
Rodrigo Rangel – Veja – Alçado à cadeira de presidente da Câmara com a decisão do Supremo Tribunal Federal de afastar Eduardo Cunha, o deputado Waldir Maranhão (PP-MA) é um legítimo representante do baixo clero do Congresso Nacional. Aliado de Cunha, a quem já prestou alguns valiosos favores – como assinar despachos destinados a retardar o processo de cassação do peemedebista -, a última vez que Maranhão teve seus minutos de fama foi na votação do impeachment de Dilma Rousseff. Ele era tido, até então, como voto certo pela saída da presidente. Mas, de última hora, cortejado pelo PT e convidado a visitar o bunker montado pelo ex-presidente Lula em um hotel de Brasília, mudou de lado. Com a sessão já em curso, e ladeado por próceres petistas, Maranhão correu para anunciar que votaria contra o impeachment. Ele é conhecido como um político que, digamos, não desperdiça oportunidades. Não por acaso, e a despeito da amizade com Eduardo Cunha, na quinta-feira ele não se fez de rogado quando surgiu a chance de substituí-lo: tão logo saiu a liminar do ministro Teori Zavascki, correu para ocupar o gabinete do amigo.
Veterinário por formação, e no exercício de seu terceiro mandato de deputado federal, Maranhão foi eleito vice-presidente da Câmara em fevereiro do ano passado. Junto com Cunha. E com a bênção de Cunha. Como um parlamentar atento a oportunidades, Maranhão, claro, não deixou o petrolão passar batido – e, por isso, integra o extenso rol de excelências investigadas pela Operação Lava Jato: está entre as dezenas de deputados e senadores que, em troca de apoio ao governo, recebiam do doleiro Alberto Youssef parcelas regulares da propina oriunda dos desvios na Petrobras. Como um parlamentar atento a oportunidades, Waldir Maranhão aparece enredado em outras histórias comprometedoras que também estão sob a lupa das autoridades. Uma delas, repleta de provas robustas, está em poder da Procuradoria-Geral da República há pelo menos dois anos. Diz respeito à parceria entre Waldir Maranhão e um conhecido doleiro de Brasília, Fayed Traboulsi.
Fayed comandava, na capital da República, um esquema de corrupção paralelo à rede de Youssef no petrolão. Por vezes, a dupla de doleiros fazia parcerias pontuais. Como Fayed mantinha suas operações em Brasília, nas emergências o paranaense Youssef utilizava seus serviços – o esquema brasiliense funcionava como uma espécie de sucursal do banco clandestino do operador do petrolão. Em comum, sempre, a ligação estreita entre os doleiros e personagens do mundo da política. Fayed, porém, tinha seus próprios negócios. Um deles, desbaratado pela Operação Miqueias, uma parceria da Polícia Federal com o Ministério Público do Distrito Federal, tinha por objetivo vender títulos podres a fundos de pensão de servidores públicos. O esquema, que desviou mais de 50 milhões de reais, funcionava graças à sempre lucrativa joint-venture como os políticos. Eles abriam caminho para que os negócios saíssem e, em troca, recebiam uma parcela do lucro na forma de propina. É justamente aí que entra o sucessor de Eduardo Cunha na presidência da Câmara.
Em um dos casos que caíram na malha da investigação, Waldir Maranhão aparece como intermediário de um “negócio” de 6 milhões de reais com a prefeitura de Santa Luzia, no interior maranhense – com a ajuda do agora presidente da Câmara, a quadrilha vendeu títulos para o fundo de pensão dos servidores municipais. Em troca, o deputado recebeu 1% da operação: 60 000 reais. Um participante do esquema contou aos investigadores que uma parte da comissão, 10 000 reais, foi depositada na conta da mulher de Waldir Maranhão. O pedido, disse a testemunha, foi feito pelo próprio deputado, que “precisava do dinheiro para pagar uma viagem para o Rio de Janeiro” às vésperas do réveillon.
