Segundo as investigações, a busca era, possivelmente, para tentar influenciar o julgamento de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Henrique Eduardo Alves está preso há mais de quatro meses e foi um dos alvos da Operação Lava Jato, deflagrada há duas semanas, um desdobramento que nasceu do farto material apreendido nas buscas e apreensões da Manus, ação da PF nascida em junho.
Um relatório da Operação Manus ao qual o blog teve acesso registra gravações telefônicas, com autorização da Justiça, entre o senador Garibaldi e Laurita, esposa de Henrique Eduardo Alves, e também com Larissa, filha do casal.
O documento de 76 páginas, com data de 19 de outubro deste ano, mostra ainda que Garibaldi e Larissa foram monitorados pela PF em um carro oficial do Senado, a caminho de uma suposta casa da família Sarney.
Os grampos telefônicos e a vigilância presencial dos policiais estão registrados sob o título de “Encontro na Casa do Presidente”, e variam entre os dias 06 e 10 de outubro deste ano.
O primeiro diálogo importante trata de ligação entre Garibaldi e Laurita realizada no dia 8 deste mês, às 18h51:
- GARIBALDI: olhe, o Presidente marcou pra amanhã
- LAURITA: certo
- GARIBALDI: sete e meia da noite, na casa dele
- LAURITA: ótimo, perfeito, tá ótimo, então vai à tarde e (…) pega no aeroporto, né
- GARIBALDI: é verdade, é, tá certo
- LAURITA: tá ótimo, tá perfeito, muito obrigada
- GARIBALDI: viu
- LAURITA: obrigada viu
- GARIBALDI: tá
- LAURITA: Deus abençoe você
- GARIBALDI: um abraço Laureati [Laurita]
“Ademais, segundo as demais ligações da investigada Andressa, a sessão de julgamento de seu pai no Superior Tribunal de Justiça (STJ) estava prestes a ocorrer, motivo pelo qual existe a possibilidade de que tal encontro tenha sido arranjado no sentido da obtenção de benesses nesse julgamento”, continua relatório.
Depois disso, a PF registra conversa, interceptada no dia seguinte, da secretária de Garibaldi para o telefone de Andressa, na qual é marcado um encontro entre o senador e a filha de Henrique Alves na lanchonete Giraffas, no Gilberto Salomão, centro comercial do Lago Sul, bairro nobre de Brasília, pouco antes da suposta ida à casa de Sarney.
Segundo a PF, o suposto encontro na casa do ex-presidente estava marcado, primeiramente, para as 19h30 de 9 de outubro último, há quase um mês.
“Aproximadamente uma hora antes do encontro (09/10/2017 às 18h10min), o motorista [do senador] telefona para Andressa para combinarem o local exato onde passarão a integrar o mesmo carro em direção ao encontro”, explica o documento.
Cinco minutos depois o próprio senador conversa com Andressa, através do telefone desse motorista, diálogo que o blog também reproduz a seguir:
Senador Garibaldi conversa com Andressa, filha de Henrique Eduardo Alves
- GARIBALDI: Andressa
- ANDRESSA: oi
- GARIBALDI: já soube da antecipação?
- ANDRESSA: já, sete horas né?
- GARIBALDI: é, sete horas lá
- ANDRESSA: é, eu tô saindo aqui com minha mãe do aeroporto, vou só assinar um papel, é aqui pertinho do Gilberto, eu encontro vocês, é aqui do lado mesmo, é caminho
- (…)
- ANDRESSA: é rápido, é no caminho, só vou passar aqui no contador só pra assinar um papel
- GARIBALDI: tá certo
- ANDRESSA: tá, é caminho
- GARIBALDI: você trouxe a lista direitinho é, tudo né?
- ANDRESSA: não, mas eu tenho de cabeça, qualquer coisa eu anoto lá
- GARIBALDI: hein?
- ANDRESSA: eu sei de cabeça, eu anoto lá
Para a PF, é “importante destacar que Garibaldi preocupa-se que Andressa leve para a reunião uma lista, ao que Andressa responde que sabe de cabeça”.
