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A política das cabeças cortadas

Editorial – Jornal Pequeno

Talvez não haja em línguas
latinas adjetivos capazes de descrever os tipos de feras que estão habitando a
Penitenciária de Pedrinhas. Ao enxoval de vergonhas que veste o Maranhão, acrescentam-se
esses dantescos rituais de evisceração que quase não mais se vê nas
penitenciárias brasileiras e em lugar nenhum do mundo. Nem as mais diabólicas
seitas que no correr da história ofereceram sacrifícios humanos conseguiram
imaginar tão animalesco estado de crueldade.

Mas o pior é pensar que
disputas de poder estejam conduzindo essa barbárie e que o objetivo possa ser
defenestrar do cargo o atual secretário de Justiça, Sebastião Uchoa. Sendo
isso, lamentamos dizer, mas o Maranhão ultrapassou os limites da ingerência e
está sendo governado ao bel prazer de disputas paroquiais tão encarniçadas que
violentam até mesmo a condição humana. Os carniceiros de Pedrinhas teriam
chefes, conselheiros, tutores patrocinando esse espetáculo de horror intermitente
que mancha a dignidade do Estado e nos coloca ao nível dos piores bárbaros da
Idade Média.
   
O Sistema de Segurança
desse Estado afundou, Não há mais desculpas plausíveis para manter-nos
indefinidamente sob os holofotes da vergonha nacional. Não bastassem os
indicadores sociais que nos humilham, defendemos agora o título de campeões
mundiais de degola humana, imbatíveis em matéria de decapitação. Chega a doer
na alma. Mais grave é que a sociedade começa a se perguntar quem está no
controle dos carniceiros. Sim porque se sente no ar o cheiro de golpe, de
armação contra a Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária a cada uma
dessas desumanas rebeliões.
Sendo isso, rezemos todos, pois pratica-se no
Maranhão a política das cabeças cortadas. Ainda há pouco, no mês de outubro,
uma rebelião do mesmo modelo, no mesmo presídio acabou com um saldo de 9 mortos
e 20 feridos. A constância dessas sublevações e motins, assim como a facilidade
com que se organizam fugas, frustradas ou não, é que levantam a suspeita de que
algo além dos interesses defendidos por facções criminosas invadiu o Complexo
Penitenciário de Pedrinhas. Essa ultima e fratricida rebelião teria origem na
disputa de poder dentro de uma mesma facção. Já não seriam duas facções em disputa
pelo controle do presídio. Mas é tudo tão estranho que a sociedade já se
pergunta se este é o único poder em disputa por detrás dos muros da
Penitenciária.
Sendo isso, cabe-nos
perceber que está faltando autoridade à governadora para conter seus comandados.
Se alguma preocupação ela tiver com a imagem de seu estado, precisa encontrar
meios de conter tanta carnificina. E parece-nos que a única saída é por fim a
essa nauseante política de cabeças cortadas que está sendo praticada na
vizinhança de sua autoridade. E, se precisar, que ela também corte cabeças.

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