Faltando pouco mais de uma semana para a realização do segundo turno da eleição para prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior continua se mostrando indiferente à sua sucessão e focado exclusivamente em concluir as obras iniciadas em sua administração para não deixar pendências para o próximo gestor.
A posição de neutralidade de Edivaldo vem desde o primeiro turno quando, embora usufruindo de grade popularidade preferiu se manter à margem da disputa travada entre os dez candidatos, sendo a grande maioria deles representantes de partidos aliados dos governos estadual e municipal.
Agora, no segundo turno, mesmo com o confronto envolvendo um candidato aliado do governador Flávio Dino e outro que faz oposição ferrenha ao governo, o prefeito mantém a mesma postura de não se envolver na disputa, deixando que a própria população julgue e se defina por aquele que apresentar melhor proposta para administrar a cidade.
Nos bastidores da eleição é voz corrente que o prefeito vai mesmo assistir de camarote a disputa entre Eduardo Braide e Duarte Júnior, sem criar expectativas ou declarar votos. Quer apenas concluir sua gestão e entregar o comando da capital para aquele que sair vencedor, sem mostrar preferência.
Ao contrário do que recebeu da gestão anterior (dívidas vencidas e salários dos servidores atrasados, inclusive o décimo terceiro), Edivaldo vai entregar para seu sucessor uma prefeitura saneada e com suas obrigações em dia, ou seja, um excelente capital para sonhar com voos mais altos na vida pública.
O fato de se manter em silêncio na reta final de sua própria sucessão é sinal que o prefeito tomou a decisão de não de envolver ainda na pré-campanha, quando alguns candidatos tinham a esperança de contar com seu apoio. O primeiro turno aconteceu e ninguém sabe em quem o prefeito votou. O voo é secreto.
A bancada do PDT em São Luís decidiu descumprir a orientação nacional de neutralidade do partido no segundo turno da disputa pela capital maranhense e se juntar ao bolsonarista Eduardo Braide (Podemos), também apoiado por Roseana Sarney.
Braide concorre com Duarte Júnior (Republicanos), o candidato que passou a ser apoiado pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) — e que tem entre seus principais aliados em Brasília o senador pedetista Wewerton.
O presidente do partido, Carlos Lupi, disse ao Radar que o “PDT tomou a decisão de neutralidade em São Luís”.
Mas na noite desta quarta-feira o presidente da Câmara Municipal de São Luís, Osmar Filho, anunciou o apoio a Braide por parte da “direção municipal do PDT”.
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“A direção municipal do PDT e a bancada de vereadores eleitos, decidiu seguir neste 2° turno, com o candidato a prefeito, Eduardo Braide”, escreveu o parlamentar em uma rede social. Nada de neutralidade.
O prefeito Edivaldo Holanda Junior deixará muitos legados para a população de São Luís e um deles será a melhoria do sistema de transporte urbano da capital. Ao longo dos quase oito anos em que está à frente da Prefeitura ele garantiu que 90% da frota de ônibus fosse renovada. De 2013 até aqui, 730 ônibus novos substituíram veículos antigos e de toda a frota operante 365 ônibus passaram a circular com ar-condicionado (cerca de 50%). Isto é mais conforto para o usuário.
Esta realidade é bem diferente da encontrada por Edivaldo. A idade média da frota de ônibus de São Luís em 2013 era superior a 11 anos e tinha veículos com mais de 20 anos circulando pela cidade. Agora a idade média é 4,5 anos e as empresas são obrigadas a retirarem das ruas e avenidas os ônibus que tenham mais de 5 anos de uso.
Toda esta mudança só foi possível porque Edivaldo enfrentou mais um dos gargalos históricos da administração municipal: a licitação do sistema de transportes. O contrato assinado entre a Prefeitura e as empresas garante que todas as melhorias que vem sendo implantadas tenham continuidade independente de quem esteja no comando da gestão municipal, impedindo que o serviço volte a ser precarizado.
Edivaldo implantou ainda outros benefícios como o Bilhete Único, Recarga Embarcada, Cartão Criança e o aplicativo Meu Ônibus. Todos os veículos são equipados com GPS e Biometria Facial, que coíbe fraudes no uso de gratuidades e meia-passagem. Com isso o usuário conta com um sistema de transporte cada vez mais moderno, eficiente, seguro e confortável.
Em coletivas nesta manhã de quinta-feira (19), os ex-candidatos a prefeito de São Luís no primeiro turno, Rubens Júnior (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB) oficializaram o apoio a Duarte Júnior (Republicanos) no segundo turno nas eleições. Rubens afirmou que como faz parte de um grupo e por isso apoia Duarte.
Os trabalhos foram coordenados pelo presidente estadual do PCdoB, deputado Márcio Jerry, e contou com a participação do virtual do candidato Duarte Junior, que se recupera de Covid-19, respondendo a todas as indagações da imprensa presente, O primeiro a se manifestar foi o deputado Rubens, terceiro mais bem votado na eleição de 15 de novembro.
Ao anunciar oficialmente seu apoio a Duarte, Rubens disse que passou toda a campanha afirmando que a política é a arte do coletivo e que seu coletivo é o do governador Flávio Dino. O ex-candidato do PCdoB observou que “com Braide estão todos os adversários de Flávio Dino, todos os bolsonaristas e mais alguns desertores”. Disse ainda que a eleição é entre Duarte e Braide e pediu que a população faça uma comparação entre o que foi as gestões de Braide na Caema e Duarte no Procon.
