A avaliação de que a base de apoio de Bolsonaro minguou ganhou força após uma crítica internacional. Martin De Luca, advogado da Trump Media, empresa ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou no X que seguidores o questionam sobre a ausência de protestos no Brasil. “A verdade incômoda é que nenhum país estrangeiro pode salvar uma nação cujos próprios cidadãos têm medo demais de defendê-la”, afirmou. A postagem repercutiu intensamente no bolsonarismo e foi compartilhada como um alerta.
A baixa adesão fica evidente na prática. A vigília organizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente ao condomínio da família, em Brasília, reuniu apenas algumas dezenas de apoiadores. Na Superintendência Regional da Polícia Federal, onde Bolsonaro está preso em cela especial, o movimento não foi maior: apenas cerca de 40 pessoas compareceram no domingo.
O clima de desmobilização preocupa aliados de Bolsonaro, que veem no engajamento popular uma ferramenta-chave para sensibilizar o Congresso. Em uma transmissão ao vivo, o blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, réu no Supremo Tribunal Federal, fez um apelo direto. “Os americanos cobram e perguntam: onde está a pressão popular do brasileiro? Então, não fiquem esperando que tudo caia dos céus daqui (Estados Unidos) sem que ninguém precise fazer nada no Brasil”, declarou.
Em nota divulgada nesta terça feira (25), a direção estadual do PCdoB Maranhão denunciou o governo Carlos Brandão pela ruptura dos compromissos políticos assumidos em 2022 e pelo que classifica como avanço de um projeto oligárquico no comando do Estado. Segundo o partido, consolidou-se no Executivo um “modelo de gestão marcado por interesses familiares e práticas patrimonialistas”, que rompeu com os acordos firmados com a coalizão vitoriosa e com o ciclo político iniciado em 2015 com liderança de Flávio Dino.
O documento também aborda o escândalo das escutas clandestinas, classificado como ilegal, imoral e politicamente inaceitável, envolvendo o governador e seu irmão Marcus Brandão. Para o PCdoB, o episódio escancarou um quadro de “degradação institucional sem precedentes” e evidenciou o grau de deterioração do ambiente político no Maranhão, atingindo inclusive parlamentares como Rubens Júnior (PT) e Márcio Jerry (PCdoB).
Ao final, o PCdoB conclama sua militância, dirigentes, simpatizantes, apoiadores e movimentos sociais a se manterem em mobilização permanente em defesa da democracia, em apoio ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aos ideais expressos na bandeira do Maranhão de Todos Nós.
Apesar da dureza da nota, a direção estadual do PCdoB afirma que, “embora cada vez menos factível. somente um gesto grandioso do governador de retomada dos propósitos inaugurados em 2014 com a eleição de Flávio Dino e do cumprimento dos compromissos políticos e programáticos firmados em 2022 seriam capazes de possibilitar uma repactuação política”.

