Para evitar o constrangimento de
entregar a faixa a seu arquirrival, Roseana Sarney renunciou ao cargo de
governadora do Maranhão 20 dias antes do fim de seu mandato. O gesto
amedrontado e deselegante é apenas uma parte do desastroso processo de
transição maranhense. Orientada pelo pai, o ex-presidente José Sarney, que se
despediu na quinta-feira 18 do Senado, Roseana deixou como herança para o
sucessor, o governador eleito Flávio Dino (PCdoB), um Estado endividado e cheio
de armadilhas administrativas. “Ela deixou a confusão para trás e sumiu. Vou
tomar posse no escuro”, afirmou o futuro governador, que se elegeu com a
promessa de dar fim à dinastia de cinco décadas da família Sarney. Dino ainda
desconhece o tamanho do rombo. Só saberá ao certo no dia 1º quando tomar posse.
Faltam informações sobre contratos, liberações de verbas a prefeituras e
pagamentos de funcionários. O que é possível perceber, até agora, é
estarrecedor. Antes de sair, a governadora autorizou licenças que comprometem a
segurança pública do Estado e interrompeu pagamentos no setor de Saúde, há duas
décadas sem concursos públicos. “A dívida com os precatórios é gigantesca. Não
sabemos o que vai ser pago e o que vai ficar para o próximo ano”, lamenta Dino.
Os empresários
amigos da família Sarney, no entanto, não foram abandonados por
Roseana. Pelo
contrário, estão muito bem aquinhoados. Antes de renunciar ao cargo, ela
assinou renovação de contratos que só venceriam no decorrer de 2015. Para a
surpresa do sucessor, as decisões saíram no “Diário Oficial” com 20 dias de
atraso. Mesmo sabendo que estaria fora do governo, Roseana deixou outra bomba
para o governador eleito desarmar. Brindou um grupo de coronéis da Polícia
Militar com um curso de “tecnologia em segurança pública” por dois anos, mesmo
diante da explosão dos índices de violência no Maranhão. Inexplicavelmente, o
curso com previsão para começar este mês acontecerá em outro Estado, o Rio
Grande do Norte. A consultoria contratada para ministrar as aulas à cúpula da
PM do Maranhão custará R$ 9 milhões aos já combalidos cofres do Estado. Numa
encruzilhada, Dino tenta ao menos adiar a data da viagem, para não ver a PM
desfalcada às vésperas de assumir o mandato. Antes de renunciar, Roseana ainda
tentou assinar um contrato de R$ 1,3 bilhão relativo à administração
penitenciária, equivalente a 8% do orçamento total do Maranhão. Essa medida, no
entanto, a nova administração conseguiu reverter.
Eleito governador do Maranhão com 63,4% dos votos no primeiro turno,
Flávio Dino fez seu primeiro pronunciamento oficial na Diplomação dos Eleitos
organizada pelo Tribunal Regional Eleitoral. Para ele, o ato da diplomação
marca a vontade de milhões de maranhenses esquecidos pelo Poder Público, e que
devem ser lembrados em todas as ações do próximo governo.
O governador eleito do Maranhão, Flávio Dino
(PCdoB) e o vice, Carlos Brandão (PSDB), foram diplomados na noite desta
sexta-feira (19) pelo Tribunal Regional Eleitoral para exercer mandato de
quatro anos a partir de janeiro de 2015. Na solenidade, que contou com a
presença de mais de 1500 pessoas, foram diplomados além do governador e do
vice, o senador eleito Roberto Rocha, 42 deputados estaduais, 18 deputados
federais e o primeiro suplente de cada partido e/ou coligação.
Acompanhado da esposa, Daniela Lima e dos pais,
Rita Maria e Sálvio Dino, Flávio Dino reconheceu a união de esforços de todos
que acreditam em novo momento para o Estado.
Ao se pronunciar na mesa, o presidente do TRE,
desembargador Froz Sobrinho, fez um discurso de agradecimento aos setores
profissionais envolvidos na eleição e à população pelo reconhecimento da lisura
do pleito. O presidente do tribunal também desejou um bom desempenho aos
diplomados. “Que uma vez empossados exerçam com determinação suas prerrogativas
políticas para o bem comum do povo maranhense”.
A mesa foi composta por todos os membros da corte
do Tribunal Regional Eleitoral, além da desembargadora Cleonice Cunha
representando o Tribunal de Justiça, do presidente do Tribunal de Contas, Edmar
Cutrim, da desembargadora Nelma Sarney Costa, do deputado Marcelo Tavares, do
presidente da OAB, Mário Macieira e pelo governador Arnaldo Melo.
