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Autor: Jorge Vieira
  • Jorge Vieira
  • 10/nov/2017

Deputado tucano questiona intervenções feitas por Tasso

A crise interna que abala o PSDB nacional vai acabar respingando no Maranhão, onde o presidente Carlos Brandão foi deposto do comando do partido através de um ato de intervenção do presidente interino da legenda, senador Tasso Jereissati, que já começa ser questionado por aliados de Aécio Neves, pois a intervenção se estendeu também ao diretório estadual da Bahia.

Tasso é candidato a presidente do PSDB na convenção de dezembro próximo e Aécio teria usado esse argumento para destituí-lo, alegando a questão da paridade com o governador de Goiás e concorrente ao cargo, Marconi Perilo. Tudo indica que a nomeação de Roberto Rocha teria sido com o comprometimento de voto em Tasso na convenção. Aliados de Tasso espalharam que Fernando Henrique seria contra e teria se surpreendido com a nomeação de Alberto Goldman, mas essa versão é contestada.

A declaração do deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) sobre o episódio, no entanto, revela, inclusive, insegurança jurídica dos atos que destituíram os dirigentes estaduais do partido na Bahia e no Maranhão, o que só vem colocar mais calor nas discussões sobre futuro dos tucanos nos dois estados. Aqui no Maranhão Tasso interviu para arrancar Carlos Brandão da presidência e entregar a sigla para o senador Roberto Rocha, o popular “Asa de Avião”, uma vez que a debandada da militância é tida como certa.

– Engraçada essa versão que estão espalhando que Fernando Henrique ficou perplexo. Aécio conversou com ele antes e agora à tarde (nesta quinta-feira). Fernando Henrique deixou bem claro que Goldman iria prestar um grande serviço pacificando o partido, o que Tasso não estava conseguindo, que ele não iria buscar a unificação, tem sido hostil com todos que não concordam com ele. E já tivemos notícias que ele, como presidente, estava intervindo nos diretórios do Maranhão e Bahia, já não mostrava a imparcialidade na disputa — disse.

O senador “Asa de Avião” foi colocado na presidência do PSDB estadual por um ato de intervenção do presidente nacional interino no diretório estadual, mas o ato começa ser questionado e até discutida a validade, o que só vai contribuir para aumentar ainda mais a instabilidade política e legal no ninho dos tucanos do Maranhão.

 

  • Jorge Vieira
  • 10/nov/2017

Com aval de Temer, Roseana Sarney tentará retomar governo do MA

JOÃO PEDRO PITOMBO

Folha de São Paulo – Afastada da política desde que deixou o governo do Maranhão em 2014, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) vai disputar o governo estadual pela quinta vez, com o aval e apoio do presidente Michel Temer (PMDB).

O anúncio foi feito na semana passada em entrevista ao jornal “O Estado do Maranhão” e à rádio Mirante FM, ambas de propriedade da família Sarney.

“Após muito refletir sobre o momento político do Brasil e do Maranhão, seus problemas e desafios, e entendendo o desejo dos maranhenses que reconhecem o trabalho que realizei ao longo de inúmeros mandatos que exerci, coloco o meu nome à disposição do meu partido”, afirmou a ex-governadora ao lançar-se como pré-candidata.

O anúncio da candidatura foi feito cerca de um mês depois da ex-governadora ter retornado à cena política em uma visita ao Congresso e um encontro com Temer no Palácio do Jaburu.

Na ocasião, Roseana e Temer discutiram o cenário político nacional e do Maranhão. Além do apoio do partido para a disputa eleitoral, Roseana obteve recursos para convênios federais com prefeituras maranhenses e para emendas de deputados aliados.

Roseana Sarney, 64, foi governadora do Maranhão em quatro mandatos –de 1995 a 2002 e de 2009 a 2014. O grupo político comandado por seu pai, o ex-presidente José Sarney, comandou o Estado por cerca de cinco décadas.

Em 2014, contudo, o grupo perdeu as eleições para o hoje governador Flávio Dino (PC do B). Ex-deputado e ex-juiz federal, Dino derrotou o ex-senador Lobão Filho (PMDB) em uma ampla base de oposição que incluiu PSDB, PSB e setores do PT.

Ao se lançar pré-candidata, Roseana fez críticas veladas ao governo Flávio Dino sem citá-lo diretamente. Afirmou que suas gestões foram “melhores que a atual” e disse estar preocupada om os rumos do governo sob Dino.