O vice-governador Felipe Camarão (PT) resolveu endurecer o discurso em relação ao governador Carlos Brandão (sem partido) e mandou um claro recado ao chefe do Executivo estadual ao realizar mais uma etapa do movimento Diálogos pelo Maranhão, nesta terça-feira (25), em Pio XII. Camarão voltou a afirmar que será candidato com ou sem o apoio do Palácio dos Leões.
Camarão denunciou que tem recebido todo tipo de pressão para desistir da candidatura, inclusive para que ele renuncie à condição de vice, mas que jamais irá retroceder em seu projeto político de concorrer ao governo do estado com ou sem o apoio de Carlos Brandão.
“Eles fazem de tudo para eu desistir: mentem, atacam, pedem pra eu renunciar, tentam me comprar, tentam falar da minha família. Fazem de tudo. Eu vou mandar um recado para eles, claramente: Eu não vou renunciar, eu não vou desistir. Retroceder nunca, render-se, jamais”, observou o vice.
Indiferente às pressões que diz está sofrendo para desistir da candidatura, Felipe Camarão reafirmou que será candidato ano que vem independente do apoio de Brandão. “Eu sou vice-governador do Maranhão e sou candidato a governador no ano que vem. Com ou sem Brandão. A decisão é dele. Se ele quiser renunciar e me apoiar, nós caminharemos juntos. Se ele não quiser, eu enfrento o sobrinho dele no debate político e nas ruas”.
As declarações do vice, que tem o aval da direção nacional do PT para concorrer ao governo do estado ocorre no momento em que o Palácio dos Leões faz grande mobilização para tornar o secretário de Assuntos Municipalista, Orleans Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão, protagonista do processo sucessório entregando a ale o comando do MDB e articulando com a classe política apoio à sua pré-candidatura ao governo do estado.
Com o discurso inflamado e duros recados, Felipe Camarão mostrar o fosso que o separa do governador ao tempo em que revela a dificuldade de cumprimento de um suposto acordo pelo qual o governador teria se comprometido a passar o comando do estado para o PT quando da formação da chapa que disputou a eleição de 2022, tendo ele como vice de Brandão.
O governador, pelas suas declarações, está decidido a permanecer no cargo até o final do mandato e apostar todas as ficha na eleição do seu sucessor, no caso Orleans, hoje consolidado como candidato do grupo político que se articula em torno do governo.
Apesar dos recados e da resistência, Camarão ainda depende do que vai decidir a direção nacional, pois no Maranhão o partido, a exemplo de eleições anteriores, está dividido, sendo alguns setores, notadamente o que segue orientação do ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Maranhão, Washington Oliveira, apoia aliança com o candidato do governador Carlos Brandão.
O deputado estadual Othelino Neto oficializou, nesta terça-feira (25), sua filiação ao PSB, partido comandado nacionalmente pelo prefeito do Recife, João Campos, e no Maranhão pela senadora Ana Paula Lobato. O anúncio foi feito pelo próprio parlamentar em suas redes sociais, em postagem acompanhada de foto ao lado das lideranças socialistas.
Othelino destacou que ingressa no PSB por considerar o partido alinhado aos princípios e propósitos que ele defende ao longo de sua trajetória política, além de dialogar com as lutas e com o trabalho que já realiza no Maranhão.
“É com alegria que anuncio minha filiação ao PSB, partido com uma bela história, com o qual compartilho princípios, propósitos e afinidades, e que dialoga com as lutas e com o trabalho que já realizo no Maranhão”, disse Othelino Neto.
O deputado agradeceu a João Campos e à presidente estadual, Ana Paula Lobato, pela acolhida e confiança, afirmando que inicia essa nova fase com entusiasmo: “Seguimos juntos”, escreveu.
A filiação reforça o movimento de reacomodação partidária no estado e coloca Othelino em sintonia com uma sigla que vem ampliando espaço nacionalmente e no cenário maranhense.
Em meio à prisão de Jair Bolsonaro (PL), o presidente Lula cresceu na pesquisa divulgada nesta terça-feira (25) pela Confederação Nacional dos Transportes, superando todos os possíveis adversários do clã do ex-presidente e abrindo 20 pontos de vantagem no primeiro turno sobre Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), principal aposta da Terceira Via – consórcio que une Centrão, Faria Lima e mídia liberal.
A pesquisa, realizada pelo Instituto MDA, revela que desde setembro Lula cresceu 5 pontos no cenário espontâneo – quando não são mostrado os nomes dos candidatos -, sendo citado por 32% dos eleitores. Inelegível e preso, Jair Bolsonaro (PL) caiu três pontos e foi lembrado por 18%. Tarcísio foi citado por 2,1% e Ciro Gomes (PSDB) por 1%.

Em uma disputa ilusória com o inelegível Bolsonaro na disputa, Lula lidera com 39% – eram 36% – contra 27% do ex-presidente. Em seguida, surgem Ciro com 9,6%, Ratinho Jr (PSD) com 6,4%, Ronaldo Caiado (União) com 4% e Romeu Zema (Novo) com 2,7%. Brancos e nulos são 8,5% e indecisos 3%.

No cenário mais provável para 2026, Lula cresceu 6 pontos e marca 42%, contra 22% de Tarcísio, que oscilou 3 pontos para mais. Ratinho tem 12% e Zema 6%. Ciro~, que tinha 12%, e Caiado, que tinha 4%, não pontuaram neste cenário desta vez. Brancos e nulos são 15% e indecisos 4%.

