Os partidos da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) e do senador Roberto Rocha (PSDB) saíram da eleição municipal sem conseguir eleger um único representante na Câmara Municipal de São Luís.
O MDB, que já foi o maior partido do Maranhão e esteve no comando do Maranhão ao longo de décadas, pela segunda eleição consecutiva não consegue colocar representante no parlamento municipal.
Sob a liderança de Roseana, a quem sempre cabe a última palavra, ainda que a legenda seja comanda oficialmente em São Luís pelo deputado Roberto Costa, tende cada vez mais ao esvaziamento.
Mesmo com 31 vagas em disputa, o que permitiu que partido sem expressão, a exemplo de Avante, Patriota, DC, PSC, entre outros, conseguissem ter representante, o MDB se mostrou incapaz de ocupar uma cadeira no plenário da Casa.
Outra decepção foi o PSDB do senador Roberto Rocha. O partido obteve resultado ridículo para quem já foi considerado uma das maiores legendas no Estado, com forte representação na Câmara Federal até 2014 quando era comandado pelo atual vice-governador Carlos Brandão.
Desde que Roberto Rocha tomou a legenda da Brandão bajulando a direção nacional do PSDB após ser eleito senador pelas mão do governador Flávio Dino, o partido murchou e vem definhando a cada eleição.
Ao transformar os tucanos numa legenda familiar, a primeira consequência foi o afastamento de várias lideranças, parlamentares e vereadores e o resultado vem sendo o esvaziamento a cada eleição.
No ritmo que vai, acaba se transformando em mais um partido nanico no Estado.
Principal partido da aliança que sustentou a candidatura de Neto Evangelista (DEM) no primeiro, o PDT, através do seu presidente a principal articulador da coligação, senador Weverton Rocha, em nota, reconheceu a derrota, porém não indicou o caminho que pretende seguir no segundo turno a ser disputado entre os deputados Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Júnior (Republicanos).
Na nota oficial publicada nesta segunda-feira (16), em sua página no Instagram, Weverton, que teve seu projeto para 2022 aranhado com a derrota na capital e em outros importantes municípios do interior do Estado, disse que o PDT é um partido cuja a história está profundamente ligada aos princípios democráticos. “Sabemos, portanto, conviver com vitórias e derrotas, entendendo que o mais importante é a defesa dos nossos ideais”.
O senador, após a confirmação nas urnas de que o PDT está fora do jogo sucessório, agradeceu aos candidatos que brigaram por uma vaga na Câmara Municipal e a militância, mas nada falou sobre projeto futuro, muito menos se pretende seguir o governador Flávio Dino, que declarou apoio a Duarte tão logo foi oficializada sua passagem para disputar o segundo turno com Braide.
A nota diz apenas que “o PDT continuará participando da vida cívica de São Luís, por meio dos nosso vereadores, das nossas atividades partidárias, das nossas lideranças comunitárias, sempre buscando cooperar para que a cidade se desenvolva cada vez mais”, conclui a nota, sem nada dizer sobre segundo turno.
A julgar pelos comentários nos bastidores dos candidatos que ficaram pelo meio do caminho na briga por uma vaga no segundo turno da eleição para prefeito de São Luís, o governador Flávio Dino terá muita dificuldade em reunir a base de apoio do governo para apoiar Duarte Júnior no segundo turno.
Terceiro mais votado no pleito de 15 de novembro, o candidato do DEM, deputado Neto Evangelista, ainda no período pré-eleitoral, já manifestava para jornalista que não apoiaria Duarte, caso ele passasse para o segundo turno, por conta sua postura como deputado. Após o último debate na TV Difusora, Neto voltou a dizer que se o representante do Republicanos conseguisse a segunda vaga, pegaria a estrada nesta segunda-feira (16).
Yglésio Moisés, que disputou a eleição pelo PROS, outro partido da base de sustentação do governo Flávio Dino nunca negou sua antipatia por Duarte. Ele inclusive já avisou que não subirá no palanque do Republicano, até pelas críticas públicas que fez às suas proposta e principalmente após vir a público a denúncia de que havia testado positivo para Covid-19 e continuado a fazer campanha, colocando em risco a saúde pública.
O representante do PCdoB, Rubens Júnior, partido do governador, ao ser questionado pelo titular deste blog se teria condições de votar em Duarte, após as agressões que ele fez ao seu pai, Rubens Pereira, quando se recuperava de Covid-19, disse que seguirá a orientação do governador. Dino, logo após a confirmação do resultado da eleição declarou apoio a Duarte.
Dentre os representantes da base dinista, o deputado Bira do Pindaré foi o único que se manteve em silêncio sobre a possibilidade de apoiar no segundo turno a candidatura de Duarte contra Braide, mas é bom lembrar que Bira sempre foi aliado de Flávio e deve ficar com o projeto do governador na briga com adversários.
No centro desta complicada articulação que visa cicatrizar feridas aberta durante a campanha, o governador deve contar com o vice Carlos Brandão, principal líder dos Republicanos no Estado e que deve ter todo interesse em levar o candidato do seu partido ao Palácio de La Ravardiére.
A Câmara Municipal de São Luís deu uma boa renovada “aposentando” alguns vereadores longevos, a exemplo do ex-presidente d a Casa Isaías Pereirinha, Ivaldo Rodrigues e Pavão Filho. Foi a primeira eleição em que os mais votados nos partidos que atingiram o quociente eleitoral conseguiram o mandato.
A partir da próxima legislatura, que iniciará em 2021, teremos 14 caras novas, com as maiores bancadas pertencendo ao PCdoB, Podemos e PDT, três partidos que, junto com o Republicanos brigaram pelas primeira posições na disputa por vaga no segundo turno da eleição para prefeito.
Veja a lista dos candidatos eleitos:
Os candidatos Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Júnior (Republicanos) vão decidir o segundo turo da eleição para prefeito de São Luís.
A campanha de queimação de imagem promovida contra o representante do Republicanos não surtiu efeito e Duarte passou até com certa facilidade pelo seu principal oponente.
Na terceira colocação ficou o candidato do Democratas, Neto Evangelista com 16,24%, enquanto o representante da aliança Do Lado do Povo, Rubens, obteve o quarto lugar com 10,58% dos votos válidos.