“Não sou de fugir de lutas e embates. Já demonstrei minha honestidade, seriedade, experiência”, afirmou.

Presidente estadual do PMDB, o senador João Alberto Souza (PMDB) afirma que o partido “vê com bons olhos” a entrada de Roseana na disputa. “Evidente que é ela será nossa candidata”, disse à Folha.

Além de Dino e Roseana, devem disputar o governo do Maranhão o senador Roberto Rocha (PSB), a ex-deputada estadual Maura Jorge (Podemos), além do ex-secretário estadual Ricardo Murad (PRP), cunhado de Roseana.

AFASTAMENTO DO PT

O aval de Temer ao retorno de Roseana deve afastar o grupo político de José Sarney de uma possível candidatura do ex-presidente Lula (PT) em 2018.

Sarney apoiou Lula em 2002 e a a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2010 e 2014. Em contrapartida, os petistas aliaram-se formalmente a Roseana nas duas últimas eleições para o governo do Maranhão.

A expectativa é que os petistas apoiem a reeleição do governador Flávio Dino no próximo ano. O partido participa da gestão de Dino na qual ocupa a Secretaria Estadual da Mulher e a Agência Estadual de Mobilidade Urbana.

O afastamento de PT e PMDB no Maranhão já vinha sendo cogitado desde agosto, quando Lula passou pelo Estado em sua caravana pelo Nordeste, mas não encontrou publicamente com nenhum membro da família Sarney.

Além do apoio da máquina federal, Roseana terá em seu palanque o seu próprio irmão, o ministro do Meio Ambiente Sarney Filho (PV), como candidato ao Senado.

A outra vaga para o Senado será disputa pelos hoje senadores Edison Lobão (PMDB) e João Alberto Souza (PMDB) –este último já admite que pode disputar outo cargo em 2018: “Sou um homem de partido. Qualquer coisa que o partido decidir, vou acatar”.

Já o governador Flávio Dino perdeu recentemente o apoio do senador Roberto Rocha, que trocou o PSB pelo PSDB.

Por outro lado, ganhou aliados que antes orbitavam em torno do grupo de Sarney como o PP e negocia a adesão do DEM, cujos deputados estaduais já votam com ao seu governo.

  • Jorge Vieira
  • 9/nov/2017

Vale Livro: Bira destina emenda para que estudante possa adquirir livro na FeliS 2017

A 11ª edição da Feira do Livro de São Luís (FeliS), maior evento literário do Maranhão, inicia nesta sexta-feira (10) e vem com uma novidade. Nesta edição, os estudantes da rede pública de ensino terão direito a um Vale Livro para a aquisição de títulos. O benefício foi viabilizado pelo deputado estadual Bira do Pindaré (PSB), que destinou R$ 300 mil em emenda parlamentar.

Cada estudante, segundo ele, receberá um vele no valor de R$ 30,00, beneficiando um total de 10 mil jovens maranhenses. O objetivo do Vale Livro é estimular a leitura – para o socialista a principal porta de acesso ao conhecimento, mobilizar os estudantes a participar da Feira do Livro e valorizar o trabalho dos livreiros, estimulando a economia local.

“A Feira do Livro já faz parte do calendário cultural de São Luís, a capital que tem o título honroso de Athenas Brasileira justamente pelo seu destaque na área da literatura. Então, é algo que não pode faltar e que este ano vem com toda força graças à parceria entre a Prefeitura de São Luís e o Governo do Estado, e esse anos traz mais essa novidade importante, que é conceder Vale Livro para que os estudantes possam comprar livros durante o evento”, frisou.

O parlamentar acrescentou, em discurso na Assembleia Legislativa do Maranhão, que a FeliS 2017 deve contar com a participação de 200 mil pessoas nas mais variadas atividades que o evento oferece. Segundo pontuou, haverá, além das atividades artísticas, 40 lançamentos de livros, 50 palestras mesa-redonda, mais de 20 oficinas, 07 debates literários com pesquisadores, poetas maranhenses, 14 escritores nacionais e outras atividades que vão acontecer durante todo o período da feira.

