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Preteridos na eleição, aliados ameaçam rebelião contra o PT

 Folha de São Paulo

Eles são aliados da presidente Dilma
Rousseff, pertencem a partidos da base de apoio do governo federal no
Congresso, mas não digeriram o comportamento do PT e do Palácio do
Planalto nas eleições deste ano.

Um grupo de congressistas, a maioria
do PMDB, forma um “exército” de magoados com o governo, com potencial
para dificultar a vida da petista no início de seu segundo mandato no
Planalto.

Os deputados e senadores não admitem
oficialmente a irritação, mas nos bastidores disparam contra Dilma e o
ex-presidente Lula. A principal crítica é o que chamam de “traição
petista” diante das alianças com os seus principais adversários nas
eleições estaduais, das quais saíram derrotados.

Descontentes, reforçam a ameaça de
rebelião para pressionar o governo a dialogar mais e ampliar o espaço de suas
legendas na mudança ministerial. Outra demanda é a ampliação de verbas do
Orçamento para seus redutos políticos.

É o caso de Eunício Oliveira (CE),
líder do PMDB no Senado, que não engoliu o apoio de Dilma ao candidato que
acabou vencedor ao governo do Ceará, Camilo Santana (PT). A irritação começou
quando o Palácio do Planalto patrocinou a candidatura do petista por ser aliado
do governador Cid Gomes (Pros), desafeto de Eunício. Por meses, o Planalto
pressionou o peemedebista a sair do páreo, mas Eunício foi em frente e se aliou
ao PSDB no Estado, que elegeu Tasso Jereissati (PSDB-CE) ao Senado.

Eunício, porém, sustenta que se
manteve fiel ao apoio a Dilma, sem declarar voto em Aécio Neves (PSDB),
adversário da presidente. “O governo vai ter que dialogar mais. Não tem
como sair sem atrito de um processo político complexo”, afirmou.

MUITOS PALANQUES
O excesso de aliados também irritou o
petista Lindbergh Farias, que dividiu o apoio da presidente Dilma com os
adversários Marcelo Crivella (PRB), Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Anthony
Garotinho (PR) na disputa pelo Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro.
 
Antes do início da campanha, o PT
tentou forçar um recuo de Lindbergh, mas o petista manteve o seu nome e
acabou em quarto lugar no primeiro turno.
O grupo de insatisfeitos também
inclui o senador Lobão Filho (PMDB), derrotado ao governo do Maranhão.
Como os petistas são aliados do PC do B de Flávio Dino –que derrotou o
peemedebista e foi eleito governador–, Lobão Filho atribui parte de sua
derrota à falta de empenho da presidente.
 
“Essas mágoas existem. Todos têm as
suas. A presidente não gravou para mim, não veio aqui. Faz parte do jogo,
eu pessoalmente não fiquei magoado com ela. Mas é preciso que o governo dê
valor ao seu Congresso para que ela possa governar”, afirmou.
 
Alguns aliados deram o tom do
comportamento dos “magoados” já na primeira semana de atividade do
Congresso depois das eleições, como o presidente da Câmara, Henrique
Eduardo Alves (PMDB-RN).
Sob seu comando, os deputados
derrubaram o decreto presidencial que vinculava decisões governamentais de
interesse social à opinião de conselhos e outras formas de participação
popular.
 
Derrotado na disputa pelo governo do
Rio Grande do Norte, Alves disse que já “deletou” o apoio que o
ex-presidente Lula deu a seu adversário, mas não esconde de interlocutores
a insatisfação.
 
O PMDB também lançou Eduardo Cunha (RJ), desafeto
do PT, como candidato para comandar a Câmara dos Deputados. A ala mais
rebelde da sigla não descarta, no Senado, lançar como candidato à
Presidência da Casa um nome menos alinhado com o Planalto –embora nos
bastidores o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) trabalhe por sua reeleição.

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