Dos 27 tribunais de justiça do país, 15 publicaram seus salários, até ontem. No Tribunal de Justiça do Amazonas todos os 19 desembargadores receberam, em junho, acima do teto constitucional. A média foi de R$ 57,2 mil no mês. Nestes casos, os valores são aumentados devido ao pagamento da Parcela Autônoma de Equivalência (PAE), que são passivos trabalhistas derivados de vantagens eventuais e adiantamento do 13º salário.
Ministros do STF estão acima do próprio teto
A ferrovia da corrupção
Claudio Dantas Sequeira

As investigações indicam que só no trecho entre Palmas (TO) e Anápolis (GO), justamente o que ajudou a enriquecer Juquinha e sua família, foram desviados mais de R$ 400 milhões. Laudos técnicos que compõem os inquéritos mostram que a estrada de ferro consumiu todo o orçamento previsto nos contratos com as construtoras Andrade Gutierrez, SPA Engenharia, Constram, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa. A Valec de Juquinha autorizou aditivos que atingiram o limite legal de 25% e mesmo assim a obra chegou ao fim infestada de problemas estruturais, como a falta de proteção vegetal de taludes e canais de drenagem superficial. O resultado é a erosão de áreas que estão provocando a desestabilização dos trilhos, inviabilizando o uso da ferrovia. Não foram construídos oito pátios intermodais que estavam previstos em contrato. Isso significa que, mesmo os trens sendo liberados para transitar na estrada de ferro, eles simplesmente não têm onde ser carregados e descarregados.

O TCU agiu em alguns casos, como nas obras de Aguiarnópolis (TO) e Anápolis-Uruaçu (GO). Em ambos, determinou-se a suspensão cautelar de 10% do valor dos contratos, muito pouco, considerando o volume de recursos utilizados. O tribunal instaurou tomadas de contas especiais em contratos como o da SPA Engenharia, que se recusou a seguir as determinações de repactuação do orçamento. Um relatório interno da consultoria jurídica da Valec, obtido por ISTOÉ, mostra que só em dois contratos os fiscais encontraram sobrepreços de R$ 42 milhões e R$ 40 milhões, respectivamente. Desde o início da obra, a Valec tem comprado dormentes, fabricados pelas próprias empreiteiras, a valores 40% superiores ao de outros fornecedores. Esses dados, além de abastecerem os inquéritos da PF, levaram o atual presidente da Valec, José Eduardo Castello Branco, a criar uma força-tarefa para melhorar a fiscalização das obras da Norte-Sul e passar um pente fino nas obras em andamento. Talvez por isso, desde que assumiu no lugar de Juquinha no ano passado, Castello Branco tem sofrido pressões de partidos e empresários para deixar o cargo.

Além de “presidente”, Sarney é citado por Juquinha e outros integrantes do grupo pelas alcunhas de “velhinho” e “chefe”. Para a PF, não há dúvidas de que o grupo usava constantemente o nome de Sarney. De acordo com um delegado ouvido por ISTOÉ, as investigações demonstram que o presidente do Senado e o deputado Valdemar da Costa Neto (PR) dividiam os cargos na cúpula da Valec. A Ferrovia Norte-Sul, no entendimento dos investigadores, era uma espécie de “menina dos olhos” dos parlamentares. Quem cuidava dos interesses de Sarney nos contratos da ferrovia, de acordo com a PF, era Luiz Carlos Oliveira Machado, o então diretor de engenharia da estatal. Responsável por acompanhar diretamente todas as obras da Valec, Oliveira Machado é um dos principais alvos dos inquéritos. Pelas investigações iniciais, ele estaria ligado às empresas CMT Norte-SUL e Trilha Engenharia, que foram subcontratadas nos lotes 2 e 11 para fornecer maquinário. Sarney informou, por meio de sua assessoria, que Oliveira Machado não é sua indicação e nem sequer lembra “se conhece essa pessoa”. Costa Neto, por sua vez, admitiu sua relação com Juquinha e a indicação para a presidência da Valec, mas disse que não tinha nenhuma “ascendência administrativa” sobre ele.

