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CARNAVAL DE QUEM?


O carnaval chegou! Hoje, ouvindo um samba de Chico Buarque que diz assim: ‘Apesar de você, amanhã há de ser outro dia…’, lembrei-me de uma conversa que tive com dois produtores culturais na semana passada. Aproximaram-se de mim e foram logo afirmando, sem nem mesmo um bom-dia: ‘Governador, o seu governo foi o melhor que tivemos para a cultura popular. O cachê pago aos grupos era suficiente para colocarmos o bloco na rua’. ‘Aliás’ – continuou o outro – ‘o cachê que é pago hoje é o mesmo que foi pago no seu governo, com uma diferença: como diminuíram a quantidade de apresentações, o valor final do cachê é praticamente a metade’. Confesso que duvidei das afirmações deles, afinal, em 2006, o nosso orçamento correspondia a um terço, isso mesmo, um terço do orçamento atual, então não sei como foi feita essa mágica para diminuir o cachê dos grupos, quando deveria ser no mínimo três vezes mais. Novamente o primeiro retomou a palavra para me afirmar que era verdade. Segundo me contou, o que aconteceu foi que, num intento de proteger uns certos grupos, que querem ter a hegemonia da cultura popular, quebraram as patas do siri, cortaram a tromba do jegue, o ‘babaçu abunda’ foi cortado para dar espaço para novas construções e sobrou até para a jumenta parida, pois, no intuito de economizar, proibiriam a participação de bichos paridos. O outro tomou a palavra e resumiu: ‘Trocando em miúdos, governador, eles querem fazer o carnaval de um bloco só, seria um ‘monobloco’, e até trouxeram o original para a gente conhecer. Agora, vejam que essa história é tão nociva que até na Assembleia, os deputados, percebendo o perigo, não aceitaram e acabaram com o mono que existia ali e criaram vários blocos.

Nossos artistas populares são espirituosos, cheios de metáforas, mas espertos para observarem o que acontece no dia a dia, apesar de certos governantes pensarem que são bobos. Realmente em minha gestão a cultura foi tratada com respeito. A cultura e o turismo andavam de mãos dadas. Os voos charter aportavam em nosso aeroporto, trazendo os turistas para apreciarem a nossa cultura. Hoje embarca mais gente de São Luís para passar o carnaval fora da cidade do que os que aqui aportam. Também, com o alto índice de violência em nossa capital – somente no mês de janeiro chegamos a 62 assassinatos – parece até que isso é algo normal. A sujeira das praias que, além dos coliformes fecais oriundos do despejo do esgoto sem nenhum tratamento, ainda engloba os metais pesados que são lançados na nossa costa pelos navios. Sim, porque os cascos daquelas embarcações são lavados após o transportes de materiais químicos e com o fluxo da maré, são depositados em nossas areias, causando diversas doenças. Isto parece acontecer sem que ninguém fiscalize.

A rede hoteleira chegava a 100% de ocupação. Lembro-me de um dia ter recebido o telefonema de uma ex-ministra que a mim reclamava por não ter conseguido vaga em nenhum hotel da cidade para se hospedar. Tive que hospedá-la no Palácio dos Leões. Hoje, a rede hoteleira não é ocupada nem em 60% de sua capacidade. A importação de bandas de outros estados não vai resolver o problema. Quem vem ao nosso Maranhão para apreciar bandas que podem ser apreciadas em seus estados de origem?

Enquanto o governo federal mostra preocupação com a balança comercial, já que estamos importando mais do que exportamos, o governo do Maranhão faz questão de criar uma balança deficitária para a nossa cultura. Contrata a peso de ouro grupos de outros estados, que levam os nossos parcos recursos e deixam nossos artistas à mingua.

Quando assumi o governo, percebi que o nosso carnaval de rua estava sendo invadido pela forma baiana de fazer carnaval, com grandes trios elétricos, venda de abadás, com cordas amarrando os nossos brincantes como se fossem animais em um curral. Como engenheiro, vi que as nossas estreitas ruas não comportavam a invasão de grandes trios que mantinham os artistas altos e distantes do público e ainda com riscos de acidentes nas redes elétricas. Milton Nascimento nos ensinou que ‘o artista deve estar onde o povo está…’. Idealizei a Jardineira da Alegria que foi um grande sucesso, pois mantinha os artistas em contato com o povo, interagindo com ele e com ele brincando o carnaval. Isto foi uma alternativa aos mais pobres que não dispunham de recursos para pagar abadás cada vez mais caros. Assisti durante vários dias, do palanque montado na praça da saudade, a Jardineira carregando uma multidão de foliões que se divertiam sem ter que pagar para qualquer bloco.

Atendendo ao reclame dos brincantes de passarela, construí e urbanizei praça que, com aquela estrutura, valorizou e deu dignidade ao desfile de nossas escolas de samba. Resgatamos até a Escola de Samba de São José de Ribamar, que estava adormecida há anos, mas que com o apoio do meu governo retomou às atividades.

Restaurei todas as sedes das escolas de samba, pois não havia sentido uma agremiação, que era uma espécie de centro cultural na comunidade em que está incrustrada, não dispor de um espaço físico à altura de sua importância. Aproveitávamos o carnaval para fazer política pública de saúde com o bloco da juventude que desfilava distribuindo camisinhas e orientando sobre as doenças sexualmente transmissíveis. Os ingressos do baile de gala eram vendidos abertamente a qualquer pessoa. Arrecadávamos fundos para a manutenção das creches vinculadas ao Voluntariado de Obras Sociais – VOS. No meu último ano de governo entregamos R$ 103 mil ao VOS.

Depois disso, primeiro restringiram o acesso do povo ao baile, que se tornou apenas um encontro da elite listada por colunistas e por último acabaram com ele, deixando e valorizando apenas os bailes promovidos pelos amigos. Quando questionado pelos promotores culturais sobre por que isso acontece, preferi não lhes responder.

Mas, meus amigos, ainda sob o espírito da profecia do samba de Chico Buarque, ‘Amanhã há de ser outro dia’, e um dia ‘vai passar nessa avenida um samba popular’, como diz um velho ditado, ‘não há mal que dure para sempre’. A esperança tem data certa: 2014. Vamos juntos seguir esse bloco!

Bom carnaval a todos!

O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras

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