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Notícias
  • Jorge Vieira
  • 1/dez/2022

Famílias ameaçadas de despejo sofrem violência no Acampamento Marielle Franco no Maranhão

Mariana Castro – Brasil de Fato – Localizado no município maranhense de Itinga, a 620 km da capital São Luís, o Acampamento Marielle Franco enfrenta intensos conflitos em uma área da União, onde cerca de 150 famílias acompanhadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) vivem há quase cinco anos.

Os trabalhadores rurais têm sido ameaçados por policiais armados e seguranças privados da empresa Viena Siderurgia, uma das maiores produtoras de ferro gusa do Brasil, que reivindica posse da terra.

Com extensos plantios de soja, as fazendas vizinhas contaminam as lavouras com agrotóxico. As famílias sofrem ameaças de despejo e agora denunciam violência envolvendo policiais fardados e seguranças privados da empresa.

Na manhã de sábado, dia 11 de novembro, foram divulgadas cenas de uma das abordagens de policiais, acompanhados de seguranças privados, onde é possível perceber o uso de spray de pimenta.

Em razão dos conflitos, uma assembleia foi realizada no acampamento com a presença de representantes do Governo do Estado do Maranhão, do MST e do Centro de Direitos Humanos Padre Josimo, em que a comunidade apresentou uma série de denúncias.

O presidente da Associação de Moradores, Francisco Lima, teve sua residência incendiada e aponta para a intensificação dos conflitos nos últimos dias.

“Estamos aqui em uma batalha, em uma luta contra uma empresa gigante e ultimamente temos recebido pressão tanto da parte da milícia armada, como da Polícia Militar, que tem feito visitas e ameaças, tentando retirar a gente a qualquer custo da área. A gente está aqui há cerca de quatro, cinco anos e nunca tinha acontecido isso, mas de maio para cá as visitas têm sido constantes”, explica.

Em outro vídeo gravado pela comunidade, os acampados denunciam que seguranças armados estariam queimando eucaliptos na área ocupada pelo Acampamento, com a intenção de incriminar as famílias.

Acampado e pastor na comunidade, James Fernandes alerta para os riscos enfrentados pelas famílias diariamente e a urgência em solucionar o caso, preservando a vida.

“O cara chega a atingir uma criança e está tudo perdido, o povo vai para cima mesmo. Quem aqui quer ver uma família sendo oprimida? Um filho chutado? Spray de pimenta nos olhos? Está no vídeo! Será que para consolidar isso aqui é obrigado morrer alguém? Fazer o mártir de uma criança, de uma senhora? Acho que não, tem que mudar esse conceito e fazer o que precisa, antes que o pior aconteça”, denuncia.


Crianças já vivem sob traumas e medo da presença de policiais no acampamento / Mariana Castro

TRAUMAS

Sem energia elétrica e acesso a sinal telefônico, um mecanismo utilizado para anunciar a necessidade de reunião da comunidade é o uso de rojões. Os últimos fogos alertaram para a presença de policiais e seguranças, acompanhada de casos de violência contra as famílias.

Para o anúncio da chegada da equipe que participaria na assembleia, ocorrida no dia 22 de novembro, foram lançados rojões e crianças de cerca de dois anos choravam incessantemente, clamando pelo abraço de seus pais, o que mostra que a situação de conflito já causa trauma em bebês e crianças.

“Aqui as crianças, como o próprio advogado viu, a criança espontaneamente disse, ‘é o carro da polícia, é a polícia’. Isso já identifica um trauma opressor sobre não só os adultos, mas também as crianças. Isso é comum acontecer aqui, de repente estamos ali comendo nosso feijão, nosso arroz, escutamos um foguete e é a polícia. Não importa o momento, isso é uma coisa desumana, é um desrespeito enorme”, denuncia o pastor James Fernandes.

Além do incêndio na casa do Presidente da Associação, foram relatadas ainda ameaças a trabalhadores, retenção de materiais de trabalho, violência contra adolescentes e crianças e uso de armas e spray de pimenta.


Professora denuncia violência com uso de spray de pimenta em crianças e adolescentes / Mariana Castro

A professora da escola do acampamento Marielle Franco, Jaqueline Almada, lamenta as abordagens ilegais e criminosas, especialmente contra as crianças da comunidade.