(VEJA.com/VEJA)
Durante as investigações, Waldir Maranhão foi flagrado em conversas telefônicas com o doleiro quando o esquema estava no auge. Nos diálogos, o deputado aparece como um legítimo funcionário do doleiro – obediente, ele marca encontros de Fayed com prefeitos aliados, faz visitas a autoridades para resolver assuntos de interesse do esquema e atua como um diligente captador de novos negócios para a quadrilha.
“Confirmou para amanhã a nossa reunião?”, pergunta o doleiro ao deputado, que responde prontamente: “Nós estamos trabalhando”. As reuniões, quase sempre, eram com outros políticos que se encarregariam de autorizar a compra dos títulos negociados pela quadrilha. A parceria era tão produtiva que, por vezes, se estendia a outros negócios. Num deles, Maranhão se compromete a “convencer” um prefeito amigo a liberar um dinheiro devido a um parceiro da quadrilha. “Parece que o negócio é grande e a gente consegue fazer um negócio bom aí”, avisa o doleiro. “Eu tô sabendo. Aí, chegando, a gente articula”, responde o deputado. “Negócio”, no caso, não era no sentido figurado: em troca dos serviços prestados, Waldir Maranhão era remunerado pela quadrilha. A seguir, alguns dos diálogos:
1) “Tá caminhando, viu?”
08nov2012 15:27:20
O deputado Waldir Maranhão faz a aproximação do doleiro Fayed Traboulsi com o então prefeito eleito de Campo Grande (MS), Alcides Bernal, seu colega de partido. O doleiro estava interessado em fechar negócios com a prefeitura.
Doleiro – Fala, meu querido!
Deputado – Meu irmão!
Doleiro – Tudo bem, irmão?
Deputado – Veja só: o Bernal está em Brasília e deixei o Luís Carlos aí com a missão de levá-lo ao seu encontrou, viu?
Doleiro – Pois é, estou aguardando eles, inclusive. O Luís Carlos disse que tá com ele aí, né?
Deputado – Como eu vim para o Tocantins, eu tratei só por telefone, mas tá caminhando, viu?
Doleiro – Tá. Então eu fico no aguardo. Eles vêm agora à tarde, né
Deputado – É interessante a sua conversa.
2) “Marabá ok, fechado” (Ouça o diálogo)
21nov2012 21:33:53
Duas semanas após o encontro em que o prefeito de Campo Grande foi apresentado ao doleiro, Waldir Maranhão volta a intermediar um encontro entre os dois, em Brasília. O deputado também avisa que o “negócio” na cidade de Marabá, no Pará, já estava “ok”.
Doleiro – Fala, chefe.
Deputado – Meu irmão, tudo bem?
Doleiro – Tudo.
(…)
Deputado – Deixa eu lhe dizer: amanhã quem vai estar aqui é o Bernal, lá de Campo Grande. Já teve com ele, né?
Doleiro – Já, sim. Eu já estive conversando da outra vez com ele. Mas eu tô indo pra São Paulo às oito horas da manhã e volto às duas da tarde.
Deputado – Eu acho assim: se você tiver um tempinho, à noite, eu acho que vale a pena convidá-lo para ter uma conversa social, tá? Uma sugestão, uma sugestão, tá?
Doleiro – Claro, claro (…) Amanhã eu vou te ligar assim que eu chegar aqui em Brasília eu te ligo para você ou fazer contato com ele ou me dar o telefone dele pra mim falar com ele, tá?
Deputado – Eu vou te passar logo o telefone dele porque um convite seu é diferente, viu?
Doleiro – Pois eu estou sem poder anotar aqui.
Deputado – De manhã eu te passo, então. Outra coisa: Marabá ok, fechado.
Doleiro – Beleza. O meu pessoal tá lá já.
Deputado – Tá fechado lá. Agora, só as providências.
3) “Nós estamos trabalhando” (Ouça o diálogo)
26nov2012 16:10:22
Os diálogos mostram que o Waldir Maranhão era uma espécie de secretário de luxo do doleiro, que usava os contatos políticos do deputado para facilitar novos negócios da quadrilha. Em mais de uma oportunidade, Fayed cobra encontros prometidos por Maranhão.
Doleiro – Fala meu deputado, tudo bem?
Deputado – Oi meu irmão! Tudo bem?
Doleiro – Confirmou para amanhã a nossa reunião?
