A vitória do desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos para a presidência do Tribunal de Justiça, nesta quarta-feira (4), é mais uma derrota pessoal do ex-senador José Sarney (PMDB). Explica-se: o coronel peemedebista apostou todas as fichas na candidatura da cunhada desembargadora Nelma Sarney.
Notório por sua influência no Judiciário, Sarney queria transformar o Tribunal de Justiça do Maranhão num despudorado comitê eleitoral da filha Roseana Sarney em sua tentativa de voltar ao governo do Estado, em 2018.
O plano sarneysista previa utilizar o Palácio Clóvis Bevilacqua para pressionar os políticos a apoiarem a filha de Sarney e não dar trégua ao governador Flávio Dino. Uma espécie de oposição, a partir do Judiciário. Era por assim dizer a última cartada para o clã Sarney.
Antes poderoso, Sarney insiste em não aceitar o ocaso da oligarquia, que mandou no estado por meio século. Desde 2014, quando foi derrotado pelo governador Flávio Dino, a oligarquia Sarney passou a colecionar revezes.
Fragilizado politicamente, sequer disputou o comando da Assembleia Legislativa. Foi derrotada na tentativa de vencer o pleito para a Prefeitura de São Luís; depois viu seus aliados perderem a eleição na Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), derrotada também na tentativa de voltar ao controle da Famem (Federação dos Municípios do Maranhão); acumulou outra derrota na disputa pela coordenação da bancada federal e por último viu a cunhada ser derrotada na eleição do Tribunal de Justiça.
Antes temido e considerado por muitos como invencível, Sarney perdeu as forças. Como escreveu o ex-governador Zé Reinaldo tempos atrás: o leão da metro já não assusta, pois não tem mais os dentes.
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