5 mil
(IADESB) pelo não cumprimento da ordem judicial.

O contrato com a IADESB já se encerrou e a mesma
está recebendo por indenização, mas há notícia de que a empresa não está
repassando os valores para os terceirizados. Já a Diplomata teve o seu contrato
renovado em 01/12/2014 e passou para o valor anual de R$ 10.245.146,40 (dez
milhões duzentos e quarenta e cinco mil cento e quarenta e seis reais e
quarenta centavos).

  • Jorge Vieira
  • 27/dez/2014

Declínio da família Sarney abre caminho para mudança no Brasil

Mauricio Lima/The New York Times

O tributo é pródigo. Entre no
Convento das Mercês, uma gema colonial elegantemente restaurada, construída
aqui em 1654, e aprenda sobre as realizações de José Sarney – ex-presidente do
Brasil e chefe de uma dinastia política que controlou o vasto Estado do
Maranhão por cinco décadas.

Um documentário mostra Sarney como um
governador bigodudo tirando o Maranhão de seu isolamento econômico nos anos 60.
Fotos o registram presidindo o Brasil durante a transição para um governo civil
nos anos 80. Uma série de títulos, incluindo “O Dono do Mar”, mostram
sua proeza literária como um romancista-estadista.

Do lado de fora do Convento das
Mercês, que abriga uma fundação que proclama Sarney e é financiada por verba
pública, os moradores são rápidos em apontar as marcas da família por toda São
Luís, a capital do Estado.

Precisa de um lugar para morar?
Considere o bairro de Vila Sarney, eles brincam. Um hospital? Há a Maternidade
Marly Sarney. Quer ler um livro? Experimente a Biblioteca José Sarney. Precisa
ir ao centro velho? Pegue a Ponte José Sarney. E se tiver um problema, você
pode entrar com uma ação na Justiça –no Fórum Desembargador Sarney Costa.

Mas toda a celebração visível de
Sarney agora contrasta com a forma como o patriarca, 84 anos, e seus
descendentes são vistos tanto no Maranhão, um dos Estados mais pobres do
Brasil, e no restante do país.

Os eleitores removeram os aliados
políticos de Sarney no Maranhão nas eleições em outubro, e o próprio Sarney, há
muito um dos homens mais poderosos do Brasil de sua posição no Senado, anunciou
que não tentaria a reeleição, possivelmente abrindo caminho para uma das
mudanças mais profundas na política brasileira nos últimos anos.

“O último dos grandes coronéis
do Brasil finalmente está em declínio”, disse Rodrigo Lago, um advogado e
ativista por transparência, usando o termo para os homens fortes que exercem
poder sobre grandes áreas do Brasil, principalmente aqui no Nordeste pobre do
país.

“Se o Maranhão pode mudar, então
os oligarcas de toda parte podem ser coibidos neste país”, acrescentou.

Mas aqui no reduto dos Sarney do
Maranhão, muitas pessoas estão otimistas com as chances de finalmente ocorrer
uma mudança.

“Nós estamos cheios dos Sarneys,
que permaneceram no poder apenas para se enriquecerem”, disse Sueli
Celeste, 48 anos, a secretária em uma escola próxima do Convento das Mercês, no
centro velho de São Luís, que está repleto de casarões abandonados.

“Esconda seu telefone quando
caminhar por aqui”, acrescentou. “Os viciados em crack o roubarão se
virem você tirando fotos.”

Um dos Estados mais pobres

As raízes do ressentimento não são
difíceis de ver. O Maranhão continua sendo um dos Estados mais pobres do
Brasil, com muitos de seus habitantes sobrevivendo de agricultura de
subsistência.

Mas a família Sarney conseguiu reunir
uma coleção poderosa de empresas de comunicação de massa, incluindo o jornal
“O Estado do Maranhão” e a “TV Mirante”, uma afiliada da
rede “Globo”, permitindo ao clã celebrar seus feitos e atacar seus
críticos. 

