O deputado federal Bira do Pindaré (PSB/MA) usou o grande expediente da Câmara, nesta quinta-feira (27), para debater uma questão importante para o Brasil, a reforma da Previdência. A discussão do texto, que acontece desde o início da 56ª Legislatura, está em fase final e foi amplamente analisado. Para Bira, o mercado financeiro é o principal e maior interessado nessa reforma. “Qualquer política pública pode ser ajustada e com a Previdência é a mesma coisa, não há nada que impeça isso, mas precisa ser feito da maneira correta, com responsabilidade e pensando nas pessoas”, frisou.
Na avaliação dele, o texto que chegou à Câmara é um verdadeiro desmonte. “É uma destruição do sistema público e solidário da Previdência no Brasil, ataca os direitos mais elementares da classe trabalhadora, direitos que foram conquistados com muita luta, disse. Bira ainda criticou a posição do ministro da Economia, Paulo Guedes. “O Governo quer tirar dinheiro da economia e ouvimos isso do Guedes, que representa os banqueiros, todos os dias. Muitos não conhecem a realidade do Brasil, não sabem o que é um município do interior do Maranhão. O Guedes representa apenas os banqueiros”, acrescentou.
O parlamentar afirmou que a movimentação do comércio nesses municípios, em grande parte, é feita pelo recurso dos benefícios da aposentadoria, da Previdência Social. “Tirem esse dinheiro da economia e vocês vão ver o impacto negativo que ocorrerá no Brasil inteiro. É óbvio que nós sabemos que existe uma crise no País, mas não se resolve uma crise econômica tirando investimentos, subtraindo recursos que movimentam o comércio, a indústria, que fazem gerar trabalho e renda, que fazem a roda da economia girar! Não é assim”, alertou.
O maranhense também mostrou preocupação com a subtração dos direitos fundamentais do trabalhador. Segundo ele, a PEC vai destruir ainda mais a economia do país, vai gerar desemprego e diminuir a renda do povo trabalhador brasileiro. Apesar de concordar com a necessidade de haver a reforma, o congressista reafirmou que essa, apresentada pelo Governo, “é pura perversidade contra o povo brasileiro”.
O Bira do Pindaré lembrou que o próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL) condenava, durante a campanha presidencial de 2018, a Reforma da Previdência apresentada por Michel Temer (MDB), mas que foi capaz de apresentar uma proposta ainda pior. Segundo o deputado, se Bolsonaro tivesse apresentado medidas como essa durante a campanha, não teria sido eleito. “É por isso que sua popularidade cai todos os dias. A pesquisa de hoje divulgada pelo Datafolha mostra esse reflexo direto das medidas prejudiciais ao povo brasileiro que foram adotadas até agora”, comentou.
Em breve avaliação dos seis meses do Governo, o parlamentar sublinhou não poder anunciar nenhuma providência positiva para o Brasil. “Não houve nada que nos dê esperança. É só confusão, é gente presa em ministério, é cocaína em avião presidencial, é só o que vemos! É a família brigando, é ministro sendo demitido! Quando manda o projeto para cá, é para liberar armas, transformar o Brasil num faroeste, num bangue-bangue, vendendo ilusões, como se isso fosse resolver o problema da violência. Não é a solução!”, completou.
Em alusão à primeira grande propaganda do Governo federal sobre a Reforma da Previdência, Bira do Pindaré alertou para uma redundante mentira. “‘Quem ganha menos vai pagar menos e quem ganha mais vai pagar mais’ não pode ser verdade! Se fizermos uma conta simples de matemática podemos verificar que o trabalhador vai pagar mais e vai ganhar menos. A segunda grande propaganda enganosa é o combate aos privilégios”.
O Regime Geral, na explicação do congressista, é o feito pelos trabalhadores e trabalhadoras que tem carteira assinada. “E quem tem carteira assinada são os trabalhadores que estão na base, aqui mesmo no Congresso Nacional. É o garçom que está atrás daquele balcão. É o prestador de serviços gerais que está fazendo o asseio dos banheiros. É o porteiro. É o vigilante. É o motorista. É o gari. É o trabalhador rural. É o pedreiro. É essa gente que tem carteira assinada e ganha, em média, dois salários mínimos, no máximo. Essa é a realidade dessas pessoas”, continuou Bira do Pindaré.
Os trabalhadores e as trabalhadoras que fazem parte desse Regime Geral é quem devem contribuir, segundo a PEC da Previdência, com mais de 80% daquilo que o Governo que arrecadar na sua economia. “Portanto, ele não está combatendo privilégios. Ele está tirando o dinheiro dos pobres, para dar para os ricos e poderosos, que são os donos dos bancos, os grandes beneficiários dessa reforma da Previdência.”
Para concluir o discurso, Bira do Pindaré citou a lista de milionários feita pela revista Forbes no Brasil. “Eu li apenas os nomes dos 10 mais ricos! Então, a pergunta é: por que essas riquezas não são taxadas? Um grupo de 19 bilionários nos Estados Unidos assinou uma carta aberta em que defendem a criação de um imposto federal e estão se propondo a ajudar o próprio governo americano. Por que os bilionários daqui do Brasil não fazem o mesmo?”, concluiu o parlamentar ao defender que é esse exemplo que o presidente Bolsonaro, que beija a bandeira americana, tem que seguir.
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