“Crianças estão sendo ameaças com spray de pimenta na cara, questões mandadas pelas milícias, pela empresa, e nós nos sentimos oprimidos em relação a isso. Eu, como professora, o que eu tenho a falar é que eu me sinto revoltada. Isso é um ato revoltante que é feito com a comunidade, porque além de nos intimidar e nos oprimir, fazem isso com as crianças, que são os nossos alunos”.


À esquerda, Chefe da Casa Civil do Estado participa de audiência no Acampamento Marielle Franco / Mariana Castro

Chefe da Casa Civil do Maranhão, Sebastião Madeira participou da comitiva que esteve no acampamento e explica que a assembleia foi um pedido do governador Carlos Brandão.

“Vim aqui por determinação do governador Carlos Brandão (PSB) para poder ver a situação, analisar os prós e os contras. Fizemos uma reunião, ouvi todo mundo, os assentados, advogados e vou levar para o governador a nossa opinião, a nossa avaliação.”

Por causa dos ataques, o acampamento Marielle Franco foi incluído recentemente no Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, sob acompanhamento da Comissão Estadual de Prevenção à Violência no Campo e na Cidade (COECV).


Secretaria de Direitos Humanos reforça necessidade de reforço de segurança da comunidade / Mariana Castro

A Secretária de Direitos Humanos do Maranhão, Amanda Costa, que vem acompanhando o caso desde 2018, também esteve no acampamento e destaca a necessidade de diálogo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

“Ao fazer esse processo de oitiva foram apontados pelos moradores a necessidade de reforço na segurança pública, para preservar a vida e a integridade dos moradores, também as questões relativas ao diálogo com o Instituto de Regularização Federal, o INCRA para discutir e esclarecer dúvidas da comunidade acerca da titularidade da terra, porque eles demandam que possam se tornar beneficiários da reforma agrária”, explica a secretária.


Cercadas por plantios de eucalipto, famílias seguem sob risco de despejo / Mariana Castro

A Secretária esclarece ainda que novas reuniões serão encaminhadas nos próximos dias, a fim de que os órgãos estaduais e federais possam garantir os direitos dos envolvidos.

“A partir desse processo, que são medidas que não excluem as tratativas que estão sendo discutidas no âmbito do processo judicial, esperamos garantir que se construa uma solução pacífica, que possa compor, de imediato, a garantia de direitos de todas e todos os envolvidos, em especial das comunidades integrantes do acampamento Marielle Franco”.

Sobre os casos de violência apontados pela comunidade, tentamos contato com a empresa Viena Siderurgia e com a Polícia Militar, mas não recebemos respostas até a conclusão desta matéria.

O caso segue sob acompanhamento jurídico de uma equipe de advogados populares ligados ao Movimento Sem Terra, que apontam para o risco iminente de despejo, considerando o fim dos efeitos da ADPF 828/DF, que determinava a suspensão temporária das desocupações coletivas e despejos até o dia 31 de outubro.

Edição: Thalita Pires

  • Jorge Vieira
  • 30/nov/2022

Deputado destaca trabalho de Carlos Brandão e ascensão de Flávio Dino no cenário nacional

O deputado Adelmo Soares (PSB) destacou, na sessão plenária desta quarta-feira (30), a agenda de trabalho que o governador Carlos Brandão (PSB) vem desenvolvendo no estado e a sua atuação em favor do municipalismo e da unidade do grupo vitorioso nas eleições de 2022. Na ocasião, ele também enalteceu o trabalho realizado pelo ex-governador Flávio Dino (PSB) e a sua ascensão no cenário nacional.

“O governador tem mantido uma agenda frenética e propositiva de inaugurações em todo o estado, o que demonstra o fortalecimento de sua atuação municipalista”, afirmou.

Segundo o parlamentar, esse trabalho reflete também na Assembleia. “Os parlamentares, reeleitos e eleitos, certamente entenderão a importância de manter a unidade para que o Maranhão continue se desenvolvendo”, disse.

Liderança – Ainda em seu pronunciamento, Adelmo Soares enalteceu o trabalho realizado pelo ex-governador Flávio Dino (PSB), eleito senador no pleito de outubro, e disse ter certeza da sua indicação para o Ministério da Justiça do governo Lula.

“O anúncio de Flávio Dino como ministro da Justiça vai nos orgulhar muito. Isto mostra sua força, lealdade e capacidade. Ele está se transformando em uma grande liderança nacional”, afirmou.

