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Carnaval dos Mortos: paradoxal e insólito

Breve resenha sobre o fantástico romance do escritor maranhense, Altemar Lima

*Por Emídia Ferreira Alves Pereira

Caiu-me às mãos, por puro acaso, o romance “Carnaval dos Mortos”, do escritor maranhense Altemar Lima. Confesso que fui atraída pelo inusitado do título. O curioso é que adquiri o livro, como relíquia, em uma banca de revista no bairro do João Paulo, em São Luís. Li-o de um só tomo. E no percurso da leitura, me vinham os questionamentos, as tentativas de desvelamento do tão curioso título. A cada capítulo novas descobertas, correlações que se entrelaçavam e iam se definindo em minha memória.

Então, o “Carnaval dos Mortos” seria o carnaval dos ‘vivos’ que vegetam e vivem os devaneios da solidão, ilhados nas angústias, frustrações e insatisfações que lhes prega este mundo? E assim, tentam fugir, buscam o escapismo dos ultrarromânticos, no passado da infância, nas lembranças dos fatos e das pessoas, nas leituras, enfim… Ou seria o carnaval dos mortos de fato, que muitas vezes se manifestam, na sua grandeza e genialidade, pelos corpos e mentes frágeis dos humanos que ainda habitam este universo? Aqui reconheceríamos os grandes mestres da literatura, que hora ou outra são citados em versos ou em prosa, aliados às circunstâncias experimentadas pelo eu lírico em meio à narrativa cadente que parece transbordar de uma riqueza de detalhes que nos faz vislumbrar um verdadeiro ‘carnaval’ de estilos e obras literárias. Como se outros por ele falassem e escrevessem. Ou ainda poderia se entender o Carnaval dos mortos como uma homenagem e memória aos que já se foram, porém permanecem na lembrança e na história de alguém ou de um povo. Nas tantas histórias que, em um processo de epifania, surgiam a cada capítulo, como se quisessem driblar a atenção do leitor e desviá-lo da angústia e ansiedade em que mergulhava o eu lírico.

São as formas polissêmicas que um leitor poderia depreender da relação que se estabelece entre o título do livro com o conteúdo narrado, com uma análise mais específica dos elementos da narrativa, dos intertextos, e, quiçá, do contexto de produção desta fantástica obra. O próprio autor, na sua magnitude e peculiaridade linguística, envereda por universos misteriosos, algumas vezes macabros, outras vezes de intenso sentimentalismo e delírios que traduzem essa riqueza semântica. Outrossim, nos conduz a encontros e reencontros com escritores grandiosos da nossa literatura que refletem, em suas diversidades estilísticas e temáticas, esse conjunto de significados, como também as trilhas pelas quais pode-se percorrer para se chegar à leitura e apreciação desse romance.

Dos estilos mais marcantes nessa narrativa de Altemar Lima, vale ressaltar a forte manifestação do ultrarromantismo de Álvares de Azevedo, quando nos contos narrados na obra “Noite na Taverna” há forte expressão de sentimento, atração pela morte, escapismo, traços muito semelhantes aos que são apresentados nos capítulos e no enredo de Carnaval dos Mortos. Por outro lado, a genialidade do poeta português Fernando Pessoa revela-se em um recurso fantástico que o escritor traz nesta obra, que são as cartas supostamente escritas e enviadas por seus amigos e/ou amigas, artifício muito familiar aos heterônimos de Fernando Pessoa. Nelas o eu lírico apresenta ao leitor conceitos, experiências, argumentos que descrevem, justificam e definem o sentimento amoroso, as relações amorosas, as perdas e os possíveis comportamentos e atitudes entre os amantes / ex-amantes, enfim, os inúmeros e muito particulares fatos que revelam, sobremaneira, o estado de espírito do eu lírico. Outros muitos escritores citados no livro Carnaval dos Mortos, e, subjetivamente revisitados pelo autor, e consequentemente pelo leitor, contribuem para fazer deste livro uma literatura de especial singularidade no universo de arte contemporânea.

Portanto, ler Carnaval dos Mortos é viajar pela literatura, pela arte universal. Navegar por entre um mar de experiências que nos fazem pensar, sentir, experimentar um emaranhado de sensações, tais quais as do eu lírico. E, em meio a esse “carnaval” também construímos as nossas fantasias ladrilhadas com o brilho da riqueza vocabular, das sutis analogias, do estilo genial deste grande escritor maranhense, Altemar Lima. Assim, a leitura desta obra encanta, mas sobretudo abre novos horizontes de leitura, de releituras e de interpretações, de maneira única, como bem nos traduz o inusitado e paradoxal título do livro “Carnaval dos Mortos”.

*Emídia Ferreira Alves Pereira é especialista em Língua Portuguesa e Literatura, colaboradora das esferas pública, estadual e municipal como professora de Língua Portuguesa.

 

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