O governador Flávio Dino (PCdoB), através de sua rede social, recomenda que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pare de falar bobagem e ligue para o presidente da China a fim de destravar o envio de insumo do país asiático para a fabricação da CoronaVac, vacina produzida pelo Instituto Butantan, ameaçada de ter sua produção paralisada por falta de matéria prima.
“É urgente que o presidente do Brasil telefone para o presidente da China a fim de destravar os insumos para que o Butantan produza mais vacinas. Cada dia de demora custa milhares de vidas. Chega de falar bobagens e de negligência”, disse o governador do Maranhão.
O Butantan depende da chegada dos insumos para continua a fabricação do imunizante, mas as constantes declarações do presidente contra o governo chinês tem dificultado a liberação da matéria prima. Semana passada, o diretor do Instituto Dimas Covas fez a seguinte observação: “Todas essas idas e vindas do governo federal, obviamente têm impacto no ritmo da liberação”.
Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo – Protagonista dos principais bate-bocas na primeira semana de CPI da Covid, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) avalia que a comissão caminha para chegar a constatações comprometedoras para o governo de Jair Bolsonaro. Após os três primeiros depoimentos, ela vê evidências de que o presidente prestigiou posições políticas e ideológicas na condução da pandemia.
Embora não seja integrante formal da CPI da Covid, Eliziane se envolveu em alguns dos debates mais acalorados que marcaram o início dos trabalhos. Ela classificou como “machista” uma insinuação do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, de que as parlamentares estavam desinteressadas na comissão.
Coube a Eliziane liderar a reação à tentativa de aliados do governo de romper o acordo que garantiu às mulheres o direito de se manifestar na parte inicial das reuniões. “Muitos parlamentares da base estão emocionalmente abalados”, disse ela ao Estadão. “Não queriam a voz das mulheres na CPI.”
A julgar pelos depoimentos até agora, qual caminho a sra. vê para a CPI da Covid?
A gente começa a constatar de forma mais real, com os depoimentos, aquilo que vínhamos percebendo na postura do presidente, que é colocar as questões ideológicas e políticas acima das questões científicas e técnicas. Vimos isso nos depoimentos do Teich e do Mandetta (Nelson Teich e Luiz Henrique Mandetta, ex-ministros da Saúde). E quando conversamos com Queiroga (Marcelo Queiroga, atual titular da pasta), nós o vemos liso, tenso, com medo de desagradar ao presidente, com medo de falar o que realmente pensa. Ele tinha medo de como isso poderia repercutir na permanência dele no cargo.
O que classifica como mais grave, nos depoimentos, até aqui?
Colocar as questões ideológicas acima da ciência. Isso significa vidas perdidas. Tentar, por exemplo, mudar uma bula, criar um protocolo à revelia das orientações da ciência é, no meu entendimento, algo criminoso. O Teich, mesmo não querendo atacar o governo, deixou claro que saiu por causa da cloroquina. Queiroga não quis fazer juízo de valor da fala do presidente, mas claramente não concordava.
O que espera da investigação sobre a compra de vacinas?
Tivemos, lá atrás, a disposição da Pfizer de fazer contrato com o Brasil e isso não foi para frente. Se tivessem levado para frente, teríamos iniciado com 70 milhões de doses. E hoje ainda não temos isso. O ministro Marcelo Queiroga disse que não teria como ter começado antes porque a Inglaterra só começou em dezembro. Que começasse em janeiro, mas com 70 milhões de doses. Com mais 15 ou 20 milhões do Instituto Butantan, começaríamos com a possibilidade de imunizar 40 milhões de brasileiros. Se foi feita alguma ação condicionada do governo com relação a esse contrato, é muito clara a responsabilidade do governo no que estamos vivenciando hoje no Brasil. Temos mais de 410 mil mortes. O governo pode ter grande parcela de culpa com relação a essas mortes.
Nos depoimentos do atual ministro da Saúde e de seus antecessores houve um foco na cloroquina. A sra. acredita que esse é o melhor caminho para a investigação?
Não é só isso. O Mandetta diz que viu documento na mesa com proposta de mudança da bula da cloroquina. O Teich não ficou por causa da pressão. Todo o debate esbarra nisso. Por que tanta fixação na cloroquina? Essa fixação faz a gente querer estudar mais profundamente.
