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Autor: Jorge Vieira
  • Jorge Vieira
  • 17/set/2026

Dino pede investigação de todos os magistrados com indícios de ligação com o Master

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a abertura de procedimentos contra todos os magistrados sobre os quais existam indícios de relações indevidas com o Banco Master. Nesta quinta-feira (17), ele divulgou a íntegra da questão de ordem levada à Corte durante a sessão extraordinária de 15 de setembro, em meio à disputa sobre como o tribunal deve conduzir as apurações derivadas do caso.

A proposta discutida no plenário previa a identificação dos magistrados mencionados nas investigações do caso Master quando existissem indícios de recebimento indevido de valores do banco, além da abertura de prazo para manifestação tanto dos juízes citados quanto do procurador-geral da República. Segundo o próprio STF, a questão de ordem foi formalizada pelo decano Gilmar Mendes a partir de sugestão de Dino.

O movimento busca ampliar o alcance da resposta institucional do Supremo, que até agora se concentrou principalmente em duas frentes: uma relativa a informações encontradas pela Polícia Federal que mencionam o ministro Alexandre de Moraes e outra relacionada à atuação de André Mendonça na condução das investigações do Banco Master.

Na sessão de terça-feira (15), Dino sustentou que eventuais irregularidades deveriam ser apuradas de maneira uniforme, sem que apenas um dos magistrados citados fosse submetido imediatamente ao escrutínio do plenário. “Todas as situações duvidosas, erradas ou tipificadas em lei como crime devem ser apuradas”, declarou durante o julgamento.

O ministro também questionou por que a Corte analisaria naquele momento especificamente a situação de Moraes enquanto outros nomes mencionados em documentos relacionados ao Master permaneceriam sem previsão de apreciação. “Por que um vai abrir o processo hoje, e os outros, um outro, que seria o ministro André [Mendonça], na próxima, e os outros, sabe Deus quando?”, afirmou. Dino classificou uma eventual diferenciação como risco de “combate seletivo” à corrupção.

O debate surgiu durante o julgamento da Petição 16.662, originada de relatório da Polícia Federal com informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que registra supostos diálogos relacionados a Alexandre de Moraes.

A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade do relatório. Paralelamente, tramita a Petição 16.704, aberta a partir de informações apresentadas por Moraes e relacionada a suspeitas sobre a condução do caso Master por André Mendonça.

A questão de ordem discutida pelos ministros propõe que as duas petições tramitem conjuntamente, com sorteio de um novo relator. Também prevê que sejam identificados nos autos outros magistrados sobre os quais existam elementos que justifiquem providências relacionadas ao caso Master.

Dino argumentou ainda que a análise conjunta seria uma forma de garantir isonomia. Durante a sessão, ele declarou que, sem tratamento uniforme, poderia surgir a impressão de que Moraes estaria sendo submetido ao julgamento não apenas por eventuais irregularidades, mas também em razão de disputas externas à Corte.

A discussão terminou sem decisão após Dino pedir vista da questão de ordem. Antes da suspensão, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e André Mendonça haviam se posicionado contra a reunião dos processos. Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes votaram pela tramitação conjunta. Dino, embora tivesse defendido a unificação, pediu que seu posicionamento não fosse contabilizado no placar provisório após solicitar vista.

O mérito das suspeitas relacionadas a Moraes não chegou a ser analisado pelo plenário. Segundo o STF, a votação estava limitada naquele momento à definição do rito e à possibilidade de julgamento conjunto das duas petições.

A paralisação teve efeito também sobre o processo relacionado a André Mendonça. Nesta quinta-feira (17), Fachin cancelou a sessão extraordinária que estava marcada para 23 de setembro para discutir a atuação do ministro. Uma nova data ainda não foi definida. O adiamento ocorreu porque a questão sobre a reunião dos processos continua pendente após o pedido de vista de Dino.

  • Jorge Vieira
  • 17/set/2026

AtlasIntel confirma liderança de Lula no 1º turno e aponta empate com Flávio Bolsonaro no 2º

O presidente Lula (PT) lidera as intenções de voto no primeiro turno das eleições presidenciais com 44,1% da preferência do eleitorado, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece na segunda colocação, somando 41,7%. A diferença entre os dois principais concorrentes ao Palácio do Planalto encurtou após um crescimento de cinco pontos percentuais registrado pelo parlamentar do PL.