Deputado – Nós estamos trabalhando…
Doleiro – Porque você tinha me falado que seria amanhã.
Deputado – Eu tô aí amanhã. Ele me disse que ‘taria’ amanhã aí, viu? Eu vou checar. Ele me disse que estaria aí amanhã.
Doleiro – Dá uma checada que eu já tô aqui de prontidão para conversar com ele.
Deputado – Tranquilo, viu? Eu amanheço aí. Mas eu confirmo com ele.
Doleiro – Se eu tiver que voltar lá eu volto. Não tem problema, não, também.
Deputado – Tranquilo, eu tô antenado.
4) “Eu estou aqui no Palácio dos Leões”
03dez2012 14:39:55
O agora vice-presidente da Câmara também intercedeu pelos interesses da quadrilha do doleiro junto ao governo do Maranhão.
Deputado – Veja só, eu estou aqui no Palácio dos Leões [sede do governo maranhense], viu? E as notícias ‘é’ a melhor possível, tá?
Doleiro – Como?
Deputado – As novidades, as melhores ‘possível’. Daqui a pouco a gente se encontra.
Doleiro – Tá. Eu tô aqui no hotel.
Deputado – Tá ok.
5) “Você é mais experiente do que eu e conhece todos”
03dez2012 21:45:32
No mesmo dia da visita à sede do governo do Maranhão, o deputado e o doleiro se falam mais uma vez. Fayed estava preocupado com o desenrolar de uma das parcerias da duplas.
Doleiro – Chefe, me fala uma coisa. Oi, tá me ouvindo bem?
Deputado – Estou, estou.
Doleiro – Me diga uma coisa: qual é a sua percepção com relação a isso tudo? O que você tá achando? Você é mais experiente do que eu e conhece toidos.
Deputado – Não, não (trecho ininteligível). Positiva.
Doleiro – Hein?
Deputado – Positivo.
Doleiro – Positivo?
Deputado – Positivo.
Doleiro – Então, tá. Tá bom, então.
6) “A gente consegue fazer um negócio bom” (Ouça o diálogo)
06dez2012 08:57:43
A parceria entre Waldir Maranhão e o doleiro Fayed envolvia negócios diversos. Neste diálogo, Fayed aciona o deputado para convencer um prefeito amigo a liberar um pagamento. O negócio renderia dividendos a todos os envolvidos
Doleiro – Você tava com o prefeito Maurinho?
Deputado – É. Deixa eu te dizer: ele vai estar comigo. Eu estive com ele ontem. E ele vai estar hoje à noite aí. Eu vim a São Paulo.
Doleiro – Eu precisava me encontrar com você e com ele.
Deputado – Ok, eu organizo.
Doleiro – Mas você organiza para hoje à noite sem falta?
Deputado – Eu ligo. Ok. Eu saio daqui a umas três horas. Ao chegar eu te ligo pra gente articular. Viu?
Doleiro – Eu estou com uma pessoa que tem um negócio pra receber lá e parece que o negócio é grande e a gente consegue fazer um negócio bom aí.
Deputado – Ok.
Doleiro – É uma merenda que o cara fornece lá. Uma merenda escolar. Você tá sabendo?
Deputado – Eu tô sabendo. Aí, chegando a gente articula.
Doleiro – O cara tá na minha mão. A gente consegue resolver isso.
Deputado – Tranquilo, viu?
Procurado, o deputado negou que tenha recebido quaisquer benefícios indevidos, reiterou que já prestou depoimento sobre o assunto, afirmou que “está à disposição das autoridades para esclarecimentos” e que não tem “nenhuma” relação com o doleiro Fayed Traboulsi.

Roseana pode ficar inelegível em caso de condenação por corrupção na Saúde
Blog Marrapá– A ex-governadora Roseana Sarney, que entrou no jogo político do PMDB para tentar viabilizar sua candidatura ao Governo do Estado em 2018, pode ficar inelegível e ter suas pretensões políticas interrompidas precocemente.
