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Notícias
  • Jorge Vieira
  • 11/set/2026

Campanha de Rubens Pereira Jr. muda o jeito de falar com o eleitor no Maranhão

A campanha de reeleição do deputado federal Rubens Pereira Jr. (PT-MA) começou fora do roteiro conhecido da política maranhense. No lugar do palanque com fila de discursos, os dois eventos de lançamento foram estruturados como uma apresentação conduzida pelo próprio candidato, em um formato mais próximo de uma palestra de tecnologia ou do anúncio de um produto novo do que de um comício.

O primeiro encontro aconteceu em São Luís e o segundo na Região Tocantina. Juntos, reuniram quase 10 mil pessoas. Em cada um deles, o deputado apresentou os resultados do mandato, explicou o conceito da campanha, detalhou os compromissos assumidos para o próximo período e reuniu no mesmo espaço as lideranças que sustentam sua base política.

A montagem dos eventos incluiu pontos de ativação tecnológica espalhados pelo ambiente, com uso de inteligência artificial e de ferramentas pensadas para que o eleitor participasse da campanha em vez de apenas assistir a ela. A ideia era transformar o público presente em parte do conteúdo, e não em plateia.

O efeito apareceu rápido. Além dos eventos, a linguagem e estratégia da comunicação digital trouxe resultados que deixaram candidatos majoritários com ciúmes. Antes mesmo de a campanha completar um mês, as redes sociais do parlamentar registraram mais de 32 milhões de visitas e um ganho de 30 mil novos seguidores. Esse é o número que mais importa: neste momento da campanha, cada novo seguidor é, em potencial, um novo eleitor alcançado sem intermediário.

O vídeo de lançamento da campanha ultrapassou 16 milhões de visualizações. Na comparação da Biblioteca de anúncios da Meta com outros políticos que disputam votos no mesmo território, a campanha de Rubens tem registrado o maior alcance e o maior engajamento, tanto na produção orgânica quanto nos anúncios, com peças que chegam a milhões de visualizações individualmente.

Por trás do desempenho não há um truque de algoritmo. O que a equipe aponta como diferencial é um planejamento fechado antes do primeiro post, um conteúdo pensado peça a peça e uma linguagem construída a partir de estratégias de neurociência aplicada, alinhada ao jeito como o cidadão fala sobre a própria vida. Em vez de adaptar o discurso parlamentar para a internet, a campanha partiu do que o eleitor já conversa no dia a dia e levou a política até ali.

A aposta também redefine o papel do evento presencial. Os lançamentos não terminaram quando o público foi embora: cada um deles foi concebido para gerar material de vídeo, cortes, registros e dados que alimentam as redes nas semanas seguintes, ampliando para milhões de pessoas um encontro que reuniu milhares.

A campanha segue com novos formatos previstos para as próximas semanas, mantendo a combinação entre presença física no interior do estado e produção digital de alta frequência.

  • Jorge Vieira
  • 11/set/2026

Fachin acolhe pedido da PGR e dá 24 horas para Mendonça retirar sigilo do caso Master

247 – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou nesta sexta-feira (11) que o ministro André Mendonça encaminhe, no prazo de 24 horas, todos os procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero à Presidência da Corte e aos gabinetes dos demais ministros. A investigação apura suspeitas envolvendo o Banco Master.

Fachin também ordenou o levantamento do sigilo dos procedimentos vinculados à operação. A exceção alcança diligências em andamento ou ainda não realizadas cuja divulgação possa comprometer a efetividade das investigações. O conjunto do material deverá ser entregue aos ministros em um HD próprio.

A medida amplia o acesso dos integrantes do STF às investigações do caso Master às vésperas da sessão extraordinária marcada para terça-feira (15), quando o plenário deverá analisar uma das frentes da crise que atingiu a Corte.

PGR pediu abertura de todos os procedimentos

A decisão de Fachin acolheu uma solicitação do vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho. Em manifestação encaminhada ao presidente do Supremo, ele afirmou que “grande parte” dos procedimentos relacionados à Compliance Zero não constava da lista de processos cujo sigilo havia sido levantado por Mendonça.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que todas as peças e procedimentos vinculados ao caso fossem abertos, “sem exceção”.

