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  • Jorge Vieira
  • 14/fev/2013

Prefeitura vistoria áreas atingidas pela chuva

Prefeito Edivaldo enfrentou a chuva para visitar áreas alagadas da cidade

O prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior, acompanhado de parte dos secretários de governo, visitou na tarde desta quarta-feira (13) diversas áreas atingidas pela chuva que caiu durante a madrugada. Os representantes do governo municipal estiveram nos locais para avaliar os prejuízos, dialogar com as famílias que sofreram com alagamentos na região da Cohab/Cohatrac, Cidade Operária e Anil e definir as medidas emergenciais.
“É importante estarmos juntos nesse momento, ver de perto a gravidade dos problemas causados pela chuva e dessa forma atendermos a população com maior agilidade. Nossa população pode ter certeza que a prefeitura estará sempre presente e buscará a solução para os problemas de nossa cidade”, afirmou o prefeito Edivaldo Holanda Júnior.
A vistoria contou com a presença dos secretários de Urbanismo (Semurh), Felipe Camarão, de Obras e Serviços Públicos (Semosp), José Silveira Sousa, representantes da Secretaria da Criança e Assistência Social (Semcas) e a vereadora Rose Sales (PCdoB).
A equipe vistoriou a limpeza e desobstrução do canal da Cohab-Cohatrac, que teve suas saídas de escoamento de águas pluviais entupidas por dejetos e provocou alagamentos nas 43 casas construídas sobre o córrego e em várias ruas nas proximidades.
Diversas famílias tiveram que abandonar suas casas durante a noite. Segundo depoimentos de moradores, apenas 30 minutos de chuva foram suficientes para provocar uma enxurrada e a água entrou nas residências sem que as pessoas tivessem tempo de levar objetos pessoais ou eletrodomésticos. Muitos tiveram que buscar abrigo na casa de amigos e familiares.
O secretário José Silveira Sousa informou que a obra de estrutura e recuperação do canal, iniciada na gestão passada, foi orçada em R$ 13 milhões e deveria ter sido concluída em setembro de 2011, mas somente 40% foi realizada. “Infelizmente é mais um problema deixado pela gestão anterior e que temos que enfrentar com urgência”, disse.
Prefeito e secretário de Obras visitaram canal Cohab/Cohatrac
Parte da estrutura em concreto do canal foi levada pela enxurrada. O prefeito afirmou que a empresa responsável pela obra será acionada para reconstrui-la.
A Secretaria da Criança e da Assistência Social (Semcas) está fazendo o mapeamento das famílias que vivem na região para prestar atendimento. Nesta quinta-feira (14), a Prefeitura vai reunir as 43 famílias que têm suas casas sobre o canal para começar a discussão sobre a desapropriação da área.
“A desapropriação é importante para que possamos realizar um trabalho que acabe com os problemas de enchentes e que vai beneficiar centenas de famílias”, explicou o prefeito Edivaldo Holanda Júnior.
O canal Cohab-Cohatrac se estende do bairro Planalto-Cohab até a Maiobinha. Originalmente era um córrego e ao ser urbanizado devido à construção de bairros, foi designado para receber águas pluviais. “Além da ocupação desordenada e ilegal sobre o canal, sabemos que é lançado esgoto neste canal, o que só piora a situação”, denuncia a vereadora Rose Sales.
O representante da Associação de Moradores da Forquilha, Evandro Araújo, acompanhou a vistoria da equipe da Prefeitura e falou sobre a necessidade de divulgar as demandas dos bairros. “Os problemas causados pelas chuvas também atingem outros bairros como Vila Isabel Cafeteira, parte do Anil, Aurora e Pirapora. Nós queremos discutir com a Prefeitura sobre medidas preventivas, preservação do meio ambiente, mobilidade urbana, segurança, educação e saúde para as comunidades”, disse.
ANIL E CIDADE OPERÁRIA
No Anil a equipe esteve com representantes das 46 famílias que estão desabrigadas. Há um número considerável de casas que sofreram alagamentos. Na vila da Associação de Produtores Agrícolas da Cidade Operária (Apaco) formada por 165 famílias, 117 estão desabrigadas.
O prefeito Edivaldo Holanda Júnior também visitou a feira do Anil, que teve seu teto destruído nesta madrugada. O prefeito determinou a limpeza do canal do Anil e, após verificar a gravidade da situação, estabeleceu obra de reconstrução da feira como uma das prioridades da pauta da Semosp. A partir desta quinta-feira (14), todas as famílias que estão vivendo em áreas atingidas pelas chuvas, serão atendidas prioritariamente pela Semcas.
Na manhã desta quinta-feira (14), o prefeito e secretários municipais visitarão o bairro São Raimundo, onde a população interditou a via por conta do alagamento ocasionado pela chuva.