De acordo com os dados colhidos no levantamento, a ascensão de Flávio Bolsonaro ocorreu no intervalo de duas semanas, tomando como base o início do mês de setembro. No mesmo período de avaliação, a pontuação do presidente Lula registrou um avanço de um ponto percentual.

A pesquisa também aferiu as intenções de voto de outros concorrentes na corrida de primeiro turno. Renan Santos (Missão) aparece na terceira posição com 5,1%, seguido pelo escritor e médico Augusto Cury (Avante), com 3,5%. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), contabiliza 1,7%; o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), soma 1,1%; e Samara (UP) obtém 0,7%. Eleitores que declararam voto em branco ou nulo representam 1,6%, ao passo que 0,5% dos entrevistados responderam que não sabem em quem votar.

A amostragem da AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.018 pessoas entre os dias 11 e 16 de setembro. O levantamento encontra-se devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06221/2026. A margem de erro do estudo é de um ponto percentual para mais ou para menos, acompanhada de um nível de confiança estatística de 95%.

Disputa e cenários de segundo turno

Na simulação direta de segundo turno entre os líderes das pesquisas, Flávio Bolsonaro passou numericamente à frente e atingiu 47,2% das intenções de voto, acumulando uma variação positiva de 0,4 ponto percentual em relação ao levantamento anterior. O presidente Lula aparece com 46,8%. Levando em consideração a margem de erro de um ponto percentual, ambos os pré-candidatos encontram-se em situação de empate técnico.

Além do embate direto entre Lula e o senador do PL, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg testou o desempenho do atual chefe do Executivo contra outros quatro potenciais adversários na segunda etapa do pleito:

  • Lula x Romeu Zema:O petista registra 46,3% ante 43,7% do governador mineiro.
  • Lula x Ronaldo Caiado:O presidente atinge 46% das intenções de voto contra 41,7% do governador goiano.
  • Lula x Augusto Cury:Lula lidera com 45,6% frente a 37,8% dados ao candidato do Avante.
  • Lula x Renan Santos:O presidente soma 46,1% das intenções de voto contra 29,7% do representante do Missão.

Avaliação do governo e aprovação do presidente

O levantamento detalhou os índices de aprovação e a avaliação do trabalho desempenhado por Lula no comando do país. O desempenho do presidente da República é desaprovado por 53,6% dos entrevistados da pesquisa, enquanto 45,4% declaram aprovar a atuação do petista no cargo.

A taxa de desaprovação ao trabalho pessoal do presidente permaneceu estável na comparação com o estudo divulgado no início de setembro. Em contrapartida, o índice de aprovação registrou uma elevação de um ponto percentual no mesmo período, retornando ao nível observado no mês de agosto.

Quando questionados especificamente sobre a gestão do Governo Federal, 51,5% dos entrevistados avaliam a administração como ruim ou péssima. O grupo que considera o governo ótimo ou bom reúne 40,9% dos eleitores. No recorte positivo, a avaliação favorável ao governo registrou um crescimento de três pontos percentuais desde o início do mês.

Receio sobre o resultado das urnas e índices de rejeição

A sondagem da AtlasIntel/Bloomberg pesquisou o sentimento de apreensão do eleitorado perante a possibilidade de vitória dos dois nomes mais votados. Segundo os dados divulgados, 46,6% dos pesquisados afirmaram ter medo ou preocupação com a eventual reeleição do presidente Lula. Em patamar equivalente, 46,2% disseram nutrir o mesmo temor diante de uma possível eleição de Flávio Bolsonaro.

Para 7% da população consultada, ambas as hipóteses de vitória provocam grau de preocupação idêntico, enquanto 0,2% dos participantes do levantamento informaram não saber responder à questão.

No que tange aos índices de rejeição dos pré-candidatos, o presidente Lula apresenta a maior taxa de recusa entre as figuras avaliadas, sendo rejeitado por 52% dos entrevistados. Na sequência aparece o senador Flávio Bolsonaro, rejeitado por 50,2% do eleitorado.

Por outro lado, o presidente também encabeça o levantamento de imagem positiva entre os concorrentes. Lula é avaliado de forma favorável por 45% dos entrevistados, ao passo que Flávio Bolsonaro registra 42% de imagem positiva. A imagem mais negativa do estudo pertence a Renan Santos, avaliado de forma desfavorável por 65% das pessoas ouvidas.

