O que todos temiam está virando realidade. Segundo o último levantamento da Secretaria de Saúde, divulgado neste domingo (10), por mais que o governo do Estado se esforce no combate a pandemia, a grade maioria dos 217 municípios maranhenses começa conviver com a Covid-19. O mais preocupante é que alguns deles sem menor estrutura para tratar infectados pelo coronavírus.
Conforme dados oficiais, o Maranhão já possui 160 cidades com casos confirmados, o que torna ainda mais preocupante e pode significar mais comprometimento da capacidade de leitos disponíveis na capital, já que a grande maioria dos infectados é obrigada a procurar tratamento em São Luís.
As medidas anunciadas pelo governo e que provocou isolamento quase total na Grande Ilha eu certo fôlego ao governo na montagem de novas estruturas hospitalares para atender pacientes, mas é fato que o alastramento da doença pelo interior do Maranhão é um complicador a mais no enfrentamento da pandemia.
Os dados da SES, diga de passagem de ontem, se tornam ainda mais preocupante quando revela que a taxa de ocupação de leitos de UTI na capital chegou a 97,81% e leitos clínicos a 84,46%, o que torna ainda mais importante as medidas de isolamento recomendadas pela justiça e acatadas pelo governo.
O problema maior agora são as cidades do interior onde a estrutura do sistema de saúde das prefeituras são bastante precários e as pessoas acabam tendo de procurar socorro em São Luís. Já notável a procissão de ambulâncias rumos aos hospitais da capital.
A medida adicional ao lockdown, que estabelece rodízio de veículos na Grande Ilha, que começou a vigorar a partir desta segunda-feira, portanto, merece a colaboração de todos que desejam se livrar do coronavírus o mais breve possível para que a bida possa voltar a normalidade.
O governador Flávio Dino reagiu a uma provocação do presidente Jair Bolsonaro, que comparou o lockdown determinado pela justiça na Grande São Luís e decretado pelo Governo do Estado à situação de caos em que vive a Venezuela.
Neste domingo (10) em que país ultrapassa a tristes marca dos mais de 10 mil mortos, Bolsonaro postou no Twitter um vídeo com revista em ônibus para afirmar que milhares de maranhenses já se sentem como se estivesse na Venezuela por conta da fiscalização em veículos, uma das medidas para evitar a proliferação do coronavírus.
Na mesma rede social, Flávio Dino rebateu o comentário: “Bolsonaro inicia o domingo me agredindo e tentando sabotar medidas sanitárias determinadas pelo Judiciário e executadas pelo Governo. E finge estar preocupado com o desemprego. Deveria então fazer algo de útil e não ficar passeando de jet ski para “comemorar” 10.000 mortos”, replicou o governador.

Ao contrário do presidente Jair Bolsonaro que prefere fazer gracinha com o momento delicado que vive o país por conta da Covid-19, os presidentes da Câmara Federal e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), respectivamente, decretam, neste sábado (9), luto oficial de três dias no Congresso Nacional em razão da marca de dez mil óbitos oficiais provocados pela pandemia do coronavírus no país.
O ato foi publicado em edição extraordinária do Diário Oficial do Congresso Nacional de hoje.
Leia a íntegra da nota enviada pelas Casas:
No momento em que o país atinge a triste marca de dez mil mortes oficiais da Covid-19, o Congresso Nacional também sofre a dor de tantas famílias brasileiras que perderam seus entes queridos, sem poder render-lhes as justas homenagens.
É uma tragédia que nos devasta mais a cada dia. Dez mil pessoas, amadas e importantes para outras pessoas, cheias de sonhos, tiveram suas vidas interrompidas.
Solidários a essa dor, em respeito à morte desses dez mil brasileiros, o Congresso Nacional decreta luto oficial de três dias. Este Parlamento, que representa o povo e o equilíbrio federativo desta Nação, não está indiferente a este momento de perda, de tristeza e de pesar.