O deputado destacou, também, a participação de outras lideranças maranhenses nos grupos de trabalho do governo de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, como, por exemplo, os deputados federais Márcio Jerry (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB), bem como a jovem liderança Cricielle”, concluiu.

  • Jorge Vieira
  • 30/nov/2022

Lula atende Flávio Dino e vai manter Justiça e Segurança Pública no mesmo ministério

Fórum – O senador reeleito Omar Aziz (PSD/AM), que integra o grupo técnico de Justiça e Segurança Pública do governo de transição, informou à imprensa na noite desta terça-feira (29), que esteve com o presidente Lula que garantiu não separar o ministério da Segurança Pública e Justiça no início de sua gestão.

“Eu perguntei a ele [Lula]: ‘O senhor pretende criar o ministério da Segurança Pública?’. Ele disse: ‘Neste 1º momento, não”, afirmou. A vinculação da Segurança Pública e Justiça é uma vitória para o senador eleito Flávio Dino (PSB/MA), cotado para assumir o ministério. Segundo interlocutores que têm circulado pelo governo de transição, Dino vem atuando contra o desmembramento da estrutura.

Aziz esteve reunido com Lula e integrantes do PSD no hotel em que o presidente está hospedado em Brasília. Após a reunião, o senador seguiu para reuniões no CCBB, a declaração foi dada no final da noite. Na mesma ocasião, Aziz afirmou que está garantida a criação do Ministério dos Povos Originários.

Povos Originários – A deputada Federal eleita Sônia Guajajara (PSOL/SP), cotada para o comando da pasta dos Povos Originários, esteve nesta terça (29) na sede do governo de transição durante o dia e deixou o local por volta das 20h.

A expectativa é que o presidente Lula comece a anunciar os indicados para chefiar as pastas na Esplanada dos Ministérios já na próxima semana. O anúncio seria feito em blocos de cerca de 10 em 10 e em momentos distintos. Há informações de que ao menos 10 ministros convidados já aceitaram o convite e foram orientados a manterem sigilo. Agora nos resta saber se o anúncio dos nomes será de fato na próxima semana, ou após a diplomação da chapa Lula-Alckmin no TSE, marcada para 12 de dezembro

  • Jorge Vieira
  • 30/nov/2022

Braide e o relacionamento tóxico com a Câmara Municipal

Se o relacionamento da Câmara de São Luís com a administração municipal já não andava bem desde o início da gestão, ficou ainda mais tóxico após a derrubada de quase vinte vetos do prefeito Eduardo Braide (PSD). As constantes convocações de secretário para prestar esclarecimento e a forma como são tratados pelos vereadores, é apenas mais um indicativo da falta de sintonia entre os dois poderes.

Em recente entrevista à TV Mirante, o secretário de Governo Eneas Fernandes tentou disfarçar o clima de hostilidade entre Câmara Municipal e Prefeitura de São Luís, mas conseguiu apenas irritar alguns vereadores ao afirmar, sem o menor constrangimento, um suposto bom relacionamento entre os poderes, afirmativa essa tão falsa quando uma nota de três reais.

A falta de entendimento é tão gritante que até o primeiro líder do governo no parlamento municipal, vereador Marcial Lima, ao entregar o cargo saiu atirando e acusando o prefeito de não dar a menor atenção para os problemas levados até ele e muito menos às reclamações dos edis sobre problemas nas comunidades que representam.

Parte deste descontentamento é fruto do não pagamento das emendas impositivas, instrumento legítimo que permite aos parlamentares levarem benefícios para as suas comunidades. Vereadores cobram e pressionam, mas apesar dos apelos, Braide vem fazendo ouvido de mercador, contribuindo para elevar ainda mais a temperatura e motivando reações de alguns que já falam até em impeachment.

Apesar das reclamações, o prefeito, pelo visto, continua sem querer diálogo e nem seu líder parece muito disposto a defende-lo. Sem interlocução efetiva com a Câmara, prática comum entre os dois poderes até a administração de Edivaldo Holanda Junior (sem partido), Braide caminha para ter dias mais turbulentos.

Sem um articulador que converse com os vereadores para evitar constrangimentos, pois até o atual líder, vereador Raimundo Penha (PDT), votou pela derrubada dos vetos, Braide se distancia cada vez mais de um entendimento com quem pode ajudar sua administração a sair do marasmo e mostrar a que veio.