Na última live, o presidente disse que “frase não mata ninguém”. A sra. acha que é possível responsabilizá-lo por declarações e por condutas que provocam aglomerações?
Lá atrás as pessoas falavam: ‘Ah, ele fala muita besteira, mas corre atrás, conseguiu mandar a ajuda emergencial de R$ 600, apoiou a iniciativa do Congresso em relação à compensação do Fundo de Participação dos Municípios e Estados’. Sempre colocavam que ele é meio falastrão, mas age diferente. A ajuda de R$ 600 foi construída dentro do Congresso, o governo queria R$ 200. A compensação para Estados e Municípios, a ajuda para o profissional liberal, o Pronamp, as linhas de financiamento, o orçamento de guerra, tudo foi puxado pelo Congresso. O governo veio depois. Hoje fica muito claro que não era só ser falastrão. Não era só o ‘E daí?’. Esse ‘e daí?’ era materializado quando tentava se impor medicação atendendo sabe-se lá a qual tipo de pleito. É uma coisa meio lunática, desequilibrada. Quando ele diz que máscara não é isso tudo, quando promove aglomeração e ignora uso do álcool em gel claro que é ação que estimula mortes no Brasil. Isso é um fato.
As senadoras fizeram um movimento para ter voz no início dos trabalhos da CPI. Isso incomodou alguns senadores, principalmente os mais governistas. Por quê?
Quando vimos que não tinha nenhuma mulher como membro da CPI, qual análise fizemos? No melhor cenário, uma mulher seria a 19ª a falar, já de noite, com todos enfadados. Pedimos e o presidente da CPI, Omar Aziz, nos colocou como primeiras, após o vice-presidente. Criou-se toda uma celeuma, uma revolta de alguns colegas com o fato de a gente falar. Falaram que a gente só ia bater no governo, mas temos senadoras da base do governo, da oposição e independentes.
Houve esforço para que senadores de oposição não falassem ou havia machismo?
Havia machismo. O grupo de mulheres é da base e da oposição ao governo. Se temos mulheres de todos os lados, o que me resta de opção é: não queriam a voz das mulheres na CPI. Se fosse um debate de base e de oposição, eles estariam brigando pela presença de mulheres da base. O problema não era estar ligado ao governo ou não, mas não querer a presença feminina ali.
A entrada das senadoras nessa briga por espaço também se deve à provocação feita pelo senador Flávio Bolsonaro no dia da instalação da CPI?
Flávio chega e reprova a nossa falta de indignação, dizendo que não fazíamos questão de estar na CPI. Eu falei para ele que não era verdade, que não estávamos como membros, mas nos faríamos presentes. Foi inclusive ali que fizemos o pedido para ter direito à fala. No dia seguinte, a gente vem para fazer a intervenção e os parlamentares da base do governo dizem que a gente não podia falar (alegando questões regimentais, de que os titulares e suplentes têm preferência sobre os não membros). É uma contradição. Sabe o que acho? Muitos parlamentares da base estão emocionalmente abalados, pessoas que têm até postura de muito equilíbrio de repente ficaram desorientadas. Veja o próprio Ciro Nogueira (líder da tropa de choque do governo na CPI). A gente não percebia Ciro nesses arroubos. De repente, está totalmente desequilibrado. É muito nítida a tensão na base do governo.
Mudou algo na conduta do governo ou na dos governistas, com relação à pandemia, após o começo da CPI?
Sinceramente, acho que não há ainda uma mudança de postura com relação à pandemia. Mas, dentro do plenário, sinto que eles estão meio tensos. Num primeiro momento, o presidente começou a usar máscara, mas depois acabou recuando. Nos últimos dias, o presidente e o governo têm endurecido a fala.
Mesmo com o aumento da pressão?
O presidente fala muito para o público dele, de 30% da população, que faz o apoiamento. Parece que, quando ele está tenso, tenta puxar isso para a sua claque, para tentar estimular que ganhem as ruas.
Que pontos o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello deve esclarecer no depoimento do dia 19?
É o mais esperado e o mais importante até o presente momento. Ele passou tempo importante no governo, disse que ‘um manda e o outro obedece’. Claramente, é alinhadíssimo com a orientação do presidente. Foi no momento dele que tivemos quase 4 mil mortes por dia, que tivemos o pedido de oxigênio para Manaus e o envio de cloroquina. A presença dele é muito importante. Ele sabe o que pode surgir lá e está criando todas as formas de impedir.