  • Jorge Vieira
  • 16/set/2026

São Luís finalmente tem Nova Lei de Zoneamento, Uso e Ocupação do Solo

Na manhã de terça-feira (15), a Câmara Municipal de São Luís finalmente concluiu a votação do Projeto de Lei Nº 0077/2026, que atualiza a Lei de Zoneamento, Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo da capital. Antes de alcançar 21 votos favoráveis dos vereadores, com um voto contrário às emendas e uma abstenção, a proposta tramitou por diversas etapas de votação técnica e regimental. O processo deliberativo teve início com a votação nominal dos pareceres das quatro Comissões Técnicas da Casa Legislativa envolvidas na análise do projeto. Os relatórios haviam sido lidos na sessão ordinária anterior, na segunda-feira (14).

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisou 133 emendas sob os aspectos constitucional, legal e de técnica legislativa, emitindo parecer favorável a todas as proposições. O Plenário aprovou o parecer da CCJ com apenas dois votos contrários: dos vereadores Douglas Pinto (PSD) e do Coletivo Nós (PT).

Em seguida, os parlamentares aprovaram os pareceres apresentados pelas demais Comissões Temáticas: Comissão de Mobilidade Urbana, Uso e Ocupação do Solo e Regulação Fundiária; Comissão de Orçamento, Finanças, Obras Públicas, Planejamento Urbano e Patrimônio Municipal; e Comissão de Meio Ambiente e Assuntos Portuários.

Concluída a apreciação dos pareceres, o Plenário avançou para a votação das emendas. Os parlamentares optaram por organizar a votação em dois blocos: um com as emendas aprovadas pelas Comissões e outro reunindo as emendas rejeitadas em ao menos um dos colegiados. O Plenário seguiu a orientação técnica dos pareceres e aprovou o bloco de emendas favoráveis, rejeitando o conjunto de propostas que haviam recebido pelo menos um parecer desfavorável.

Em votação separada, uma emenda aditiva apresentada pelo vereador Beto Castro (Avante) foi apreciada em destaque e aprovada pela maioria dos parlamentares. A proposição aborda o planejamento adequado do solo urbano, estabelecendo novas diretrizes para o beneficiamento de asfalto (processo industrial de produção, reciclagem ou tratamento de massas asfálticas) e a infraestrutura da capital.

Ao término da apreciação das emendas, a Mesa Diretora conduziu a votação em segundo turno e redação final da nova Lei de Zoneamento. O Projeto de Lei Nº 0077/2026 foi aprovado com 21 votos favoráveis e um voto contrário.

Durante os debates, o vereador Douglas Pinto (PSD) manifestou apoio ao texto-base original enviado pelo Executivo Municipal, mas posicionou-se contra as diversas alterações introduzidas pelas emendas parlamentares. Ele foi o único parlamentar presente a votar contra o texto final do projeto. “O meu voto é contra as emendas e, como eu votei na primeira votação, é a favor apenas do texto original e contra todas as emendas”, enfatizou Douglas Pinto.

Já o mandato do Coletivo Nós (PT) optou por se retirar do Plenário e não participou da votação em segundo turno, registrando discordância quanto à metodologia de votação das emendas em bloco.

Ressaltando a importância do avanço e a urgência na atualização da norma, o vereador Octávio Soeiro (PSB) destacou que os benefícios da nova lei superam eventuais riscos e enfatizou o impacto do projeto para o futuro da capital. “Hoje São Luís sofre com diversas sequelas, mas o benefício de votar essa Lei de Zoneamento, ele é muito maior do que o risco, porque São Luís tá engessada desde 92. O voto favorável é um voto não só para mapear as zonas da nossa cidade, é um voto para aqueles que residem e que residirão em nossa cidade, meus filhos, meus netos, enfim. Talvez nem impactará para as nossas vidas, mas impactará para as vidas futuras, para aqueles que sonham com uma São Luís ainda mais desenvolvida e ordenada no seu instrumento de planejamento urbano”, defendeu Octávio Soeiro.

  • Jorge Vieira
  • 16/set/2026

Em meio à crise no STF, Lula defende reforma do Judiciário em um quarto mandato: “vai acontecer”

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (15) que pretende promover uma reforma profunda do Poder Judiciário caso seja reeleito para um quarto mandato. A proposta, segundo ele, deverá discutir o tempo de permanência de magistrados nos cargos, os critérios de escolha de ministros e juízes e regras destinadas a reduzir conflitos de interesse.