“Tendo em vista a proximidade da data do julgamento no STJ anteriormente mencionada neste relatório, bem como o efetivo engajamento da investigada no caminho jurídico do processo penal de seu pai, tudo indica que referida lista seja relacionada a este julgamento”, diz o documento.
Segundo o documento, às 18h59 do dia 9, Andressa embarca no carro do Senado, que sai do Gilberto Salomão, em direção à Península dos Ministros, também no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Às 19h09, segundo a PF, o carro chega à uma casa que, de acordo com o relatório da PF, pertence à família Sarney.
O relatório transcreve em seguida uma outra ligação de Andressa, às 20h33 do dia 9, depois do fim da reunião, desta vez para o marido dela, chamado Bruno. “Ao final da reunião, Andressa telefona para seu marido para saber como seu pai reagiu às notícias”.
De acordo com a PF, a investigação indica que Andressa enviou a Bruno, por Whatsapp, o resultado obtido com o encontro na casa do “presidente”, “solicitando que o mesmo repassasse para Henrique Eduardo Alves”.
Segundo a Polícia Federal, Andressa avisa ao marido, no início da ligação, que “ligou no normal” no intuito “provável” de alertá-lo a tomar cuidado com o que vai falar, “uma vez que trata-se de uma ligação telefônica que não foi feita utilizando-se de aplicativos de conversas instantâneas”.
- BRUNO: oi
- ANDRESSA: oi, liguei no normal, tá?
- BRUNO: ham ham
- ANDRESSA: e aí?
- BRUNO: tudo ótimo, muito bom, tudo ótimo, ficou melhor ainda, já tava bem, ficou melhor com essa aí
- ANDRESSA: ai, que bom, mas não chorou, nada não, né?
- BRUNO: não não, nem perto disso, longe disso
- ANDRESSA: ai que bom que não vai ter interrogatório aqui no STJ né? falou tudo?
- BRUNO: falei, falei tudo
- ANDRESSA: ai, falou da reunião, tudo?
- BRUNO: ham ham
- ANDRESSA: ele ficou bem?
- BRUNO: muito, muito
- ANDRESSA: ai, que bom
- BRUNO: eu cheguei lá, ele tava animado, ele tá bem, só tava ansioso pra saber né…
- ANDRESSA: é, eu imaginei
- BRUNO: ai quando eu passei pra ele, ficou melhor, eu saí, ele tava super otimista
- ANDRESSA: ai que bom, então tá
No dia seguinte ao encontro na suposta casa de Sarney, o último 10 de outubro, às 19h53, Garibaldi liga para Andressa, novamente do telefone do motorista, para avisar, segundo a PF, que ainda não recebeu a notícia que eles precisava.
“Tendo em vista as ligações anteriores, bem como a diligência realizada pela equipe policial em Brasília que identificou que o encontro ocorreu na residência do ex-presidente da República José Sarney, tudo indica que seja do ex-presidente que Garibaldi espera uma resposta”. A seguir a íntegra da transcrição:
- MOTORISTA RAIMUNDO: é, eu vou passar o Senador Garibaldi pra você
- ANDRESSA: ah, tá bom, obrigada
- GARIBALDI: Andressa
- ANDRESSA: oi
- GARIBALDI: eu fiquei até agora esperando aquela notícia pra dar pra tu
- ANDRESSA: sei
- GARIBALDI: e até agora eu não recebi a notícia, liguei pra ele, mas ele não chegou em casa
- ANDRESSA: ah tá
- GARIBALDI: aí ele tava…o Secretário dele disse que assim que ele chegar vai pedir pra ele ligar
- ANDRESSA: tá tá bom
- GARIBALDI: aí ele diz…você vai amanhã mesmo?
- ANDRESSA: vou amanhã de manhã, dez horas
As interceptações demonstram que o julgamento do caso no STJ estaria marcado para o próximo dia 31 de outubro, o que não ocorreu. O blog entrou em contato com a assessoria do STJ. Existem dois habeas corpus impetrados pela defesa de Henrique Eduardo Alves, datados do fim de agosto deste ano.