“O que se verifica, porém, da listagem encaminhada é que nela não se contêm grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero, fato que, embora suponha motivado por alguma razão escusável de ordem administrativa, pode induzir à ideia equivocada de que a transparência que animou a medida proposta por V. Exa, perca, ao fim e ao cabo, o seu sentido último”, afirmou Hindenburgo.

A manifestação da PGR ocorreu depois de Fachin já ter solicitado a Mendonça o compartilhamento dos procedimentos relacionados ao Master com os demais ministros e sugerido a retirada dos sigilos. Com a nova decisão, o presidente do STF fixou um prazo objetivo para o envio do material e determinou a abertura dos procedimentos, ressalvadas as diligências que possam ser prejudicadas pela publicidade.

Retirada parcial do sigilo provocou críticas no STF

Uma ala do Supremo também passou a questionar a forma como Mendonça retirou o sigilo das investigações. A avaliação desses ministros é que informações relacionadas a algumas autoridades permaneceram protegidas, criando um tratamento desigual entre diferentes frentes originadas das apurações sobre o Banco Master.

Entre os documentos mencionados está um relatório da Polícia Federal que, segundo a reportagem, contém mensagens e informações sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Dias Toffoli. A existência e o conteúdo dessas informações foram noticiados pela revista Piauí na quinta-feira (10).

As revelações sobre Toffoli passaram a alimentar, dentro do tribunal, o argumento de que o plenário não deveria apresentar uma resposta definitiva exclusivamente sobre as suspeitas relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes enquanto outras questões derivadas das mesmas investigações continuam pendentes.

A discussão ocorre em meio à pressão sobre a sessão extraordinária convocada por Fachin para 15 de setembro. Os ministros também levantaram a possibilidade de um pedido de vista interromper o julgamento.

Julgamento de terça-feira está no centro da crise

O processo incluído na pauta do plenário reúne um relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas a Vorcaro e referências a Moraes. Na quinta-feira, a Presidência do Supremo disponibilizou aos gabinetes a íntegra da Petição 16.662, que será analisada na sessão extraordinária.

As questões relacionadas à atuação de Mendonça, entretanto, ainda seguem um calendário diferente.

Relatórios de inteligência da Polícia Federal utilizados por Moraes para levantar suspeitas de “parcialidade” e eventual crime de responsabilidade de Mendonça ainda não têm data definida para análise do plenário. Fachin indicou que deverá decidir o destino dessa frente depois de receber as informações solicitadas ao ministro.

A diferença no andamento das duas frentes tornou-se um dos pontos de divergência interna. Conforme a reportagem, uma ala do STF entende que os questionamentos relacionados à atuação de Mendonça também deveriam ser considerados antes de uma conclusão definitiva sobre as suspeitas envolvendo Moraes.

A determinação para que todos os procedimentos sejam compartilhados em até 24 horas poderá dar aos ministros acesso a um panorama mais amplo da Compliance Zero antes da sessão.

Fachin ouviu ministros antes de definir os próximos passos

Na quinta-feira, Fachin realizou conversas individuais com integrantes do Supremo para discutir o rito e a condução do julgamento extraordinário.

Passaram pelo gabinete da Presidência Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Cristiano Zanin. Fachin também conversou com Cármen Lúcia no gabinete da ministra e recebeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O presidente do STF ouviu as avaliações apresentadas sem antecipar sua posição sobre o formato definitivo do julgamento.

  • Jorge Vieira
  • 10/set/2026

Dark Horse: Dino proíbe Mario Frias de deixar o país e determina retenção de passaporte

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a proibição de saída do país sem autorização judicial prévia para todos os 29 alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Meak Up, realizada na manhã desta quinta-feira (10). Além da retenção de passaportes e da restrição de deslocamento internacional, a decisão do magistrado proíbe expressamente que os investigados estabeleçam qualquer tipo de comunicação entre si.

Entre os principais atingidos pelas medidas cautelares está o deputado federal e ex-secretário especial da Cultura Mario Frias (PL-SP). A ordem judicial também alcança ex-assessores vinculados ao seu gabinete parlamentar e a empresária Karina Gama, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro (PL).