Lula assumiu o compromisso durante entrevista ao vivo ao Jornal da Record, conduzida pelos jornalistas Mariana Godoy e Eduardo Ribeiro no Palácio da Alvorada. O presidente abriu o ciclo de entrevistas da emissora com candidatos ao Palácio do Planalto.

Questionado diretamente sobre se apresentaria ou apoiaria uma reforma do Judiciário em um eventual novo governo, Lula respondeu:

“Ela vai acontecer. Temos que mudar o critério de escolha das pessoas, o mandato das pessoas e também o critério de escolha de outros juízes, de outras instâncias.”

O presidente afirmou que a discussão não deveria ficar limitada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Para Lula, as mudanças precisam alcançar outras instâncias da Justiça e rever tanto a forma de seleção quanto o período de permanência de integrantes do Judiciário.

“Eu acho que nós temos que fazer uma reforma profunda no Poder Judiciário, em que a gente discuta o tempo de mandato, o critério de escolha do candidato e como a pessoa pode ser escolhida”, declarou.

Lula também vinculou a proposta à criação de regras mais rígidas para impedir situações que, em sua avaliação, possam gerar conflitos de interesse ou comprometer a confiança da sociedade na Justiça.

“Uma coisa tem que ficar clara: quem for ministro ou estiver no Poder Judiciário não pode querer ficar rico”, afirmou.

Na sequência, o presidente citou a atuação profissional de parentes de magistrados como um dos pontos que, em sua avaliação, precisam ser enfrentados.

“As pessoas não podem estar no Poder Judiciário e ter um filho, a mulher ou o pai advogando. Na própria Suprema Corte, é preciso criar critérios de moralização do Poder Judiciário brasileiro”, disse.

Lula não detalhou, durante a entrevista, qual deveria ser a duração de um eventual mandato para ministros do STF nem apresentou um modelo fechado para substituir as regras atuais. Ele afirmou que não pretendia fazer um “julgamento precipitado”, mas sustentou que o tema precisa integrar uma discussão mais ampla sobre o funcionamento da Justiça.

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que o Supremo realizou uma sessão extraordinária marcada por confrontos entre ministros durante a análise dos desdobramentos das investigações relacionadas ao caso Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A reunião teve acusações e divergências públicas entre integrantes da Corte.

Ao ser questionado sobre as suspeitas envolvendo integrantes do tribunal, Lula defendeu uma apuração ampla, independentemente de quem esteja sob investigação. “Não há ninguém, absolutamente ninguém, que possa fugir do julgamento quando há suspeitas e acusações contra ele”, afirmou.

O presidente acrescentou que eventuais responsabilidades precisam ser esclarecidas sem tratamento diferenciado. “É preciso investigar todos, sem distinção”, disse.

Lula também defendeu a divulgação das informações necessárias ao esclarecimento dos fatos e afirmou que o STF precisa preservar sua credibilidade perante a sociedade. Segundo ele, a posição ocupada pela Corte exige um padrão elevado de conduta de seus integrantes. “A instância máxima da Justiça brasileira precisa ser exemplo”, declarou.

Para o presidente, suspeitas sobre integrantes do Supremo devem ser examinadas até que os fatos estejam esclarecidos. “Na Suprema Corte, ninguém pode ficar sob suspeita. É importante apurar e, quem tiver cometido erro, que pague o preço que o povo brasileiro exige”, afirmou.

Mandato de ministros exigiria mudança constitucional

Pelas regras atuais, o STF é composto por 11 ministros escolhidos entre cidadãos com mais de 35 e menos de 70 anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada. A indicação cabe ao presidente da República e precisa ser aprovada pela maioria absoluta do Senado.

Os ministros não exercem mandatos com prazo determinado. Integrantes do Poder Judiciário estão sujeitos à aposentadoria compulsória aos 75 anos. Uma alteração estrutural no modelo de permanência e escolha dos integrantes do Supremo dependeria de mudança na Constituição.

A discussão sobre mandatos para ministros já havia entrado no debate político nos dias anteriores. Lula havia defendido publicamente uma discussão sobre o tema, enquanto o PT também passou a tratar da adoção de mandatos como parte de propostas de mudança no Judiciário.

Reforma de 2004

Na entrevista, Lula também citou a reforma do Judiciário aprovada durante seu primeiro governo como precedente para uma nova mudança institucional.