  • Jorge Vieira
  • 13/fev/2013

Roseana agora tem ex-jogador francês Zidane como vizinho

Do Informe JP

Não é de hoje que Roseana Sarney tem uma casa em Punta Del Este.

A família Sarney costuma passar os verões no luxuoso balneário uruguaio.

O chatô da governadora do Maranhão fica de frente para a praia e é um dos maiores do elegante Bairro de Beverly Hills [homônimo do bairro nobre californiano].

Agora, quem acaba de comprar uma residência ao lado da casa de Roseana é o ex-jogador de futebol francês Zinedine Zidane.

A casa de Zidane tem um imenso jardim, piscina suspensa, seis quartos (contra os oito da casa de Roseana), e foi comprada por US$ 6 milhões (mais de R$ 12 milhões).

Os novos vizinhos ainda não foram apresentados.

(Coluna do Bruno Astuto, na revista Época)

  • Jorge Vieira
  • 13/fev/2013

CARNAVAL DE QUEM?


O carnaval chegou! Hoje, ouvindo um samba de Chico Buarque que diz assim: ‘Apesar de você, amanhã há de ser outro dia…’, lembrei-me de uma conversa que tive com dois produtores culturais na semana passada. Aproximaram-se de mim e foram logo afirmando, sem nem mesmo um bom-dia: ‘Governador, o seu governo foi o melhor que tivemos para a cultura popular. O cachê pago aos grupos era suficiente para colocarmos o bloco na rua’. ‘Aliás’ – continuou o outro – ‘o cachê que é pago hoje é o mesmo que foi pago no seu governo, com uma diferença: como diminuíram a quantidade de apresentações, o valor final do cachê é praticamente a metade’. Confesso que duvidei das afirmações deles, afinal, em 2006, o nosso orçamento correspondia a um terço, isso mesmo, um terço do orçamento atual, então não sei como foi feita essa mágica para diminuir o cachê dos grupos, quando deveria ser no mínimo três vezes mais. Novamente o primeiro retomou a palavra para me afirmar que era verdade. Segundo me contou, o que aconteceu foi que, num intento de proteger uns certos grupos, que querem ter a hegemonia da cultura popular, quebraram as patas do siri, cortaram a tromba do jegue, o ‘babaçu abunda’ foi cortado para dar espaço para novas construções e sobrou até para a jumenta parida, pois, no intuito de economizar, proibiriam a participação de bichos paridos. O outro tomou a palavra e resumiu: ‘Trocando em miúdos, governador, eles querem fazer o carnaval de um bloco só, seria um ‘monobloco’, e até trouxeram o original para a gente conhecer. Agora, vejam que essa história é tão nociva que até na Assembleia, os deputados, percebendo o perigo, não aceitaram e acabaram com o mono que existia ali e criaram vários blocos.

Nossos artistas populares são espirituosos, cheios de metáforas, mas espertos para observarem o que acontece no dia a dia, apesar de certos governantes pensarem que são bobos. Realmente em minha gestão a cultura foi tratada com respeito. A cultura e o turismo andavam de mãos dadas. Os voos charter aportavam em nosso aeroporto, trazendo os turistas para apreciarem a nossa cultura. Hoje embarca mais gente de São Luís para passar o carnaval fora da cidade do que os que aqui aportam. Também, com o alto índice de violência em nossa capital – somente no mês de janeiro chegamos a 62 assassinatos – parece até que isso é algo normal. A sujeira das praias que, além dos coliformes fecais oriundos do despejo do esgoto sem nenhum tratamento, ainda engloba os metais pesados que são lançados na nossa costa pelos navios. Sim, porque os cascos daquelas embarcações são lavados após o transportes de materiais químicos e com o fluxo da maré, são depositados em nossas areias, causando diversas doenças. Isto parece acontecer sem que ninguém fiscalize.