Diário 98 – O jornal Folha de São Paulo publicou no último final de semana uma matéria afirmando que a base do governo Flávio Dino estaria sendo “chacoalhada” pelas movimentações de Lula.
Uma grande “barrigada” da Folha. A quem interessa esta narrativa?
Flávio Dino sempre apoiou Lula. No auge do processo de impeachment, o governador liderou a denúncia da transformação da Operação Lava Jato num movimento político de desestabilização do governo Dilma. No dia da queda da ex-presidenta, Flávio Dino foi um dos que saiu de braços dados com ela de dentro do Palácio do Planalto.
Logo após a consumação do Golpe, Dino passou a liderar a campanha “Lula Livre” pelo país. Votou nas eleições de 2020 com uma camiseta com estes dizeres e participou ativamente da defesa do ex-presidente.
Como gesto de gratidão, Lula tem dito para todos que seguirá no Maranhão o que Flávio Dino decidir. Esta frase tem sido pronunciada para todos os interlocutores do estado com os quais o ex-presidente tem se encontrado, fato estranhamente omitido na matéria da Folha.
A base de Dino continua unida, forte e crescendo. O deputado estadual Zé Inácio do PT/MA é o novo vice-líder do governo na Assembleia.
Após apoiar o deputado federal Baleia Rossi, do MDB, para a presidência da Câmara, o deputado Márcio Jerry, presidente do PCdoB-MA, promoveu um encontro público na última semana com o deputado estadual Roberto Costa, presidente do MDB no Maranhão.
A conjuntura mudou drasticamente desde a primeira eleição de Flávio Dino. O Brasil vive uma ameaça autoritária, obscurantista. O momento exige a união de todas as forças do campo democrático para dar continuidade aos avanços do Dinismo e eleger Lula Presidente.
O vice-governador Carlos Brandão (PSDB) tem se esforçado muito em ajudar o governador Flávio Dino (PCdoB) na luta contra a pandemia do novo coronavírus e em missões que lhe são delegadas, mas não descuida da articulação visando as eleições de 2022, quando estará no comando do estado e deverá ser candidato a reeleição, único cargo eletivo a que poderá concorrer.
Brandão mapeou as regiões do estado e criou grupos de trabalhos comandados por políticos experientes que estão percorrendo os municípios e conversando com lideranças políticas e prefeitos sobre os problemas mais urgentes das comunidades e sentindo o pulso dos mesmos sobre preferência para sucessão governamental, porém, sem exercer qualquer forma de pressão ou tentativa de convencimento.
Segundo revelou ao blog um desses coordenadores de grupo que estão percorrendo o interior do estado, o governador Flávio Dino continua muito bem avaliado pelas lideranças municipais e terá um peso substancial na eleição do futuro governador do estado, sendo ele candidato a senador, vice-presidente ou até mesmo presidente da República.
“O que eu tenho ouvido dos prefeitos e lideranças é o seguinte: “se o governador me perguntasse qual o nome que eu gostaria que fosse candidato, responderia o senador Weverton Rocha (PDT), mas apoiarei o nome que ele (Dino) indicar”, revelou a fonte sob condição de anonimato. Segundo a mesma fonte, a resposta de alguns prefeitos deixou o grupo bastante animado.
A animação tem como motivo principal o indicativo de que o governador Flávio Dino já fez sua opção pelo vice-governador, conforme sugeriu o ex-governador José Reinaldo Tavares em recentes entrevistas a emissoras de rádio e televisão, o que facilitaria as conversações futuras com os chefes de Executivos municipais sobre o apoio a Brandão.
Os esforços do Governo do Maranhão na luta contra a pandemia do coronavírus ganharam destaque nacional pela Revista Veja. Na publicação, são destacados os esforços do Maranhão no combate à Covid-19.
A reportagem analisa a taxa de letalidade em todo o país, tendo como base os números coletados em todos os estados brasileiros (índice de mortes pro Covid-19 a cada 100 mil habitantes no Brasil). É mostrado, ainda, que o Maranhão, com 105,1, apresenta uma taxa menor que outros países, como Itália (202,34), Reino Unido (191,26), Estados Unidos (176,48), Argentina (146,57), entre outros.
