O lançamento da campanha do deputado federal Rubens Pereira Jr. (PT) à reeleição, na noite de quinta-feira (20), reuniu mais de duas mil pessoas e abandonou a gramática do comício tradicional. Não havia palanque com cadeiras enfileiradas nem sequência de discursos. O público entrava por um percurso de estações, e em quase todas produzia alguma coisa que saía com ele no celular.
No palco, o formato lembrava menos um ato político e mais uma apresentação de produto. Rubens Jr. falou de pé, sozinho, com roteiro cronometrado, alternando blocos curtos de fala com vídeos produzidos para o telão. Os apoios políticos foram citados por ele, um a um, sem a fila de oradores que costuma alongar eventos do tipo. A parte de palco foi curta e terminou com as dezenas de lideranças que apoiam a candidatura.
No trecho mais aplaudido da noite, ele repetiu a frase que dá nome ao conceito da campanha. “Todas as vezes que eu tiver que votar, e de um lado estiverem os poderosos e do outro estiver o povo, eu vou estar sempre do lado do povo”, disse.
Tecnologia – Em paralelo, as pessoas alternavam o auditório com os ambientes tecnológicos montados em volta. Na estação de realidade virtual, o visitante entrava em um vídeo em 360 graus gravado na Câmara e passeava pelos espaços do Congresso Nacional, acompanhando o trajeto de um dia de trabalho parlamentar.
Em outro ponto, óculos de realidade aumentada colocavam o participante diante de um assistente virtual da campanha, com voz e imagem, que respondia em tempo real tudo o que eles quisessem saber, desde a prestação de contas até as entregas locais, o que foi feito na saúde, educação, cultura, agricultura etc. O sistema devolvia a resposta município por município e área por área, a partir da base de execução do mandato, e se identificava como assistente automatizado antes de cada conversa.
Ao lado, um totem mostrava a reação do cérebro em tempo real. A pessoa colocava na testa a faixa de sensores de um eletroencefalograma portátil, ouvia o jingle da campanha ou assistia a um dos vídeos, e via na tela como a própria atenção subia e descia ao longo dos segundos. A leitura ficava com ela.
A última estação gerava um jingle personalizado, com o nome da pessoa cantado e a cidade citada na letra, enviado para o WhatsApp de quem participou. Na saída, o comentário recorrente era sobre o formato, e não sobre o palanque.
Regulamentação – Todo o conjunto de interações foi montado dentro das regras eleitorais para uso de inteligência artificial. A Resolução 23.610/2019 do TSE, com as alterações aprovadas em 2024, obriga a identificação explícita de conteúdo sintético na propaganda, proíbe o uso da tecnologia para criar ou difundir fatos sabidamente inverídicos e veda material que simule a fala de pessoa real. Segundo a coordenação da campanha, cada peça gerada nas estações sai rotulada como conteúdo produzido por inteligência artificial, o assistente virtual se apresenta como sistema automatizado, e nenhuma resposta sobre entregas é dada sem lastro em documento público de execução orçamentária. O cadastro na entrada foi feito com consentimento assinado para uso de dados e imagem.
Uso ético da IA – A escolha tem um subtexto de disputa. Nos últimos ciclos eleitorais, a associação entre inteligência artificial e campanha veio quase sempre por vídeo adulterado, deepfakes, bots para ataques desinformativos. O que Rubens Jr procurou demonstrar no lançamento é que a mesma tecnologia funciona no sentido inverso, como instrumento de prestação de contas de quem quer conferir o que foi feito.
Sobre o candidato – Rubens Pereira Jr. é vice-presidente nacional do PT e disputa a reeleição para a Câmara dos Deputados pelo Partido no Maranhão. Chega ao pleito com o apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem é o candidato no Maranhão.
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