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Políticos presos pela Polícia Federal agora estão em campanha

FELIPE
BÄCHTOLD

NELSON BARROS NETO
  

Folha de São Paulo
Ao menos
12 prefeitos detidos pela Polícia Federal pelo país desde 2009 são candidatos
neste ano. Outro que passou meses foragido também concorre em outubro.
Como
ainda são investigados ou só respondem a processo, estão imunes à Lei da Ficha
Limpa, que exige condenação colegiada (mais de um juiz) para barrá-los.
Um desses
13 políticos comanda uma capital: Roberto Góes (PDT) lidera pesquisa Ibope em
Macapá (AP).
O
escândalo envolvendo Góes é citado na campanha. Ele passou dois meses no
presídio da Papuda (DF), entre 2010 e 2011, por suspeita de desvios de verbas
federais.
“Em
questão judicial, só quando se é julgado se pode apontar o dedo a quem quer que
seja”, afirma Góes.
MERENDA
As ações
da PF apuraram fraudes em convênios federais e desvios de verbas para a compra
de merenda.
A maioria
dos casos está no Nordeste. Uma das operações foi a Carcará, que em 2010 deteve
sete prefeitos da Bahia. A Folha visitou três municípios. A campanha atual,
encabeçada por políticos presos naquela época, ocorre como se nada tivesse
acontecido.
“Foi
o maior ato de arbitrariedade que já vi”, diz o prefeito Everaldo Caldas
(PP), de Elísio Medrado, cidade de 8.000 habitantes. O prefeito criou polêmica
ao inaugurar lombada de rua com banho de champanhe e trio elétrico.
Para
Márlon Reis, que ajudou a elaborar a Lei da Ficha Limpa, as cidades pequenas
favorecem casos desse tipo pela “falta de fluxo de informação” e pelo
clientelismo.
Segundo o
juiz, não se trata de deficiência da Ficha Limpa porque a ideia era tirar das
eleições os “casos mais graves”: “O restante fica para a
sociedade. A situação pode ser apresentada pelos candidatos oponentes, pelas organizações
civis”.

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