“Comparado à dimensão da tragédia brasileira, o bom resultado obtido até aqui com o programa de redução de danos do Maranhão não foi obra do acaso”, cita a matéria, ao destacar iniciativas lideradas pelo Governo do Maranhão, que mostraram ser efetivas em incentivar a população a seguir as normas sanitárias e, também, ao conseguir insumos e materiais necessários para a saúde de todo o Estado.
Entre os esforços do Maranhão no combate à Covid-19, está, por exemplo, a criação da Rede solidária, formada entre a Secretaria de Indústria, Comércio e Energia (Seinc) e a classe empresarial, que se tornou crucial para reduzir os impactos da pandemia.
Com esta parceria, feita com mais de 100 empresas, foram realizadas: a compra e a arrecadação de mais de 200 ventiladores mecânicos, que foram distribuídos para toda a rede de saúde do Maranhão; a doação de equipamentos de saúde para a rede estadual, como termômetros, colchão para leitos de UTI, face shields, álcool 70%, produtos de limpeza e caixas térmicas para a armazenagem de vacinas, além da entrega de mais 800 mil m³ de oxigênio medicinal e cestas básicas; e a implantação de quatro hospitais de campanha no Maranhão, como nos municípios de Pedreiras, Bacabal, São Luís e Imperatriz (totalizando 277 leitos).
Para o secretário Simplício Araújo, da Seinc, a parceria do Governo do Estado com a classe empresarial se tornou um diferencial do Maranhão em saber dialogar e criar novas estratégias para vencer desafios sanitários e econômicos.
“Estes dados positivos relacionados ao Maranhão evidenciam o êxito e a eficiência do diálogo que temos mantido com as empresas desde o início. É um reforço de que, unidos, podemos crescer e estimular o crescimento sempre”, avaliou o secretário.
Por Marina Oliveira
Congresso em Foco – Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), um dos principais opositores de Jair Bolsonaro, faz duras críticas ao governo, mas diz ser favorável que se investiguem estados e municípios na CPI da Covid.
Entre os temas abordados por Dino estão a organização de governadores via WhatsApp no combate à pandemia, a corrida por vacinas como a Sputinik V, que teve licença negada pela Anvisa na semana passada, além do protagonismo do Maranhão ao recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o governo realize o Censo 2021.
Veja a íntegra da entrevista:
Sobre as eleições de 2022, Flávio Dino diz querer concorrer a uma vaga no Senado e afirma haver condições para que seja formada uma candidatura de centro-esquerda que faça frente a Jair Bolsonaro. De acordo com o governador, o presidente está fora da Constituição. “Bolsonaro é inconstitucional ele próprio. Ele todinho, do cabelo ao pé é incompatível com a Constituição Federal, em tudo. […] Ele é um presidente inconstitucional. Nós temos que fazer com que o campo da Constituição se una, no primeiro ou no segundo turno, em 2022”.
Dino também defende o impeachment e diz que apesar das diferenças com o general Hamilton Mourão vê no militar mais espaço para diálogo do que na figura de Bolsonaro.
Leia trechos da entrevista:
Congresso em Foco (CF): desde o início da crise da covid o senhor tem sido bastante crítico com relação a atuação do governo federal na condução da crise. O que faltou pensando em articulação, planejamento entre a esfera federal e estadual?
Flávio Dino: No caso do plano nacional faltou, sobretudo, seriedade, decência, faltou humanismo e solidariedade. A ausência destes componentes, decisivos para quem governa, fez com que se estabelecesse uma disparatada, uma desatinada premissa negacionista, que conduziu uma série de omissões e também de ações. Omissões, por exemplo, no que se refere a uma campanha informativa liderada pelo governo federal acerca das boas práticas sanitárias, do uso de máscara, tudo o que a ciência fixou como diretriz em âmbito mundial.
Ações também desalinhadas àquilo que a ciência recomenda no que se refere à promoção de aglomerações inusitadas com fins politiqueiros, eleitoreiros, coisas fora de hora. Isso tudo que está sendo sublinhado por esta CPI instaurada no Senado. A premissa negacionista, portanto, é o que explica todos os equívocos que aconteceram no que se refere ao abastecimento de insumos, de respiradores, de anestésicos, de oxigênio, falta de vacinas.
