Engana-se quem pensa que o governador Flávio Dino foi o grande derrotado das eleições de 2020 só porque não conseguiu eleger o sucessor de Edivaldo Holanda Júnior em São Luís. O saldo total no Maranhão lhe é favorável e ainda o coloca como o principal líder político do estado.
Se somados só o PCdoB e o Republicanos, seu partido e o do seu vice Carlos Brandão, respectivamente, Dino elegeu a maior parte dos prefeitos do Maranhão, com 47 Prefeituras. Se a soma incluir todos as legendas que fazem parte do seu campo de alianças, o número chega perto da casa dos 180.
Muitos vão afirmar que o racha na base do governador por causa da eleição em São Luís mudou esse cenário, mas é preciso enfatizar, por exemplo, que a maioria dos prefeitos do PDT foi eleito com o apoio de Dino, que não pôde estar presente nas cidades devido a pandemia do coronavírus, mas gravou vídeo de apoio para a maioria dos seus aliados.
Diminuir a importância eleitoral de um governador que tem mais de 60% de aprovação no estado, a essa altura do campeonato, é resumir as eleições do Maranhão inteiro apenas a São Luís. É nítido que o racha em sua base foi essencial para o revés na capital, mas isso não tira o mérito de, mais uma vez, um desempenho exitoso no apoio aos seus aliançados.
Articulação – Na manhã desta segunda-feira (30/nov), o governador Flávio Dino foi às redes sociais confirmar que trabalhará para fazer seu sucessor em 2022. “Formamos uma grande aliança estadual em 2018, quando da minha reeleição. Em 2020, me empenhei ao máximo para manter tal campo unido, tanto quanto possível. Agora entramos em um processo de revisão, visando à eleição de 2022. Processo que qualifico como normal e democrático”, afirmou.
O governador também fez referência à divisão que marcou as disputas municipais deste ano, entre diferentes partidos de sua coligação. Em entrevista ao UOL, ele disse: “há hoje duas candidaturas postas, o vice-governador Carlos Brandão que é do Republicanos e o senador Weverton, do PDT, então eles dois desejam ser candidato e acho que é essa disputa entre eles que tem determinado essa divisão em muitas cidades do Maranhão”.
Também ao UOL, Dino foi mais claro sobre sua intenção de conduzir a própria sucessão: “Eu espero que seja possível algum tipo de entendimento, vou trabalhar para isso, para que a gente possa manter o nosso campo unido e mais uma vez vencer as eleições em 2022.”
A vitória em São Luís do deputado federal Eduardo Braide (Podemos) reforça a tese do governador Flávio Dino de que é necessária a união de todos os partidos de esquerda para vencer o Bolsonarismo. O Podemos é o partido da base do governo federal com maior índice de lealdade aos projetos de Bolsonaro.
A diferença de votos entre Braide e Duarte no segundo turno foi de menos de 11 pontos percentuais. Essa diferença seria superada com vantagem com os votos do candidato coligado do PDT no primeiro turno, Neto Evangelista, que teve 16% dos votos.
Portanto, a derrota eleitoral do candidato apoiado por Dino em São Luís confirma sua tese de necessidade de união das esquerdas. O único candidato de esquerda que venceu em capitais no segundo turno foi justamente o deputado federal Edmilson Rodrigues (Psol) que contou desde o primeiro turno com uma coligação que incluía PT, PCdoB, PDT, PCB, Rede e UP.
Para a política maranhense, a derrota para Braide também deixa outra lição. Não é possível descuidar e dividir a base do governo, pois isso pode permitir o retorno dos políticos ligados à família Sarney.
Em entrevista ao jornalista Leonardo Sakamoto, do portal notícias UOL, nesta manhã de segunda-feira (30), o governador Flávio Dino (PCdoB) falou sobre divisão no seu campo político que possibilitou a vitória do deputado federal Eduardo Braide no segundo turno da eleição para prefeito de São Luís, mas adiantou que vai continuar trabalhar para tentar reunificar o grupo visando mas eleições de 2022.
