Coordenador da equipe de transição designada por
Flávio Dino diz que não teve acesso aos documentos solicitados e seguem sem
informações concretas
O coordenador da equipe de transição designada por
Flávio Dino voltou a explicar que o ritmo de recebimento de informações
requeridas junto ao atual governo foi inadequado: das 32 solicitações com
pedidos de detalhamento da estrutura e do orçamento de cada órgão, apenas 09
foram respondidas – muito menos da metade. “O que eles disponibilizaram foram
apernas as informações mais óbvias. As que já são realmente públicas e constam
nos diários oficiais e na internet. Já os contratos de pagamentos, por exemplo,
nós nunca recebemos”, afirmou.
“Essa administração tem algumas situações que
precisam ser vencidas imediatamente. Existem muitos contratos que vampirizam a
máquina pública e nós não tivemos acesso detalhado a eles. Para se ter uma
ideia, alguns contratos chegam a representar metade do orçamento de uma pasta”,
disse fazendo menção aos contratos da área da saúde e administração
penitenciária.
Falando da necessidade de expor à população os
excessos administrativos do governo que se finda, Marcelo Tavares garantiu que
haverá uma coletiva ainda em janeiro de 2015 para mostrar detalhadamente como
foi aplicado o dinheiro público até dezembro de 2014. Um dos casos citados por
ele diz respeito à compra do Hotel São Francisco. “A Seduc comprou um hotel
completamente sucateado por R$ 25 milhões. Vamos mostrar à população de forma
detalhada. Faremos um esclarecimento para que a população avalie o que foi
feito com o dinheiro público no Estado”.
“Tem muita coisa estranha nesse governo”, disse
Tavares ao explicar que a gestão que se finda pode não deixar dinheiro em caixa
e que existem muitas dívidas a serem quitadas. Ele lembrou que há três anos o
governo Roseana Sarney não paga os precatórios (dívida que só este ano soma
quase R$ 300 milhões) e que a primeira parcela do empréstimo do BNDES de quase
R$ 7 bilhões chegará em fevereiro de 2015.
O Ministério Público do Estado do
Maranhão (MPMA), por meio da Promotoria de Justiça da Comarca de Vargem Grande,
ajuizou, em 15 de dezembro, Ação Civil Pública por Atos de Improbidade
Administrativa contra sete integrantes e ex-integrantes da administração do
município de Presidente Vargas (Termo Judiciário da comarca), devido a
irregularidades constatadas pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema
Único de Saúde (Denasus), em processos licitatórios.
O presidente da Assembleia Legislativa,
deputado Arnaldo Melo, que atualmente responde interinamente pelo governo do
Maranhão, deveria ter um pouco de prudência e aproveitar sua curta passagem
pelo Palácio dos Leões para fazer a transição e não para dar espetáculo, a
exemplo do que ocorreu, no último final de semana, no município de Fortuna quando deu por inaugurado uma
poça de lama como se fosse um balneário.
O governador tampão assumiu prometendo
concluir as obras inacabada de Roseana, principalmente em São Luís, mas sequer
teve coragem de chamar a empreiteira amiga da ex-governadora para cumprir o
contrato. Na obra sem planejamento da Avenida Quarto Centenário, por exemplo, tiveram
que fazer um desvio na Camboa porque o final da avenida vai dar ao lado de uma
das alças da Ponte Bandeira Tribuzi.
Arnaldo Melo, um político governista
que sempre deu um jeitinho de ficar do lado do que está no poder, segue a mesma
trilha deixada por Roseana, ou seja, mobiliza grande aparato para se deslocar
ao interior do estado com a única finalidade de enganar incautos, como ocorreu
no último final de semana quando inaugurou uma poça de lama afirmando ser
balneário.
Prefeitura de São Luís realizará uma
grande festa para celebrar a chegada de 2015. Na noite da virada, no dia 31,
além da Avenida Litorânea, onde a festa ficará por conta de Zeca Baleiro e
banda como atração principal, a Praça Maria Aragão receberá os artistas gospel
André Valadão, Anderson Freire e Maurício Paes. Nos dois locais haverá shows
pirotécnicos à meia-noite e uma mega estrutura de palco, luz e sonorização.
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| Flávio Dino vai reestruturar sistema público de comunicação |
CULTO EM
AÇÃO DE GRAÇAS
Também esta semana (na última terça-feira, 16)
aconteceu uma manhã de louvor e orações na Prefeitura de Santa Inês. No
auditório do prédio, foi realizado um Culto em Ação de Graças, dirigido pelos
evangélicos Pastor Domingos Pereira Filho (Dudu) e Dimison Guimarães dos
Santos (Chefe de Gabinete), com a presença do prefeito José de Ribamar Costa
Alves, da primeira-dama Luana Alves, além de convidados e servidores do
funcionalismo público do Município.
Para evitar o constrangimento de
entregar a faixa a seu arquirrival, Roseana Sarney renunciou ao cargo de
governadora do Maranhão 20 dias antes do fim de seu mandato. O gesto
amedrontado e deselegante é apenas uma parte do desastroso processo de
transição maranhense. Orientada pelo pai, o ex-presidente José Sarney, que se
despediu na quinta-feira 18 do Senado, Roseana deixou como herança para o
sucessor, o governador eleito Flávio Dino (PCdoB), um Estado endividado e cheio
de armadilhas administrativas. “Ela deixou a confusão para trás e sumiu. Vou
tomar posse no escuro”, afirmou o futuro governador, que se elegeu com a
promessa de dar fim à dinastia de cinco décadas da família Sarney. Dino ainda
desconhece o tamanho do rombo. Só saberá ao certo no dia 1º quando tomar posse.
Faltam informações sobre contratos, liberações de verbas a prefeituras e
pagamentos de funcionários. O que é possível perceber, até agora, é
estarrecedor. Antes de sair, a governadora autorizou licenças que comprometem a
segurança pública do Estado e interrompeu pagamentos no setor de Saúde, há duas
décadas sem concursos públicos. “A dívida com os precatórios é gigantesca. Não
sabemos o que vai ser pago e o que vai ficar para o próximo ano”, lamenta Dino.
Os empresários
amigos da família Sarney, no entanto, não foram abandonados por
Roseana. Pelo
contrário, estão muito bem aquinhoados. Antes de renunciar ao cargo, ela
assinou renovação de contratos que só venceriam no decorrer de 2015. Para a
surpresa do sucessor, as decisões saíram no “Diário Oficial” com 20 dias de
atraso. Mesmo sabendo que estaria fora do governo, Roseana deixou outra bomba
para o governador eleito desarmar. Brindou um grupo de coronéis da Polícia
Militar com um curso de “tecnologia em segurança pública” por dois anos, mesmo
diante da explosão dos índices de violência no Maranhão. Inexplicavelmente, o
curso com previsão para começar este mês acontecerá em outro Estado, o Rio
Grande do Norte. A consultoria contratada para ministrar as aulas à cúpula da
PM do Maranhão custará R$ 9 milhões aos já combalidos cofres do Estado. Numa
encruzilhada, Dino tenta ao menos adiar a data da viagem, para não ver a PM
desfalcada às vésperas de assumir o mandato. Antes de renunciar, Roseana ainda
tentou assinar um contrato de R$ 1,3 bilhão relativo à administração
penitenciária, equivalente a 8% do orçamento total do Maranhão. Essa medida, no
entanto, a nova administração conseguiu reverter.