A ofensiva da Polícia Federal fundamenta-se em apurações que contaram com a atuação da Controladoria-Geral da União (CGU). O órgão de controle identificou indícios consistentes de irregularidades na destinação e na aplicação de R$ 2 milhões oriundos de uma emenda parlamentar concedida por Mario Frias. As investigações da PF buscam esclarecer a suspeita de que uma parcela substancial do montante repassado não possui comprovação de utilização mediante nota fiscal ou documentação idônea por parte da produtora encarregada da obra cinematográfica. Foi esse indício de desvio de recursos públicos que levou o ministro Flávio Dino a autorizar a expedição dos mandados de busca e apreensão.

Ao todo, a força policial cumpre 49 mandados de busca e apreensão contra alvos ligados ao esquema de financiamento do longa-metragem. As ações ocorrem simultaneamente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. De acordo com os investigadores, há elementos que apontam para a atuação de uma organização criminosa estruturada por agentes públicos e privados, voltada ao direcionamento irregular de recursos públicos para empresas subcontratadas, sem a devida comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.

O financiamento do filme “Dark Horse” é objeto de apuração em duas frentes distintas no Supremo Tribunal Federal. Enquanto um dos inquéritos tem como relator o ministro André Mendonça, a investigação que mira especificamente o suposto direcionamento e desvio das emendas parlamentares está sob a relatoria do ministro Flávio Dino.

Os desdobramentos do caso vêm sendo registrados desde o início do ano. Em março, o ministro Dino já havia ordenado que o deputado Mario Frias prestasse esclarecimentos detalhados sobre a destinação da emenda de R$ 2 milhões repassada ao Instituto Conhecer Brasil, uma organização não governamental vinculada à produtora do filme. Na ocasião, o ministro solicitou informações precisas para apurar possíveis irregularidades na execução financeira dos valores.

Mario Frias, que figura como produtor executivo do filme e comandou a Secretaria Especial da Cultura durante o governo Bolsonaro, encaminhou manifestação ao STF no mês de maio. No documento, o parlamentar negou categoricamente a prática de qualquer ilícito e sustentou que as verbas repassadas tiveram destinação e finalidade social.

As suspeitas em torno do projeto também envolveram a Polícia Civil do Estado de São Paulo, que realizou, em junho, uma operação direcionada à empresa Go UP Entertainment, produtora responsável pelo filme “Dark Horse”. A investigação estadual apurava indícios de fraudes e desvio de verbas públicas. Por ordem do ministro Flávio Dino, as provas e dados colhidos na ação da Polícia Civil paulista foram compartilhados com o STF para instruir o inquérito federal.

A reportagem da CNN Brasil buscou posicionamento da assessoria do deputado Mario Frias e tentou contato com a empresária Karina Gama sobre a operação e as medidas cautelares aplicadas, mas não obteve retorno até a publicação

  • Jorge Vieira
  • 9/set/2026

Fachin cassa decisões de André Mendonça e Dino sobre diretor-geral da PF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu a decisão do ministro André Mendonça que havia determinado o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e de Leandro Almada da chefia da Diretoria de Inteligência Policial. A medida mantém os dois integrantes da cúpula da corporação em seus cargos enquanto o Supremo analisa a disputa aberta em torno da atuação da PF nas investigações relacionadas ao Banco Master.

A controvérsia ganhou força após a divulgação de um relatório da Polícia Federal produzido com base em dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O material continha mensagens nas quais apareciam referências a autoridades, entre elas Gonet e Andrei Rodrigues.

Em 1º de setembro, Mendonça retirou o sigilo de um procedimento no qual o relatório havia sido incluído. Na ocasião, o ministro considerou que os novos elementos deveriam ser examinados pelo plenário do Supremo e atribuiu a Fachin, como presidente da Corte, a definição sobre o rito e a data de uma eventual deliberação.

O próprio relatório, porém, registrava tratar-se de um documento de inteligência de difusão restrita, sem caráter decisório ou valor probatório, além de atribuir grau de confiança baixo às avaliações apresentadas.

PGR questionou apuração

Paulo Gonet contestou a possibilidade de aprofundamento das apurações envolvendo integrantes do Supremo sem provocação do Ministério Público ou da própria Polícia Federal.

A Procuradoria-Geral da República sustentou que compete à polícia judiciária conduzir investigações na fase pré-processual, enquanto cabe ao Ministério Público reunir elementos destinados a uma eventual acusação.

