
Com um governo marcado por escândalos, Roseana Sarney cada mais se agarra ao corrupto Temer
Durou muito pouco o factoide criado por agentes de Roseana Sarney (PMDB) na blogosfera sobre um suposto convite formulado pelo presidente golpista Michel Temer (PMDB) para a ex-governadora assumir o Ministério das Cidades. Roseana, segundo fontes de Brasília, nunca foi cogitada sequer para cargo de segundo escalão por conta do seu histórico de escândalos de corrupção.
“Seria atrair mais holofotes para uma administração ilegítima, corrupta, questionada em tribunais cujo o presidente se mantém no poder através da compra de voto de congressistas”, observou um deputado federal.
O boato, ao contrário que tentaram passar os mesmos agentes da ex-governadora, não teve início em grupo de WhatsApp, mas sim em um blog ligado à oligarquia Sarney e distribuído em diversos grupos.
A iniciativa dos cabos eleitorais de Roseana na blogosfera, na verdade, tinha por finalidade criar expectativa de que a rainha da corrupção assumiria um cargo de alto escalão no Governo Federal para ajudar os prefeito do Maranhão e turbinar sua campanha ao governo em 2018, mas o tiro saiu pela culatra. Sem cacife até num governo ilegítimo, a ex-governadora foi obrigada a revelar que tudo não passou de mais uma mentira.
Comentam nos bastidores de Brasília que assim que circulou o boato sobre o Ministério de Roseana, alguns políticos aconselharam Temer, que é acusado pelo Ministério Federal e pelo empresário Joesley Batista (sócio proprietário do grupo JBS), de chefe de quadrilha, a manter Roseana bem longe do seu já complicado governo.
POR EDUARDO BRESCIANI

O plenário da Câmara dos Deputados durante a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer – Ailton de Freitas / Agência O Globo
O Globo – Apontado como o sistema eleitoral mais fácil para os atuais parlamentares se reelegerem, o chamado distritão pode ser adotado como modelo definitivo para as eleições de deputados e vereadores a partir do próximo pleito. As articulações de bastidores, sobretudo entre parlamentares do centrão, indicam apoio a essa mudança sem respeitar o acordo estabelecido com o PSDB e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de se adotar o sistema distrital misto a partir de 2022. O tema faz parte da reforma política, que deve ter a votação iniciada hoje em comissão especial.
Usado em apenas quatro países — Afeganistão, Jordânia, Vanuatu e Pitcairn —, o distritão elege para o parlamento os candidatos mais votados, independentemente do apoio que seus partidos recebam. Hoje, as cadeiras de deputados e vereadores são distribuídas primeiro de forma proporcional aos votos recebidos pelos partidos ou coligações e ocupadas pelos candidatos mais votados desses grupos.
No distrital misto que, pelo acordo, começaria a valer em 2022, o eleitor votaria duas vezes: em um representante de seu distrito e em um partido político, que apresentaria uma lista fechada. Metade das vagas seriam preenchida pelos distritais, metade pelos candidatos das listas. Para aprovar qualquer mudança, são necessários 308 votos entre os 513 deputados e 49 entre os 81 senadores.
TEMER APOIA O DISTRITÃO – Rejeitado em 2015 pela Câmara quando o ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) patrocinava a mudança, o distritão ganhou adeptos recentemente diante da perspectiva de uma grande renovação da Casa devido às denúncias de corrupção contra dezenas de deputados na Operação Lava-Jato. O sistema é o preferido do presidente Michel Temer. A avaliação é que o modelo favorece candidatos conhecidos, ainda mais com as regras já aprovadas que reduziram o tempo de campanha. A ideia, no entanto, era usar o sistema apenas como uma transição.
— O que eu estou tentando trabalhar é um sistema eleitoral que faça a transição em 2018 para que a gente tente chegar ao distrital misto em 2022, que atende à maioria da sociedade brasileira — afirmou Rodrigo Maia.
O líder do PMDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), sustenta que o distritão é a única alternativa possível. Deputados e senadores de diferentes partidos, da base aliada e da oposição, fizeram reunião na noite de ontem, na residência do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), para discutir a reforma.
— A tendência é fechar com o “distritão”, mesmo sem saber se haverá 308 votos em plenário. Mas este é o único caminho — disse Baleia ao chegar à casa de Eunício.
Há, no entanto, resistências na Casa ao sistema desejado pelos tucanos, movimento que começa a ganhar corpo.
— O distritão é o que aproxima mais, o que tem ampla maioria. O distrital misto não dá nem para pensar. A gente não vai aprovar isso — afirmou o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), um dos principais líderes do centrão.
Parlamentares desse grupo afirmam que a derrubada do distrital misto pode acontecer de duas formas: na votação da reforma política agora ou, eventualmente, na próxima legislatura.
— A verdade é que tem gente querendo só enganar o PSDB. Vota agora como eles querem e depois tira o misto — afirmou um líder do centrão.