“A mídia exalta constantemente
as grandes coisas que Sarney e seus aliados fizeram e estão fazendo”,
disse Sean Mitchell, um antropólogo da Universidade Rutgers que realiza uma
extensa pesquisa no Maranhão. “Apesar disso, os serviços públicos
prestados pelos detentores de cargos da família Sarney e aliados é
terrível.”

O Maranhão é o penúltimo dos 26
Estados do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, uma medição
abrangente de fatores como níveis de educação, renda e expectativa de vida.

Escrevendo neste ano em sua coluna
dominical em “O Estado do Maranhão”, o jornal da família Sarney, José
Sarney argumentou que o índice de desenvolvimento foi criado como uma
estratégia pelos “países imperialistas” para explorar as fraquezas
nos países em desenvolvimento. “Pois é esse índice que alardeiam quando
querem falar mal do Brasil e pior do Maranhão”, disse. (O índice foi criado
por um ganhador do Nobel da Índia e por um ex-ministro das finanças do
Paquistão.)

Um apoiador do golpe militar de 1964,
Sarney prosperou durante o governo autoritário antes de despontar em 1984 como
companheiro de chapa de Tancredo Neves, o líder da restauração da democracia no
Brasil. Eleito presidente em 1985, Tancredo morreu de complicações de uma
cirurgia intestinal antes de tomar posse, abrindo caminho para a ascensão de
Sarney ao poder.

Mauricio Lima/The New York Times

Imagem de Sarney é refletida diante de retratos de políticos brasileiros
Sarney, cujos assessores disseram não
estar disponível para uma entrevista, deixou a presidência em 1990 com um
índice de aprovação de apenas 14%, em meio a duras críticas à sua gestão da
economia. Na época, o Brasil enfrentava uma taxa de inflação anual de 1.765%.

Então Sarney se reinventou como um
senador pelo Estado do Amapá, um território na Amazônia transformado em Estado
em 1991, supervisionando o crescimento do império de mídia da família e a
entrada de seus filhos na política. Ele voltou à proeminência ao longo da
última década como presidente do Senado, enfrentando acusações de nepotismo e
corrupção.

Sua filha, Roseana, a governadora de
saída no Maranhão, é celebrada nas páginas do jornal da família (uma foto de
primeira página em novembro a mostrava tocando violão enquanto visitava uma
escola). Mas o seu último ano como governadora foi marcado por crises nos
presídios, com rebeliões envolvendo decapitações e relatos de que gangues
estavam estuprando as esposas dos presos durante as visitas conjugais.

Citando razões pessoais, Roseana
Sarney deixou o cargo neste mês, restando apenas semanas para o fim de seu
mandato mais recente, evitando assim a cerimônia de entrega do governo para seu
sucessor em 1º de janeiro. Enquanto isso, depoimentos no imenso escândalo de
propina envolvendo a companhia estatal de petróleo a vinculam ao esquema.
Roseana, que negou as acusações, também recusou o pedido de entrevista.

Algumas pessoas no Maranhão duvidam
que a família Sarney apenas se recostará e ficará assistindo a seus oponentes
assumirem o poder. De fato, Roseana Sarney já foi retirada antes do palácio do
governo, após a eleição de um governador de oposição em 2006. Mas aquele
governador foi derrubado diante das acusações na mídia controlada por Sarney de
compra de votos, permitindo a volta de Roseana para substituí-lo.

Seu pai, o patriarca da família,
permanece desafiador mesmo ao final de sua longa carreira política. Escrevendo
em sua coluna dominical sobre o “novo Maranhão”, José Sarney disse
que o Estado parecia um “corpo sem cabeça” antes de se tornar
governador nos anos 60.

“A geração de hoje não tem noção
desta luta. A maior de todas as vitórias foi mudar a mentalidade do
Maranhão”, disse. “Foi tão forte que deu um presidente da República,
e o Maranhão passou a ser um dos mais importantes Estados do país.”