Gonet também argumentou que, de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, indícios da prática de crime por magistrados precisam ser encaminhados ao órgão responsável por julgá-los. No caso de um ministro do STF, a análise caberia ao plenário da Corte.

Mesmo depois da manifestação da PGR, Mendonça manteve o entendimento de que o relatório deveria chegar ao plenário.

PF apontou determinações de Mendonça

A tensão aumentou com relatórios de inteligência encaminhados pela Polícia Federal a Alexandre de Moraes. Segundo a corporação, Mendonça havia determinado aos investigadores a identificação de pessoas com foro no STF mencionadas nos materiais apreendidos com Daniel Vorcaro, além da entrega integral das mensagens e interações envolvendo essas autoridades.

Na avaliação registrada pela PF, a determinação teria ultrapassado a simples identificação dos nomes e representado uma investigação direcionada a determinadas pessoas.

Em 3 de setembro, Moraes encaminhou a Fachin um pedido de investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das fake news.

Moraes apontou indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a grupos políticos na condução de procedimentos relacionados aos casos Banco Master e INSS.

Segundo Moraes, Mendonça teria assumido atribuições próprias das autoridades policiais, interferido em procedimentos relacionados à cadeia de custódia de provas, participado de tratativas referentes a possíveis acordos de colaboração premiada e direcionado alvos de investigação.

Diante da escalada do conflito, Fachin determinou que Mendonça, Moraes, Gonet e Andrei Rodrigues apresentassem informações em até cinco dias úteis.

O presidente do Supremo solicitou esclarecimentos sobre o cumprimento das regras aplicáveis às investigações envolvendo autoridades com foro, o uso de credenciais de acesso institucional, a divulgação de informações protegidas por sigilo e as determinações feitas por Mendonça à Polícia Federal.

A partir daí, passaram a ficar concentrados na Presidência do STF tanto o procedimento referente ao relatório divulgado por Mendonça quanto o pedido de investigação apresentado por Moraes.

Cabe, portanto, a Fachin definir se as controvérsias serão submetidas ao plenário e estabelecer o procedimento para a análise dos casos. O STF informou posteriormente que os esclarecimentos relacionados aos procedimentos deverão ser entregues até 21 de setembro.

Novo pediu afastamento e prisão de Andrei

Paralelamente ao embate institucional, o Partido Novo apresentou pedidos envolvendo o diretor-geral da Polícia Federal.

Em 2 de setembro, a legenda pediu providências para preservar as investigações e sugeriu que fosse avaliado o afastamento cautelar de Andrei. No dia seguinte, solicitou sua prisão preventiva ou, alternativamente, a retirada do diretor-geral do cargo.

Mendonça determinou o afastamento de Andrei e de Leandro Almada, além da abertura de procedimentos criminais e administrativos na Corregedoria da Polícia Federal.

O ministro também suspendeu a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência destinados à análise da atuação de magistrados, integrantes da advocacia pública e policiais.

De acordo com a decisão de Mendonça, pelo menos seis relatórios haviam sido produzidos entre 3 e 31 de agosto e enviados a Moraes no inquérito das fake news. Os documentos continham informações relacionadas ao próprio Mendonça e ao advogado-geral da União, Jorge Messias.

AGU reagiu ao afastamento

A Advocacia-Geral da União recorreu contra a decisão e argumentou que uma mudança no comando da Polícia Federal poderia prejudicar o funcionamento da instituição.

No mesmo dia, Fachin reuniu-se com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e com Jorge Messias em meio às discussões sobre a situação da cúpula da PF.

O afastamento determinado por Mendonça também foi contestado em outro processo no Supremo. O ministro Flávio Dino acolheu recurso apresentado pela defesa de Andrei Rodrigues e determinou sua reintegração.

Dino considerou que o Partido Novo não possuía legitimidade para requerer medidas cautelares penais, como o afastamento de servidores públicos. O ministro também avaliou que a interrupção das atividades de inteligência poderia prejudicar investigações em andamento.

Entre as apurações mencionadas estava a referente ao filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de outros procedimentos sob responsabilidade do Supremo.