Isso porque, além da ação penal aceita pela justiça, o promotor Lindonjonson Gonçalves de Sousa entrou com uma ação civil pública por improbidade administrativa na 2ª Vara da Fazenda Pública contra ela, Ricardo Murad e mais 15 pessoas pelo o esquema de desvio de recursos da Saúde. Como pena, o promotor pede a suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa e proibição de contratar com o Poder Público em caso de condenação.
Essa ação tem, inclusive, prejudicado Roseana na tentativa de se tornar ministra num eventual governo Michel Temer. Por isso, Sarney Filho foi o escolhido para assumir ou indicar a pasta da família. Roseana ainda é investigada na Operação Lava Jato sob a acusação de ter cobrado propina para o pagamento de precatório a empresa Constran. A ficha corrida da “princesa da Odebrecht” que começa a explodir pode afastar ela do Planalto e das eleições para o Governo do Maranhão daqui a dois anos.
O Ministério Público pede ainda que Roseana, Ricardo e os demais investigados sejam condenados a devolver R$ 151 milhões, corrigidos e acrescidos de juros legais de 1% ao mês, desde a data dos pagamentos pelos cofres públicos. Não se espante se nos próximos dias algumas belas casas da região do Calhau sejam postas à venda.
De acordo com a promotoria, o esquema começou em 2009 com a divulgação da concorrência 001/2009 – CPL/SES/MA, com o propósito de construir, de uma só vez, 64 unidades hospitalares de 29 leitos cada, em diversos municípios do Maranhão, com estimativa de custo de R$ 115.832.337,59. Ele descreve de forma minuciosa como as pessoas envolvidas planejam a escolha das empresas contratadas da preferência do secretário de saúde, Ricardo Murad, por indicação da então governadora Roseana Sarney.
O Ministério Público aponta uma série de ilegalidades que vão do início das obras, sem o devido projeto básico, como exige o art. 7º da Lei de Licitações e Contratos Administrativos a contratos sem licitação e superfaturados.
“O superfaturamento das contratações, no presente caso, é de tamanha evidência que dispensa qualquer análise contábil para a sua verificação. Veja-se que sessenta e quatro unidades hospitalares de vinte leitos produziriam 1280 leitos, e por isso cada leito hospitalar custaria aos cofres públicos o valor de R$ 118.181,62 (cento e dezoito mil, cento e oitenta e um reais e sessenta e dois centavos); sem contar os custos com equipamentos hospitalares e outras medidas de natureza estrutural que servem ao pleno funcionamento de uma unidade hospitalar”. Diz Lindonjonson na acusação enviada à Justiça.
A Comissão de Orçamento, Finanças, Fiscalização e Controle realizou conjuntamente com a Comissão de Assuntos Municipais e de Desenvolvimento Regional, na tarde-noite desta quinta-feira (5), no auditório “Neiva Moreira”, do Complexo de Comunicação, audiência pública para debater o Projeto de Lei 028/16, de iniciativa do Poder Executivo. O referido projeto, que se encontra em tramitação na Casa, dispõe sobre a repartição da parcela de 25% do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação –ICMS – pertencente aos municípios, com base na média do Índice de Desenvolvimento da Educação (IDEB).
Coube ao secretário de Educação, Felipe Camarão, esclarecer o porquê da proposta do Executivo em adotar o critério do IDEB para a repartição do ICMS aos municípios. Inicialmente, Felipe Camarão explicou que o IDEB é um indicador criado pelo Governo Federal, em 2007, para aferir o desenvolvimento da Educação Básica no País, a cada dois anos, com base no rendimento, censo escolar e média de desempenho.
“A cada ano ímpar se aplica a Provinha Brasil para verificar o aprendizado dos alunos do 5º e 9º anos do Ensino Fundamental nas disciplinas de português e matemática. Aguarda-se o resultado do IDEB de 2015, previsto para sair até junho próximo. O resultado sempre é apresentado nos anos pares”, acrescentou.
Segundo Felipe Camarão, os estados de Pernambuco e Ceará adotaram esse critério e vêm apresentado avanços significativos nos indicadores do IDEB. “ O Maranhão ocupa, hoje, o 24º lugar no ranking do IDEB, enquanto Pernambuco o 3º e o Ceará o 8º. Estamos adotando novos critérios e estabelecendo novas prioridades que vão depender da competência e da vontade política dos gestores em fazer evoluir o IDEB e, consequentemente, melhorar a educação. Trata-se de uma disputa salutar de incentivo a se avançar no processo de melhoria da educação do Maranhão”, argumentou.