A principal alteração daquele período foi a Emenda Constitucional 45, promulgada em 2004. Entre outros pontos, a reforma instituiu o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), incorporou mecanismos relacionados à duração razoável dos processos e promoveu mudanças na estrutura do Judiciário.

A proposta que deu origem à reforma, porém, antecede a chegada de Lula à Presidência. A PEC 96 foi apresentada em 1992 pelo então deputado federal Hélio Bicudo e tramitou por mais de uma década até ser transformada na Emenda Constitucional 45 durante o primeiro mandato de Lula.

  • Jorge Vieira
  • 15/set/2026

Direita reacionária perde palanque se candidato a governador no Maranhão

A Justiça Eleitoral do Maranhão deu o tiro de misericórdia na tentativa da direita montar palanque para o candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL). Por unanimidade o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA) indeferiu o registro da candidatura do ex-senador Roberto Rocha (PRTB) ao Governo do Estado.

A decisão dos magistrados maranhenses cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral, mas para quem já vinha apresentando índices pífios de intenção de votos em todas as pesquisas dos mais diferentes institutos já divulgadas até agora, imagine se insistir concorrendo subjudice. Por ter sido rejeitado por unanimidade, é improvável que o TSE reformule a decisão da corte maranhense.

Roberto foi retirado da corrida ao Palácio dos Leões por força da lei não por articulação de supostos adversários, dentre os quais o ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-governador do Maranhão Flávio Dino, a quem acusa de perseguição, mesmo sem apresentar qualquer elemento de prova. Roberto teve a candidatura cassada  por dupla filiação partidária.

O ex-senador, que se converteu ao extremismo de direita após ter se sido eleito em 2014 por um partido de esquerda e com total engajamento de Flávio Dino não comprovou filiação ao PRTB no prazo de seis meses antes da corrida governamental como estabelece a lei. Esse sim o motivo real da sua exclusão da eleição.

Roberto Rocha foi retirado da corrida ao Palácio dos Leões após ter tido sua candidatura impugnada pela candidata ao deputada federal pelo partido Novo Lariane Telles Mendonça, que questionou a filiação do ex-senador ao PRTB com efeito retroativo a 4 de abril, e mostrando que naquela data, e semanas depois, o ex-senador continuou filiado ao Novo e se movimentando como tal.

Conforme a denúncia feita ao TRE-MA, Rocha se apresentou primeiro na condição de pré-candidato a senador ao Novo, e depois a governador. A autora da impugnação demonstrou a dupla filiação partidária de Roberto Rocha, levando a Justiça Eleitoral, com o aval do Ministério Público Eleitoral, a identificar a manobra e indeferir o registro em decisão plenária nesta segunda-feira (14).

O ex-parlamentar, que se radicalizou ao assumir a bandeira do bolsonarismo, portanto, não terá condições de ajudar Flávio Bolsonaro, que permanece sem palanque oficial no Maranhão e tem se limitado a agravar apoios a candidatos a deputado e ao candidato ao Senado Cidônio Gonçalves (PL).

Roberto Rocha tem todo direito de espernear, até de  culpar adversários pelo seu fracasso político, mas é fato que ele está fora da corrida eleitoral porque o Novo o rejeitou. Acostumado a mudar de partido como se troca peça de roupa, o agora político de direita, antes de desembarcar no PRTB teve passagens no PSDB, PSB, PTB e Novo; flertou também o PL e MDB. Agora se ferrou ao tentar dar uma de esperto e tentar ludibriar a justiça eleitoral.

A verdade é que a candidatura de Roberto nunca chegou a incomodar adversários, nunca conseguiu ultrapassar três pontos percentuais de intenção de votos. Sempre figurou em quarto lugar nas pesquisas, atrás de Felipe Camarão (PT) e sem o menor poder de reação.

Sua ausência na corrida às urnas, portanto, em nada influenciará no resultado da eleição para governador do Maranhão, ficará registrado apenas como mias um fracasso político pessoal.

  • Jorge Vieira
  • 14/set/2026

Pesquisa BTG\Nexus: Lula lidera primeiro turno e empata com Flávio no segundo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a corrida presidencial com 42% das intenções de voto, ante 37% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e aparece numericamente à frente de todos os adversários testados no segundo turno. Os dados são da 14ª rodada da pesquisa Nexus, divulgada nesta segunda-feira (14).

No principal cenário estimulado de primeiro turno, conforme o levantamento da Nexus, o escritor Augusto Cury aparece em terceiro lugar, com 6%, seguido pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, com 5%. Renan Santos registra 2%, enquanto o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e os demais candidatos somam 1% cada.

