O governador Flávio Dino pode ter levado uma saraivada de críticas da chamada grande imprensa nacional por ter se colocado ao lado de Dilma Rousseff no momento de maior dificuldade da presidente, mas uma coisa é certa, se ela conseguir virar o jogo, e tudo indica que vai, o Estado do Maranhão, certamente, será visto como aliado fiel e dedicado, muito diferente do grupo Sarney que pulou fora do barco logo nos primeiros sinais de que setores insatisfeitos com a condução do país iniciaram movimento para apeá-la do poder.
Sarney e sua gente (apenas Lobão e Gastão Vieira atenderam ao convite e compareceram ao evento realizado segunda-feira no Maranhão para entrega de casas do Programa Minha Casa, Minha Vida e do Tegram), ao tentar se ver livre de Dilma para colocar o PMDB no comando do país, cospe no prato que comeu ao longo dos governos petistas. Quem não lembra da constante interferência do senador José Sarney e de sua filha Roseana para impedir que ministros viessem ao Estado nos governos de José Reinaldo Tavares e Jackson Lago? Da foto em que Dilma, Lula, Sarney, Roseana e Lobão subiram numa retroescavadeira, em pleno período da campanha eleitoral de 2010, para garantir a Refinaria Premium?
Sarney e sua gente durante doze anos de governos do PT mandaram e desmandaram no Maranhão. Usaram toda a influência que possuíam junto ao governo federal para perseguir governantes que não rezavam na cartilha do sarneismo. Quando o então governador José Reinaldo Tavares rompeu com o grupo, as portas do Palácio do Planalto se fecharam para o Estado. O mesmo fenômeno se repetiu no governo de Jackson Lago, onde, segundo comentavam nos bastidores, ministros e presidente eram proibidos até sobrevoar o Maranhão.
O ciclo de perseguição, que tanto penalizou a população maranhense, somente foi rompido com a derrota do grupo Sarney nas eleições de 2014, quando o eleitorado, após cinco décadas sendo massacrado e vendo os recursos do Estado escorrer pelo ralo da corrupção, pôs fim a última oligarquia remanescente do país e elegeu Flávio Dino, companheiro de luta da presidente e um dos seus principais auxiliares no comando da Embratur. Foi o primeiro governador a se levantar contra a cassação do mandato legítimo da presidente por políticos do tipo Sarney.
Sem mandato, praticamente aposentado, mas com algum poder ainda no PMDB, maior partido do país, o ex-presidente Sarney aposta na queda de Dilma e na ascensão do vice Michel Temer para voltar a ter um naco de poder e continua a perseguição aos seus adversários no Maranhão. Para decepção e desespero do ex-presidente, no entanto, a população não apoia a ideia de impeachment e até as entidades empresariais também já se mostram preocupadas com a tentativa de políticos sem escrúpulos em tentar tumultuar o governo aprovando propostas que podem deixar o país ingovernável.
Como tudo indica que essa onda vai passar, o Governo do Maranhão, provavelmente, por ter se mantido fiel e mostrado apoio “leal e afetivo” contra qualquer tentativa de golpe ao mandato da presidente Dilma, será recompensado com obras federais para resolver os problemas mais urgentes do Estado e Sarney, bom, só restará vestir o pijama e se recolher à Ilha de Curupu ou se transferir de vez para o Amapá.
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