Representando o clã, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) marca 17% contra 43% de Lula. Ratinho marca 14% e Zema 10%. Brancos e nulos são 13% e indecisos 3%.

Já Michelle soma 23% contra 43% de Lula. Nesse cenário inédito na pesquisa, Ratinho marca 11,4% e Zema 8,3%. Brancos e nulos são 11,7% e indecisos 2.9%.

Lula também vence todos os cenários simulados em segundo turno. Contra o inelegível Bolsonaro, a distância aumentou de 8 para 12 pontos, com vitória de 49% a 37% – 13% dizem que votariam branco ou nulo e 1% de indecisos.
Contra Tarcísio, Lula oscilou dois pontos para mais e o governador paulista 1 ponto, com placar de 46% a 39% para reeleição do presidente.
Lula ainda vence Ratinho Jr por 45,8% a 38,7%; Romeu Zema por 47,9% a 35,5%; Caiado por 46,9% contra 33,7%; Ciro Gomes por 44,1% contra 35,1%; Eduardo Bolsonaro por 49,9% contra 33,3%; e Michelle por 49,1% contra 35,6%.

A pesquisa ainda revela um aumento da rejeição de Bolsonaro, que subiu 3 pontos e chegou a 43%. Lula oscilou um ponto e chegou a 41%.
Em relação aos apoios, 35% dizem que votariam em um candidato apoiado por Lula, superando os 33% que dizem preferir alguém sem ligação com os dois polos atuais da política brasileira. Outros 27% dizem que votariam em um candidato apoiado por Bolsonaro.

