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Bispos contestam Maranhão rico e convocam para caminhada pela paz

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Em uma
carta aberta ao povo de Deus, bispos da Igreja Católica convocam para uma
caminhada silenciosa no próximo dia 2 de fevereiro e fazem críticas ao
Maranhão, que vive atualmente uma crise de violência e no sistema carcerário. O
texto admite que o estado governado por Roseana Sarney (PMDB) aumentou sua
riqueza, mas faz menção à sua marcante desigualdade social.
“Vivemos
num Estado que erradicou a febre aftosa do gado, mas que não é capaz de
eliminar doenças tão antigas como a hanseníase, a tuberculose e a leishmaniose”,
diz trecho da carta. “É verdade que a riqueza no Maranhão aumentou. Está,
porém, acumulada em mãos de poucos, crescendo a desigualdade social. Os índices
de desenvolvimento humano permanecem entre os mais baixos do Brasil”, continua.
Leia a íntegra
da carta abaixo:
EM CARTA
ABERTA AO POVO DE DEUS, OS BISPOS DO MARANHÃO CONVOCAM PARA O DIA 2 DE
FEVEREIRO CAMINHADA SILENCIOSA EM DEFESA DA VIDA. VEJA A CARTA DOS BISPOS SOBRE
A SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA NO ESTADO:
Ao Povo
de Deus e a todas as pessoas de boa vontade
“Justiça
e paz se abraçarão” (Sl 85,11)”
Ainda
estão vivas em nós a forte emoção e dor, provocadas pelos últimos
acontecimentos no Estado do Maranhão – a morte violenta da Ana Clara, criança
de seis anos que faleceu após ter seu corpo queimado nos ataques a ônibus; os
cruéis assassinatos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas; o clima de terror e
medo vivido na cidade de São Luís.
A nossa
sociedade está se tornando cada vez mais violenta. É nosso parecer que essa
violência é resultado de um modelo econômico-social que está sendo construído.
A
agressão está presente na expulsão do homem do campo; na concentração das
terras nas mãos de poucos; nos despejos em bairros pobres e periferias de
nossas cidades; nos altos índices de trabalhadores que vivem em situações de
exploração extrema, no trabalho escravo; no extermínio dos jovens; na
auto-destruição pelas drogas; na prostituição e exploração sexual; no
desrespeito aos territórios de indígenas e quilombolas; no uso predatório da
natureza.
Esta cultura
da violência, aliada à morosidade da Justiça e à ausência de políticas
públicas, resulta em cárceres cheios de jovens, em sua maioria negros e pobres.
O nosso sistema prisional não reeduca estes jovens. Ao contrário, a
penitenciária transformou-se em uma universidade do crime. Não nos devolve
cidadãos recuperados, mas pessoas na sua maioria ainda mais frustradas que veem
na vida do crime a única saída para o seu futuro.
Vivemos
num Estado que erradicou a febre aftosa do gado, mas que não é capaz de eliminar
doenças tão antigas como a hanseníase, a tuberculose e a leishmaniose.
É verdade
que a riqueza no Maranhão aumentou. Está, porém, acumulada em mãos de poucos,
crescendo a desigualdade social. Os índices de desenvolvimento humano
permanecem entre os mais baixos do Brasil.
Não é
este o Estado que Deus quer. Não é este o Estado que nós queremos! Como
discípulos missionários de Jesus, estamos comprometidos, junto a todas as
pessoas de boa vontade, na construção de uma sociedade fraterna e solidária,
sem desigualdades, sem exclusão e sem violência, onde a “justiça e a paz se
abraçarão” (Sl 85,11).
A cultura
do amor e paz, que tanto almejamos, é um dom de Deus, mas é também tarefa
nossa. Nós, bispos do Maranhão, convocamos aos fieis católicos e a todas as pessoas
que buscam um mundo melhor a realizarem um gesto concreto no próximo dia 2 de
fevereiro, como expressão do nosso compromisso com a justiça e a paz. Neste dia
– Festa da Apresentação do Senhor, Luz do mundo, e de
Nossa
Senhora das Candeias –, pedimos que se realize em todas as comunidades uma
caminhada silenciosa à luz de velas, por ocasião da celebração. Às pessoas
comprometidas com esta causa e às que não puderem participar da celebração
sugerimos que acendam uma vela em frente à sua residência, como sinal do seu
empenho em favor da paz.
Invocando
a proteção de Nossa Senhora, Rainha da Paz, rogamos que o Espírito nos oriente
no sentido de assumirmos nossa responsabilidade social e política para
construirmos uma sociedade de irmãs e irmãos que convivam na igualdade, na
fraternidade e na paz.
Centro de
Formação de Mangabeiras-Pinheiro – MA, 15 de janeiro de 2014
Dom
Armando Martin Gutierrez
Dom Carlo Ellena
Dom Élio Rama
Dom Enemésio Lazzaris
Dom Franco Cuter
Dom Gilberto Pastana de Oliveira
Dom José Belisário da Silva
Dom José Soares Filho
Dom José Valdeci Santos Mendes
Dom Sebastião Bandeira Coêlho
Dom Sebastião Lima Duarte
Dom Vilsom Basso
Dom Xavier Gilles

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