*Tradutor: George El Khouri Andolfato

  • Jorge Vieira
  • 27/dez/2014

Governador Flávio Dino avisa que pedirá ressarcimento por eventual uso de fundos ilegais

“O fundo
para usar depósitos judiciais foi criado por Decreto, editado há alguns dias,
contrariando a Constituição, que exige uma Lei”, esclarece Flávio.

A possibilidade do atual governo deixar os caixas
esvaziados para a próxima gestão não ficará sem resposta. foi o que afirmou o
governador eleito Flávio Dino. Para ele, a manobra do atual governo para quitar
os precatórios no apagar das luzes, através do “Fundo de Depósito de Reserva de
Depósitos Judiciais” é inconstitucional.

“O novo governo do Maranhão vai buscar
ressarcimento de todos os pagamentos feitos com base em Fundo criado de modo
inconstitucional”, disse Flávio, pelas redes sociais. Segundo ele, a
Constituição exige a criação do Fundo por meio de uma Lei e não de um Decreto,
como foi feito. “O fundo para usar depósitos judiciais foi criado por Decreto,
editado há alguns dias, contrariando a Constituição, que exige uma Lei”,
esclareceu.

O tema foi pauta do jornal Folha de São Paulo,
nesta sexta-feira (26), que abordou a articulação do governo que finda para
dispor de R$ 500 milhões para o pagamento de precatórios, que não são quitados
há mais de três anos. De acordo com o impresso, no apagar das luzes, o grupo de
Sarney tenta derrubar liminar que a oposição obteve na Justiça para bloquear o
uso da verba.

Em entrevista esta semana, o coordenador da Equipe
de Transição, Marcelo Tavares, revelou que os débitos com os precatórios só
neste ano já somam R$ 300 milhões e que há mais de três anos o governo Roseana
Sarney não paga um precatório sequer. Por isso, Marcelo Tavares considera
“estranho” que o governo se disponha a pagar esse montante há seis dias para o
início da próxima gestão.

Sobre isso, o governador eleito também se
posicionou: “visível o esforço para deixar o ‘caixa zerado’ para o novo governo
do Maranhão. Lamento muito essa falta de espírito republicano”,
avaliou. Dino ainda deixou claro que assim que a nova gestão tiver
acesso às informações negadas no período de transição, “divulgar tudo e tomar
as providências legais”.

  • Jorge Vieira
  • 26/dez/2014

Prefeitura realiza ação contra alagamento em elevados da cidade

A
Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Obras e Serviços
Públicos (Semosp), deu início nesta sexta-feira (26) à operação de desobstrução
de bueiros nos elevados da Cohama e da Cohab. A ação preventiva tem o objetivo
de minimizar os impactos causados pelas chuvas em localidades alagáveis como
essas. Os serviços estão sendo realizados em parceria com a Secretaria Municipal
de Trânsito e Transportes (SMTT), que trabalha orientando o trânsito nas duas
regiões.

A
limpeza e desobstrução dos bueiros está sendo realizada das formas manual e
mecanizada, garantindo assim agilidade no procedimento. O trabalho mecanizado
está sendo feito pelo caminhão de sucção de alto impacto que tem a capacidade
de, em cerca de três horas, desentupir um bueiro por meio da sucção dos dejetos
que impedem o escoamento das águas pluviais.  

O
titular da Semosp, Antônio Araújo, destacou que essa é uma das ações
estratégicas que estão sendo realizadas para minimizar as situações de
alagamento na cidade. “A execução desse trabalho preventivo é uma orientação do
prefeito Edivaldo, que tem apoiado uma série de medidas que estão em andamento
para minimizar os impactos causados pelas chuvas. Essas e outras áreas
propensas a alagamentos foram estudadas pela Prefeitura e os serviços
necessários para melhor escoamento da água serão executados”, disse.

Também
fazem parte desse trabalho preventivo a limpeza manual e mecanizada de canais,
galerias e bocas de lobos na cidade; e os serviços de drenagem que vêm sendo
realizados em locais como São Cristóvão, Santa Bárbara,  Cidade Operária e
Vila Luizão. As ações estão sendo executadas com base no diagnóstico realizado
pela Semosp, para identificação de pontos da cidade com potencial de sofrer
alagamentos.