A falta de unidade na base de sustentação ao governo ficou estabelecida logo no primeiro turno quando vários partidos lançaram candidatos a prefeito de São Luís com o compromisso de que todos estariam unidos no segundo turno, algo que não aconteceu e o resultado foi a vitória do opositor Eduardo Braide.
Flávio explicou que em 2018 foi feita uma ampla aliança estadual e que lutou muito para mantê-la em 2020. Disse o governador que isso foi possível na imensa maioria das cidades, mas não em todas, como foi o caso de caso de São Luís onde havia um candidato, Eduardo Braide, favorito desde a eleição de 2016.
Segundo Dino, na eleição deste ano não possível unificar todo o seu campo para enfrentá-lo e que houve a dispersão no primeiro turno com o compromisso de que no segundo turno haveria uma grande união, o que infelizmente não se verificou e isso foi determinante para o resultado eleitoral.
O governador explicou que a base de apo ao governo se dividiu, uma parte dela, por exemplo, o PDT, o DEM, optaram por apoiar o candidato da oposição que acabou vencendo a eleição por uma estreita margem de votos e q eu esse fato vai levar a um processo de revisão do nosso campo político visando a eleição de 2022.
“É um processo que se abre agora e que vamos conduzir com muita calma, muita prudência, mas infelizmente essa divisão na nossa aliança foi o que determinou alguns resultados, inclusive esse de São Luís”. O governador adiantou, no entanto, que vai trabalhar para manter a base unida visando as eleições de 2022
O jornalista quis saber de Dino se a não unificação da base significaria críticas ao seu governo e se isso influenciaria nos projetos para os próximos dois anos e o governador respondeu: “Nosso governo continua com uma avaliação muito alta, aprovação entre 60e 70%, todos fazem questão de dizer que não estão rompendo com o governo. Na verdade eu imagino que a questão central é que eu não posso ser candidato, já fui reeleito e há hoje existem duas candidaturas postas, o vice-governador Carlos Brandão que é do Republicanos e o senador Weverton, do PDT, então eles dois desejam ser candidato e acho que é essa disputa entre eles que tem determinado essa divisão em muitas cidades do Maranhão. Eu espero que seja possível algum tipo de entendimento, vou trabalhar para isso, para que a gente possa manter o nosso campo unido e mais uma vez vencer as eleições em 2022.
A vitória do deputado federal Eduardo Braide (Podemos) na eleição de São Luís provoca movimentos diretos na disputa em torno do Palácio dos Leões em 2022. Neste domingo (29), Braide confirmou o favoritismo que ostentava em todos os institutos de pesquisa desde que perdeu para Edivaldo Holanda Junior em 2016.
Ao conquistar o direito de despachar do Palácio de Ravardière, Braide também antecipou jogadas que se anteviam para o próximo pleito. O senador Weverton (PDT), que não esconde de ninguém o desejo de ser candidato a governador, colocou-se em lado oposto ao vice-governador Carlos Brandão (PRB). Com isso, ao mesmo tempo, distanciou-se do governador Flávio Dino, que abraçou publicamente a campanha de Duarte, correligionário de Brandão.
O resultado deve ser um delineamento mais claro das opções de 22, embate que vinha se arrastando desde o ano passado. Hoje mesmo, o governador Flávio Dino deve começar a debater a reorganização de seu primeiro escalão para 2021. Seu último ano completo de gestão passou a ser ainda mais crucial para sua sucessão.
No novo cenário conjuntural que se anuncia, onde antigos aliados decidiram assumir projetos diferentes, Flávio Dino já não descartaria permanecer até no governo até o final do mandato para ajudar a eleger seu sucessor, abrindo mão da disputa nacional ou de concorrer a uma cadeira no Senado.
O deputado federal Eduardo Braide (Podemos) foi eleito prefeito de São Luís e assumirá o comando da capital maranhense a partir de janeiro de 2021. Braide venceu com 55,53% dos votos válidos contra 44,47% conferidos do ao adversário, deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos).
