O Globo– Ex-colega de Ciro Gomes dos tempos de Câmara dos Deputados, o governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), procurou o presidenciável do PDT para dizer que tem segurança de que seu partido o apoiará na corrida para o Palácio do Planalto. Apesar de ainda contar com a resistência do principal diretório, o de Pernambuco, o PSB, segundo Rollemberg, não tem tradição de ficar neutro nas disputas eleitorais, e deve fechar um consenso em prol de Ciro na reunião marcada para o próximo dia 30, do Diretório Nacional.
— Eu liguei ontem para Ciro e falei para ele: “Fique firme, que nós vamos estar com você”. Tenho convicção de que a posição do partido será Ciro — disse Rollemberg ao GLOBO.
Ele pontua que se o PSB não endossar a candidatura do pedetista, há o risco de o segundo turno ser disputado entre o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e o candidato do PT, partido que caminha para o isolamento, ao manter a estratégia de reafirmar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba. Para o governador do DF, Ciro é hoje o candidato que reúne as melhores condições de disputar a Presidência no campo político do PSB, de centro-esquerda.
— Se a gente não fortalecer o Ciro, a gente corre o grande risco de ter um segundo turno de Bolsonaro e o PT, o que seria muito ruim para o Brasil ter que viver um processo de radicalização como esse. Ciro é a melhor alternativa. Ele tem esse linguajar impetuoso, mas já foi testado. Foi um bom governador, um bom prefeito e um bom ministro — defende.
As declarações vão na mesma linha das do ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda, que também defendeu publicamente a candidatura de Ciro, com quem já trabalhou em Brasília. O alinhamento com Ciro é majoritário no PSB. O presidente da Fundação Mangabeira, do PSB, e candidato ao governo do Espírito Santo, Renato Casagrande, também é favorável a uma aliança com Ciro.
— PDT e PSB juntos ganham um tamanho importante na centro-esquerda, um caminho que deixa de ter o PT como referência e parte para uma visão mais moderna do campo progressista — pontua Casagrande.
Mas o PT ainda não desistiu de contar com o PSB, e segue fazendo pressão. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, tem procurado o presidente do PSB, Carlos Siqueira, frequentemente para tentar convencê-lo de, se não puder apoiar Lula ou seu candidato, pelo menos optar pela neutralidade. Siqueira esta semana voltou a dizer publicamente que o PSB não deve ficar neutro.
A expectativa dos pessebistas que querem fechar com Ciro é que possam ocupar a posição de vice na chapa do pedetista. O preferido seria Marcio Lacerda. Para isso, o partido tem que se apressar na decisão, já que o bloco de centro também pode apoiar o pedetista. As tratativas estão em andamento. Caso isso se confirme, o bloco que conta com PP, PR, DEM, PRB e Solidariedade, já escolheu um vice. O nome mais falado é o de Josué Gomes (PR), filho do ex-presidente José Alencar. Além dele, o centro conta com Benjamin Steinbruch (PP). Ambos são empresários e portanto têm perfil parecido com o do ex-prefeito da capital mineira.
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