Dino ressaltou ainda que as controvérsias envolvendo Mendonça, Moraes e a Polícia Federal já estavam concentradas na Presidência do STF.

Fachin suspende decisão em meio à disputa

A intervenção de Fachin reforça a centralização, na Presidência da Corte, das decisões sobre o conflito envolvendo ministros do Supremo e a direção da Polícia Federal.

Com a suspensão da determinação de Mendonça, Andrei Rodrigues permanece à frente da PF enquanto avançam os procedimentos internos destinados a esclarecer a atuação das autoridades envolvidas.

Até esta quarta-feira (9), permaneciam pendentes as manifestações solicitadas por Fachin, a conclusão do julgamento da Segunda Turma a respeito da decisão de Mendonça e a definição sobre eventual análise dos procedimentos pelo plenário do Supremo.

A crise teve origem nas divergências sobre as investigações do Banco Master. Antes mesmo da divulgação do relatório que desencadeou a sequência de decisões, já havia diferenças entre o gabinete de Mendonça e a direção da PF sobre a condução das apurações.

Mendonça era relator de investigações relacionadas ao banco e também de um inquérito sobre repasses destinados à produção do filme “Dark Horse”. Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia orientado Andrei Rodrigues a procurar o ministro para discutir a relação entre a Polícia Federal e o gabinete responsável pelos procedimentos.

  • Jorge Vieira
  • 9/set/2026

Dino determina volta de Andrei Rodrigues à chefia da PF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu, nesta quarta-feira (9), um pedido para que o diretor-geral da Polícia Federal, afastado do cargo mais cedo, Andrei Rodrigues, seja reintegrado integral e imediatamente. A decisão de Dino contraria a proferida pelo ministro do STF André Mendonça, de terça-feira (8), que afastou Rodrigues de suas funções.

“Esta determinação ficará vigente até o integral cumprimento, pela Polícia Federal, das medidas determinadas por esta Relatoria, em autos a mim distribuídos, sem interrupção decorrente de interferência externa”, disse Dino na decisão, que responde a um pedido de tutela provisória de urgência, formulado por Rodrigues.

De acordo com o Dino, a decisão de Mendonça pode beneficiar investigados supostamente envolvidos em escândalos de corrupção.

O ministro cita diretamente o caso Dark Horse, um filme propagandístico pró-Jair Bolsonaro e financiado pelo banqueiro do Master Daniel Vorcaro, atualmente preso e ligado ao senador Flávio Bolsonaro. A decisão de Dino se insere no contexto do envio de emendas parlamentares a empresas que, supostamente, também seriam responsáveis pelo filme.

“Não se afirma o caráter doloso da conduta de qualquer agente público, mas é evidente que, objetivamente, a interrupção dos trabalhos de direção de investigações policiais interessa, sobretudo, aos investigados”, escreveu Dino na decisão.

De acordo com Dino, o partido Novo, que promoveu a petição levando à decisão de Mendonça, não possui a legitimidade para solicitar “medidas cautelares em investigações criminais ou processos penais”, ressaltando as normas do Código de Processo Penal, “em cujos preceitos inexiste qualquer referência a partidos políticos entre os sujeitos legitimados a atuar nessa seara do Direito”.

Na decisão, Dino também determinou a reintegração integral e imediata ao cargo do delegado e diretor de Inteligência da Polícia Federal, Leandro Almada da Costa, que havia sido alvo da medida imposta na véspera por Mendonça. Dino também determinou que não sejam impostas novas medidas aos diretores.

Dino determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste após o cumprimento das medidas de reintegração dos diretores da PF. A decisão de Dino será submetida ao plenário do STF.

Mais cedo, a Segunda Turma do STF formou maioria pela manutenção da decisão de Mendonça que afastou de seus cargos Rodrigues e Almada da Costa, com os votos favoráveis dos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Naquela sessão virtual, realizada na terça-feira, o ministro do STF Gilmar Mendes pediu vistas.

  • Jorge Vieira
  • 8/set/2026

Lula lidera no 1º turno, mas há empate no 2º com Flávio Bolsonaro, aponta pesquisa BTG\Nexus

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida presidencial no primeiro turno, com 39% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 35%. Em um eventual segundo turno, porém, o candidato do PL alcança 46% e aparece pela primeira vez numericamente à frente do petista, que tem 45%, segundo a 13ª rodada da pesquisa BTG/Nexus.