Durante seus dois anos de mandato, é fato, a gestão do prefeito sempre teve um relacionamento tóxico com a Câmara, mas o descontentamento dos vereadores com a forma como são tratados pode se tornar um complicador a mais. É bom lembrar que na eleição municipal, normalmente a grande maioria dos vereadores costuma se transforma em cabo eleitoral de que está no poder, mas diante dos que estamos presenciando, parece que essa tradição poderá ser quebrada.

  • Jorge Vieira
  • 29/nov/2022

Carlos Brandão anuncia redução de gastos em contratações sem comprometer realização de serviços públicos

O governador do Estado do Maranhão, Carlos Brandão, anunciou, nesta terça-feira (29), uma economia no orçamento estadual depois de realizar redução de valores em contratações, sem prejuízo à realização de serviços públicos. O intuito é não comprometer a eficiência do Estado e atender o interesse público com o menor gasto possível.

“Estamos em uma longa recessão econômica, ainda tendo que lidar com os efeitos de uma pandemia que durou dois anos. Então, por meio da Segep, criamos uma metodologia para que as empresas contribuíssem com a redução de valores, de modo que as contrações não deixassem de acontecer, o que, consequentemente, favorece não apenas a continuidade dos serviços, mas também a possibilidade de destinar essa economia para outros investimentos no estado ”, disse o governador.

Carlos Brandão se refere a um montante de R$ 313.989.847,20 (trezentos e treze milhões, novecentos e oitenta e nove mil e oitocentos e quarenta e sete e vinte centavos) em economia nos processos de registro de preço feitos pela Secretaria de Gestão, Patrimônio e Assistência dos Servidores (Segep), somente em 2022.

O secretário da pasta, Pedro Chagas, comentou sobre como o processo se deu com as empresas para que fosse obtida a redução nas contratações.

“É basicamente a economia que a gente teve nos preços que vão ser contratados. Criamos um método que alcança, em um único processo licitatório, diversos órgãos. Assim, incentivamos as empresas as baixarem os preços para fornecerem à administração pública. Então, somando todas as contratações no sistema de registro de preço, entre a estimativa de mercado e o preço final, foi obtida essa marca acima de trezentos milhões de reais em economia”, explicou Chagas.

  • Jorge Vieira
  • 29/nov/2022

Gestão Braide é alvo de denúncias graves de irregularidades em contratos da Secretaria de Assistência Social

Diário 98 – O co-vereador Jhonatan Soares, do Coletivo Nós (PT), ocupou a tribuna na sessão desta segunda-feira (28) na Câmara Municipal de São Luís para denunciar, segundo ele, casos de nepotismo e favorecimento em quatro processos de licitação na Secretaria Municipal de Assistência Social (Semcas). O parlamentar ainda classificou a situação como “imoral” e “indecente”.

Em seu discurso, Jhonatan Soares disse que analisou algumas nomeações e descobriu que a secretária municipal Ana Carla Furtado teria nomeado para cargos comissionados alguns parentes. Nas denúncias, uma irmã da secretária, que foi identificada por Ana Cláudia Figueiredo Furtado, aparece desempenhando a função de diretora técnica de serviços. A lista inclui ainda um primo e uma filha de um primo da titular da Semcas nomeados com cargos comissionados no órgão municipal.

“Cabe destacar aqui, que não temos 100% das provas das irregularidades, mas é preciso ser investigado, pois este não é nosso papel. O que posso confirmar aqui é que o princípio da moralidade, previsto na Constituição Federal, não está sendo respeitado nesta gestão na Semcas. É assim que estamos vendo a administração do prefeito Eduardo Braide, com casos e mais casos imorais”, frisou o petista.

O caso de nepotismo não foi a única denúncia apresentada na tribuna com cópia para cada um dos vereadores em plenário. No pronunciamento, o co-vereador que representa o mandato coletivo, também apontou para um possível favorecimento em quatro processos de licitação para fornecimento de alimentos e fraldas.

De acordo com ele, os quatro contratos vencidos pela empresa Ad Infinitum Serviços, Consultoria e Comércio Ltda., somam mais de R$ 1,7 milhão. O co-vereador apontou ainda que as fiscalizações e autorizações dos processos de licitação foram feitas pelos próprios familiares da secretária. O problema, entretanto, é que antes do edital, conforme as denúncias, os dirigentes da empresa fornecedora já tinham tomado conhecimento do documento.

