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Campanha da Fraternidade 2014

Flávio Dino

Na semana passada, a Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas dos Estados Unidos teve a felicidade de premiar 12 Anos de
Escravidão
como melhor filme do ano. A obra retrata, de forma comovente, um
norte-americano escravizado que luta por sua liberdade. A premiação ajuda a
colocar novamente em pauta o período histórico da escravidão e, principalmente,
seus reflexos em nosso cotidiano.
Ver seres humanos tratando seus semelhantes como
mercadoria, vendendo-os e obrigando-os a trabalhar apenas em troca dos
alimentos mínimos que lhes garantam sobrevivência, é, infelizmente, algo antigo
na humanidade, remontando aos tempos anteriores a Cristo. A partir da mundialização
do comércio, no século 15, ela tomou outra dimensão. O homem e a mulher
escravizados passaram a ser um dos principais “produtos” da economia mundial,
pelos três séculos seguintes.
Essa prática nefasta foi banida dos sistemas
jurídicos por uma luta internacional de bravos militantes em várias partes do
mundo. Pessoas que não acreditavam que um ser humano poderia ser superior ou
ter direito de submeter os outros. Hoje, parece uma causa até óbvia. Mas, por
muitos anos, os que defendiam o fim da escravidão eram tratados como loucos,
que pregavam a eliminação de um processo “normal”.
Por aqui, é importante lembrar que nossa Nação se
formou com essa chaga e, infelizmente, como já previa o pernambucano Joaquim
Nabuco à época da abolição, a escravidão segue uma “mancha de Caim que o
Brasil traz na fronte”.
Ainda hoje, há os que tentam lucrar com a absurda
exploração do outro, especialmente mulheres, crianças, trabalhadores pobres. É
o que alerta a Campanha da Fraternidade deste ano, com o lema: “É para a
liberdade que Cristo nos libertou”
(Gálatas, capítulo 5, versículo 1). É
uma feliz citação bíblica. Se Cristo, o Redentor, deixou-se morrer na cruz para
nos mostrar o caminho da libertação, é claro que a continuidade da escravização
de seres humanos é absolutamente indigna e incompatível com a fé cristã.
A iniciativa da CNBB, ao escolher esse tema, tem
também o mérito de tratá-lo de modo a abranger múltiplas práticas criminosas:
tráfico de órgãos; trabalho escravo; exploração sexual de mulheres; tráfico de
crianças e adolescentes. São modalidades de gravíssimas violações aos direitos
humanos, contra as quais devemos lutar sempre, para que avancemos na edificação
de uma Nação justa.
Lamentavelmente, também nessa temática do tráfico
humano, o Maranhão possui péssimos indicadores. Isso, naturalmente, não é obra
do acaso. Como explica o próprio texto da Campanha da Fraternidade: “A maioria
das pessoas traficadas é pobre ou está em situação de grande vulnerabilidade.
As redes criminosas do tráfico valem-se dessa condição, que facilita o
aliciamento com enganosas promessas de vida mais digna”.
Dadas as condições precárias e de desgoverno em que
o nosso estado se encontra, é fácil entender porque tantos maranhenses são
vítimas do tráfico humano. Cabe a todos nós dar um grito de basta. Até Cristo,
com sua infinita e divina paciência, “expulsou todos os que vendiam e compravam
no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam
pombas” (Mateus 21-12). 

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