A situação que estamos vivendo é lamentavelmente singular. Nossas cidades paradas, nossas crianças sem aulas, nosso povo assustado. O combate a um inimigo tão invisível quanto mortal, que ataca sem respeitar fronteiras ou aviso prévio, é sacrificante e cruel.
O Congresso Nacional tem feito sua parte ao tomar medidas legislativas de suporte às pessoas, aos governos e às empresas. É um momento difícil para todos.
Quando se trata de proteger a vida dos brasileiros, que é o valor maior, não há dúvida quanto ao caminho a ser trilhado; não há hesitação possível.
O Brasil sairá dessa pandemia machucado, enlutado, entristecido, assim como outras Nações. Mas sairá também com um desafio igualmente grande pela frente, de retomada, de reconstrução.
Mesmo chorando a morte dos nossos irmãos e irmãs brasileiros, conclamamos todos a
manter as recomendações das autoridades de Saúde, diminuindo o ritmo dessa terrível
doença, enquanto nos preparamos para um retorno seguro e definitivo à normalidade.
Senador DAVI ALCOLUMBRE
Presidente do Senado Federal
Deputado RODRIGO MAIA
Presidente da Câmara dos Deputados
Após repercussão negativa, o presidente Jair Bolsonaro desistiu o churrasco que havia prometido realizar neste sábado (9) para 30 convidados, no Palácio da Alvorada.
O presidente, que não perde oportunidade de desdenhar do Covid-19 mas se recusa a apresentar o teste para se saber se ele contraiu a doença, pelo visto, se especializou em notícia falsa.
O anuncia de que faria confraternização quando o país ultrapassa os cem mil mortos pela Covid-19 foi considerado tão fora de hora que fez com que o próprio Bolsonaro publicasse em suas redes sociais afirmando que se tratava de um “churrasco fake”.
As família das vítimas do coronavírus e aquele que estão em quarentena para resguardarem da doença merecem respeito e não molecagem de quem deveria dá exemplo.
Uma polêmica em relação a testes rápidos enviados pelo governo Federal tomou conta das redes sociais desde ontem. Catapultada pelo deputado Wellington do Curso, que ocupa seu tempo durante a pandemia apenas para tentar macular a imagem do governador Flávio Dino, a pauta vem sendo bastante abordada em grupos de WhatsApp, sobretudo.
Os 117 mil testes que Wellington do Curso imputa somente ao governo do Estado é uma inverdade, já que eles foram partilhados com os municípios maranhenses, por meio de parceria com a Federação dos Municípios do Maranhão (Famem). Portanto, eles estão ajudando na identificação de casos em todas as regiões do estado.
Destes 117 mil, 59.700 foram entregues no mês passado e 57.720 chegaram essa semana a São Luís, e já estão sendo distribuídos para vários outros municípios maranhenses.
A recomendação do próprio Ministério da Saúde é de que esses testes sejam usados, prioritariamente, para profissionais da saúde e da segurança. Está sendo assim em todos os estados brasileiros, sobretudo pela escassez mundial que existe desses testes.
A diferença entre o número de testes entregues e o número de testes aplicados, segundo o boletim da Secretaria de Saúde (SES), tem razão de ser, já que é de responsabilidade dos municípios lançá-los no sistema do Ministério da Saúde, fato que não está ocorrendo a contento e, por isso, a informação não está constando no boletim diário da SES.
Só para se ter ideia da situação nacional, no mesmo site do Ministério que Wellington do Curso propaga, São Paulo recebeu quase um milhão de testes, e ainda não utilizou nem metade. E essa lógica segue em todos os estados brasileiros. Os testes rápidos estão sendo feitos gradativamente, em todo o país.
Querer usar esse número para fazer politicagem é mais um jogo sujo do deputado Wellington do Curso. O Maranhão segue entre os primeiros no ranking de transparência no combate ao coronavírus. A hora agora é de união e compaixão, de respeito às famílias dos mortos por essa doença que se alastra perigosamente no Brasil.
