Página2 – Uma reportagem do jornal El País Brasil citou envolvimento do deputado federal Aluísio Mendes (PTN) nos ataques violentos contra índios da etnia Gamela no domingo (30). Segundo a publicação, nos dia dos ataques, quando homens munidos de facões e armas de fogo invadiram o território Gamela, acontecia na cidade um evento chamado “Marcha pela Paz”, onde Aluísio e cerca de 5000 proprietários de terras de Viana, Penalva e Matinha, discutiam as retomadas indígenas na reunião. El País ressalta ainda, que dias antes do conflito, durante entrevista a uma rádio local de Viana, Aluísio Mendes chamou os gamelas de “pseudoíndios”.
Aluísio Mendes é um dos membros do grupo Sarney que atuam na bancada federal. Ele já foi assessor presidencial de José Sarney e secretário de Segurança durante o último governo de Roseana Sarney no Maranhão. “Não foi um confronto o que aconteceu. Foi um massacre. Quem somos nós, com flechas, para confrontar armas de fogo?”, disse Francisco Gamela, de 60 anos, em entrevista ao El País.
Conflito
O ataque contra os índios Gamela deixou dezenas de feridos. Quatro pessoas permanecem internadas, sendo que duas das vítimas tiveram fratura exposta nas mãos, mas nenhum indígena teve o braço decepado.
A reportagem destaca ainda, que um mapa do acervo da Biblioteca Nacional Brasileira e documentos históricos da Biblioteca Digital Luso-Brasileira de 1765, apontam que havia ali “terras dos índios” demarcadas.
Sobre as insinuações de que seriam “pseudoíndios”, como mencionou Aluísio Mendes, já que alguns moradores da região a identidade indígena dos gamelas, a reportagem revela que muitos dos indígenas contaram histórias de bisavós, avós ou pais que disseram ser proibidos de falar a própria língua ou de se referirem a si mesmo como índios por medo de represálias.
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