A decisão do vice-governador Felipe Camarão (PT) de não renunciar ao cargo, conforme proposto pelo governador Carlos Brandão (sem partido), coloca o chefe do Executivo estadual em situação delicada, pois a ter como opção apenas continuar no mandato para tentar eleger seu sucessor o sobrinho Orleans ou desincompatibilizar para concorrer ao Senado.
O pré-candidato do PT tem deixado bem claro nos encontro do movimento Diálogos pelo Maranhão e em reuniões com líderes dos partidos de esquerda que é candidato a governador e que jamais abrirá mão desse direito. Segundo apurou o blog junto a fontes ligadas ao Palácio dos Leões, no último encontro que teve com o governador, Camarão teria alertado ele não fazer projeto contando com sua renúncia.
No último sábado (10) Camarão voltou a reuniu, na residência da vice governadoria a frente de esquerda, formada por líderes do PT, PSB, PCdoB, PSOL e Rede, a reafirmou que não abre mão da sua candidatura ao Governo, qualquer que seja a circunstância, posição que recebeu aplausos e incentivos dos presentes. A decisão do petista é de manter firme o projeto de candidatura a governador do Estado. O encontro com líderes da esquerda foi definido por Felipe como “mais um passo na construção da nossa pré-candidatura”.
O obstáculo imposto por Camarão limita o governador a optar por sair para concorrer ao Senado e entregar o comando do estado para o vice disputar a reeleição ou continuar no mandato para tentar eleger o seu sobrinho Orleans governador. Brandão tem até o dia quatro de abril, prazo limite para quem vai disputar a eleição e exerce cargo público se afastar, para decidir seu futuro político. Diante do dilema, Brandão já avisou que deseja tomar a decisão ouvindo o colegiado, diante da complexidade da questão.
Se resolver ficar, com certeza, mobilizará todas as forças de centro-direita e direita, hoje praticamente alinhadas com a pré-candidatura de Orleans, para medir forças com a frente de esquerda que está sendo formada em torno da pré-candidatura de Camarão.
Diante das avaliações que movimentam os bastidores da eleição, é muito pouco provável que aja entendimento entre os dois blocos se nenhum dos dois lados está disposto a ceder. Brandão não admite passar o comando do estado para Felipe, que por sua vez descarta qualquer possibilidade de renunciar ao mandato de vice. Sem perspectiva de acordo, caberá a Carlos Brandão decidir se fica ou sai.
Não existe outra alternativa e Brandão tem menos de 90 dias para tomar sua decisão. Se ficar, a pré-candidatura de Orleans estará consolidada, terá o reforço da máquina estadual e uma ampla aliança partidária, caso contrário o projeto Orleans corre o risco de não vingar. Brandão também corre o risco de ficar sem o mandato de senador e seu candidato a governador não decolar, dai a necessidade de muita cautela nessa hora.
Sem precisar renunciar a nada para ser candidato, Felipe Camarão apenas aguarda para saber se será candidato sentado na cadeira de governador ou não.
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