Rubens Pereira Júnior (PCdoB), considerado um dos parlamentares mais atuantes na oposição ao Governo Bolsonaro, em entrevista ao blog, teceu alguns comentários sobre as prioridades da bancada federal comunista para este início de legislatura. Aliado de primeira hora do governador Flávio Dino, o deputado que está sendo cotado para assumir uma pasta no primeiro escalão do governo estadual, diz que o povo o elegeu para ser oposição e neste primeiro momento a atuação será de resistência.
Rubens Júnior explica que “o povo nos elegeu para exercer a oposição na Câmara”. E por conta desta concepção ele afirma que “o partido que nós apoiamos na eleição presidencial perdeu no segundo turno. Então democraticamente nós exerceremos este papel, com suas atribuições e responsabilidades, mas sempre no intuito de ajudar a construir um Brasil melhor. Este primeiro momento é de resistência para que não avancem nos direitos dos trabalhadores, como infelizmente ocorreu no último governo que passou”, observou.
Com relação a propostas, o governo coloca como ponto principal a Reforma da Previdência. O PCdoB vai se colocar contra ou a favor de alguns pontos?
De fato é necessária uma Reforma da Previdência. Não podemos negar isso, mas proposta apresentada por Michel Temer não servia para o Brasil. A população repudiava. Qual será a proposta apresentada pelo presidente Bolsonaro? Sinceramente não sei. Há um vazio, uma dúvida, muita incoerência, inclusive.
Depois que tivermos um projeto, uma proposta concreta, nós poderemos avaliar o que é bom para o Brasil e o que não é. Mas uma coisa é certa. Nós faremos a defesa nacional. A reforma de Temer mexia basicamente com os pequenos, com os que ganhavam menos. Os que ganhavam o teto e os militares estavam de fora. Esta não seria uma reforma razoável.
A resposta do povo para esta tentativa veio nas urnas. Aqueles que votaram pela reforma trabalhista, a favor do impeachment, contra denúncia do Temer, esses infelizmente tiveram muita dificuldade nas eleições. O recado foi dado pela sociedade sim, houve uma renovação e o recado é: Parlamento, nós estamos de olho e vamos saber diferenciar quem está do lado do povo e quem está do lado dos poderosos.
E quais são as propostas que o PCdoB vai apoiar neste início de legislatura?
O mais importante é que estas reformas tão necessárias sejam feitas no Legislativo. Este é o lugar ideal. Há uma crise de segurança. Por exemplo, reformar o Código de Processo Penal. O nosso é de 1940, é obvio que está defasado. Quem tem que fazer essa reforma? Nós deputados ou o Judiciário com um entendimento diferente a cada dia. O Legislativo tem que fazer o seu papel, tomar a suas atribuições.
A crise fiscal dos estados e dos municípios é pauta urgente. O cidadão viver lá nas cidades, nos municípios, é lá onde precisa de acesso à saúde, educação, geração de empregos, ou não. E isso tem que a “ordem do dia”. Ou o Legislativo se impõe como condutor das reformas estruturais e da pauta política do Brasil, ou infelizmente estaremos de costas para o povo e sendo atropelados pelos outros poderes.
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