ALCKMIN CRITICA NOVAS REGRAS
Autor da emenda que institui o “distritão”, o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) rebate as críticas e minimiza o fato de apenas poucos países periféricos adotarem este modelo:
— O povo não tem mais controle sobre o que se passa na Câmara e passará a ter, fiscalizando. Aliás, o povo já pensa que é assim, que quando são dez vagas entram os dez mais votados.
A adoção desse sistema é criticada mesmo por correligionários de Miro, como Alessandro Molon (Rede-RJ):
— A Câmara está voltada para impedir a renovação. Esse sistema piora em muito a representatividade, porque grande parte dos votos são simplesmente jogados no lixo, sem ajudar a eleger alguém por um partido.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) é outro que já fez críticas severas ao modelo:
— Distritão é um absurdo. O nome está errado, não é distritão, é estadão, é o estado inteiro, a campanha fica mais cara.
Os debates na Câmara abrangem também o financiamento público de até R$ 4 bilhões para campanhas e a cláusula de barreira para retirar benefícios de legendas com menos de 1,5% dos votos válidos para deputado federal em nove estados.
Os deputados da oposição vão trabalhar para que, em uma eventual segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, a Câmara autorize a abertura de um processo pelo STF. A definição foi tomada numa reunião de líderes de diversos partidos, realizada na liderança do PDT na hora do almoço. Em pronunciamento no Plenário, o líder do PDT, deputado Weverton Rocha, criticou o resultado da votação e disse esperar que os deputados votem pela autorização para que o Supremo processe o presidente, caso se confirme a informação que circula em Brasília de que uma nova denúncia será apresentada pelo Ministério Público.
Na avaliação de Weverton Rocha, o presidente Michel Temer saiu derrotado na votação na Câmara, apesar de ter conseguido evitar o processo no Supremo Tribunal Federal. Para ele, o resultado da votação demonstra a fraqueza do governo. “Ele não tem o número constitucional de votos, 308, para realizar as reformas que pretende, como a da Previdência, por exemplo.”
Weverton fez as contas e apontou que, entre oposicionistas e os que chamou de governistas envergonhados, cerca de 50% dos deputados não se posicionaram a favor de Temer. O número não foi suficiente para aprovar a aceitação da denúncia proposta pelo Ministério Público contra o presidente, no entanto revela que a base do governo não está coesa e dificilmente aprovará todas as matérias vindas do Palácio do Planalto.
Críticas ao governo
Durante sua fala, Weverton também criticou a atuação do governo Temer, que segundo ele vem trabalhando apenas a favor das grandes corporações e investidores. O deputado lembrou que o presidente enviou ao Congresso a PEC 55, que congela os gastos públicos em educação e saúde, alegando austeridade financeira, no entanto trabalha pela aprovação de um programa de regularização tributária (Refis) que favorece grandes devedores e desfalca os cofres públicos.
“Esse é um desgoverno que envergonha o Brasil, que não tem legitimidade e faz uma agenda contra os interesses nacionais”, afirmou em aparte a Weverton o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA).
O deputado Bebeto (PSB-BA) também aparteou o pronunciamento de Weverton, que ele classificou de lúcido e pertinente, e aproveitou para denunciar a movimentação do Ministério da Fazenda para criar mais uma alíquota do Imposto de Renda, de 35%. “Isso é um massacre contra a sociedade brasileira”, disse o deputado, que acusou o governo de fazer isso para “pagar a conta” da votação que evitou o processo contra o presidente no STF.
A ‘Feira de Soluções para a Saúde’ e o ‘Seminário Internacional da Unicef: Zika e Infância’ tiveram início, nesta terça-feira (8), em Salvador, Bahia, com a presença do governador Flávio Dino. O evento, que se estende até a próxima quinta-feira (10), tem como principal objetivo apresentar soluções para as arboviroses que acometem o Brasil. Neste contexto, as atividades do Projeto Ninar e da Casa de Apoio Ninar foram apresentadas e bastante elogiadas por pesquisadores, instituições, movimentos sociais interessados e comprometidos com o combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.
O evento é fruto da parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). Durante os três dias do evento, uma rica programação apresentará soluções de caráter social, industrial e de serviços que podem, em muitos casos, ser replicadas por diversas pessoas e instituições em todo o Brasil e até no exterior.
A ‘Feira de Soluções para a Saúde’ é a primeira de uma série de cinco – cada uma realizada em uma região do País. Todas elas reúnem pesquisadores, instituições dos setores público e privado e movimentos sociais interessados e comprometidos com o combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Na programação constam atividades como rodas de conversa, apresentações orais, mesas redondas, oficinas, estandes, manifestações culturais e espaços de comunicação em saúde.
O governador Flávio Dino foi convidado pela Fiocruz para apresentar as exitosas experiências do Maranhão no combate às síndromes derivadas dessas arboviroses. Na ocasião, ele expôs um vídeo sobre o funcionamento da Casa de Apoio Ninar, e explicou que o Projeto Ninar nasceu no ano passado e já realizou mais de 30 mil atendimentos em duas unidades. “Uma faz o acompanhamento médico e multiprofissional. E agora incorporamos uma Casa de Apoio, que recebe as famílias que vem de outros municípios e também, junto com elas, as crianças e as equipes de saúde dos municípios”, pontuou.