É uma doença grave, causa mortes, mas este efeito terrível poderia ter sido fortemente mitigado em âmbito nacional. Para agravar essas circunstâncias tivemos estados e municípios lutando bravamente em defesa da Saúde, sofrendo uma intensa sabotagem por parte da esfera federal, levando a um arranjo institucional praticamente confederativo e não federativo, isto é, autonomia dos estados sendo levadas ao extremo para suprir omissões, ações erradas do plano federal. Na medida em que há este alargamento das autonomias, acaba que se evidencia ainda mais a ausência da chamada coordenação nacional.
O senhor chegou a criticar, na época da criação do comitê da covid, que os governadores não foram chamados para debater. Como é essa organização paralela dos governadores? Como se organizam para dimensionar essa crise e cascatear informações que chegam do governo federal sem estar todo mundo unido?
Quando foi constituído este tal comitê nacional com um ano de atraso, nós alertamos muito enfaticamente e formalmente que isso não daria certo. Até por uma imprecisão terminológica. Inconstitucional, uma vez que a Constituição alude à constituição dos três entes que compõem a federação. Como se faz um comitê nacional sem estados e municípios? O que nós dissemos se confirmou. Que este comitê nacional era apenas algo retórico, que não produziria nenhum efeito prático e ai está, ninguém nunca mais ouviu falar do tal comitê nacional criado por um decreto do presidente. Decreto errado.
Pedimos a revisão, não houve sequer resposta e ai nós temos aquilo que nós mencionamos como federalismo cooperativo horizontal, os estados se articulando entre si sem que haja verticalidade inerente à forma federativa. Não é o ideal, mas é o que nós conseguimos construir e fazemos isso diariamente, com os consórcios, fóruns regionais de governadores e o fórum nacional que está em reunião permanente por intermédio do grupo de WhatsApp, que mantemos dos 27 estados e é por ali que construímos documentos, políticas, trocamos informações sobre procedimentos, o que está dando certo, o que pode dar mais certo, informando sobre proposições mitigadoras socioeconômicas.
O ideal é que houvesse um comitê nacional de verdade, mas até hoje não existiu, quem sabe a CPI do Senado consiga adotar neste passo institucional imprescindível e que estranhamente, até agora não foi adotado.
A CPI da Covid vai também investigar governos e municípios. Os senhores estão dispostos a irem depor na comissão? Qual a sensação dos governadores com relação à comissão?
Temos de separar o joio do trigo. Uma coisa são investigações legítimas, que fazem parte da vida republicana. Eu defendo investigações. O que sou contra é o estabelecimento de perseguições. A milicianização de instituições para servir a propósitos de pequenos grupos, de poderosos de ocasião. Isso é a separação que temos de fazer.
A CPI no Senado pode e deve investigar o uso de recursos federais em estados e municípios, mas com seriedade, moderação, compromisso aos fatos e não repetindo fake news, mentiras de que eram bilhões ou trilhões e que todos os governadores roubaram.
O senhor é uma opção para a corrida eleitoral presidencial de 2022?
Eu venho afirmando que o meu projeto principal que busco hoje é a candidatura ao Senado pelo Maranhão. É claro que tudo está ainda muito aberto. Temos de esperara, dar tempo ao tempo, ver como as forças políticas do campo progressista popular vão convergindo, mas realmente tenho hoje uma visão mais relacionada à política estadual e colaborar com a nacional. Acima de tudo com essa visão de convergência do campo progressista para que a gente derrote o bolsonarismo. Tenho dois grandes objetivos nas eleições de 2022. O primeiro é a busca do Senado pelo Maranhão e por outro lado derrotar o bolsonarismo porque o Brasil não aguentaria mais quatro anos de desastre. Minha colaboração é: o que podemos fazer para evitar mais quatro anos de governo desastrado, incompetente, improbo, que temos atualmente.
E o que é capaz de fazer?
Aquilo que a história brasileira ensina, uma maior convergência. Num primeiro momento no campo popular progressista, mais da esquerda e dialogando com as forças mais ao centro. Foi esse tipo de pacto que já houve em vários momentos, que permitiu o avanço.
Como conversar com o centro sendo um partido de esquerda?