O candidato a prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PTC), alcançou a marca dos 21,1% de intenções de voto, de acordo com o resultado da pesquisa divulgada nesta sexta-feira (20). A prévia foi realizada pelo Instituto Perfil Pesquisas e Projetos, entre os dias 15 e 17 de julho, que entrevistou 800 pessoas.
Entre os sete candidatos à prefeitura de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior passou a ocupar o segundo lugar na pesquisa. O atual prefeito João Castelo (PSDB) lidera com 27,1%. Tadeu Palácio (PP), ex-prefeito, tem 15,3%; Eliziane Gama (PPS), 6,4%; Washington Oliviera (PT), 2,9%; Marcos Silva (PSTU), 1,4%; Haroldo Saboia (PSOL), 0,5%; e Ednaldo Neves (PRTB) 0,4%.
Do total de eleitores entrevistados, 25% não sabiam ou não quiseram opinar, alegando a possibilidade de votar em branco ou nulo no dia 7 de outubro. A margem de erro da pesquisa é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos.
Ao lado da segunda colocação na pesquisa de intenção de votos divulgada pela TV e Rádio Cidade, Edivaldo conta com baixo índice de rejeição. Apenas 5,4% dos entrevistados o citaram neste quesito.
Edivaldo Holanda Júnior (PTC) participou de caminhada, na tarde desta quinta-feira, 19, no bairro do Anil. Acompanhado de militantes , lideranças comunitárias e da população que mora no bairro, o candidato percorreu ruas do Anil e cumprimentou moradores, destacando que o diálogo é fundamental para fazer a cidade com a cara do povo.
O candidato do PTC mostrou-se preocupado com a atual situação dos alunos da rede pública municipal de ensino, que passaram mais de setenta dias sem aula por atraso nas obras de recuperação das sedes de ensino, que só aconteceram no ano da eleição. “A educação precisa ser tratada com seriedade pelo prefeito de São Luís. Nós temos um projeto ousado que é de implantar a escola em tempo integral”, afirmou.
A insatisfação com as condições em que a capital se encontra é uma constante observada nas caminhadas de Edivaldo. A funcionária pública Maria Francisca Amorim desabafa: “Nada funciona em São Luís. Nas escolas do município, por exemplo, só fizeram uma pintura, mas continua tudo péssimo”.
O pintor Gilmar Fonseca Lima aponta a educação como o setor de serviços públicos que merece maior atenção do próximo prefeito. “Na educação, é preciso melhorar o salário dos professores para que as paralisações acabem”, indignou-se.
Edivaldo pretende resgatar o modelo de ensino idealizado por Anísio Teixeira na década de 1930, em que as escolas passariam a funcionar em tempo integral: “Infelizmente, o nosso país abandonou esse modelo. Mas o Chile abraçou essa política, com 90% da rede pública com ensino integral. Hoje, as escolas de lá têm qualidade. E nós podemos fazer São Luís crescer com qualidade de educação”.
Sobre políticas públicas para a juventude, Edivaldo disse que a educação é um dos principais eixos desse setor. “Proporcionar educação pública de qualidade também é falar de juventude. O poder público municipal não tem o direito de roubar o futuro dos jovens e dos cidadãos”, frisou.
Folha de S. Paulo
O secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, afirmou que vai investigar a situação das UPAs no Maranhão. Se elas não estiverem integradas à rede de urgência, disse, poderão deixar de receber verbas federais.
“Como essa situação nos parece excepcional, vamos, evidentemente, tomar providências. Em tese, [as UPAs] podem ser descredenciadas.”
Das cinco UPAs da Grande São Luís, três foram construídas em parceria com o ministério, que arcou com 30% dos investimentos. Recebem R$ 600 mil por mês da União -cerca de 20% do custeio.
De acordo com Magalhães, as UPAs podem reencaminhar pacientes para outras unidades em casos específicos -por exemplo, quando estão superlotadas.
“Pode ter essa possibilidade em um dado momento, mas não pode ser um acerto definitivo”, explicou.
Isso quer dizer que, se a Prefeitura de São Luís e o Estado tiverem feito um acordo que impeça o Samu de levar seus pacientes às UPAs, a situação é irregular.
