Congresso em Foco – A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), lamentou a falta de adesão de partidos derrotados no primeiro turno da eleição presidencial à candidatura de Fernando Haddad. Em sua conta no Twitter, Gleisi respondeu o ex-governador Cid Gomes (PDT), senador eleito, que cobrou mea culpa do PT e disse que o partido merecer “perder feio” a eleição.
Eleita deputada federal no último dia 7, a petista disse que esperava que a adesão a Haddad fosse natural em razão do que seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), representa para a democracia brasileira. De acordo com ela, o PT apoiaria qualquer candidato que concorresse com Bolsonaro no segundo turno.
“Se o PT não estivesse no segundo turno, apoiaria o adversário do deputado Bolsonaro, porque ele não vai promover a democracia no país. Esperávamos que isso fosse um movimento natural e estou vendo que não é. Adiante, a história avaliará a todos nós”, afirmou. “Nós fizemos uma disputa eleitoral e política legítima. Articulamos a favor de nossa candidatura, dentro das regras do jogo. Estamos no segundo turno por mérito, por votos conquistados”, ressaltou.
Faltando ainda dois meses e meio para o término dos atuais mandatos, parlamentares não reeleitos para a Assembleia Legislativa do Maranhão já começam se despedir do plenário da Casa. Na sessão desta manhã de terça-feira (16) mais dois parlamentares ( Raimundo Cutrim e Junior Verde) se despediram parabenizando os colegas que conseguiram a renovação do mandato, os eleitos pela primeira vez e agradecendo aos eleitores que lhe confiaram o voto na eleição do dia 7 de outubro.
O deputado Raimundo Cutrim (PCdoB), que já iria para o quarto mandato, aconselhou aos que não lograram êxito em suas candidaturas que o importante é não baixar a cabeça. “Eu fiquei com uma dívida muito grande, porque em eleição sempre se fica com muita dívida. A minha dívida é muito grande, é uma dívida imensa, que é a dívida de gratidão aos amigos que me ajudaram”, enfatizou o Cutrim.
O deputado do PCdoB conseguiu 26.403 votos, em 196 municípios do Estado todo, mas teve uma votação abaixo do esperado na capital onde sempre foi bem votado. “Onde não saí com êxito foi exatamente São Luís, onde sempre tive uma votação grande, talvez tenha sido mal administrado e nós não logramos êxito. Mas o importante é que lutamos e, graças a Deus, não devo um tostão a ninguém de campanha, só gasto o que tenho, como sempre foi em todas as minhas campanhas. Devo, tenho uma gratidão muito grande pelo povo do Estado do Maranhão que me ajudou em 196 municípios”, disse Raimundo Cutrim.
Segundo orador a fazer uso da tribuna, o deputado Junior Verde (PRB), apesar dos 21.641 eleitores que acreditaram nele, não conseguiu se reeleger também e aproveitou a sessão para se despedir. “A vida é assim. Faz parte da democracia. É claro que aqui estão eleitos os deputados. E aqui eu quero parabenizar aqueles que tiveram êxito, desejar sorte. E desejar que Deus possa estar abençoando e fazendo com que eles estejam aqui nesta Casa sempre com o espírito voltado ao bem comum”, observou Verde.
Semana passada, o líder do governo, deputado Rogério Cafeteira (DEM), que também não conseguiu a reeleição após dois mandatos consecutivos, já havia usado a tribuna para agradecer aqueles que lhe confiaram o voto e atribuir a si mesmo a derrota, por ter feito estratégias erradas, mas muitos dos que não renovaram o mandatos ainda não tiveram disposição de voltar ao plenário para as despedidas. Neste time encontram-se Cabo Campos, Sérgio Frota, Levi Pontes, entre tantos outros reprovados nas urnas.
E neste final de mandato, enquanto alguns parlamentares não reeleitos, que tomam posse em fevereiro, aproveitam seus últimos dias de mandato, os que se elegeram começam circular pelos corredores e plenário da Casa e já começam se manifestar sobre a sucessão da Mesa Diretora da Casa. Os que já se apresentaram até agora chegaram defendendo a permanência do deputado Othelino Neto na presidência da Assembleia. O atual comandante do legislativo estadual, diante das manifestações de apoio, caminha acelerado para renovar o mandato por mais dois anos.
Em entrevista coletiva, nesta manhã de terça-feira (16), o candidato a Presidência da República, Fernando Haddad, classificou como uma “coisa meio acalorada” as críticas feitas pelo senador eleito do Ceará Cid Gomes (PDT) ao PT. “Uma coisa meio acalorada, não vou ficar comentando isso até porque eu tenho uma amizade com o Cid, ele fez elogios à minha pessoa”, disse Haddad.

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, participa de entrevista coletiva em hotel em São Paulo Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
O candidato do PT disse que preferia ver o lado “positivo” das declarações do pedetista e que a amizade entre os dois continuaria a mesma.