É um exercício diário e nós experimentamos isso com muito êxito quando Rodrigo Maia (DEM-RJ) era presidente da Câmara. Se nós temos hoje um novo Fundeb devemos a este tipo de pacto. Bolsonaro não queria Fundeb. Se foi possível sustentar a presidência do Rodrigo Maia na Câmara, que não é do nosso campo, mas que tinha abertura para dialogar, embora tivéssemos muitas diferenças com ele, conseguimos avanços. Essa experiência pode ser uma sugestão do que é produtivo, do que funciona e há tempo porque temos ainda uma longa estrada. Temos as prioridades de 2021 que devem estar na frente. Vamos ver 2022 em 2022.
Vimos em 2018 que majoritariamente essas forças centristas caminharam por ação ou por omissão com Bolsonaro e nós temos que criar um ambiente em que consigamos que deste campo, que eu situo nos marcos da Constituição de 1988, o candidato que passar tenha o apoio do outro. Porque o Bolsonaro está fora da Constituição. Bolsonaro é inconstitucional ele próprio. Ele todinho, do cabelo ao pé é incompatível com a Constituição Federal. Em tudo. […] Ele é um presidente inconstitucional. Nós temos que fazer com que o campo da Constituição se una, no primeiro ou no segundo turno, em 2022.
O ex-presidente Lula voltou ao cenário eleitoral, esteve em Brasília essa semana. Há alguma articulação com o PT? Como fica uma possível candidatura de esquerda enfrentando Lula?
O PT é o maior partido do nosso campo político e tem essa liderança que é o ex-presidente Lula, talvez a maior liderança da nossa história. É natural que ele tenha um papel de coordenação, de direção, de liderança desse processo. Tenho conversado muito com ele e vejo essa disposição ao diálogo e acho que esse é o caminho. Ele pode ser o candidato se de fato esse for o caminho que ele próprio coloque com o partido dele porque é um nome que tem todos os atributos para ser esse elemento de convergência, ou dependendo da avaliação em 2022 o PT apoiar alguém seria normal.
Partidos de esquerda têm falado muito sobre impeachment. Essa é a saída?
Considerando que estamos em meio a uma pandemia pessimamente gerida, o impeachment é imprescindível. É um imperativo da hora presente para salvar vidas. Tenho certeza que o vice-presidente Hamilton Mourão, com quem tenho óbvias diferenças ideológicas, seria um gestor com mais atributos, qualidades e capacidades cognitivas para poder entender o que está se passando no Brasil e no mundo e, com isso, poder governar melhor. Sou daqueles que acham que todo momento é propício para fazer impeachment diante de um governo tão desastrado e inconstitucional e de um presidente da república tão amigo dos crimes de responsabilidade.
O presidente nacional do PSD, ex-ministro Gilberto Kassab, segundo fonte segura, deseja ter o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Junior (sem partido) disputando o Governo do Estado nas eleições de 2022 pelo partido.
A legenda comandada no Maranhão pelo deputado federal Edilázio Júnior, segundo a mesma fonte, vê o ex-prefeito com o perfil ideal para concorrer ao Palácio dos Leões e aguada sua manifestação. Edivaldo, no entanto, permanece em silêncio.
Antes mesmo do anúncio oficial de que estaria deixando o PDT após cinco anos de convívio com o senador Weverton Rocha, emissários de Kassab tentaram por diversas vezes firmar compromisso com Edivaldo, mas o ex-prefeito estaria avaliando outras possibilidades.
Nos bastidores da sucessão são fortes os comentário de que o PL também estaria interessado em ter Edivaldo como seu candidato e até já teria lhe oferecido sua base composta de 42 prefeitos, mas Edivaldo continuaria achando que é muito cedo para definir futuro partidário.
“Nós tomamos conhecimento de que o PL lhe ofereceu o partido para concorrer, mas sinceramente, vejo ele (Edivaldo) mais com nosso perfil”, disse ao blog uma fonte do PSD sob a condição de anonimato.
Semana passada, durante uma entrevista ao programa Contraponto, da Rádio Timbira, o deputado César Pires, que estará se filiando ao PSD em abril de 2022, na abertura da janela partidária, revelou que durante uma reunião com Kassab e Edilázio, em Brasília, foi apresentado um nome para concorrer ao governo e Kassab ficou animado.
A princípio as atenções se voltaram para o empresário Lobão Filho, que também deverá se filiar ao PSD, mas fontes acabaram revelando que o nome que teria deixado o ex-ministro empolgado foi o do ex-prefeito Edivaldo Holanda Junior