O ministro Alexandre Padilha esteve em São Luís há duas semanas. Em visita à UPA Araçagi, ele fez elogios ao modelo no Estado.
Questionado sobre o episódio, o secretário disse que o ministro não sabia do impasse local. “[Padilha] Foi informado apenas de que havia negociações”, afirmou.
Segundo Magalhães, mais de 20 Estados já apresentaram ao ministério a proposta de funcionamento de suas redes de urgência -em todos, UPAs e Samu trabalham de forma integrada.O Maranhão, segundo o secretário, ainda não apresentou sua proposta.
Promotoria diz que impasse, que contraria portaria do Ministério da Saúde, ocorre por disputa política
| Folhapress | ||
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| Pacientes em pronto-socorro municipal de São Luís |
O impasse ocorreu porque ela havia sido encaminhada em uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), gerido pela Prefeitura de São Luís.
Na cidade, pacientes transportados pelo serviço estão proibidos de ser atendidos nas UPAs. Quem precisa de atendimento de urgência tem de chegar por meios próprios, como carro ou mesmo a pé.
O veto contraria portaria do Ministério da Saúde, segundo a qual as UPAs têm de trabalhar em conjunto com o Samu.
Para o Ministério Público, a proibição é resultado de disputa política: o prefeito João Castelo (PSDB) é adversário da governadora Roseana Sarney (PMDB) -o secretário estadual de Saúde, Ricardo Murad, é cunhado de Roseana.
CARREGADOS
A situação, diz a Promotoria, já motivou casos de pacientes deixados pelo Samu perto de unidades estaduais, para depois seguirem de táxi ou carregados por parentes.
“[O impasse] Tem causado um transtorno muito grande ao sistema”, disse o promotor Herberth Figueiredo, que deve entrar com ação contra o Estado pedindo a abertura das UPAs ao serviço municipal.
O governo do Maranhão diz que acertou a proibição com a prefeitura, que nega.
“A gente é proibido de entrar nas UPAs. Se tentarmos colocar a ambulância, o guarda fecha o portão. É assim desde a inauguração [no último ano]”, afirma o diretor do Samu, Rurion Meneses.
O serviço tem 12 ambulâncias para socorrer urgências. O Estado dispõe apenas de veículos para transferir pacientes entre unidades.
REGULAMENTO
Segundo a portaria do ministério que define as diretrizes para as UPAs, elas têm de atuar com o Samu.
Em geral, devem atender casos menos graves -como pressão alta e cortes-, medicar, fazer exames, deixar o paciente em observação por até 24 horas e, depois, decidir se ele precisa ser transferido para outro local, como pronto-socorro.
Há cinco unidades na Grande São Luís.
Hoje, todos os pacientes transportados pelo Samu, inclusive os de menor complexidade, são levados diretamente aos dois prontos-socorros municipais.
Os Socorrões, como são chamados, sofrem há anos com a superlotação. O modelo de UPA idealizado pelo ministério pretendia justamente desafogar os prontos-socorros.
Em São Luís, afirma o Ministério Público, ocorre o contrário. A recusa do atendimento de pacientes do Samu faz as UPAs operarem “de forma tranquila”, deixando os Socorrões lotados.
OUTRO LADO
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que Estado e município fizeram um acordo para que as UPAs “se abstivessem de receber pacientes do Samu, devido à superlotação das mesmas, decorrente da precária situação dos serviços da prefeitura”.
“A decisão vale até que a prefeitura invista nas suas unidades”, afirmou.
A prefeitura negou ter feito qualquer acordo.
A SAÚDE EM SÃO LUÍS (MA)
REDE MUNICIPAL
2 prontos-socorros
1.100 atendimentos/dia*
REDE ESTADUAL
5 UPAs na região metropolitana de São Luís
2.256 atendimentos/dia*
O PAPEL DO SAMU
Fazer o primeiro atendimento ao paciente e encaminhá-lo para o local mais adequado -uma UPA (em casos menos graves) ou um hospital
*Em média
Fontes: prefeitura, Secretaria de Estado da Saúde e Ministério da Saúde