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O Caminho Medíocre da Política Maranhense

Por Paulo César Couto Rocha

Durante anos acreditei que seria possível melhorar as condições de vida do povo maranhense. No entanto, com a saída prematura de um grande líder popular – ato vil daqueles que escravizam esse povo e dominam esse estado, com a anuência de alguns membros da República e dos poderes constituintes – vi que seria muito mais difícil do que imaginava. Tenho consciência disso. Às políticas sociais ficaram em segundo plano.

A implementação de uma política agrária que beneficiasse os pequenos produtores agrícolas e seus familiares deixou de ser prioridade. Apenas a monocultura desenvolveu-se aqui, os grandes latifúndios e, com eles, muito veneno e miséria ao seu redor, verdadeiros feudos elitizados. As escolas rurais, projeto importante para a qualificação dos filhos dos pequenos produtores rurais, implantado por um dos secretários de governo desse líder, lamentavelmente não foram levadas adiante, permitindo que a miséria campeasse nas periferias das pequenas, médias e grandes cidades.

Deu-se prioridade ao grande latifúndio, em detrimento do pequeno. Hoje, todos os produtos agrícolas, sem exceção, são importados de outros estados. A necessidade de uma política de industrialização e modernização da indústria maranhense – algo fundamental para o desenvolvimento do estado e para a oportunidade de mão de obra qualificada – nada disso fora implantado, ao invés disso o jovem procurou um serviço informal, um exemplo, as empresas de aplicativos de transportes urbanos, buscando esses uma saída para o desemprego latente no estado.

Apenas a política do “pão e circo” desencadeou-se no estado, ou seja, comida e festas, como se isso fosse o suficiente para uma população tão necessitada. Abrem-se todos os dias um restaurante popular, como se isso fosse a solução da fome, da miséria e da melhoria social, não, não é.

Não há, no momento atual, nenhum político, que tenha sanidade, que venha a discutir essas ações como plano de governo e política de estado, lamentavelmente. Razão pela qual não temos, a curto e médio prazo, a possibilidade de desenvolvimento real para melhoria desse povo tão sofrido.

O Maranhão continuará sendo um dos últimos estados brasileiros no índice IDH, pois não há discussões com o objetivo de mudança desse paradigma. A juventude clama por emprego, muitos, ainda saem do estado, na busca de condições melhores para si e para os seus.

As pequenas empresas clamam por serviços, os pequenos agricultores clamam por condições de produção, de escoamento dos seus produtos e absorção desses pelos órgãos responsáveis pela nutrição nos municípios e no estado. Aqueles que fazem parte do estado do Maranhão, que contribuem para o seu crescimento, aqui formaram famílias, tiveram filhos, veem, com aflição o futuro e clamam por “SOCORRO!”.

Dentre muitos que se dizem defensores da liberdade e dos direitos de uma sociedade, estão, em sua grande maioria, meros e medíocres políticos, na defesa dos seus interesses e bajuladores do sistema, estes serão esquecidos pela história.

O idealismo deu lugar ao fisiologismo.

*Paulo Cesar Couto Rocha é Engenheiro Civil, ex-Secretário Adjunto de Obras do Estado do Maranhão, ex-Secretário em exercício da Secretaria de Infraestrutura do Estado do Maranhão.

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