DEFESA
CIVIL

Durante
este mês, a Prefeitura de São Luís iniciou uma ação conjunta para limpeza do
córrego no bairro Fumacê, na área Itaqui-Bacanga. A limpeza inclui retirada de
entulho e lixo do curso d’água e das margens, reduzindo o risco de alagamento
na área. Cerca de 200 famílias que construíram casas no entorno do canal estão
sendo beneficiadas com a ação.

A
Secretaria Municipal de Segurança com Cidadania (Semusc), através
da Defesa Civil Municipal, identifica a área com risco de alagamento
e em seguida é realizada a limpeza do local. A ação é realizada em parceria com
a Vale e envolve as Secretarias Municipais de Segurança com Cidadania (Semusc),
Obras e Serviços Públicos (Semosp) e Urbanismo e Habitação (Semurh), através da
Blitz Urbana.

  • Jorge Vieira
  • 26/dez/2014

Lideranças nacionais marcarão presença na posse de Flávio Dino

A posse do primeiro governador eleito pelo PCdoB
está movimentando lideranças políticas de todo o Brasil. Marcada para o dia 1º
de janeiro de 2015, às 17h, em frente ao Palácio dos Leões, a cerimônia terá a
presença de caravanas de todos os 217 municípios do Estado e membros da
executiva nacional do PCdoB.

Uma das presenças mais aguardadas é do líder
camponês e fundador nacional do PT, Manoel da Conceição (foto). Representante
simbólico das lutas democráticas do Maranhão, Manoel da Conceição participará
da cerimônia de posse como parte da luta social do Estado e como representante
de centenas de milhares de maranhenses que inspiraram, participaram e
contribuíram para a virada de página do Maranhão.

Com o compromisso de promover igualdade social em
seu mandato, Flávio Dino foi eleito 64% dos votos em primeiro turno. Rompendo
um ciclo político que durou quase 50 anos, o governador eleito tomará posse em
praça pública – em frente ao Palácio dos Leões, reunindo toda a população em
cerimônia aberta ao público.

Pessoas de todo o Brasil têm manifestado apoio ao
projeto encampado por Flávio Dino – de superação das desigualdades sociais no
Maranhão, como é o caso do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ranking no
qual aparece em penúltimo lugar entre os estados brasileiros.

Para presenciar o momento histórico de mudança
política no estado do Maranhão, lideranças de vários estados do Brasil estarão
presentes.

Entre as lideranças nacionais e membros da
executiva nacional do PCdoB são esperados nomes como Luciana Santos (deputada
federal eleita presidente nacional do PCdoB), Orlando Silva (ex-ministro dos
Esportes), Walter Sorrentino (secretário nacional de organização), Nádia
Campeão (vice-prefeita de São Paulo), Jô Moraes (deputada federal), Lélio Costa
(deputado estadual -PA) -, Virgínia Barros (presidente nacional da UNE), Renan
Tiago Alencar (presidente nacional da UJS), Haroldo Lima (ex-presidente da ANP
e ex-deputado federal), Dilermando Toni – membro da direção nacional do PCdoB
-, entre outros.

 

—

  • Jorge Vieira
  • 26/dez/2014

Poder dos Sarney não volta mais, diz Flávio Dino

O Estado
de São Paulo

Responsável pela segunda derrota política do grupo liderado pelo
senador José Sarney (PMDB) em 50 anos de história no Maranhão, o ex-juiz
federal Flávio Dino (PC do B), eleito governador após vencer o peemedebista
Lobão Filho, acredita que o Estado nunca mais voltará a ser governado por um
clã como o do ex-presidente da República. “O grupo Sarney continuará a existir,
mas jamais terá o poder que ostentou durante meio século.”