Dentre elas, a presença de mulheres de renome nacional como a poetisa, jornalista e cantora, Elisa Lucinda, da cantora rapper, Negra Li, e da escritora Ana Maria Gonçalves. “Quero destacar também que esta edição da Feira do Livro faz homenagem especial à escritora Maria Firmina, a primeira romancista brasileira, que nasceu aqui no Maranhão, no município de Guimarães, e enfrentou os grilhões da escravidão, demonstrou sua força de superação, se tornando referência nacional da literatura em todo o território brasileiro”, pontuou.

A emenda será operacionalizada por meio de um convênio entre a Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia e a Sociedade dos Amigos da Biblioteca Pública Benedito Leite; e distribuído pela Secretaria de Estado da Educação (SEDUC) e pela Secretaria Municipal de Educação de São Luís (Semed). De acordo com o socialista, todos os estudantes que desejarem participar, devem procurar os gestores das escolas que estudam.

“Eu sei que hoje nós temos a facilidade dos meios eletrônicos, mas uma boa leitura de um livro é absolutamente insubstituível e, por essa razão, é que nós fazemos parte com muito orgulho dessa iniciativa que vai fortalecer a Feira do Livro de 2017, por meio do Vale-Livro. Portanto, parabéns ao Governo do Estado, parabéns à Prefeitura de São Luís, parabéns ao povo de São Luís do Maranhão por mais uma edição da Feira do Livro que é uma marca registrada da nossa querida cidade e do nosso estado do Maranhão”, concluiu.

 

  • Jorge Vieira
  • 9/nov/2017

O que acontecerá com o PSDB do desagregador Roberto Rocha?

A intervenção articulada pelo senador Roberto Rocha para tomar o PSDB no Maranhão deu certo. Mesmo a contragosto de 99% dos tucanos no estado, o partido agora terá como presidente o auto-alcunhado Asa de Avião, figura política controversa, desagregadora e que já ficou marcada como o maior traidor da história política do Maranhão.

Com o partido em suas mãos, Rocha tocará em frente seu projeto de candidatura ao governo do Estado em 2018. Com um mandato de 8 anos que ganhou de presente do governador Flávio Dino, Asa sabe que entrará na disputa sem chance alguma de se eleger, mas pelo menos não ficará sem cargo. O objetivo dele é tentar limpar sua imagem visando o pleito de 2022.

Mas o que acontecerá com o PSDB, já que a maioria dos tucanos maranhenses já se manifestou contra a presidência de Roberto Rocha? Uma grande revoada é quase inevitável, e a chance de RR se tornar um “general sem exército”, como definiu Carlos Brandão, é muito grande.

Sem conhecimento da realidade local, os dirigentes nacionais do PSDB acabaram caindo na conversa de Roberto Rocha. Ele deve ter prometido mundos e fundos a Tasso Jereissati, Geraldo Alckmin e companhia.

Mas, com certeza, o que os comandantes nacionais do PSDB no Maranhão verão é a perda de filiados, prefeitos e apoiadores que seriam essenciais para as eleições presidenciais de 2018.

A decisão acabou sendo um verdadeiro tiro no pé do PSDB. Que será comandado por um nome desagregador e que pode a qualquer momento trair aqueles que creditaram nele a confiança para dirigir o partido no Maranhão.

  • Jorge Vieira
  • 9/nov/2017

O fim anunciado dos direitos trabalhistas

Clara Lis Coelho, Felipe Vasconcellos e Flávia Pereira *

 Com a entrada em vigor da Reforma Trabalhista, vários direitos dos trabalhadores ficam ameaçados. Garantias antes protegidas passam a ser chamadas de privilégios e correm o risco de deixar de existir apenas para aumentar o lucro dos empresários.

O texto, aprovado às pressas pelo governo Temer, não considerou a complexidade do tema, carecendo de um debate com a sociedade e privilegiando apenas um setor que a compõe: os patrões.

Um dos pontos mais polêmicos diz respeito à gratuidade da Justiça Trabalhista. Por apenas exigir uma autodeclaração de pobreza, o acesso ao processo trabalhista é reconhecidamente um dos mais democráticos. Com as novas alterações, caberá  aos juízes do trabalho decidir se concedem o benefício aos empregados que ganham em média R$ 2 mil mensais. Como se não bastasse, os empregados ainda pagarão as custas por arquivamento de reclamação e deverão assumir honorários periciais e advocatícios caso percam a ação, algo que só existe no Direito Civil. Essas exigências não existiam anteriormente e, na prática, deixam o processo trabalhista oneroso e inviável para a maior parte da população.