O secretário de Fazenda, Marcelos Ribeiro, mostrou um quadro comparativo de como fica a repartição do ICMS, caso seja aprovada a proposta do Executivo. “Hoje adotamos os seguintes critérios e percentuais: 75% (Valor Agregado – VA), 15% (repartido linearmente/de forma igual), 5% (com base na população) e 5% (considerando o território). O projeto em discussão propõe: 75% (Valor Agregado – VA), 5% (repartido linearmente/de forma igual), 2% (com base na população) e 18% (considerando o IDEB)”.
Segundo Marcelos Ribeiro, a média do IDEB de cada município é o resultado da divisão do IDEB do município pela soma dos IDEBs de todos os 217 municípios. “Com base nesses novos critérios, 150 municípios aumentam sua receita de ICMS e 67 diminuem, com a tendência de ganharem os menores e perderem os maiores municípios. Os que mais ganham, em torno de 39%, acrescentam R$ 35 mil mensal e os que mais perdem, em torno de 26%, diminuem em torno de R$ 67 mil da receita”, revelou.
Para Marcelos Ribeiro, a proposta é uma aposta no futuro do Maranhão e permite que o prefeito seja responsável pela gestão da política pública de educação. “Caso seja aprovado o projeto, os novos critérios de repartição do ICMS só serão aplicados no próximo ano, considerando o IDEB dos anos de 2013 e 2015. O volume de recurso repartido com base nesse novo critério corresponde a 4,6%, o que equivale a R$ 17,6 milhões, do total de recursos arrecadados com o ICMS, correspondente, em 2015, a R$ 393 milhões”, observou.
DEBATE
Gil Cutrim, prefeito de Ribamar, parabenizou a inciativa da assembleia em dialogar com os prefeitos, reconheceu que o projeto é de suma importância para a evolução da educação do estado, defendeu sua aprovação e propôs que a aplicação dos percentuais seja de forma escalonada. “Os dados do IDEB dos 217 municípios do Maranhão, de 2013, são preocupantes e assim se apresentam: 14 municípios com nota 0, 39 com notas ótimas, 16 com notas boas, 40 com notas regulares e 104 em situação crítica”, ressaltou.
Fred Maia, prefeito de Trizidela do Vale, fez ponderações no sentido de que ainda falta amadurecimento dos gestores para assumir o desafio proposto. “Acho que primeiro temos que fazer o dever de casa, ou seja, melhorar alguns aspectos que impactam negativamente a nossa educação como, por exemplo, a questão do transporte escolar do Ensino Médio”, assinalou.
O assessor jurídico da Prefeitura de Codó, Helcimar Belém, argumentou que qualquer diminuição de receita dos municípios impacta diretamente a economia e sugeriu também uma adoção gradativa da proposta ou um mix de novos critérios. “A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) diz que 63% dos municípios brasileiros são altamente dependentes dos recursos de transferências”, enfatizou.
O deputado Adriano Sarney reconheceu a boa intenção do projeto, que o governo tá indo no caminho certo ao incentivar os prefeitos, mas entende que precisa ser aprimorado considerando, sobretudo, as variáveis lapso temporal e meritocracia.
Na visão de Marcelo Tavares, todos os municípios ganham com a aprovação do projeto porque a partir daí o IDEB ganha importância e faz da educação uma preocupação maior a médio e longo prazos. Estamos abertos para discutir o projeto. “Não queremos sua aprovação de forma açodada. Queremos chegar ao melhor projeto possível. Tenho certeza que o projeto é muito bom. Vários estados adotam, com outro indicador, mas com resultados muito positivos”, comentou.
Politicalha e mesquinharia ameaçam barras a licitação do transporte público da São Luís, anunciada em março pelo prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) como forma de garantir melhor qualidade do serviço prestado à população e por fim ao cartel montado por empresários inescrupulosos que ao longo de década exploram o setor com ônibus sucateados.
