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Flávio Dino se despede do governo; gestão valorizou o social

O governador Flávio Dino (PSB) encerrar nesta quinta-feira (31) seu mandato após sete anos e três meses comandando um intenso programa administrativo que colocou o estado em lugar de destaque no cenário nacional.

Dino se afasta da gestão por força da lei para disputar um mandato de senador da República, mas deixa como legado um conjunto de obras, principalmente nas áreas de saúde, educação, social e defesa dos direitos humanos.

Antes de sua renúncia, no dia 27, já na reta final de passar a faixa para Carlos Brandão, o governador que semeou escolas dignas, Iemas, hospitais regionais e programas de cunho social para enfrentamento da probeza se dirigiu aos maranhenses para fazer uma espécie de prestação de contas sobre sua amdinistração. Leia a baixo a carta de despedida do governador.

Carta ao Povo do Maranhão

No dia 1º de janeiro de 2015, pela vontade de Deus e da população do nosso estado, assumi o comando de um barco chamado Maranhão, embasado em uma vida comprometida com as causas do progresso, da dignidade e da justiça social. Uma embarcação carregada de sonhos, ideais e planos para um Maranhão forte, altivo, orgulhoso de si próprio e de suas pessoas.

Este barco, como todos testemunhamos, não pôde navegar em águas calmas. Pelo contrário, sempre enfrentamos grandes ondas, tsunamis, imprevisibilidades, algumas absolutamente inimagináveis. No meio dessas ondas que sacudiram bastante o barco, foram os sonhos dos maranhenses e a vontade de mudar realidades que nos mantiveram navegando.

Escolas de taipa e sucateadas, filas de ambulâncias para São Luís – à vista da falta de hospitais regionais –, cenários de guerra nas penitenciárias, filas e mais filas para ter acesso a um direito básico, como tirar uma carteira de identidade.

Tudo isso, progressivamente, faz parte do passado. O Maranhão que guiamos investiu R$ 10 bilhões em estradas, hospitais e escolas, que possibilitaram abrir avenidas de oportunidades para os maranhenses.

Foram, por exemplo, mais de 1.400 obras educacionais. Abrimos 91 escolas de tempo integral, algumas delas com ensino fundamental bilíngue de português e inglês, algo impensável no Maranhão do passado. Uma oportunidade como essa era reservada apenas para os filhos dos mais ricos, que podiam pagar. Sinto muito orgulho de ver a estrutura dessas escolas, repletas de bibliotecas, laboratórios, pulsando conhecimento e esperanças. Isso tem mudado o destino de milhares de jovens.

Entregamos mais de 40 rodovias pavimentadas e milhares de quilômetros de asfalto implantados em ajuda aos municípios. Realizamos sonhos de várias gerações, com a construção de pontes em Paulino Neves, Santana, Timbiras, Sambaíba, São Felix de Balsas, Bequimão, Passo do Lumiar, Santo Amaro, entre outras.  

De todos os mares bravios que navegamos, o mais difícil deles foi o enfrentamento ao coronavírus, algo impossível de aprender nas páginas dos livros. Com muito esforço e trabalho sério, somos o estado que melhor combateu a pandemia, e temos a menor taxa de óbitos do país. Isso só foi possível porque, ao longo de todos esses anos, investimos fortemente na saúde, descentralizando os serviços e abrindo novas unidades em todo o estado.

Foram 50 novos equipamentos de saúde, ofertando serviço onde antes não tinha. O aumento na oferta de UTIs possibilitou grandes conquistas, com o fim da procissão de ambulâncias para a capital. Estamos zerando as filas da hemodiálise e da radioterapia, antes problemas crônicos. E estamos finalizando a primeira parte de uma grande obra: o Hospital da Ilha, que fará atendimento de urgência e emergência para os municípios da grande São Luís e de outras regiões.

Estamos agora perseguindo uma outra grande conquista nessa reta final: chegar a 100 restaurantes populares, a maior rede de segurança alimentar do país. Somos um estado que carrega marcas profundas da desigualdade socioeconômica e nesse momento crítico que o país atravessa, com famílias brasileiras sofrendo grave restrição financeira, ofertar comida de qualidade a preços simbólicos garante não só a sociedade, mas também que as famílias usem o dinheiro que seria gasto em alimentação com outras necessidades básicas. Isso ajuda inclusive a movimentar o comércio das cidades.

Sou muito grato por tudo que vivi à frente do Governo do Estado, por todos os sonhos que realizamos, por toda dor que conseguimos amenizar ou resolver. Esse barco ainda tem muito a navegar. Estou saindo da cabine de comando, mas continuo na luta, junto com todos e todas, para que ele chegue sempre em um bom porto. Mesmo que esse porto seja uma utopia, porque o nosso destino é continuar navegando. Navegar é preciso.

Obrigada Maranhão.                 

 

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