Gomes, que a exemplo do irmão Ciro tem pavio curto, acabou se envolvendo em discussão com petistas durante ato a favor de Haddad, segunda-feira (15), em Fortaleza. A confusão foi filmada e o vídeo em que Cid elogia Haddad e cobra pedidos de culpas do PT pelos problemas ocorridos nos governos petistas viralizou na internet,
“Tem de pedir desculpas, tem de ter humildade, e reconhecer que fizeram muita besteira”, discurso o senador eleito sob vais da militância do PT. “É sim, é? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir um mea culpa, não admitir os erros que cometeu, isso é para perder a eleição e é bem feito. É bem feito perder a eleição”, afirmou durante o ato. ( Com informação do jornal Estadão)
Reportagem do jornal Folha de São Paulo sobre a derrocada do MDB nessas eleições destaca a vitória de Flávio Dino (PCdoB) que varreu o clã Sarney do Maranhão. Dino derrotou no primeiro turno Roseana Sarney (MDB), que tentava um quinto mandato como governadora. Além disso, a chapa de Dino ao Senado deixou Edison Lobão (MDB) e Sarney Filho (PV) a ver navios.
Aos 82 anos, o senador Lobão tentava a reeleição também para um quinto mandato e Sarney Filho se aventurou pela primeira vez ao Senado após vir ocupando cadeira na Câmara Federal de forma consecutiva desde 1983. Ambos morreram na praia e foram esmagados pelos candidatos de Flávio Dino, Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS).
Para o cientista político Fernando Guarnieri, políticos como os aliados de José Sarney “não puderam usar o poder para fazer benesses”. “É o preço que pagam por estar no centro de esquemas de corrupção”, avalia.
Sem foro privilegiado, Lobão pode se complicar na Lava Jato e Roseana deve anunciar pela segunda vez sua aposentadoria. Já o irmão Zequinha vai amargar o desemprego na vida política pela primeira vez em 35 anos.

Roseana declara apoio a Bolsonaro, mas Sarney fica como reserva técnica
Conforme já era previsto, a ex-governadora Roseana Sarney, que levou uma senhora taca na eleição para o Governo do Maranhão, declarou apoio oficial ao candidato da direita, Jair Bolsonaro (PSL). Falta agora apenas o deputado derrotado para Senado, Sarney Filho, e o ex-presidente José Sarney declararem seus votos.
Políticos experientes, no entanto, acreditam que pai e filho não se declararam porque ainda receiam a possibilidade de numa reviravolta de Fernando Haddad (PT) e a família não pode queimar todas as fichas em apenas um candidato. “Sarney e Sarney Filho ficaram com uma espécie de reserva técnica”, ariscou um ex-parlamentar.
Na avaliação de quem acompanha a sucessão presidencial, o velho Sarney e o filho somente deverão se declarar quando não houver mais nenhuma dúvida de quem será o vencedor da eleição do dia 28 de outubro.
Além da ex-governadora, já declararam apoio ao ex-militar o enrolado ex-deputado Ricardo Murad (PRP), o deputado estadual reeleito Adriano Sarney (PV) e o deputado federal eleito Edilázio Júnior (PV). Resta saber agora se a família Lobão, outra derrotada na eleição de 7 de outubro, seguirá o mesmo caminho.
E tudo indica que as três famílias continuarão sendo derrotadas no Maranhão, pois Fernando Haddad venceu em 214 dos 217 municípios existentes no Maranhão, só perdeu nas cidades de Imperatriz, Açailândia e São Pedro dos Crentes, três municípios que segundo o coordenador da campanha de Haddad no Estado, Márcio Jardim, receberão atenção especial da militância.
Em entrevista nesta manhã de segunda-feira (15) à Rádio Timbira, em rede com uma série de emissoras do interior do Estado e da capital, o governador Flávio Dino (PCdoB) disse que a primeira providencia que tomará a partir de janeiro 2019 será apresentar ao futuro presidente da República, independente de quem seja o eleito no segundo turno, uma lista de obras inacabadas do Governo Federal no Maranhão e que precisam ser retomadas com urgência.
Para o governador qualquer governo federal tem o dever de retomar e concluir as obras inacabadas. “Eu encontrei obras inconclusas e estou trabalhando para concluí-las. A prioridade e concluir o que existe”, disse Dino ao responder pergunta sobre o que reivindicaria do futuro presidente para o Maranhão.
O governador citou uma série de obras inacabadas, entre as quais as BR-135, BR 226, creches, quadras esportivas em escolas, reativação do programa Minha Casa Minha Vida e adiantou: “qualquer que for o presidente eu, em janeiro, estarei lá com alista de obra inconclusas”.
Dino observou ainda que em São Luís existem muitas obras de saneamento inconclusas, como estações de tratamento e rede coletora de esgoto, assim como um conjunto de obras federais no Maranhão precisando ser concluídas. “Essa vai ser a primeira reivindicação que levaremos ao presidente da República”.
