Iniciada em 1987, durante o governo do ex-presidente José Sarney, a Ferrovia Norte-Sul, que prometia cruzar o país continua com problemas. As obras ficaram paradas por décadas e só foram retomadas no governo Lula (PT). O entrave agora é no leilão que o governo Michel Temer (PMDB) tenta fazer de 1.537 km de extensão da ferrovia.
O Estado de São Paulo noticiou hoje (13) que britas colocadas em parte do trecho a ser leiloado são inadequadas para aguentar o porte da ferrovia e da carga que passará por ela. A troca das pedras custaria R$ 103 milhões aos cofres públicos e demoraria mais 32 meses para ser executada.
Trilhos da Corrupção
Incompleta há 31 anos, a Ferrovia Norte-Sul carrega ainda as severas marcas da corrupção. No ano passado, em delação premiada no âmbito da Lava Jato, executivos da Odebrecht revelaram que o grupo comandado pelo oligarca José Sarney foi beneficiário do recebimento de propina relativa à construção da Norte-Sul.
Pessoas ligadas a Sarney receberam 1% em propina durante a construção da ferrovia. Também em 2017, a Polícia Federal chegou a prender o operador da propina destinada ao grupo Sarney, Juquinha das Neves, ex-presidente da Valec, empresa pública responsável pela obra.
Por ironia (ou não), as pedras que atrapalham a concessão do trecho da ferrovia inacabada foram lançadas quando o “testa de ferro” de Sarney, Juquinha das Neves, era o diretor de estatal.
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