A pesquisa foi realizada entre os dias 19 a 23 de novembro de 2025, em meio à prisão do ex-presidente, que foi encarcerado na Superintendência da Polícia Federal no sábado, dia 22.
O Supremo Tribunal Federal (STF) finalmente acabou com a celeuma em torno de reeleição da deputada Iracema Vale (PSB) para presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão. Nesta segunda-feira (24), o impasse jurídico que se arrastava desde o ao passado foi encerrado com o placar de 10 X 0. O ministro Edson Fachin, último a votar, se encarregou de jogar a última á de cal na ação do deputado Othelino Neto que questionava a validade do critério da maior idade que garantiu o segundo mandato de Iracema no comando do Poder Legislativo.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contestava o resultado da disputa interna, ocorrida em novembro de 2024, quando Iracema Vale e Othelino Neto empataram com 21 votos tanto no primeiro quanto no segundo turnos. Pelo regimento interno, prevaleceu o critério de maior idade, o que garantiu a vitória à atual presidente. Othelino não aceitou o resultado e recorreu ao STF, onde foi novamente derrotado.
Os ministros do Supremo não viram qualquer irregularidade no processo e a relatora, ministra Cármen Lúcia, votou pela improcedência do pedido, sendo seguida por Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, André Mendonça, Nunes Marques, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Luiz Fux e Edson Fachin. Os votantes não identificaram qualquer violação constitucional no procedimento adotado pela Assembleia Legislativa.
Na interpretação dos ministros do STF, a recondução de Iracema Vale obedeceu às regras internas da Casa e à jurisprudência da Corte sobre eleições das Mesas Diretoras dos Legislativos estaduais.
Diante da decisão da justiça, ficou claro que não houve qualquer irregularidade no processo que garantiu a recondução de Iracema. Mas é bom lembrar o placar foi surpreendente. Aliados da presidente esperavam uma goleada e ficaram assustados com o empate nos dois turnos. Iracema agora respira aliviada, livre de qualquer contestação.
*Prof. Nonato Chocolate1
A dinâmica política maranhense expressa, com rara nitidez, a plasticidade do campo político brasileiro. A metáfora das “nuvens” se ajusta bem ao jogo de forças, alianças e reposicionamentos que, ao longo de décadas, estruturaram a hegemonia das elites regionais. No Maranhão, o sobrenome “Sarney” não operou apenas como marca familiar, mas como categoria sociológica que simboliza a formação de um regime político oligárquico, cujos efeitos se capilarizaram no Estado brasileiro.
José Sarney, figura central dessa elite, acumulou capitais políticos e simbólicos em diferentes escalas: municipal, estadual e nacional, convertendo-os continuamente em formas renovadas de dominação. A longevidade de seu grupo não pode ser compreendida sem considerar mecanismos clássicos da sociologia política brasileira: o patrimonialismo, o clientelismo, a personalização do poder e a sobreposição entre esferas pública e privada. Assim se sustentou um sistema em que o Estado serviu, repetidas vezes, como fonte de reprodução de poder político-familiar.
Embora a capital, São Luís, historicamente apresentasse resistência eleitoral ao sarneysismo, o interior maranhense consolidou, por décadas, redes de apoio que alimentaram a permanência do grupo nos espaços institucionais: Câmara, Senado, governos estaduais, além da eleição da primeira governadora mulher do Brasil, Roseana Sarney.
A erosão desse arranjo não se deu por acaso, mas pela fissura provocada por um dos principais quadros do próprio grupo: José Reinaldo Tavares, cuja ruptura expôs contradições internas da elite tradicional. Sua dissidência não foi apenas um ato individual, mas um fenômeno sociologicamente compreensível no interior das lógicas das oligarquias: quando o capital político interno já não se converte em ascensão dentro da estrutura, os agentes tendem a reorganizar-se e formar seus próprios polos de poder.
A partir desse racha emergem dois nomes que, duas décadas depois, assumiriam protagonismo no campo político: Flávio Dino e Carlos Brandão, ambos ex-integrantes do reinaldismo, cada qual trilhando trajetórias distintas na luta pelo monopólio da representação legítima do poder no Estado.
Flávio Dino, com forte capital cultural e institucional: juiz federal, deputado, presidente da Embratur, governador, senador, ministro da Justiça – Segurança Pública e ministro do STF, construiu uma carreira marcada pela circulação entre diferentes campos (jurídico, burocrático e político), acumulando prestígio e legitimidade.
Carlos Brandão, ao contrário, emergiu a partir de posições consideradas secundárias dentro da elite política, deputado de “baixo clero”, pois mesmo sendo “tucano de bico- grosso”, não alçou voos mais altos que as “colinas”, mas foi secretário de governo até tornar-se vice e sucessor de Dino, graças à lógica das alianças que integram diferentes frações das elites estaduais.
É nesse cenário que surge a questão provocativa que levanto aqui neste artigo: estaria o governador Carlos Brandão empenhado em constituir seu próprio patrimônio político-familiar, reproduzindo práticas históricas das elites às quais ele próprio se opôs como parte do bloco de renovação?
A nomeação de José Adriano Sarney, neto de José Sarney para a MOB nos mostra que mesmo com o sobrenome e força do avô, ele não conseguiu renovar seu mandato de deputado estadual e não se trata apenas de um cargo: é um marcador simbólico de permanência. E é nesse cenário que surge a especulação: estaria Brandão ensaiando seu próprio movimento “nepóssível”, ao supostamente posicionar seu sobrinho como possível herdeiro político? O jogo linguístico entre nepos termo em latim para neto ou sobrinho, e nepotismo é mais que metáfora; é uma chave analítica para compreender a persistência das lógicas oligárquicas no Brasil.
A sociologia política ensina que rupturas e continuidades convivem tensa e simultaneamente. Um governante pode ser produto de uma aliança modernizadora e, ao mesmo tempo, reproduzir padrões tradicionais de construção de poder. O Maranhão conhece profundamente essas ambiguidades.
Assim, a pergunta que permanece é menos moral e mais estrutural: Brandão está reproduzindo as formas históricas de sucessão política — ou com ousadia está simplesmente respondendo às lógicas de governabilidade que o sistema impõe?
Seja qual for a resposta, permanece atual a famosa advertência atribuída a Leonel Brizola, frase que sintetiza a racionalidade estratégica da política brasileira: “A política ama a traição, mas odeia o traidor”.
*Professor de Sociologia do COLUN\UFMA, Mestre em Educação