Em relação aos direitos das mulheres grávidas e lactantes há outro retrocesso. A reforma permitiu que trabalhadoras lactantes ou gestantes trabalhem em ambientes insalubres, condicionando o afastamento à apresentação de atestado médico, permitindo-se, assim, um evidente prejuízo à saúde da trabalhadora.

Há mudanças também quanto ao regime parcial de trabalho. A jornada máxima passa de 25 para 30 horas semanais, admitidas horas extras quando a jornada for de até 26 horas semanais. Ou seja, pode ser considerado trabalhador a tempo parcial aqueles que trabalham até 32 horas numa semana, sem garantia de um salário mínimo sequer.

Sobre o banco de horas, a reforma permite que um simples acordo individual entre patrão e empregado retire direitos dos trabalhadores garantidos hoje por lei. Assim, poderá haver acordo individual para estabelecer banco de horas com compensação em até 6 meses, possibilitando jornadas mensais superiores a 220 horas.

Outro aspecto polêmico gira em torno do “Negociado sobre o legislado”. Um acordo coletivo poderá suprimir direitos relativos à saúde e segurança do trabalho, garantias constitucionais e legais como o intervalo mínimo de uma hora para refeição e descanso para quem trabalha mais de 6 horas por dia, que pode ser reduzido para apenas 30 minutos.

No contrato intermitente, o trabalhador permanece à disposição do empregador sem ganhar um tostão, sendo remunerado apenas quando o empregador requisite os serviços, não havendo ajuste prévio da quantidade mínima de horas a serem cumpridas em cada mês e do valor remuneratório mensal mínimo a ser recebido. A pena para o não comparecimento do trabalhador é de multa.

Tele-trabalho é uma outra falácia. Travestido de benefício, essa nova categoria de trabalho não estabelece regras para controle da jornada de trabalho do empregado, que deixará de computar as horas extras realizadas e intervalo para descanso e refeição.

Haverá também a possibilidade de demissão sem garantias. Com a reforma, não será necessária a assistência do sindicato ou autoridade do Ministério do Trabalho e Emprego para validar a demissão e a homologação passará a ser realizada de forma direta na CTPS do trabalhador.

Como se não bastasse, haverá uma limitação do dano moral. A reforma limita o valor dos danos morais que podem ser pedidos na justiça do trabalho, de modo que o dano moral de quem ganha mais, vale mais, e dano moral de trabalhador que tem salário baixo consequentemente será mais baixo. É a lei dizendo que o valor do salário pode discriminar.

O mesmo ocorre com o chamado “trabalhador hipersuficiente”. De acordo com a reforma, caso o trabalhador tenha formação superior e ganhe salário superior a R$11 mil, seu contrato terá valor de convenção coletiva, podendo prevalecer sobre a lei e impossibilitando o questionamento de cláusulas que considere injustas na Justiça do Trabalho.

Além de todas as alterações macabras citadas acima (e tantas outras tão tenebrosas quanto essas) haverá o enfraquecimento da organização dos trabalhadores. A reforma retira força das entidades sindicais acabando com a obrigatoriedade da contribuição sindical, permitindo a dispensa coletiva sem negociação com sindicatos, demissão sem necessidade de homologação sindical e ainda admitindo representante no local de trabalho sem participação sindical no processo eleitoral.

As alterações das leis trabalhistas vieram para atender demandas do setor empresarial. O lucro das empresas é importante, claro. Mas não deve ser motivo para desconstruir direitos e garantias conquistadas com muita luta ao longo de séculos. O Brasil segue em direção a uma das fases mais tenebrosas do Direito Trabalhista, assim como já ocorre no meio ambiente, setor energético, previdência e outros setores que estão sendo entregues à iniciativa privada.

Clara Lis Coelho,  Felipe Vasconcellos e Flávia Pereira são advogados de entidades sindicais do escritório Advocacia Garcez.

 

 

  • Jorge Vieira
  • 9/nov/2017

‘Gestão Flávio Dino é bastante eficiente’, diz presidente da Confederação Nacional na Indústria

“Muitos Estados estão passando por um momento difícil, mas aqui no Maranhão, com a gestão Flávio Dino, a gente percebe que há uma rigidez e uma eficiência muito grande”, disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, em almoço com o governador e secretários de Estado nesta quarta-feira (8) no Palácio dos Leões.