Para a previsão de Dino se
tornar realidade, os primeiros passos serão dados a partir do dia 1.º, quando
ele tomar posse e assumir o comando do Palácio dos Leões. A solenidade será a
parte mais visível da ruptura política experimentada pelo Estado. O governador
eleito – o primeiro do PC do B no País – será empossado pelo presidente da
Assembleia Legislativa, o deputado Arnaldo Melo (PMDB), que assumiu o governo
após a renúncia de Roseana Sarney (PMDB). A filha do senador deixou o posto no
início do mês, alegando problemas de saúde, e não transmitirá o cargo ao
adversário político.

Após impor a derrota ao
grupo Sarney, como o senhor espera que os membros do clã irão se comportar?
Acredita que enfrentará perseguição por parte dos setores da mídia regional e
da bancada maranhense no Congresso?

O poder instituído pelo
grupo Sarney em diferentes setores não acaba com a derrota no pleito para o
Governo do Estado. Muitas estruturas permanecem ligadas a ele. Mas nós vencemos
as eleições mesmo contra todo esse poderio. Sobre a bancada maranhense no
Congresso, o que o povo espera de cada um deles (parlamentares),
independentemente do seu partido, é que eles defendam os interesses do
Maranhão. Quando fui deputado federal, eu me comportei assim, mesmo sendo oposição
ao governo Roseana (Sarney), e eu espero da nossa próxima representação essa
mesma maturidade.

O Maranhão é um dos
Estados com piores indicadores sociais do País. Em sua campanha eleitoral, o
senhor disse que o grupo que lhe antecedeu passou 50 anos no poder e não fez
nada. Qual a transformação que o senhor propõe para o Maranhão nos próximos
quatro anos?

O objetivo principal do
nosso governo é fazer um Maranhão com mais justiça, mais igualdade. Isso
significa melhorar esses indicadores sociais. Isso não se faz da noite para o
dia, sabemos disso, mas, se o governo não priorizar o assunto, essa situação
não vai mudar. Vamos fazer isso com honestidade na aplicação do dinheiro
público, políticas de gestão inovadoras, e com um novo modelo de desenvolvimento
que vai integrar grandes e pequenos.

O PT não lhe apoiou
formalmente na eleição, mas uma ala esteve presente na campanha e membros do
partido vão fazer parte do seu governo. Como será o seu diálogo com a legenda?

Nosso diálogo permanece
aberto para que o PT do Maranhão faça o caminho de volta. Estamos abertos para
dialogar com todas as correntes políticas que queiram nos ajudar. Tenho feito
reuniões com muitos segmentos sociais. Temos um programa moderno e
transformador que foi aprovado nas urnas por 65% (na verdade, 63,5%) dos
maranhenses. Essa é a nossa referência essencial.

O poder exercido pelos
Sarney e, agora, a derrota desse grupo político despertaram atenção nacional
para o Maranhão. Como é viver essa expectativa em torno de seu futuro governo?

Um ciclo de poder que dura
tanto tempo e que no Brasil só tem longevidade comparada ao reinado de d. Pedro
II chama a atenção do País por si só. Além disso, esse ciclo político resultou
em indicadores sociais muito baixos, que são rotineiramente noticiados, até
internacionalmente. Isso gerou uma forte corrente de simpatia à nossa luta para
virar essa página. Essa energia cívica nos animou durante toda a caminhada.
Estamos bem conscientes da expectativa e da responsabilidade que isso implica.
Faremos um governo bom, honrado e com muitas realizações.

O senhor acredita que a
família Sarney foi derrotada definitivamente?

Nunca mais o nosso Estado
será governado por coronéis. Tenho essa convicção e essa alegria. O grupo
Sarney continuará a existir, mas jamais terá o poder que ostentou durante meio
século. Agora é hora de construir um futuro melhor para a nossa população.
Vamos fazer muitos investimentos públicos. E quero garantir aos investidores
privados: quem acreditar nesse novo momento do Maranhão não vai se arrepender.
Teremos um ambiente institucional que vai impulsionar nosso desenvolvimento.