Atendendo pedido do Ministério Público
do Maranhão (MPMA), em Ação Civil Pública por ato de improbidade
administrativa, o Poder Judiciário determinou, na quinta-feira, 18, o
afastamento do prefeito de Bacuri, José Baldoino da Silva Nery, pelo prazo de
180 dias.
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| Paulo Roberto, Lobão e Roseana anunciando a Refinaria Premium |
Primeiro delator da Lava Jato, o
ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa citou em 80
depoimentos que se estenderam por duas semanas, entre agosto e setembro, uma
lista de 28 políticos – que inclui ministro e ex-ministros do governo Dilma
Rousseff (PT), deputados, senadores, governador e ex-governadores.
Há nomes que até aqui ainda não
haviam sido revelados, como o governador do Acre, Tião Viana (PT), reeleito em
2014, além dos deputados Vander Luiz dos Santos Loubet (PT-MS), Alexandre José
dos Santos (PMDB-RJ), Luiz Fernando Faria (PP-MG) e José Otávio Germano
(PP-RS). Entre os congressistas, ao todo foram mencionados sete senadores e
onze deputados federais.
Sobre vários políticos, o ex-diretor
da estatal apenas mencionou o nome. Não revelou valores que teriam sido
distribuídos a eles ou a suas agremiações.
Primeiro escalão – A lista inclui também o ex-ministro
Antonio Palocci (PT), que ocupou a Esplanada nos governos Luiz Inácio Lula da
Silva e Dilma; os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da
Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o atual ministro de Minas e Energia,
Edson Lobão, e ex-ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Mário Negromonte
(Cidades).
Os 28 nomes são exclusivamente de políticos
que teriam sido beneficiários dos negócios da diretoria de Costa. A Polícia
Federal e a Procuradoria da República trabalham com outros nomes de políticos
que se relacionavam com os ex-diretores da estatal Renato Duque (Serviços) e
Internacional (Nestor Cerveró).
Alguns nomes dessa lista também
aparecem na relação fornecida pelo doleiro Alberto Youssef, que firmou acordo
semelhante – ainda não homologado pelo ministro Teori Zavascki, do STF. O
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve denunciar os envolvidos no
esquema de desvios da estatal em fevereiro, quando tem início a nova
legislatura.
A delação do ex-diretor da Petrobras,
já homologada pelo Supremo, estava com Janot desde novembro. Ele aguarda o teor
do depoimento de Youssef para cruzar os nomes citados, o que deverá ser
realizado até o início da próxima legislatura.
Foro – Na troca da composição do Congresso,
alguns dos citados perdem foro privilegiado e passam a ser julgados pela
Justiça de primeira instância. Por decisão do ministro Teori Zavascki, as
investigações permanecem divididas entre a Suprema Corte e a Justiça Federal no
Paraná, onde serão investigados os acusados que não têm mandato.
A investigação desvendou uma trama de repasses a
políticos na estatal. A Lava Jato foi desencadeada em março e identificou a
parceria de Costa com o doleiro Youssef. Na última fase da operação, deflagrada
em 14 de novembro, foram presos os principais executivos e dirigentes das
maiores empreiteiras do País, todos réus em ações penais por corrupção ativa,
lavagem de dinheiro, crimes de cartel e fraudes a licitações.
Os
premiados também comemoraram o novo momento político do Estado
Dilermando
Toni
A ex-governadora Roseana
Sarney (PMDB), acusada de fazer parte da quadrilha que quebrou a Petrobras e
cobrar propina de R$ 6 milhões para liberar o pagamento do precatório da
Constran, assinou decreto, em 28 de dezembro de 2009, concedendo Medalha do
Mérito Militar, denominada “Medalha Brigadeiro Falcão”, instituída pelo Governo
do Maranhão, ao Tenente Coronel da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, José
Walterler dos Santos Silva, dono da Academia Walterler, que oferece cursos de treinamento
a militares.
Para que esses
militares que se inscreveram para fugir do trabalho ainda são oferecidos
hospedagem, passagens e todo o custeio mediante subsídio. O mais vergonhoso, no
entanto, são doze coronéis se inscreverem de uma única vez com a nítida
finalidade de politizar o ambiente na corporação e criar dificuldade para o
futuro governo que toma em primeiro de janeiro de 2015