Rubens se manifestou também sobre o desentendimento que teve com Duarte no decorrer da campanha no primeiro turno. Ele explicou quando aconteceu o episódio da agressão verbal, Duarte lhe procurou dois dias depois por meio de intermediários pra pedir desculpa. “Eu disse que não poderia agora porque estava em campanha. Depois ele me procurou e eu disse que o pedido tinha que ser público e ele fez”.
“Perdoar faz parte da minha índole, da minha natureza. Estou mais incomodado com quem traiu a gente no segundo turno do que com quem me ofendeu e pediu desculpas. Isto está superado. Eu consultei minha família e todos concordaram, inclusive meu pai. Estamos prontos para ir pra campanha como se fosse eu o candidato”, enfatizou.
Já o deputado Bira do Pindaré, quinto colocado no primeiro turno, falou da luta do seu grupo liderado Flávio Dino contra o bolsonarismo, que Duarte representa o lado do governador e que agora o PSB é dez, numa referência do número do candidato do Republicanos.
Bira criticou que se coloca em posição de neutralidade e advertiu que traz consequências: “A neutralidade é uma escolha que tem consequências e geralmente beneficia quem está na frente. Tomamos uma decisão coletiva e alinhada com o governador e o grupo do governador. Temos um alinhamento com este pensamento. Fizemos um debate programático. Apresentei diversas propostas e o candidato Duarte firmou compromisso com as nossas bandeiras”, justificou.
A postura do senador e presidente estadual do PDT, Weverton Rocha, de se manter em silêncio no segundo turno da eleição para prefeito de São Luís, após se empenhar tanto na campanha do candidato do DEM, Neto Evangelista, terceiro colocado, no primeiro turno, foi uma espécie de sinal verde para militância, inclusive os que possuem mandato, ficarem livres para optarem entre Duarte (Republicanos) e Braide (Podemos).
E isso ficou claro nesta quarta-feira (18) quando os vereadores Osmar Filho e Raimundo Penha, ambos reeleitos com expressiva votação, declararam apoio ao candidato Eduardo Braide, que faz oposição ao governador Flávio Dino, enquanto o vereador derrotado Ivaldo Rodrigues manifestou apoio a Duarte, numa clara demonstração de que o senador liberou seus liderados ainda que tomem posições contrárias ao Palácio dos Leões.
Por conta do silêncio do senador em relação ao segundo turno, depois que o governador declarou apoio a Duarte e conclamou seu secretariado e aliados partidários a fazer o mesmo, deu margem a comentários de bastidores que suas relações com o governador estariam estremecidas, fato que ele veio a público negar e até dar declaração em contrário.
“A política está sempre acompanhada de boatos. A verdade é que minha amizade com Flávio Dino é sólida, baseada em respeito mútuo e diálogo. Por isso seguimos firmes no projeto de trabalhar por um Maranhão melhor”, declarou o senador mantendo o silêncio sobre sua posição em relação a eleição para prefeito de São Luís.
Por não ter se posicionado e está passando a postura de neutralidade, apesar dos apelos do governador de agrupamento da base aliada em torno de Duarte, são forte os comentários nos bastidores da sucessão de que ele não declara voto, mas liberou seus comandados.
Em coletiva de imprensa nesta manhã de quarta-feira (18), o ex-candidato do DEM a Prefeitura de São Luís, deputado Neto Evangelista, terceiro colocado no primeiro turno, manifestou apoio à candidatura de Eduardo Braide (Podemos) no segundo turno.
Neto disse que, embora tenha feito opção pela candidatura de Braide, permanece na base de sustentação do Governo Flávio Dino e que fez sua opção pelo candidato que considera melhor para administrar a cidade pelos próximos quatro anos.
O deputado disse ainda que o que está em jogo não é grupo político e sim a disputa pela Prefeitura de São Luís, negando qualquer vinculação de sua opção com projetos visando 2022, conforme vinha sendo especulado nos bastidores da sucessão municipal.
Nesta quarta-feira, o dia foi de adesão ao representante do Podemos. Mais cedo, o ex-candidato Yglésio Moisés também declarou apoio a Braide, se dizendo aliado do governador, porém, sem relação de subserviência.
Presidente do PCdoB no Maranhão, o deputado federal Márcio Jerry usou as redes sociais no fim da terça-feira (17) para responder a críticas recebidas após a divulgação do apoio ao candidato do Republicanos, Duarte Júnior, à prefeitura de São Luís. À tarde, a sigla divulgou nota na qual divulgava seguir ao lado do ex-secretário do Procon e o Viva Cidadão entre 2015 e 2018.
“No 1º turno o governador Flávio Dino respeitou igualmente os candidatos que integram sua base de apoio. Para o 2º turno, quem o povo de São Luís escolheu para enfrentar [Eduardo] Braide, da oposição, foi o Duarte. Muito óbvio pois que estejamos com Duarte, aliado, contra Braide, da oposição a nós. Braide representa o projeto político antagônico ao processo de renovação e mudança permanentes liderado por Flávio Dino. Duarte é o candidato que representa neste 2º turno o processo de renovação e mudanças permanentes liderado por Flávio Dino”, esclareceu.
Ainda de acordo com o deputado, vice-líder do PCdoB na Câmara, Braide vem repetindo neste início de 2º turno “a prática do cinismo e dissimulação para tentar enganar incautos”. “Oposição ferrenha a Flávio Dino ele agora procura aliados do governador com discurso ensaiado e falso de… simpatia ao governador. Cara de pau que chama, né?”, criticou.