Antes mesmo do TSE anunciar o resultado oficial do pleito, o governador Flávio Dino postou mensagem em sua página no Twitter parabenizando todos que se candidataram, particularmente os 217 prefeito eleitos e colocou o Estado à disposição dos novos chefes de Executivos
“Ao colocarem seus nomes para o julgamento popular, vocês fortaleceram a base da nossa democracia, eleições livres e periódicas. Cumprimento especialmente os que se elegeram nas 217 cidade do interior do Maranhão. Desejo que consigam colocar boas ideias em prática, sempre lutando pelos interesses coletivos”, o observou o governador.
Segundo Flávio Dino todos e todas podem contar com o Governo do Maranhão. “Nesses seis anos, apesar de tantas crises, já executamos milhares de obras, ampliamos serviço público e marcamos presença em todas as cidades do nosso estado. Eu, o vice-governador Carlos Brandão, secretários de estado, presidentes de órgãos públicos estamos a disposição para ouvir a todos e atender no que for possível”.
Segundo o governador “2021 será um ano muito difícil no Brasil, mais uma ano difícil, porém, unidos, trabalhando em convergência, podemos fazer mais. Queremos fazer parcerias, acordos, convênios para somar esforços, notadamente na temática social que é o principal foco do nosso governo”.
O governador concluiu afirmando: “Esses dois anos que ainda temos de trabalho a frente do Governo do Estado, até a próxima eleição estadual podemos fazer muito com honestidade, escolha de prioridades juntas, o dinheiro público, mesmo que escassos gere extraordinário resultados. Desejo sorte e sucesso aos eleitos e as eleitas, que tenham muita fé em Deus e muita vontade de bem servir a população”.
Na manhã deste domingo (29), o candidato a prefeito Duarte (Republicanos) finalmente pôde votar nesta eleição municipal em São Luís, depois de cumprir isolamento social durante período que compreendeu o primeiro turno. Acreditando na vitória, ele esteve em seu local de votação, na Unidade de Ensino Superior Dom Bosco (UNDB), acompanhado de autoridades e falou com a imprensa.
“É a terceira votação e todas surpreenderam, nenhuma delas [das pesquisas] apontava que eu seria o deputado estadual mais votado da história de São Luís. E eu estou aqui [no segundo turno]. Com certeza vamos ganhar a eleição e vai ser a vitória mais linda que São Luís já viu”, disse confiante.
Sobre a campanha, ele acredita que por meio dela pôde compreender ainda mais os anseios da população ludovicense e acredita ter sido um momento histórico que vai ficar na memória da cidade. “Agradeço a todos que fizeram dessa campanha uma das mais lindas da nossa cidade, talvez do nosso país, uma campanha com as pessoas, das pessoas, com sentimento, criatividade, que teve alegria, teve ousadia, é por isso que nós vamos vencer as eleições e fazer uma gestão eficiente, uma gestão presente, comprometida com aqueles que mais precisam.”
Ele voltou a destacar um dos lemas da campanha, o combate a privilégios, personificado em políticos que são influenciados por famílias também de políticos e que, segundo o candidato, desconhecem as necessidades mais urgentes da população.
“Pela primeira em vez São Luís não vai ter um filho de político, vai ter um prefeito que veio de baixo, que sentiu a dor da maioria das pessoas da nossa cidade, isso faz toda a diferença na hora de tomar decisões, que saiba o senso de urgência necessário pra fazer, sim, com que a nossa cidade não tenha mais fila de espera por consultas e exames, pra garantir um auxílio municipal para aqueles que mais precisam e, claro, fazer com que a nossa cidade avance cada vez mais”, concluiu.
Duarte esteve acompanhado pela candidata a vice-prefeita Fabiana Vilar; pelo vice-governador Carlos Brandão; pelos deputados federais Márcio Jerry, Josimar Maranhãozinho e Cleber Verde; pelo secretário de Estado da Comunicação Social e Assuntos Políticos, Rodrigo Lago; pelo secretário do Município de São Luís de Relações Parlamentares (Semerp), Nonato Chocolate; pela esposa, a advogada Karen Barros; pela mãe, Edna Mazoro; e pela irmã Bianca Duarte.
Em seguida, o republicano acompanhou Fabiana Vilar até a unidade em que vota a candidata a vice, no Centro de Ensino Manoel Beckman, no bairro Bequimão, e acompanhou também a esposa, que votou no Recanto dos Vinhais.