“Essa Casa tem uma história curiosa porque pertencia ao patrimônio do Governo do Maranhão há muitas décadas e era a casa de veraneio do governador. Fica de frente ao mar, muito bonita, no metro quadrado mais caro do Maranhão. Claro que nunca a utilizei porque tenho uma visão política distinta dessa noção de privilégios”, destacou o governador, que disse que quando veio essa emergência sanitária atinente ao zika, as mães disseram que precisavam de uma casa. “E eu disse: eu tenho a melhor casa para vocês. Porque é a melhor casa que simboliza a prioridade política que nós devemos dar a essa emergência sanitária”, enfatizou.
Flávio Dino informou que o Governo do Maranhão investiu R$ 2 milhões para a implantação da Casa de Apoio e mais R$ 400 mil por mês para atender 15 famílias por semana, em um processo de humanização de políticas públicas. “Em primeiro lugar é um espaço de cuidado, tratamento, mas é um espaço de acolhida humanizada. E é também um espaço de formação profissional das equipes dos municípios”, frisou.
Experiência
Para o governador, a ‘Feira de Soluções para a Saúde’ é uma forma de aprimorar a rede de prevenção e cuidado, incorporar elementos novos à dimensão principal do trabalho contínuo, ou seja, “não é porque não estamos mais vivendo o auge da emergência das síndromes derivadas dessas arboviroses de modo geral que nós devemos abandonar o debate e os investimentos”.
“Acho que o principal mérito da Feira é reunir essas experiências nacionais e internacionais e sublinhar a dualidade do tema para que a gente possa prevenir danos futuros”, afirmou o governador Flávio Dino.
O governador da Bahia, Rui Costa, parabenizou o governador Flávio Dino pelos desafios e a solidariedade mútua pelas dificuldades que ambos têm enfrentado devido a um cenário absolutamente adverso.
“Flávio Dino tem se superado pelo trabalho, pela afirmação e pela determinação como aqui você muito bem fez dos valores humanos. Eu acho que é isso que tem sustentado o nossos governos. Essa relação de afirmar para a população que a prioridade é cuidar das pessoas. É cuidar de gente nas várias áreas. Quero lhe cumprimentar e lhe agradecer a presença”, destacou o governador da Bahia.
A ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) fez uma estrondosa festa em sua mansão em Brasília para comemorar a vitória que o presidente Michel Temer (PMDB) obteve no Congresso. O motivo: ela estaria feliz porque agora vai poder contar com o apoio de Temer para se candidatar em 2018.
Ao derrubar na Câmara dos Deputados o prosseguimento da denúncia de corrupção passiva contra ele, Temer se livrou de uma possível cassação de mandato e deve se manter no cargo até o final de 2018. Caso a denúncia fosse aceita e Temer tivesse que deixar a Presidência, Roseana sairia prejudicada nas próximas eleições. A ex-governadora espera contar com o generoso apoio da máquina federal durante a sua campanha. Com Temer fora do Governo Federal, Roseana reduziria ainda mais suas chances de voltar ao poder.
A única vez que Roseana lançou candidatura sem dispor do aparato da máquina pública, em 2006 – quando não era governadora – ela acabou perdendo as eleições para Jackson Lago. Seu pai, o oligarca José Sarney, teve que atuar politicamente, para, no tapetão, conseguir a cassação de Lago e o retorno forçado de sua filha ao comando do executivo estadual no Maranhão.
A ex-governadora Roseana Sarney, embora pressionada a assumir uma pré-candidatura ao Governo do Estado em 2018, mostra-se indecisa em aceitar o desafio. O pai oligarca pressiona por entender que sem um candidato competitivo, o sarneisismo no Maranhão, já em fase elevada de decomposição, será definitivamente sepultado.
Na avaliação da cúpula sarneisista, a candidatura de Roseana, embora sem chance de vencer a disputa contra o governador Flávio Dino, salvaria a eleição de representantes na Assembleia Legislativa, Câmara Federal e até a possibilidade de um senador, mantendo desta forma o grupo vivo para um confronto em 2022. Sem ela, temem uma debandada geral.
A ex-governadora é o único nome que o PMDB possui em condições de manter a esperança de sobrevivência do grupo, mas ela teme ser novamente humilhada nas urnas, como foi em 2002 quando perdeu para Jackson Lago e em 2014 apoiando Edinho Lobão. A vaidade de Roseana, segundo avalia uma fonte do PMDB, não lhe permite sacrifício.
O fato é que Roseana continua sendo uma dúvida. Todos os dirigentes peemdebistas querem e pressionam para que ela decida pela pré-candidatura, mas o temor de enfrentar uma eleição completamente adversa é tão grande que a faz pensar e adiar a decisão para 2018, deixando desta forma aqueles que apostam em sua candidatura na expectativa.