Como a grande maioria das empresas que exploram o transporte coletivo não atende as exigências do edital lançado, seus proprietários andam falando nas rodas de empresários que já teriam apoio no Tribunal de Justiça do Maranhão e no Tribunal de Contas do Estado para anular a licitação.
Esses empresários inescrupulosos que visam apenas explorar a população colocando ônibus caindo aos pedaços para fazer o transporte, com receio dos novos tempos, onde a comunidade está em primeiro plano, comentam abertamente que já teriam acertados com membros do TJ-MA e do TCE-MA para colocarem em prática o plano maquiavélico.
E tudo isso porque não querem investir na reestruturação do serviço, que exige veículos com ar-condicionado e com menos de sete anos de uso. Os tubarões do transporte desejam que a população continue usando sucatas com mais de 10 anos rodando e maltratando os usuários.
Os magnatas dos transportes não querem que o prefeito Edivaldo Holanda Junior (PDT) faça a licitação, um fato histórico que vai transformar o sistema de transporte coletivo de São Luís e democratizar a concorrência de quem deseja fornecer o serviço na capital.
O deputado Edivaldo Holanda (PTC), levanta suspeita de que por trás das depredações das paradas de ônibus colocadas recentemente pela Prefeitura de São Luís em vários pontos da cidade estejam interesse escusos de algumas figuras políticas que se dizem represente do povo.
“Sabe-se que muitas dessas ações que estão acontecendo em São Luís são por conta de interesses imediatos de determinadas figuras que dizem representar o povo”, afirmou o deputado ao alertar que estão sendo realizadas investigações para punir os responsáveis pelas depredações.
Segundo o parlamentar, os prefeitos antecessores Edivaldo Júnior muito pouco fizeram em relação a isso, enquanto a gestão atual, somente este ano, já instalou 300 paradas de ônibus em vários locais das avenidas e bairros de São Luís, sendo várias delas depredadas por vândalos a mando de quem deveria zelar pelo bem público.
“O patrimônio é público. Como é que um cidadão tem coragem de patrocinar e de estimular a depredação de uma parada de ônibus tão reclamada pela comunidade? Essas pessoas deveriam respeitar e não estimular a destruição, como a que está ocorrendo neste momento”, finalizou Edivaldo Holanda.
Pela primeira vez na história, o Governo irá proporcionar intercambio internacional a jovens maranhenses, por meio do programa ‘Cidadão do Mundo’. Os primeiros 23 alunos que embarcarão nesse projeto pioneiro visitaram o governador Flávio Dino, no Palácio dos Leões, na tarde desta quinta-feira (5), para receber o certificado do Curso de Imersão e receber os parabéns antes da viagem para o exterior, que se inicia neste sábado (7).
O governador Flávio Dino felicitou os alunos e disse que o desenvolvimento verdadeiro do Maranhão só é possível acreditando e investindo nas pessoas, e o ‘Cidadão do Mundo’ é um exemplo de oportunidade para todos. “Muitas vezes isso não é valorizado porque eu costumo dizer sempre que ninguém inaugura gente, ninguém vai colocar uma placa em vocês depois inaugurar. Aí muita gente pensa só em obra. A gente quer, na verdade, que o Maranhão progrida, que seja um estado justo. E para ser justo ele tem que buscar combater aquele pecado fundamental de qualquer sociedade humana que é a desigualdade”, destacou.
De acordo com Flávio Dino, a iniciativa foi concebida a partir de um conjunto de programas de múltiplos objetivos que visam beneficiar os alunos, incentivar outros estudantes e oportunizar a formação de líderes de processos de transformação nas unidades educacionais e comunidades. “Se vocês estão aqui, confiam em vocês em primeiro lugar, mas confiam no Governo porque é um programa sério e a gente quer que dê certo. E é muito importante que dê certo. E para dar certo precisa que vocês gostem. Porque vocês são os primeiros, os pioneiros. A gente fica feliz de possibilitar esse acesso mais amplo mediante uma política pública”, enfatizou o governador.