A rede hoteleira chegava a 100% de ocupação. Lembro-me de um dia ter recebido o telefonema de uma ex-ministra que a mim reclamava por não ter conseguido vaga em nenhum hotel da cidade para se hospedar. Tive que hospedá-la no Palácio dos Leões. Hoje, a rede hoteleira não é ocupada nem em 60% de sua capacidade. A importação de bandas de outros estados não vai resolver o problema. Quem vem ao nosso Maranhão para apreciar bandas que podem ser apreciadas em seus estados de origem?

Enquanto o governo federal mostra preocupação com a balança comercial, já que estamos importando mais do que exportamos, o governo do Maranhão faz questão de criar uma balança deficitária para a nossa cultura. Contrata a peso de ouro grupos de outros estados, que levam os nossos parcos recursos e deixam nossos artistas à mingua.

Quando assumi o governo, percebi que o nosso carnaval de rua estava sendo invadido pela forma baiana de fazer carnaval, com grandes trios elétricos, venda de abadás, com cordas amarrando os nossos brincantes como se fossem animais em um curral. Como engenheiro, vi que as nossas estreitas ruas não comportavam a invasão de grandes trios que mantinham os artistas altos e distantes do público e ainda com riscos de acidentes nas redes elétricas. Milton Nascimento nos ensinou que ‘o artista deve estar onde o povo está…’. Idealizei a Jardineira da Alegria que foi um grande sucesso, pois mantinha os artistas em contato com o povo, interagindo com ele e com ele brincando o carnaval. Isto foi uma alternativa aos mais pobres que não dispunham de recursos para pagar abadás cada vez mais caros. Assisti durante vários dias, do palanque montado na praça da saudade, a Jardineira carregando uma multidão de foliões que se divertiam sem ter que pagar para qualquer bloco.

Atendendo ao reclame dos brincantes de passarela, construí e urbanizei praça que, com aquela estrutura, valorizou e deu dignidade ao desfile de nossas escolas de samba. Resgatamos até a Escola de Samba de São José de Ribamar, que estava adormecida há anos, mas que com o apoio do meu governo retomou às atividades.

Restaurei todas as sedes das escolas de samba, pois não havia sentido uma agremiação, que era uma espécie de centro cultural na comunidade em que está incrustrada, não dispor de um espaço físico à altura de sua importância. Aproveitávamos o carnaval para fazer política pública de saúde com o bloco da juventude que desfilava distribuindo camisinhas e orientando sobre as doenças sexualmente transmissíveis. Os ingressos do baile de gala eram vendidos abertamente a qualquer pessoa. Arrecadávamos fundos para a manutenção das creches vinculadas ao Voluntariado de Obras Sociais – VOS. No meu último ano de governo entregamos R$ 103 mil ao VOS.

Depois disso, primeiro restringiram o acesso do povo ao baile, que se tornou apenas um encontro da elite listada por colunistas e por último acabaram com ele, deixando e valorizando apenas os bailes promovidos pelos amigos. Quando questionado pelos promotores culturais sobre por que isso acontece, preferi não lhes responder.

Mas, meus amigos, ainda sob o espírito da profecia do samba de Chico Buarque, ‘Amanhã há de ser outro dia’, e um dia ‘vai passar nessa avenida um samba popular’, como diz um velho ditado, ‘não há mal que dure para sempre’. A esperança tem data certa: 2014. Vamos juntos seguir esse bloco!

Bom carnaval a todos!