“Antes de lançar o edital de licitação, os proprietários da empresa Id Infinitum já tinham conhecimento. Estes proprietários são amigos pessoais da secretária Ana Carla. Curioso é que a própria secretária já trabalhou com um dos proprietários da empresa na Prefeitura de Paço do Lumiar na gestão da ex-prefeita Bia Venâncio”, revelou.
Jhonatan Soares disse ainda que o CNPJ da empresa vencedora da licitação não habilita a empresa a prestar os serviços previstos nos contratos. Jhonatan disse, porém, que não tem todas as provas que mostram irregularidades no processo licitatório. Mas sabe que a prática do nepotismo é evidente.

O parlamentar petista agradeceu ao vereador licenciado Paulo Victor, pela confiança em disponibilizar ao mandato coletivo os documentos que embasaram as denúncias. Ele destacou ainda que deverá encaminhar o dossiê detalhando os indícios de irregularidades ao Ministério Público Estadual para que o órgão de controle externo possa tomar as providências.

Convocação e investigação

Ao concluir o pronunciamento, Jhonatan Soares afirmou que vai apresentar requerimento para a convocação da secretária Ana Carla Furtado para que ela possa prestar esclarecimentos na Câmara Municipal.
Além da convocação, por sugestão da vereadora Concita Pinto (PCdoB), a Casa também deverá formar uma comissão para acompanhar o suposto ato ilícito praticado na Semcas contra a administração pública municipal.

  • Jorge Vieira
  • 29/nov/2022

Senadora Eliziane Gama consegue retirar de pauta a votação da PEC do Veneno

A senadora Eliziane Gama (Cidadania) conseguiu com o presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, senador Acir Gurgacz, retirar da pauta desta terça-feira (29) a chamada PEC do Veneno.

Através de sua rede social, a senador informou que o presidente da CRA aceitou a sugestão que fez durante reunião e retirou o PL do Veneno de pauta.

“Vamos reunir nesta tarde com os grupos de trabalho da Saúde e Meio Ambiente da equipe de transição do governo para avaliar mudanças no texto. Vamos lutar por um acordo”, disse a senadora.

Câmara dos Deputados aprovou o projeto relatado pelo deputado paranaense Luiz Nishimori (PL-PR) conhecido como PEC do Veneno. Como a proposta sofreu alterações, ela retornou ao Senado para nova votação. Entre as medidas aprovadas estão a permissão do uso de agrotóxicos de produtos cancerígenos, a mudança do nome de agrotóxico para pesticida e que a análise de novos produtos será feita pelo Ministério da Agricultura. A medida é considerada um retrocesso no campo brasileiro. Bancada Ruralista fala em modernização.

Duas das principais mudanças mudam o nome de agrotóxico para pesticida e o local de análise dos produtos. Quando usados em florestas e em ambientes hídricos, os agrotóxicos passam a ser chamados pelo projeto de “produtos de controle ambiental” e seu registro caberá ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Ministério do Meio Ambiente.

Os dois ministérios (Agricultura e Meio Ambiente) e o Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), continuam a emitir parecer para os procedimentos de registro ou mudança do agrotóxico, mas somente o órgão registrante (Ministério da Agricultura) poderá aplicar as penalidades e auditar empresas e institutos de pesquisa.

Outro ponto facilita a utilização de novos agrotóxicos, mesmo sem aprovação. Caso o pedido de registro não tenha parecer conclusivo expedido no prazo de dois anos, o órgão registrante será obrigado a conceder um registro temporário (RT) para agrotóxico novo ou uma autorização temporária (AT) para aplicação de um produto existente em outra cultura para a qual não foi inicialmente indicado.

O PL 6299/02 ainda revoga totalmente a lei atual sobre agrotóxicos (Lei 7.802/89), mantendo alguns de seus dispositivos e revogando outros.Um dos trechos revogados lista quais entidades podem pedir a impugnação ou cancelamento do registro de um produto sob argumento de prejuízos ao meio ambiente, à saúde humana e aos animais: entidades de classe, representativas de profissões ligadas ao setor; partidos políticos com representação no Congresso Nacional; e entidades de defesa do consumidor, do meio ambiente e dos recursos naturais.

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