O Programa ‘Cidadão do Mundo’ tem como objetivo capacitar alunos na faixa etária entre 18 e 24 anos, para que eles possam alcançar domínio funcional das línguas inglesa, francesa e espanhola. Nesta primeira etapa, foram certificados 23 alunos, de um total de 100 que serão beneficiados, que participaram do Curso de Imersão em línguas, dos quais 17 irão para a cidade de Buenos Aires, na Argentina, e seis para Montpellier, na França, a partir do próximo sábado (7).
O secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação, Jhonatan Almada, realçou que o Governo do Maranhão dá um recado firme de que acredita na juventude e investe na educação, na contramão da crise econômica e política pela qual o Brasil atravessa. “Isso é prova de que, ainda que exista uma crise de confiança, existem instituições e políticos sérios no Brasil e esses alunos participando deste programa são a demonstração concreta de que o Estado do Maranhão tem uma liderança política séria, correta, honesta e que aplica o recurso público naquilo que deve ser aplicado”, reiterou.
Almada explicou que os 23 alunos que viajarão a partir do próximo sábado terão total apoio por parte do Governo, com seguro-saúde e uma bolsa no valor de R$ 4.500 para custeio. “O Governo também vai estar junto acompanhando permanentemente cada filho, cada filha de vocês que vão estar no exterior, para que eles se sintam não só acompanhados, mas seguros, e vocês, também, de que eles estão bem cuidados e acompanhados. Isso é um compromisso nosso, é um compromisso do Governo”, garantiu aos pais dos beneficiários o secretário.
DÉBORA ÁLVARES
RANIER BRAGON
Folha – Horas após a notícia da suspensão do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aliados do peemedebista e partidos do chamado “centrão” discutiram uma proposta para emplacar imediatamente o sucessor do peemedebista no Comando da Câmara.
A Folha conversou com vários líderes partidários que participaram de reunião no gabinete da Liderança do PP na Câmara, encontro que contou com a presença inclusive dos principais partidos de oposição.
A ideia é encontrar uma solução jurídica que impeça a permanência de Waldir Maranhão (PP-MA), o primeiro vice, no comando da Câmara e que leve a novas eleições no prazo de cinco sessões.
Com isso, o candidato de cunhistas e do centrão (PP, PR, PTB, PSD, PRB e outros partidos nanicos) seria o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), presidente da comissão que aprovou a autorização para o impeachment de Dilma Rousseff.
Rosso cumpriria o mandato tampão até janeiro de 2017 e, após isso, ingressaria em um ministério do governo de Michel Temer (PMDB), possivelmente Cidades.
Essa proposta foi levada nesta quinta-feira (5) a Temer, no Palácio do Jaburu, pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP). A aliados, Paulinho, como é conhecido, disse que o vice-presidente recebeu bem a proposta.
A Folha não conseguiu falar com a assessoria de Temer no final da tarde desta quinta.
Integrantes de partidos de oposição ouvidos pela Folha, porém, afirmaram que não vão participar desse acordo, embora reconheçam que os aliados próximos de Cunha mais os partidos do “centrão” tem maioria suficiente hoje na Câmara.
Rosso negou “com veemência” que tenha sido procurado ou que tenha discutido essa possibilidade. Ele afirmou inclusive que irá apresentar um projeto de lei que proíbe presidente e relatores de comissões de impeachment de participar de governos que resultem desses processos.
REGIMENTO
O grupo de Cunha e líderes de partidos do centrão buscavam ainda formas de tentar emplacar a tese de eleições, já que o afastamento de Cunha não resulta na vacância do cargo. Com isso, Waldir Maranhão cumpriria todo o mandato de Cunha, que vence em 1º de fevereiro de 2017.
Uma das possibilidades é levar a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara a declarar afastamento definitivo de Cunha sob o argumento de que sua volta não será possível antes de fevereiro de 2017, prazo final de seu mandato na presidência da Câmara.
Outra seria o PP expulsar Waldir Maranhão do partido por ele ter votado contra o impeachment de Dilma, desrespeitando uma decisão partidária. Como a primeira-vice presidência da Câmara cabe ao PP, há a tese de que teria que haver nova eleição para a ocupação do posto