  • Jorge Vieira
  • 26/dez/2014

Aliados do grupo Sarney ganham convênios de R$ 117 milhões no final da gestão Roseana

UOL

Às vésperas de encerrar o
ano e mudar de gestão, o governo do Maranhão renovou, nos últimos dois
meses, 172 convênios com prefeituras. Praticamente todas as administrações
beneficiadas são governadas por aliados do grupo político dos Sarney, que
deixará o governo do Estado em 1º de janeiro de 2015.

Após a derrota nas urnas
nas eleições de 2014 –quando Flavio Dino (PCdoB) foi eleito o novo governador
do Maranhão já no primeiro turno–, foram fechados convênios que totalizam R$
117 milhões. Os contratos têm prazo final de execução entre os meses de janeiro
e março de 2015, e envolvem diversos tipo de obras.

Apesar de já estar em
período de transição, o novo governo alega não ter sido informado oficialmente
sobre os gastos, e afirma que soube apenas após a publicação atrasada de
diários oficiais do Estado.

Os convênios foram
assinados e divulgados apenas após a renúncia de Roseana. Durante os 20 dias
que antecederam a renúncia da agora ex-governadora e filha do senador José
Sarney (PMDB-AP) e a posse do presidente da Assembleia –Arnaldo Melo (PMDB)– no
governo maranhense, o Diário Oficial do Estado não foi publicado. Todas as
edições que circulariam nesses dias foram colocadas à disposição para consulta
com data retroativa.

Com rival no comando,
capital fica fora da lista de cidades premiadas

Apesar de ser a capital do
Estado e concentrar quase 20% da população, São Luís não foi beneficiada com
nenhum convênio. O prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PTC) é aliado político de
Flávio Dino.

O prefeito afirma que, nos
dois anos em que esteve à frente da gestão de São Luís, o governo do Estado não
o procurou, nem fechou nenhum convênio de repasse de recursos.

Mas se a capital ficou
fora, pequenas prefeituras do interior foram agraciadas com convênios que
preveem distribuição de verbas substanciais. Uma delas é a de Coroatá (247 km
de São Luís), que receberá R$ 1,6 milhão dos cofres estaduais. A prefeita Maria
Teresa Trovão Murad (PMDB) é esposa de Ricardo Murad, deputado estadual e
cunhado de Roseana Sarney.

A prefeitura de Codó
também foi outra beneficiada, com convênios que somam R$ 1,5 milhão. Envolvido
em denúncias de compra de votos, o prefeito Zito Rolim (PV) é apoiador
histórico do grupo Sarney.

Nova administração do MA protesta contra convênios retroativos

A assinatura retroativa
dos convênios foi recebida sob protestos do novo governo. Uma das dúvidas da
gestão Flávio Dino é saber se os convênios serão pagos com o orçamento de 2014,
ou se serão deixados na conta do novo governo, que começa em 1° de janeiro de
2015

“Não há dúvida de que há
direcionamento político. Se eles forem pagos no fim do governo, a toque de
caixa, é um indicativo que pode haver um trabalho de passar um ‘caixa zero’”,
afirmou o coordenador da transição, Marcelo Tavares (PSB).

Tavares afirma que uma das
primeiras medidas que o novo governo vai adotar é a analise dos convênios
retroativos.

“Todos os casos que forem
identificados com indício de irregularidades serão encaminhados para a
Secretaria de Transparência e Controle para levar às instâncias cabíveis”,
disse.

A reportagem do UOL
procurou a secretaria de Comunicação do Maranhão durante a última semana, com
pedido de explicações sobre os convênios e seus pagamentos, mas não obteve
resposta até a publicação.

Em entrevista concedida à
Folha na semana passada, o governador eleito Flávio Dino criticou a renúncia de
Roseana e afirmou que ela vai entregar um governo.

“Estão interrompendo os
pagamentos na área da saúde, que não tem concurso público há cerca de 20 anos.
A dívida com os precatórios está explodindo, e a gente não sabe o que vai ser
quitado e o que vai ficar para o ano que vem”.

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