Divulgado nesta terça-feira (8), o levantamento aponta empate técnico no confronto direto, porque a diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. A Nexus ouviu 2.002 eleitores por telefone, entre 4 e 7 de setembro, em todas as 27 unidades da Federação.

No cenário estimulado de primeiro turno, o escritor Augusto Cury (Avante) ocupa a terceira posição, com 9%. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) aparecem na sequência, ambos com 4%, enquanto Romeu Zema (Novo) tem 1%.

Samara Martins (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO) também registram 1% cada. Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Veterinário Wilson Grassi (Democrata) e Clariana Barão (DC) não pontuaram. Os eleitores que afirmam votar em branco, anular ou não escolher nenhum candidato somam 3%, e 2% não souberam ou não responderam.

A vantagem de quatro pontos de Lula sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno também está no limite da margem de erro da pesquisa. Na rodada anterior, divulgada em 31 de agosto, o presidente tinha 39%, enquanto o senador aparecia com 33%. Lula manteve seu percentual e Flávio oscilou dois pontos para cima.

Augusto Cury, por sua vez, oscilou de 11% para 9%. Caiado passou de 5% para 4%, enquanto Renan avançou de 3% para 4%. As movimentações, consideradas individualmente, ficaram dentro da margem de erro.

Flávio inverte vantagem numérica no segundo turno

O confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro registra uma mudança inédita na série histórica do BTG/Nexus. O senador aparece com 46%, ante 45% do presidente. Brancos, nulos e eleitores que não escolheriam nenhum dos dois somam 8%, enquanto 1% não soube ou preferiu não responder.

Apesar da inversão numérica, o resultado configura empate técnico. Na rodada de 31 de agosto, Lula aparecia com 46% e Flávio tinha 45%. Os dois, portanto, trocaram de posição após oscilações de um ponto percentual — variações que também estão dentro da margem de erro.

A série do instituto já vinha mostrando uma disputa equilibrada entre os dois candidatos. Em 24 de agosto, Lula também marcava 46%, contra 45% de Flávio. O novo levantamento é o primeiro em que o senador supera numericamente o presidente nesse confronto, embora não seja possível afirmar vantagem estatística.

Lula também lidera na pesquisa espontânea

Na pesquisa espontânea, em que os entrevistadores não apresentam uma lista de candidatos, Lula registra 39%, oito pontos à frente de Flávio Bolsonaro, com 31%. Augusto Cury aparece com 6%, seguido por Renan Santos, com 4%.

Ronaldo Caiado tem 2%, enquanto Romeu Zema registra 1%. Outros nomes somam 1%. Votos brancos, nulos ou em nenhum candidato representam 6%, e 11% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar ou não responderam.

Em comparação com a rodada anterior, Lula avançou de 37% para 39% na espontânea, enquanto Flávio oscilou de 30% para 31%. Cury recuou de 8% para 6%, e o percentual de indecisos caiu de 13% para 11%.

Lula lidera entre mulheres e no Nordeste

Os recortes do primeiro turno mostram Lula à frente entre as mulheres, com 43%, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Entre os homens, o senador lidera por 39% a 35%.

O presidente também obtém seus maiores percentuais entre eleitores com 60 anos ou mais, com 44%; pessoas com ensino fundamental, com 47%; e famílias com renda de até um salário mínimo, segmento no qual marca 46%, ante 26% de Flávio.

A maior vantagem regional de Lula ocorre no Nordeste: 54% a 23%. O petista também lidera no Sudeste, com 39%, ante 35%, e nas capitais, por 46% a 30%.

Flávio Bolsonaro alcança 50% no Sul, onde Lula registra 22%. O candidato do PL também lidera no Norte e Centro-Oeste, com 42% contra 31%, e no interior, com 38% ante 36%.

No recorte religioso, Lula tem 43% entre os católicos, contra 34% de Flávio. Entre os evangélicos, o senador alcança 45%, enquanto o presidente registra 27%. Lula chega a 47% entre pessoas de outras religiões e também entre eleitores sem religião.