No encontro, foram tratadas iniciativas do Governo do Maranhão para a Indústria como o estímulo a cadeias produtivas, aproximação com a classe empresarial e os esforços para o equilíbrio fiscal do Estado em meio à crise.

O conjunto de ações resultou em um cenário atrativo para novos investimentos e a perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estadual para o ano que vem de 3%, acima da média nacional prevista.

“Isso é fruto de uma gestão bem-feita, que privilegia o desenvolvimento, a geração de renda”, afirmou Robson Andrade. “A gente sabe, por todas as notícias, que o governador Flávio Dino tem uma gestão bastante eficiente, com muito controle, mas com muito apoio dos setores que estão gerando desenvolvimento como a indústria, a agricultura”, acrescentou.

Expo Indústria Maranhão

Robson Braga também participou nesta quarta-feira da abertura da Expo Indústria Maranhão 2017, no Multicenter Sebrae. Em sua segunda edição, o evento já é considerado o maior do setor no Nordeste.

Para o secretário de Estado da Indústria e Comércio, Simplício Araújo, a presença do presidente da CNI no evento é importante para troca de impressões com empresários sobre as perspectivas de desenvolvimento da indústria e da economia no Maranhão.

Simplício ainda destacou a relevância do apoio do Governo, juntamente com o Sebrae, à exposição que é promovida pelo Sistema Fiema: “É uma feira que nos orgulha porque está muito forte, com palestras bem interessantes, possibilidade de transações econômicas, operações com bancos de fomento, entre outras ações que contribuem com o atual cenário de retomada de crescimento do estado”.

  • Jorge Vieira
  • 9/nov/2017

PF investiga encontro de Garibaldi e Sarney e tentativa de ‘soltura antecipada’ de Henrique Eduardo Alves  

 Por Matheus Leitão

G1 – A Polícia Federal suspeita que o senador Garibaldi Alves e outros familiares do ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, primo do parlamentar, buscaram ajuda do ex-presidente José Sarney para tentar uma “soltura antecipada” do ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Segundo as investigações, a busca era, possivelmente, para tentar influenciar o julgamento de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Henrique Eduardo Alves está preso há mais de quatro meses e foi um dos alvos da Operação Lava Jato, deflagrada há duas semanas, um desdobramento que nasceu do farto material apreendido nas buscas e apreensões da Manus, ação da PF nascida em junho.

Um relatório da Operação Manus ao qual o blog teve acesso registra gravações telefônicas, com autorização da Justiça, entre o senador Garibaldi e Laurita, esposa de Henrique Eduardo Alves, e também com Larissa, filha do casal.

O documento de 76 páginas, com data de 19 de outubro deste ano, mostra ainda que Garibaldi e Larissa foram monitorados pela PF em um carro oficial do Senado, a caminho de uma suposta casa da família Sarney.

Os grampos telefônicos e a vigilância presencial dos policiais estão registrados sob o título de “Encontro na Casa do Presidente”, e variam entre os dias 06 e 10 de outubro deste ano.

O primeiro diálogo importante trata de ligação entre Garibaldi e Laurita realizada no dia 8 deste mês, às 18h51:

Senador Garibaldi conversa com Laurita, esposa de Henrique Eduardo Alves
  • GARIBALDI: olhe, o Presidente marcou pra amanhã
  • LAURITA: certo
  • GARIBALDI: sete e meia da noite, na casa dele
  • LAURITA: ótimo, perfeito, tá ótimo, então vai à tarde e (…) pega no aeroporto, né
  • GARIBALDI: é verdade, é, tá certo
  • LAURITA: tá ótimo, tá perfeito, muito obrigada
  • GARIBALDI: viu
  • LAURITA: obrigada viu
  • GARIBALDI: tá
  • LAURITA: Deus abençoe você
  • GARIBALDI: um abraço Laureati [Laurita]

“Ademais, segundo as demais ligações da investigada Andressa, a sessão de julgamento de seu pai no Superior Tribunal de Justiça (STJ) estava prestes a ocorrer, motivo pelo qual existe a possibilidade de que tal encontro tenha sido arranjado no sentido da obtenção de benesses nesse julgamento”, continua relatório.

