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Petistas defendem que oposição a Sarney no MA tem “caráter humanitário”

Leonardo Sakamoto
A ala do Partido dos Trabalhadores
que faz oposição ao grupo político do senador e ex-presidente da República José
Sarney reuniu-se, neste domingo (13), na capital São Luís, e divulgou um
documento de apoio à candidatura de Flávio Dino (PC do B) ao governo do Estado,
fazendo duras críticas ao grupo político do senador e ex-presidente José Sarney
– aliado de Dilma e Lula.
Na ”Carta dos Petistas pela
Mudança do Maranhão”, eles afirmam “que no momento em que o controle político
do grupo Sarney impede que o povo maranhense usufrua dos benefícios da
República”, “declaramos apoio à candidatura de Flávio Dino (PC do B) ao
governo do Estado do Maranhão”. Segundo eles, em razão dos indicadores sociais
do Maranhão, decorrência de uma “política predatória dos grupos que governam”
o estado, a campanha de 2014 “ganhou caráter humanitário”.
Não é uma decisão de diretório, mas o
movimento mostra que não vai ser fácil garantir apoio ao grupo de Sarney na
disputa, ainda mais que Dino aparece em primeiro lugar nas pesquisas.
Dilma Rousseff e José Sarney são
aliados, da mesma forma que seu antecessor, Lula também era. Sarney contribuiu
com vitórias de ambos, não apenas no âmbito eleitoral, mas também em votações
no Congresso Nacional. E o diretório nacional do PT apoiou a eleição de Roseana
Sarney (PMDB) ao governo, desautorizando decisão do Diretório Estadual do
partido, que queria dar suporte a Flávio Dino em 2010.
A parceria com os Sarney foi uma das
justificativas da saída do deputado federal Domingos Dutra para o Solidariedade
e do deputado estadual Bira do Pindaré para o PSB.
A primeira assinatura do documento é
de Manoel da Conceição, um dos mas importantes líderes sociais do país. Na
ditadura, ele se dedicou à organização e educação de trabalhadores rurais no
Maranhão. Foi baleado e preso em julho de 1968, durante o mandato do governador
José Sarney, quando teve parte da perna direita amputada por falta de
atendimento médico. Foi preso e torturado em 1972 e 1975 e ficou exilado fora
do Brasil de 1976 a 1979. Manoel da Conceição fez, ao lado de Domingos Dutra,
uma greve de fome para protestar contra o apoio a Roseana Sarney na última
eleição.
Também estiveram presentes membros de
diretórios municipais, vereadores, secretários de governo e intelectuais
maranhenses.
O Maranhão
apresenta a menor expectativa de vida na média de homens e mulheres –
68,6 anos – de acordo com dados divulgados pelo IBGE. São cinco anos abaixo da
média nacional (73,76). E possui a segunda pior taxa de mortalidade infantil do
país, apenas atrás de Alagoas, com 29 crianças com menos de um ano mortas para
cada mil nascidas vivas. A média nacional é de 16,7 para 1000. As três
piores cidades em renda per capita pertencem
ao Maranhão, de acordo com o recentemente divulgado Índice de Desenvolvimento
Humano Municipal (IDHM) – Marajá do Sena (R$ 96,25), Fernando Falcão (R$
106,99) e Belágua (R$ 107,14). Na média dos municípios, o Estado possui o
segundo pior IDHM do país, perdendo apenas para Alagoas.
Veja a íntegra da carta:
 “No momento
em que a vida humana é ameaçada por uma política predatória dos grupos que
governam o Maranhão; no momento em que o controle político do grupo Sarney
impede que o povo maranhense usufrua dos benefícios da República e dos efeitos
dos governos Lula e Dilma; no momento em que os indicadores sociais do Estado
revelam o caráter concentrador e excludente do modelo de desenvolvimento
regional, nós, petistas, coerentes com o programa do PT, nos reunimos em
encontro estadual e declaramos apoio à candidatura de Flávio Dino ao governo do
Estado do Maranhão e à reeleição de Dilma Rousseff à Presidência da República.

Tomamos essa
decisão convencidos de que somente um governo estadual comprometido com as
mudanças estruturais do Brasil pode ajudar a presidenta Dilma a fazer as
reformas que o país precisa e o povo pede. Apenas um governo que tenha como
horizonte as mudanças da política pode impulsionar um programa de
desenvolvimento que altere os indicadores sociais do Estado. Para que isto
aconteça, nós defendemos a construção de uma ampla aliança com todos os grupos
políticos e movimentos sociais que desejam encerrar nesse momento da história
do Maranhão e criar novas condições para o exercício da cidadania, dos direitos,
em nosso Estado.

Em razão dos
indicadores sociais do Maranhão, a campanha de 2014 ganhou caráter humanitário.
A candidatura de Flávio Dino é uma candidatura em defesa da vida e da
cidadania. Por esta razão, nós defendemos um programa de governo baseado em
três pilares: (a) combate a corrupção e à privatização do Estado, que transfere
recursos públicos para grupos privados; (b) adoção de modelo desenvolvimento
que eleve de forma sustentável os indicadores sociais, através de políticas
públicas democráticas e transparentes; (c) estabelecimento de relações justas e
democráticas entre Federação, Estado e Municípios e entre poderes executivo,
legislativo e judiciário.”

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