A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a comparar o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao ex-presidente Fernando Collor de Mello para questionar sua promessa de renovação e associar os cortes de gastos defendidos pelo adversário ao risco de perdas para a população. Segundo reportagem da CNN Brasil, a estratégia busca recuperar a memória das promessas de modernização feitas por Collor e do bloqueio de recursos financeiros ocorrido após sua chegada ao poder.
A ofensiva responde ao discurso que a equipe de Flávio pretende reforçar no segundo turno. De acordo com a CNN Brasil, o candidato do PL deve adotar o mote “um novo presidente para um novo Brasil”, com uma mensagem de mudança em oposição à continuidade do governo Lula.
O PT levou a comparação às redes sociais em uma publicação que funde os rostos de Collor e Flávio. A montagem reúne manchetes sobre o confisco de recursos no início dos anos 1990 e sobre as propostas de redução de despesas do senador. A peça traz a frase: “Às vezes o futuro pode ser uma volta ao passado”.
Na legenda, o partido reforça a associação entre a promessa de mudança e consequências negativas para os brasileiros: “O Brasil já viu esse filme. A vítima no fim é sempre o povo. Lembrar para não repetir!”.
A iniciativa reúne dois objetivos da comunicação petista: enfraquecer a imagem de novidade construída pelo adversário e apresentar sua promessa de “tesouraço” nas contas públicas como uma ameaça a direitos e à renda da população. A associação com Collor é o argumento usado pela campanha para confrontar o discurso de futuro com a lembrança de medidas econômicas que atingiram os brasileiros.
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-presidente do partido e ex-ministra das Relações Institucionais, também recorreu à comparação. Em uma publicação nas redes sociais, ela vinculou Flávio às políticas do presidente argentino Javier Milei e afirmou que suas propostas teriam consequências para aposentadorias, programas sociais e salários.
“Ele já disse que vai fazer com o Brasil o que Milei está fazendo na Argentina: cortar aposentadorias, programas sociais e congelar salários. Esse cara é tipo um Collor de Mello: vende sonhos e vai entregar pesadelos”, declarou Gleisi.
O embate também envolve a diferença de idade entre os candidatos. Conforme a reportagem, a equipe de Flávio pretende explorar o contraste entre os 45 anos do senador e os 80 anos de Lula, além de apresentar as lideranças de direita eleitas neste ano como integrantes de uma geração mais jovem.
Collor tinha 40 anos quando assumiu a Presidência. Na campanha de 1989, construiu sua imagem como “caçador de marajás”, com promessas de combate a privilégios, e derrotou Lula no segundo turno da primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar.
A referência histórica mobilizada pelo PT se concentra na distância entre aquelas promessas e as medidas adotadas no governo. Em 1990, logo no início do mandato, o Plano Collor bloqueou parte do dinheiro depositado em poupanças, contas-correntes e outras aplicações financeiras, como parte de uma tentativa de conter a inflação. O pacote também congelou preços e salários.
O mandato terminou em 1992, após denúncias de corrupção e a abertura de um processo de impeachment. Collor renunciou antes da conclusão do julgamento, mas o Senado deu continuidade ao processo e o declarou inabilitado por oito anos para exercer função pública.
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