Os votos brancos e nulos representam 4% da amostra, e 2% dos entrevistados não souberam ou não responderam. A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro é de cinco pontos percentuais.

Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Lula também ocupa a primeira posição, com 40%. Flávio Bolsonaro soma 34%, Augusto Cury tem 5%, Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 2% cada, e Zema registra 1%. Outros nomes totalizam 2%, enquanto 4% declaram voto branco ou nulo e 10% permanecem indecisos.

A comparação com a rodada anterior mostra crescimento dos dois principais candidatos no voto espontâneo. Lula passou de 39% para 40%, enquanto Flávio avançou de 31% para 34%. A parcela de eleitores que não souberam responder caiu de 13% para 10%.

No cenário estimulado principal, Lula oscilou de 39% para 42%. Flávio Bolsonaro variou de 35% para 37%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, as oscilações individuais ocorreram dentro desse intervalo.

Lula e Flávio estão empatados no segundo turno

Em uma eventual disputa direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente registra 47% e o senador alcança 46%. A diferença de um ponto configura empate técnico dentro da margem de erro. Brancos e nulos somam 6%, e 1% não soube ou preferiu não responder.

Na rodada anterior, Lula e Flávio estavam empatados numericamente, com 46% cada. O novo levantamento, portanto, mostra oscilação positiva de um ponto para o presidente, enquanto o senador permaneceu no mesmo patamar.

A polarização entre os dois também aparece na firmeza das escolhas. Entre os entrevistados que manifestaram uma preferência na simulação de segundo turno, 89% afirmaram que a decisão já está tomada e não deverá mudar até a eleição. Outros 11% admitem rever o voto.

A pesquisa calculou ainda pisos e tetos eleitorais para esse confronto. Lula possui piso de 43% e pode chegar a 49%, enquanto Flávio Bolsonaro varia entre 41% e 47%. A estimativa considera tanto os eleitores convictos quanto as segundas opções daqueles que admitem mudar de candidato.

Presidente vence Caiado, Zema e Renan Santos

A vantagem de Lula aumenta nas simulações contra os demais nomes. Diante de Ronaldo Caiado, o presidente marca 47%, contra 41% do governador goiano. Nesse confronto, 11% votariam em branco ou anulariam, e 1% não respondeu.

Contra Romeu Zema, Lula alcança 49% e abre 11 pontos de vantagem sobre o governador mineiro, que registra 38%. Brancos e nulos representam 11%, enquanto 1% não soube responder.

Em uma disputa com Renan Santos, o presidente aparece com 48%, ante 37% do adversário. Outros 14% optariam por voto branco ou nulo, e 1% não respondeu.

O confronto com Augusto Cury é mais apertado. Lula tem 45% e o escritor, 42%, uma diferença de três pontos que caracteriza empate técnico. Brancos e nulos somam 11%, e 2% não souberam ou não responderam.

Nordeste sustenta maior vantagem de Lula

O levantamento identifica divisões expressivas por sexo, idade, renda, religião e região. No principal cenário de primeiro turno, Lula lidera entre as mulheres por 47% a 33%. Entre os homens, Flávio Bolsonaro aparece à frente, com 42%, contra 37% do presidente.

Lula obtém seu melhor desempenho entre os eleitores com 60 anos ou mais, grupo no qual registra 51%, ante 33% de Flávio. O senador lidera entre os entrevistados de 25 a 40 anos, por 41% a 36%. Na faixa de 16 a 24 anos, há empate técnico: Lula marca 36% e Flávio, 35%.

A diferença também é acentuada por escolaridade. Lula alcança 55% entre os eleitores com ensino fundamental, contra 30% de Flávio. O senador lidera entre aqueles com ensino médio, com 42%, enquanto o presidente tem 34%. No ensino superior, há equilíbrio: 39% para Lula e 38% para Flávio.

Entre os católicos, Lula lidera por 48% a 33%. Flávio Bolsonaro mantém ampla vantagem entre os evangélicos, com 52%, diante de 27% do presidente. Lula registra 56% entre os eleitores sem religião, contra 22% do senador.

O Nordeste concentra o melhor resultado regional de Lula no primeiro turno: 57%, ante 27% de Flávio Bolsonaro. O presidente também lidera no Sudeste, por 42% a 33%. Flávio fica à frente no Norte e Centro-Oeste, com 42% contra 35%, e no Sul, onde alcança 61%, diante de 25% de Lula.