O governador, que apoia a candidatura do presidenciável Fernando Haddad, disse que não vê dificuldade em apresentar as reivindicações caso o vitorioso seja o candidato do PSL, mas lamentou a falta de debate entre os candidatos. Para Flávio Dino, “candidato que se nega ao debate nega a democracia”.
“Meu adversário fomenta violência, inclusive a cultura do estupro, ele chegou a dizer para uma colega do parlamento que não a estuprava porque não o merecia. Você quer uma sinalização mais violenta do que essa em relação à sociedade?”, alertou Haddad em uma entrevista exclusiva para a AFP em São Paulo.
Bolsonaro, que obteve no primeiro turno 46% dos votos, contra 29% de Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), propõe liberalizar o porte de armas para combater a criminalidade, um dos temas mais controversos da campanha.
Para Haddad, tal caminho não resolve o problema do país. “Ninguém suporta bandidagem. A questão é que as propostas do Bolsonaro, que são pouquíssimas, inclusive na área em que ele se diz especialista, não vão resolver”, disse o ex-prefeito de São Paulo, de 55 anos.
“Armar a população não vai resolver. Quem tem que prestar o serviço de segurança publica é o Estado. E, se o Estado não está prestando o serviço corretamente, nós temos que adequar o serviço. A minha proposta é que o governo federal, que hoje cuida pouco da segurança, passe a cuidar e a assumir parte das responsabilidades, sobretudo em relação ao crime organizado”, acrescentou.
Bolsonaro, de 63 anos, do Partido Social Liberal (PSL), começou o segundo turno com 58% das intenções de votos, contra 42% para Haddad, segundo a pesquisa do Datafolha. O ex-capitão conta com o apoio das bancadas da Câmara vinculadas ao agronegócio, às igrejas evangélicas e aos defensores do porte de armas.
Haddad, por outro lado, obteve o apoio da centro-esquerda, incluindo o candidato Ciro Gomes, do PDT, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 12,5% dos votos.
“Acredito que a determinação do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e do PSB (Partido Socialista Brasileiro) foi decisiva. Eu espero um apoio muito mais firme do PDT (Partido Democrático Trabalhista). Espero, inclusive do Ciro. Mas o apoio foi dado. O engajamento na campanha é uma coisa que depende de outras variáveis. Agora toda a centro-esquerda está unida em torno da minha candidatura, inclusive o movimento social”, ressaltou.
Haddad, que é professor de Ciência Política e Políticas Públicas, acredita que Bolsonaro perderá a eleição e que ele encontrará canais de diálogo com o Legislativo.”Um professor tem muita mais chance de abrir um diálogo do que alguém como meu adversário, que nunca vi chamar ninguém para dialogar, que nunca aprovou nada relevante em 28 anos de mandato”, afirmou.
Haddad ressaltou que Bolsonaro “sempre incitou a violência”. “Imagina uma pessoa que tem como herói um dos maiores torturadores do continente. Essa pessoa é que lidera as pesquisas, mas vai perder”, declarou.
O candidato do PT criticou ainda a forma como Bolsonaro, conhecido por sua retórica misógina, homofóbica e racista, faz campanha, sobretudo por meio do aplicativo de mensagens Whatsapp.
“Acho que o que predominou foi a mentira, não foi o WhatsApp. Se ele tivesse usado o WhatsApp para falar a verdade eu não teria nenhum problema com a campanha dele. O problema é que nós já entramos com não sei quantas ações judiciais para tirar do ar os vídeos que a campanha dele produz falando mentiras a respeito de mim e da minha vice (Manuela d’Ávila). O trabalho de desfazer uma mentira é muito maior do que de falar a verdade”, reclama.
“Não sei de onde vem tanto dinheiro para tanta mensagem de WhatsApp, porque ele não declara os custos disso, dando a impressão de que é tudo voluntário”, questiona.
Haddad reconheceu que seu partido cometeu “erros” quando esteve no poder, mas lembrou que nesses 13 anos de governo Lula e Dilma fortaleceram os órgãos de combate à corrupção que permitiram à polícia e à justiça avançar nas investigações.
“Se você perguntar qual foi o governo que mais equipou o Estado para combater a corrupção, foi o nosso. Nosso governo não botou nada para baixo do tapete”.
“Eu compartilho a mesma visão da sociedade de que a corrupção é uma coisa intolerável, mas Bolsonaro em 28 anos no Congresso federal não fez nada, em área nenhuma. Ele só grita contra as coisas, mas o que ele propõe não tem consistência nenhuma”, disse.
Perguntado sobre a visita que fez na segunda-feira ao ex-presidente Lula, Haddad respondeu que os dois trataram “questões jurídicas relativas a seu processo”. “Não houve [recomendações para o segundo]. Ele estava muito feliz com minha ida no segundo turno, bastante satisfeito”. (Portal Vermelho)