Maioria afirma que não mudará o voto

Entre os entrevistados que escolheram algum candidato no primeiro turno, 81% afirmam que a decisão está tomada e não deverá mudar até a eleição. Outros 17% admitem trocar de candidato, e 1% não soube ou não respondeu.

A fidelidade declarada é maior entre os eleitores de Romeu Zema, dos quais 90% dizem ter uma escolha definitiva. Entre os apoiadores de Lula, 84% afirmam que não mudarão de voto. O índice cai para 71% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro.

A pesquisa também indica alto comparecimento potencial: 87% afirmam já ter decidido que irão votar e 7% dizem que provavelmente comparecerão. Somados, os dois grupos representam 94% do eleitorado.

O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual, tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-06790/2026.

  • Jorge Vieira
  • 4/set/2026

Milhões cobrados por Flávio Bolsonaro a Vorcaro foram enviados a aliados de Eduardo Bolsonaro, aponta delator

Dezenas de milhões de dólares que teriam sido solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, foram enviados a uma estrutura financeira nos Estados Unidos administrada por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. As informações constam da delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, operador financeiro de Vorcaro, segundo o blog de Fausto Macedo.

De acordo com o relato do delator, Flávio Bolsonaro teria solicitado US$ 24 milhões a Vorcaro para o financiamento da produção. Conversas e documentos entregues às autoridades indicariam que pelo menos US$ 10,6 milhões foram efetivamente pagos por meio do fundo Havengate, sediado no Texas.

Freixo Júnior afirmou que os recursos transferidos ao fundo americano tiveram origem em Vorcaro e que sua participação teria consistido em executar as operações determinadas pelo banqueiro. O delator declarou não saber qual foi a utilização final do dinheiro depois que os valores chegaram aos Estados Unidos.

Dinheiro teria passado pelas Bahamas antes de chegar ao Texas

Os documentos apresentados pelo delator descrevem um caminho financeiro complexo. Segundo as informações fornecidas às autoridades, os recursos teriam saído da Entrepay, passado pelas Bahamas e posteriormente chegado ao Texas.

Freixo Júnior teria apresentado registros de transferências internacionais e operações de câmbio relacionadas aos pagamentos. A movimentação chamou a atenção das autoridades e está sob investigação diante da suspeita de possíveis irregularidades, incluindo eventual evasão de divisas.

O fluxo atípico de recursos do Brasil para os Estados Unidos também teria entrado no radar do Banco Central. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar os pagamentos, seu enquadramento legal e o destino efetivo do dinheiro.

Uma das linhas de apuração é saber se parte desses valores pode ter sido utilizada para custear despesas relacionadas à permanência e às atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Delator diz que apenas cumpriu ordens de Vorcaro

Freixo Júnior, apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro, firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República. O acordo ainda aguarda homologação pelo Supremo Tribunal Federal.

Em seu relato, ele procura delimitar sua participação nas operações. Afirma que executou determinações de Vorcaro e apresentou documentação sobre as transferências, mas sustenta que desconhecia a destinação final dos recursos depois de sua chegada aos Estados Unidos.

As declarações do colaborador ainda precisam ser confrontadas com provas independentes. Pela legislação brasileira, uma delação premiada, isoladamente, não basta para comprovar uma acusação, e os fatos narrados pelo colaborador dependem de investigação e corroboração documental.

Prestação de contas do filme permanece sob questionamento

O caso também envolve a produtora responsável por Dark Horse. Segundo Andreazza, a perícia realizada sobre a produtora não confirmou a prestação de contas que havia sido prometida por Flávio Bolsonaro em relação ao financiamento do filme.

Esse ponto ganha importância diante dos valores mencionados nas conversas entregues às autoridades. A investigação deverá estabelecer quanto efetivamente foi transferido, quem foram os beneficiários dos pagamentos, como os recursos foram contabilizados e qual relação existia entre as transferências e a produção cinematográfica.

Também caberá aos investigadores esclarecer por que os valores teriam percorrido estruturas financeiras em diferentes jurisdições antes de chegar ao fundo no Texas e se todas as operações cambiais e remessas internacionais obedeceram à legislação brasileira.

As revelações acrescentam uma nova frente às investigações relacionadas a Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Agora, além da origem dos recursos, as autoridades procuram reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro e determinar quem foram seus beneficiários finais nos Estados Unidos.

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