O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras

  • Jorge Vieira
  • 13/fev/2013

Procurador da República pede pressa no julgamento de cassação de governadores

A governadora Roseana Sarney (PMDB) recebeu nesta quarta-feira
de cinzas (13) uma notícia nada agradável sobre o processo em que o
ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) pede a cassação do seu mandato e do
vice, Washington Oliveira, por abuso de poder econômico nas eleições de 2010.
Segundo revela hoje a coluna do jornalista Claudio
Humberto, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, finalmente pretende que o Supremo
Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral julguem os processos de cassação
contra onze governadores até o julho próximo.  
As ações foram apesentadas pelos
adversários que se sentiram prejudicado pelo abuso de poder político e econômico,
compra de votos e uso indevido dos meios de comunicação nas eleições de 2010.
O Ministério Público já pediu a
cassação de governadores como Tião Viana (PT-AC) e Anchieta Jr. (PSDB-RR), mas Roberto Gurgel há mais de seis meses está com o processo da governadora
Roseana Sarney em sua gaveta e não despacha para ser julgado pelo TSE.
Agora espera-se que Gurgel apresente seu paracer ao processo em que a governadora  é acusada de torrar mais de R$ 1 bilhão em convênios com prefeituras para poder se eleger.

  • Jorge Vieira
  • 13/fev/2013

Os lobos contra-atacam


Uma festa de carne, de filés polpudos, chambaris turbinados, costeletas sangrentas, alcatras gordurosas e muita, muita pimenta dedo-de-moça e… não convidaram os lobos. Era demais. Uma festa e tanto. O cheiro de cru esvoaçando no ar, o cheiro de gula, de ganância de poder que só se sente na floresta quando o leão, no caso a leoa, está prestes a se aposentar ou mudar de território.

O uivo forte atravessou toda a Via Expressa, sem parar nos acostamentos, até porque não existem acostamentos, disse a TV Difusora. E foi parar nas MAs esburacadas que circundam o Maranhão. Uivo de lobo, de desafio, a matilha toda em guarda contra os leões que os pretendem relegar aos formigueiros na floresta.

Caninos expostos, os lobos começaram a dizer as coisas que já sabiam porque não aceitam que o rei da matilha seja desalojado da toca principal, o frenético Palácio dos Leões, talvez o lugar do mundo onde mais se planejam futuros e inventam novos reis. A notícia já se espalhou como rastilho de pólvora, queimando etapas; a notícia de que vai haver guerra, dos lobos contra a leoa, contra o leão, contra o escolhido para reinar enquanto descansam o seu próprio não fazer nada.

Cansaram da metáfora? A TV Difusora do senador Edison Lobão, preterido pelo Palácio dos Leões na indicação para disputar o governo do Estado em 2014 e por Sarney para presidir o Senado, resolveu denunciar irregularidades existentes na Via Expressa, convenientemente apelidada de Via às Pressas que acabou sendo inaugurada sem acostamento e desobedecendo às mais exigíveis técnicas da engenharia moderna. Acabou se transformando num trambolho eleitoral e jurídico que mais provoca engarrafamentos e confusão que desafoga o trânsito.

A boa notícia é que no mundo dos monopólios de comunicação, das mídias controladas pelo governo, o Sistema Difusora de Comunicação tem sido muito importante para justificar as mazelas do sarneisismo, esconder e maquiar fatos, fulminar a oposição. Sem esse sistema, o monopólio estará enfraquecido. Mas não se brinca com lobos; eles mordem. E parece que Sarney encontrou um adversário à altura, pois Lobão, o lobo maior, está exigindo respeito à sua história de fidelidade, de cumplicidade com o caos político-administrativo do Maranhão.

Guerra feita e as primeiras dentadas refletem diretamente na veia jugular da base parlamentar do governo. Pelo menos 10 deputados saíram do Blocão e cerram fileira ao lado dos lobos e até de papagaios e periquitos. Estão descontentes com a partilha. A partilha de cargos, a partilha das comissões, a partilha eleitoral e, principalmente, a partilha de futuros. São cinco blocos governistas, tidos por aliados da leoa, mas entre eles muitos estão se juntando aos lobos e aguardam apenas a primeira ordem para começar a morder.