Os habeas corpus ainda não foram a julgamento, mas tem parecer contrário dado pelo Ministério Público Federal. Segundo a assessoria, a regra é que os HCs sejam levados ao órgão colegiado, nesses casos a Sexta Turma.
O que dizem os citados
Ao blog, o senador Garibaldi Alves confirmou a ida à casa do ex-presidente Sarney para pedir “ajuda” e tratar do caso de Henrique Eduardo Alves, seu primo, que foi presidente da Câmara dos Deputados.
“Sempre frequento a casa do Sarney aqui e acolá para pedir ajuda. E em uma dessas vezes, à noite, eu fui, em companhia da Andressa, para conversar sobre o problema do deputado Henrique, ouvir a opinião dele, como homem experiente, mas não houve nenhuma consequência”, afirmou ele sobre a suspeita de tentar “saída antecipada” de Henrique da prisão.
O advogado de Sarney, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que o ex-presidente recebe Garibaldi com frequência, e que é amigo dele e da família de Henrique Eduardo Alves.
“O ex-presidente confirma o encontro com Garibaldi e Andressa, mas diz que eles foram lá mais para contar história, que não houve pedido de nada. E mesmo se houvesse um pedido de liberdade, ele não teria nenhum tipo de influência e não poderia fazer nada”, disse Kakay ao blog.
O advogado de Henrique, Marcelo Leal, afirmou que tem trabalhado tecnicamente, buscando as vias judiciais, e acredita que o mérito do habeas corpus é muito bom, e que, por isso, acredita na concessão das medidas.
Procurado pelo blog, o advogado de Andressa, Erick Pereira, afirma que não pode comentar as informações porque elas estão sob sigilo. Segundo ele, quando o sigilo da investigação for retirado pela Justiça, as explicações serão dadas à coluna.

A crise interna que abala o PSDB nacional vai acabar respingando no Maranhão, onde o presidente Carlos Brandão foi deposto do comando do partido através de um ato de intervenção do presidente interino da legenda, senador Tasso Jereissati, que já começa ser questionado por aliados de Aécio Neves, pois a intervenção se estendeu também ao diretório estadual da Bahia.
Folha de São Paulo – Afastada da política desde que deixou o governo do Maranhão em 2014, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) vai disputar o governo estadual pela quinta vez, com o aval e apoio do presidente Michel Temer (PMDB).
A 11ª edição da Feira do Livro de São Luís (FeliS), maior evento literário do Maranhão, inicia nesta sexta-feira (10) e vem com uma novidade. Nesta edição, os estudantes da rede pública de ensino terão direito a um Vale Livro para a aquisição de títulos. O benefício foi viabilizado pelo deputado estadual Bira do Pindaré (PSB), que destinou R$ 300 mil em emenda parlamentar.
A intervenção articulada pelo senador Roberto Rocha para tomar o PSDB no Maranhão deu certo. Mesmo a contragosto de 99% dos tucanos no estado, o partido agora terá como presidente o auto-alcunhado Asa de Avião, figura política controversa, desagregadora e que já ficou marcada como o maior traidor da história política do Maranhão.
Com a entrada em vigor da Reforma Trabalhista, vários direitos dos trabalhadores ficam ameaçados. Garantias antes protegidas passam a ser chamadas de privilégios e correm o risco de deixar de existir apenas para aumentar o lucro dos empresários.
“Muitos Estados estão passando por um momento difícil, mas aqui no Maranhão, com a gestão Flávio Dino, a gente percebe que há uma rigidez e uma eficiência muito grande”, disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, em almoço com o governador e secretários de Estado nesta quarta-feira (8) no Palácio dos Leões.
G1 – A Polícia Federal suspeita que o senador Garibaldi Alves e outros familiares do ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, primo do parlamentar, buscaram ajuda do ex-presidente José Sarney para tentar uma “soltura antecipada” do ex-presidente da Câmara dos Deputados.

