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Maranhão só cresce à noite

Por: José Reinaldo Tavares

Thomas L. Friedman é um dos jornalistas mais
importantes do mundo, articulista do The New York Times, vencedor de três
prêmios Pulitzer e das obras ‘O Mundo é Plano’ e ‘Quente, Plano e Lotado’.
Livros espetaculares, leitura obrigatória.
Ele escreveu neste mês de fevereiro dois excelentes
artigos veiculados em jornal com os títulos ‘Índia, China e Egito’ e ‘A
Ascensão da Classe Média Virtual’, que têm tudo a ver com o nosso estado. Ou
deveria ter.
No primeiro, ele compara a Índia, a China e o Egito
e procura analisar aquele que tem melhores condições de crescer de maneira
sustentável nos próximos anos. E parte da seguinte observação: A Índia tem um
governo central fraco, mas uma sociedade civil forte. A China tem um governo
central forte, mas uma sociedade civil fraca. O Egito tem um governo fraco e
uma sociedade civil muito fraca, que foi reprimida por 50 anos, e para a qual
foram negadas eleições reais. Mas há uma coisa que todos os três têm em comum:
um número imenso de jovens com menos de 30 anos, cada vez mais conectados pela
tecnologia, mas com educação muito desigual.
‘Meu ponto de vista’, diz ele, ‘[é que] dentre os
três, aquele que mais prosperará no século 21 será aquele que der prioridade
aos jovens. Essa será a sociedade que proverá mais educação aos jovens,
empregos e a voz que buscam para atingir seu potencial pleno’. Esta corrida
trata-se de ‘quem é mais capaz de capacitar e inspirar seus jovens para ajudar
na construção de uma ampla sociedade próspera’. Os países que fracassarem em
fazer isso terão uma massa de jovens não apenas desempregada, mas não
empregável. ‘Eles estarão desconectados em um mundo conectado, em desespero ao
verem outros desenvolverem e concretizarem seu potencial e curiosidade.’
Mas isso não servirá para nada sem uma melhor
governança. ‘Minha tese’ – diz – ‘é de que a Índia ascendeu apesar do Estado. É
uma história de fracasso público e sucesso privado.’
‘A Índia cresce à noite, quando o governo dorme’.
‘Mas a Índia precisa aprender a crescer durante o
dia. Se a Índia consertar sua governança antes que a China conserte sua
política, então ela vencerá. (…) É preciso um Estado forte. Em minha última
viagem à Índia, eu me deparei com algo que eu nunca havia visto antes: uma
comunidade política totalmente nova – a ‘classe média virtual’ da Índia. Seu
surgimento explica muito sobre o aumento dos protestos sociais no país, assim
como em lugares como a China e o Egito. Essa é uma das coisas mais emocionantes
que estão acontecendo no planeta hoje em dia. Historicamente, nós costumamos
associar as revoluções democráticas à obtenção, por parte das classes médias
ascendentes, de determinados níveis de renda per capita anual – digamos, US$ 10
mil por ano – que permitem que as pessoas se preocupem menos com suas despesas
com alimentação e moradia e mais com a obtenção do status de cidadãos com
direitos e opiniões para influenciar seu próprio futuro.
Mas o mais fascinante é o fato da difusão maciça do
acesso barato e eficaz à internet, via celulares e tablets, durante a última
década. E ela não é impulsionada apenas pelos 900 milhões de celulares em uso
atualmente na Índia, nem pelos 400 milhões de blogueiros da China. O escritório
do Departamento para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos aqui em
Nova Déli me colocou em contato com um grupo de empreendedores sociais indianos
que os EUA estão apoiando – e o poder das ferramentas que eles estão entregando
nas mãos da classe média virtual da Índia, a preços baixos, é de cair o queixo.
A Gram Power está criando microrredes e medidores
de eletricidade inteligentes para fornecer energia elétrica de forma confiável
para as áreas rurais da Índia, onde 600 milhões de indianos ainda não dispõem
de uma oferta regular (às vezes, nem de oferta nenhuma) de eletricidade para
poderem trabalhar, ler e estudar. Por 20 centavos de dólar por dia, a Gram
Power oferece a moradores de vilarejos rurais um cartão de energia elétrica
pré-pago capaz de alimentar todos os eletrodomésticos deles. A Healthpoint
Services está fornecendo água potável para famílias de seis pessoas por cinco
centavos de dólar por dia, além de consultas médicas via internet por 20
centavos de dólar a visita. Atualmente, a VisionSpring está distribuindo exames
e óculos de grau para os cidadãos pobres da Índia por preços que vão de US$ 2 a
US$ 3 cada. O Instituto para a Saúde Reprodutiva está alertando mensalmente as
mulheres a respeito de seus dias férteis usando mensagens de texto – que
informam que o sexo sem proteção não deve ser praticado no período indicado
para evitar uma gravidez indesejada. E a Digital Green está fornecendo sistemas
de comunicação de baixo custo a agricultores e grupos de mulheres indianos para
promover um intercâmbio e mostrar a cada um deles suas melhores práticas por
meio de filmes digitais projetados em um chão de terra batida.
Estas tecnologias ainda precisam ganhar escala, mas
estão no caminho certo. E elas estão permitindo que outros milhões de indianos
pelo menos acreditem que fazem parte da classe média e se sintam dotados do
poder político que acompanha essa condição social. Drasticamente os custos da
conectividade e da educação – tanto que um número muito maior de pessoas da
Índia, da China e do Egito, apesar de ainda ganharem apenas alguns dólares por
dia, agora têm acesso ao tipo de tecnologia e aprendizado anteriormente
associado apenas à classe média e uma sociedade forte, de modo que a sociedade
possa fazer o Estado prestar contas. ‘A Índia só terá um Estado forte quando o
melhor da sociedade se juntar ao governo, e a China só terá uma sociedade forte
quando os melhores mandarins ingressarem no setor privado’.
É por isso que hoje a Índia tem uma classe média de
300 milhões de pessoas, além de outras 300 milhões de pessoas que fazem parte
da classe média virtual – um contingente que, apesar de ainda ser muito pobre,
exige cada vez mais os direitos, as estradas, os serviços de energia elétrica,
os policiais não corrompidos e um bom governo – demandas normalmente associadas
às classes médias emergentes. Esses cidadãos estão colocando mais pressão do
que nunca sobre os políticos eleitos da Índia para que eles se emendem e
governem do jeito certo.
A formação de uma classe média virtual, que não tem
a renda da classe média indiana, mas reivindica igual e se porta como classe
média o que fez com que essa dobrasse de tamanho e de 330 milhões de pessoas
passasse a 600 milhões vai mudar a índia e seu fraco governo.
E é um país de renda per capita muito baixa e cheio
de carências. Igual ou pior ao Maranhão rural. Mas está encontrando soluções de
baixo custo.
A população do Maranhão é a que tem menos acesso a
internet entre todos os estados brasileiros e menor acesso a educação de
qualidade, sistema de saúde, saneamento e segurança. O governo paralisado e
desligado dos verdadeiros problemas que impedem o desenvolvimento do estado, da
melhoria de renda e do nível educacional não faz nada, nada mesmo, para mudar
as coisas por aqui. Não é carnaval caro e dispendioso que vai mudar.
Esse é o verdadeiro combate à pobreza. Capaz de
mudar as coisas.
Uma viagem à Índia para estudar tudo isso seria
muito importante. Mas as rotas desse governo são outras. Nada se pode esperar.
Mas a soluções estão aí à espera de governos melhores
e comprometidos com o Maranhão.
O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para
o Jornal Pequeno às terças-feiras

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