A investigação da Polícia Federal que apontou o ex-secretário de Saúde, Ricardo Murad, como chefe da quadrilha que desviou R$ 1,2 bilhão na gestão da ex-governadora Roseana, traz à tona uma revelação de causar náusea: enquanto os maranhenses padeciam nas filas intermináveis dos hospitais sem médico, sem leito e sem remédio, o dinheiro que deveria servir para aliviar o sofrimento da população era desviado para abastecer as campanhas eleitorais do grupo Sarney.
A gang construiu esqueletos de hospitais, contratou institutos suspeitos para administrar a saúde do Maranhão e, sem dó nem piedade, tirou até o remédio dos enfermos para colocar os recursos à disposição das campanhas de Roseana, Teresa Murad, Andréa Murad, Sousa Neto, Adriano Sarney, entre outros remanescentes daquilo que ficou conhecido no Maranhão como oligarquia Sarney
A operação Sermão dos Peixes”, que colocou na cadeia os donos do ICN e pediu a prisão do ex-secretário, expõe claramente a falta de compromisso do grupo que perdeu as eleições em 2014 com a saúde pública do Estado e a voracidade com que a quadrilha, segundo a Polícia Federal, comandada por Murad avançou nos recursos enviados para o Maranhão pelo Fundo Nacional de Saúde.
Em uma amostragem de R$ 235 milhões, R$ 114 milhões foram desviados por meio de serviços não executados e pagos, contratos para fornecimento de insumos e aquisição de medicamentos fora de controle. A CGU conduziu visitas in loco, em unidades de pronto atendimento e hospitais, e constatou que os recursos não foram aplicados. Contratações de médicos e aquisição de alimentação também compuseram a lista de processos pelos quais a verba foi desviada.
Como parte da investigação, houve quebra de sigilo bancário dos envolvidos entre 2010 e 2013. Somente durante 2014, a estimativa é de que o montante de R$ 2 bilhões tenha sido movimentado. Os volumes desviados pela ganga de Ricardo Murad impressionaram até o Superintendente Regional da Polícia Federal, Alexandre Saraiva, que chegou a afirmar, durante a coletiva, que “o Maranhão teria uma saúde de primeiro mundo não fosse o desvio de recursos”.
O superintendente da PF não deixou dúvidas quanto a afetiva participação do cunhado de Roseana Sarney. Segundo Saraiva, a saúde era controlada por uma organização criminosa. “Era esse tipo de gente que estava cuidando da saúde do Maranhão”, observou.
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