A divisão regional permanece no confronto direto de segundo turno. Lula marca 61% no Nordeste e Flávio, 33%. No Sudeste, o presidente tem 48% e o senador, 43%. Flávio lidera por 53% a 39% no Norte e Centro-Oeste e por 68% a 29% no Sul.

Maioria declara voto consolidado

Entre os eleitores que escolheram algum candidato no primeiro turno, 83% afirmaram que não pretendem mudar de voto até outubro. Outros 17% disseram que ainda podem rever a decisão.

A preferência está mais consolidada entre os apoiadores dos dois líderes. Entre os eleitores de Lula, 89% consideram definitiva a escolha. No grupo que declara voto em Flávio Bolsonaro, 86% dizem que a decisão não mudará.

O levantamento também aponta elevado interesse pela disputa. Ao todo, 81% dizem estar muito interessados ou razoavelmente interessados nas eleições presidenciais. Outros 16% demonstram pouco ou nenhum interesse, e 2% não responderam.

A intenção declarada de comparecimento chega a 96%: 91% afirmam que já decidiram votar e 5% dizem que provavelmente irão às urnas. Apenas 3% indicam que provavelmente não votarão ou já decidiram justificar a ausência.

A Nexus entrevistou 2.003 eleitores por telefone, pelo sistema CATI, entre 11 e 13 de setembro. A pesquisa tem abrangência nacional, margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04076/2026.

  • Jorge Vieira
  • 11/set/2026

Campanha de Rubens Pereira Jr. muda o jeito de falar com o eleitor no Maranhão

A campanha de reeleição do deputado federal Rubens Pereira Jr. (PT-MA) começou fora do roteiro conhecido da política maranhense. No lugar do palanque com fila de discursos, os dois eventos de lançamento foram estruturados como uma apresentação conduzida pelo próprio candidato, em um formato mais próximo de uma palestra de tecnologia ou do anúncio de um produto novo do que de um comício.

O primeiro encontro aconteceu em São Luís e o segundo na Região Tocantina. Juntos, reuniram quase 10 mil pessoas. Em cada um deles, o deputado apresentou os resultados do mandato, explicou o conceito da campanha, detalhou os compromissos assumidos para o próximo período e reuniu no mesmo espaço as lideranças que sustentam sua base política.

A montagem dos eventos incluiu pontos de ativação tecnológica espalhados pelo ambiente, com uso de inteligência artificial e de ferramentas pensadas para que o eleitor participasse da campanha em vez de apenas assistir a ela. A ideia era transformar o público presente em parte do conteúdo, e não em plateia.

O efeito apareceu rápido. Além dos eventos, a linguagem e estratégia da comunicação digital trouxe resultados que deixaram candidatos majoritários com ciúmes. Antes mesmo de a campanha completar um mês, as redes sociais do parlamentar registraram mais de 32 milhões de visitas e um ganho de 30 mil novos seguidores. Esse é o número que mais importa: neste momento da campanha, cada novo seguidor é, em potencial, um novo eleitor alcançado sem intermediário.

O vídeo de lançamento da campanha ultrapassou 16 milhões de visualizações. Na comparação da Biblioteca de anúncios da Meta com outros políticos que disputam votos no mesmo território, a campanha de Rubens tem registrado o maior alcance e o maior engajamento, tanto na produção orgânica quanto nos anúncios, com peças que chegam a milhões de visualizações individualmente.

Por trás do desempenho não há um truque de algoritmo. O que a equipe aponta como diferencial é um planejamento fechado antes do primeiro post, um conteúdo pensado peça a peça e uma linguagem construída a partir de estratégias de neurociência aplicada, alinhada ao jeito como o cidadão fala sobre a própria vida. Em vez de adaptar o discurso parlamentar para a internet, a campanha partiu do que o eleitor já conversa no dia a dia e levou a política até ali.

A aposta também redefine o papel do evento presencial. Os lançamentos não terminaram quando o público foi embora: cada um deles foi concebido para gerar material de vídeo, cortes, registros e dados que alimentam as redes nas semanas seguintes, ampliando para milhões de pessoas um encontro que reuniu milhares.

A campanha segue com novos formatos previstos para as próximas semanas, mantendo a combinação entre presença física no interior do estado e produção digital de alta frequência.

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