2 de junho de 2017

Redação: (98) 98205-4499

02/06/2017 -

Jorge Vieira -

Comente

Fiador de Temer, Sarney garante bons cargos para aliados em Brasília

Apontado como o principal conselheiro político de Michel Temer (PMDB) após estourarem os escândalos de corrupção envolvendo o presidente, o oligarca José Sarney exerce sua influência para barganhar cargos no governo Federal. Desde que Temer assumiu, Sarney vem garantindo boas indicações para membros do seu grupo político em órgãos públicos.

A última indicação foi a do jurista Torquato Jardim para comandar o Ministério da Justiça. Jardim foi advogado de Roseana Sarney (PMDB) e é amigo de Sarney há mais de 30 anos. A intenção de Sarney é usar a influência do ministro da Justiça nos tribunais para frear as investigações contra Temer e garantir o apoio do presidente e da máquina federal na campanha eleitoral de Roseana em 2018.

Mas a lista de cargos conquistados por Sarney na gestão Temer não para aí. Além dos cargos federais no Maranhão, Sarney conseguiu espaço de prestígio no governo federal para vários integrantes do seu clã. Relembre:

Zequinha

O primeiro cargo indicado por Sarney foi para Sarney Filho (PV), que assumiu o Ministério do Meio Ambiente. Zequinha Sarney se licenciou do cargo de deputado federal para assumir como ministro. O político já está no 8º mandato consecutivo na Câmara Federal, cadeira que ocupa desde 1982. Para 2018 ele anunciou que vai se lançar ao Senado, o que vem causando conflito interno com sua irmã Roseana, indecisa se disputa o governo do Estado ou tentará novamente uma vaga no Senado.

Assis Filho, secretário da Juventude denunciado por enriquecimento ilícito

Outra boa indicação foi a do maranhense Assis Filho (PMDB) como secretário Nacional da Juventude. Ex-superintendente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) no Nordeste, Assis foi alçado ao cargo mesmo tendo sido denunciado por enriquecimento ilícito.

A denúncia contra Assis consiste em peculato, falsidade ideológica, falsificação de documentos e participação em uma organização criminosa que desviava dinheiro dos cofres públicos por meio de nomeações de funcionários fantasmas no Município de Pio XII. O Ministério Público diz que Assis Filho exerceu, no intervalo de quatro meses, seis funções na Prefeitura de Pio XII, entre 2014 e 2016.

Secretária particular de Roseana

Quem também se deu bem no governo Temer foi a “secretária particular” de Roseana Sarney, Anna Graziella, que nomeada como superintendente regional do Nordeste da EBC (no lugar de Assis Filho). Graziella é afilhada política da ex-governadora e foi secretária da Casa Civil no último mandato de Roseana.

Em 2015, então presidente da Fundação da Memória Republicana Brasileira – que administra o acervo pessoal de José Sarney – Anna Graziella foi impedida pela polícia de entrar na sede do órgão e renunciou ao cargo. Na época, servidores foram vistos manuseando computadores, documentos e obras fora do horário de expediente do chamado “Museu de Sarney”.

Kátia Bogéa, “Kátia Luz”

A presidência nacional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para Kátia Bogéa também teve as digitais de Sarney. Ela comandou o órgão no Maranhão por 12 anos e tem boa relação pessoal com a família Sarney.

No site do ex-presidente, Sarney diz que “Kátia é luz”. Apesar de mais de uma década à frente do Iphan-MA, Kátia Bogéa deixou como legado uma São Luís patrimônio histórico da humanidade com um dos conjuntos arquitetônicos mais abandonados do país.

Chiquinho Escórcio: aliado fiel

Fiel aliado de Sarney, o ex-deputado federal Chiquinho Escórcio abocanhou a vaga de assessor na Secretaria de Relações Institucionais do governo Temer. Na função, Escórcio recebe um salário mensal de R$ 11,2 mil, quantia irrisória se comparada ao patrimônio declarado por ele nas últimas eleições: R$ 26 milhões.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Buscar

Nossa pagina