Enquanto isso, do outro lado da floresta, aonde as luzes chegam com muita dificuldade e os animais andam com cuidado e devagar, já há quem pense em como aproveitar o espólio dessa guerra se ela realmente acontecer. Afinal, em guerra de lobo com leão é melhor não meter a mão.

  • Jorge Vieira
  • 12/fev/2013

Uma carta de Sarney


O ex-presidente José Sarney me enviou carta com dois anexos. Num deles, uma correspondência de Juscelino a ele; no outro, uma defesa que fez do jornal “Estado de S.Paulo”, em 1973. Negou ser autor dos atos secretos do Senado. “Jogaram no meu colo os atos secretos.” Enviou estatística: 196 dos atos são de Renan Calheiros, e só 16, dele, Sarney. Quis responder à crítica ao seu apoio à ditadura. Missão difícil.

Para situar o leitor, a carta é uma reação à coluna em que comento a triste legislatura que começa agora e me refiro ao discurso de despedida do senador José Sarney em dois pontos: sua afirmação de que é pioneiro em transparência, apesar do escândalo dos atos secretos, e de que jamais feriu ninguém, nem com um espinho, apesar de ter apoiado um regime que usou mais que espinhos para ferir adversários.

Muitos que apoiaram o golpe de 1964 mudaram de ideia diante do endurecimento do regime. Mas não Sarney. Ele esteve ao lado dos militares até junho de 1984. Faltou-lhes apenas nos últimos nove meses. É difícil negar fatos tão consistentes no tempo. Sarney foi da Arena enquanto ela existiu e presidiu o partido que a sucedeu. Quando se afastou, no ocaso do regime, não foi por discordar dos seus princípios. Foram as circunstâncias da disputa presidencial da época.

Ele exibe como prova de que era um defensor da liberdade de imprensa um pronunciamento feito em 1973 de repulsa a um ataque que o “Estadão” recebeu do então governador paulista. “Chegaram os tempos em que a liberdade de imprensa passou a ser fundamental para a democracia, de tal modo que hoje ela não é mais uma aspiração liberal; é um direito do homem como o é a saúde.” Belas palavras. Pena que não tenha defendido o mesmo “Estado de S. Paulo” da sistemática censura prévia que sofreu por anos. Ou mesmo, em tempos mais presentes, da censura judicial que hoje o jornal sofre para não publicar informações que se referem à pessoa da família do senador. Um discurso de 1973 não há de preencher tão vasto silêncio.

Sarney é figura ambivalente. Foi também o primeiro presidente civil pela fatalidade da morte de Tancredo Neves. A Aliança que fez com Tancredo não apaga seu passado de servilismo ao regime militar, mas ele demonstrou temperança em momento de delicada transição. É homem que teve a chance, que raramente têm as pessoas públicas, de mudar a própria biografia. Mas a desperdiçou, em parte, ao permanecer tão colado ao poder, quanto ficou nos últimos anos, com tantos e tão controversos atos.

Sobre os atos secretos, Sarney diz: “Jogaram no meu colo os atos chamados secretos. Pois bem eles foram apropriação estelionatária, pois publicada como descoberta de um repórter, foi fruto da Fundação Getúlio Vargas, que, contratada por mim, constatou que alguns atos de administrações anteriores não tinham entrado na rede da Intranet do Senado.”

Segundo Sarney, o inquérito feito na época da denúncia encontrou 952 atos secretos: de Antônio Carlos Magalhães, 584; Garibaldi Alves, 204; Renan Calheiros, 196; Ramez Tebet, 34; Tião Viana, 16; José Sarney, 16; Edison Lobão, 2.

Na carta que enviou a Sarney, em 1972, o ex-presidente Juscelino Kubitschek elogia o então governador do Maranhão que, em 12 de dezembro de 1968 (véspera do AI-5), fez um discurso em homenagem ao ex-presidente cassado. E o chama de “jovem, inteligente, corajoso e digno”, além de dizer que leu de um fôlego o livro “Norte das águas”.

JK foi uma grande e delicada figura pública, é o que a carta do ex-presidente Juscelino ao então governador do Maranhão comprova.

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