Depois disso, a PF registra conversa, interceptada no dia seguinte, da secretária de Garibaldi para o telefone de Andressa, na qual é marcado um encontro entre o senador e a filha de Henrique Alves na lanchonete Giraffas, no Gilberto Salomão, centro comercial do Lago Sul, bairro nobre de Brasília, pouco antes da suposta ida à casa de Sarney.

Segundo a PF, o suposto encontro na casa do ex-presidente estava marcado, primeiramente, para as 19h30 de 9 de outubro último, há quase um mês.

“Aproximadamente uma hora antes do encontro (09/10/2017 às 18h10min), o motorista [do senador] telefona para Andressa para combinarem o local exato onde passarão a integrar o mesmo carro em direção ao encontro”, explica o documento.

Cinco minutos depois o próprio senador conversa com Andressa, através do telefone desse motorista, diálogo que o blog também reproduz a seguir:

Senador Garibaldi conversa com Andressa, filha de Henrique Eduardo Alves

  • GARIBALDI: Andressa
  • ANDRESSA: oi
  • GARIBALDI: já soube da antecipação?
  • ANDRESSA: já, sete horas né?
  • GARIBALDI: é, sete horas lá
  • ANDRESSA: é, eu tô saindo aqui com minha mãe do aeroporto, vou só assinar um papel, é aqui pertinho do Gilberto, eu encontro vocês, é aqui do lado mesmo, é caminho
  • (…)
  • ANDRESSA: é rápido, é no caminho, só vou passar aqui no contador só pra assinar um papel
  • GARIBALDI: tá certo
  • ANDRESSA: tá, é caminho
  • GARIBALDI: você trouxe a lista direitinho é, tudo né?
  • ANDRESSA: não, mas eu tenho de cabeça, qualquer coisa eu anoto lá
  • GARIBALDI: hein?
  • ANDRESSA: eu sei de cabeça, eu anoto lá

Para a PF, é “importante destacar que Garibaldi preocupa-se que Andressa leve para a reunião uma lista, ao que Andressa responde que sabe de cabeça”.

“Tendo em vista a proximidade da data do julgamento no STJ anteriormente mencionada neste relatório, bem como o efetivo engajamento da investigada no caminho jurídico do processo penal de seu pai, tudo indica que referida lista seja relacionada a este julgamento”, diz o documento.

O relatório traz fotos do acompanhamento, inclusive do veículo oficial do Senado – placa Senado 0047 (acima).

Segundo o documento, às 18h59 do dia 9, Andressa embarca no carro do Senado, que sai do Gilberto Salomão, em direção à Península dos Ministros, também no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Às 19h09, segundo a PF, o carro chega à uma casa que, de acordo com o relatório da PF, pertence à família Sarney.

“O veículo oficial do Senado no qual Andressa está dentro entra na residência na Península dos Ministros – Lago Sul pertencente à família do ex-presidente da República José Sarney”, afirma a PF.

O relatório transcreve em seguida uma outra ligação de Andressa, às 20h33 do dia 9, depois do fim da reunião, desta vez para o marido dela, chamado Bruno. “Ao final da reunião, Andressa telefona para seu marido para saber como seu pai reagiu às notícias”.

De acordo com a PF, a investigação indica que Andressa enviou a Bruno, por Whatsapp, o resultado obtido com o encontro na casa do “presidente”, “solicitando que o mesmo repassasse para Henrique Eduardo Alves”.

Segundo a Polícia Federal, Andressa avisa ao marido, no início da ligação, que “ligou no normal” no intuito “provável” de alertá-lo a tomar cuidado com o que vai falar, “uma vez que trata-se de uma ligação telefônica que não foi feita utilizando-se de aplicativos de conversas instantâneas”.

Andressa, filha de Henrique Eduardo Alves, conversa com o marido, Bruno
  • BRUNO: oi
  • ANDRESSA: oi, liguei no normal, tá?
  • BRUNO: ham ham
  • ANDRESSA: e aí?
  • BRUNO: tudo ótimo, muito bom, tudo ótimo, ficou melhor ainda, já tava bem, ficou melhor com essa aí
  • ANDRESSA: ai, que bom, mas não chorou, nada não, né?
  • BRUNO: não não, nem perto disso, longe disso
  • ANDRESSA: ai que bom que não vai ter interrogatório aqui no STJ né? falou tudo?
  • BRUNO: falei, falei tudo
  • ANDRESSA: ai, falou da reunião, tudo?
  • BRUNO: ham ham
  • ANDRESSA: ele ficou bem?
  • BRUNO: muito, muito
  • ANDRESSA: ai, que bom
  • BRUNO: eu cheguei lá, ele tava animado, ele tá bem, só tava ansioso pra saber né…
  • ANDRESSA: é, eu imaginei
  • BRUNO: ai quando eu passei pra ele, ficou melhor, eu saí, ele tava super otimista
  • ANDRESSA: ai que bom, então tá
Para a PF, a ligação demonstra que Henrique estava ansioso pelo resultado da reunião ocorrida entre Andressa, Garibaldi e o ex-presidente Sarney e que o mesmo ficou satisfeito com o que foi obtido.

No dia seguinte ao encontro na suposta casa de Sarney, o último 10 de outubro, às 19h53, Garibaldi liga para Andressa, novamente do telefone do motorista, para avisar, segundo a PF, que ainda não recebeu a notícia que eles precisava.

“Tendo em vista as ligações anteriores, bem como a diligência realizada pela equipe policial em Brasília que identificou que o encontro ocorreu na residência do ex-presidente da República José Sarney, tudo indica que seja do ex-presidente que Garibaldi espera uma resposta”. A seguir a íntegra da transcrição:

Senador Garibaldi conversa com Andressa, filha de Henrique Eduardo Alves
  • MOTORISTA RAIMUNDO: é, eu vou passar o Senador Garibaldi pra você
  • ANDRESSA: ah, tá bom, obrigada
  • GARIBALDI: Andressa
  • ANDRESSA: oi
  • GARIBALDI: eu fiquei até agora esperando aquela notícia pra dar pra tu
  • ANDRESSA: sei
  • GARIBALDI: e até agora eu não recebi a notícia, liguei pra ele, mas ele não chegou em casa
  • ANDRESSA: ah tá
  • GARIBALDI: aí ele tava…o Secretário dele disse que assim que ele chegar vai pedir pra ele ligar
  • ANDRESSA: tá tá bom
  • GARIBALDI: aí ele diz…você vai amanhã mesmo?
  • ANDRESSA: vou amanhã de manhã, dez horas

As interceptações demonstram que o julgamento do caso no STJ estaria marcado para o próximo dia 31 de outubro, o que não ocorreu. O blog entrou em contato com a assessoria do STJ. Existem dois habeas corpus impetrados pela defesa de Henrique Eduardo Alves, datados do fim de agosto deste ano.

Os habeas corpus ainda não foram a julgamento, mas tem parecer contrário dado pelo Ministério Público Federal. Segundo a assessoria, a regra é que os HCs sejam levados ao órgão colegiado, nesses casos a Sexta Turma.

O que dizem os citados

Ao blog, o senador Garibaldi Alves confirmou a ida à casa do ex-presidente Sarney para pedir “ajuda” e tratar do caso de Henrique Eduardo Alves, seu primo, que foi presidente da Câmara dos Deputados.

“Sempre frequento a casa do Sarney aqui e acolá para pedir ajuda. E em uma dessas vezes, à noite, eu fui, em companhia da Andressa, para conversar sobre o problema do deputado Henrique, ouvir a opinião dele, como homem experiente, mas não houve nenhuma consequência”, afirmou ele sobre a suspeita de tentar “saída antecipada” de Henrique da prisão.

O advogado de Sarney, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que o ex-presidente recebe Garibaldi com frequência, e que é amigo dele e da família de Henrique Eduardo Alves.

“O ex-presidente confirma o encontro com Garibaldi e Andressa, mas diz que eles foram lá mais para contar história, que não houve pedido de nada. E mesmo se houvesse um pedido de liberdade, ele não teria nenhum tipo de influência e não poderia fazer nada”, disse Kakay ao blog.

O advogado de Henrique, Marcelo Leal, afirmou que tem trabalhado tecnicamente, buscando as vias judiciais, e acredita que o mérito do habeas corpus é muito bom, e que, por isso, acredita na concessão das medidas.

Procurado pelo blog, o advogado de Andressa, Erick Pereira, afirma que não pode comentar as informações porque elas estão sob sigilo. Segundo ele, quando o sigilo da investigação for retirado pela Justiça, as explicações serão dadas à coluna.

 O blog ligou para os números de Andressa, filha de Henrique, do marido dela, Bruno, e para Laurita, esposa de Henrique, mas não conseguiu o contato.

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