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Autor: Jorge Vieira
  • Jorge Vieira
  • 3/set/2018

Esquema de corrupção tem grande impacto nas eleições, diz coordenador da Lava Jato

Ricardo Brandt

O coordenador da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol. Foto: Théo Marques/Estadão

Estadão – “A corrupção desequilibra as disputas eleitorais em favor dos corruptos.” Quem afirma é o procurador da República Deltan Dallagnol.

“Uma vez reeleitos, mantêm ou aumentam seus esquemas, gerando mais propinas, o que nos coloca num círculo vicioso”, completa o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba.

Desde que a Lava Jato virou modelo no enfrentamento à impunidade no Brasil,  Dallagnol passou a viajar o País para palestras em que promove o combate à corrupção.

O fim do foro privilegiado, a criminalização do caixa 2 de campanhas, maior agilidade nos processos judiciais são bandeiras erguidas por ele nesses eventos. Neste ano, o foco são as eleições 2018. Para Dallagnol, o eleitor precisa fazer sua parte no combate à corrupção.

“Enquanto houver grandes incentivos para a prática da corrupção nos ambientes político e empresarial, continuaremos perdendo”, disse o procurador.

Na última semana, ele esteve no Nordeste para participar de eventos e entre um aeroporto e outro concedeu entrevista exclusiva ao Estadão.

Nela, Dallagnol defendeu a eleição de políticos com ficha limpa,  comprometidos com o combate ao colarinho branco e com a realização de reformas “que façam com que o crime de corrupção não compense mais no Brasil”.

Dallagnol tem ajudado a promover as Novas Medidas Contra a Corrupção, 70 propostas de alterações legais e medidas que servem para atacar a corrupção em 12 frentes. Fruto do trabalho de entidades da sociedade civil organizada, como a Transparência Internacional, e instituições como a Faculdade Getúlio Vargas (FGV), o movimento batizado de Unidos Contra a Corrupção reúne apoiadores das propostas em seu site, unidoscontraacorrupcao.org.br.

“Precisamos que o brasileiro se manifeste contra a corrupção por meio do voto consciente. Isso independe de partido político ou de ser conservador ou liberal.”

Leia a entrevista:

O senhor tem defendido em palestras e manifestações pessoais a necessidade de o eleitor votar em candidato com ficha limpa, defensor da democracia e comprometido com propostas anticorrupção ? Por que decidiu fazer isso?

Para a corrupção diminuir e proteger a Lava Jato. A responsabilização dos poderosos na Lava Jato e em outras operações é necessária para controlar a grande corrupção, mas não é suficiente. Enquanto houver grandes incentivos para a prática da corrupção nos ambientes político e empresarial, continuaremos perdendo. Se queremos virar esse jogo, é crucial que coloquemos no Congresso Nacional políticos comprometidos com a aprovação de leis que fechem as brechas por onde o dinheiro público escapa. Além disso, se colocarmos no Congresso pessoas que são investigadas, é natural que trabalhem contra as investigações e processos. É o que aconteceu na Itália e que leis foram aprovadas para garantir a impunidade dos poderosos. Por isso é essencial colocar no Congresso políticos com passado limpo. Sei que essa não é a única pauta da sociedade, mas é uma agenda importantíssima.

A Lava Jato e outras investigações como ela correm risco?

A Lava Jato corre grande risco depois das eleições. Enquanto o Congresso Nacional estiver cheio de investigados, a tendência é que ataquem as investigações aprovando leis contra elas. É o que aconteceu na Itália e é o que já tentaram fazer por aqui algumas vezes quando tentaram passar a anistia de caixa 2, uma lei de abuso de autoridade que amarrava investigações e projetos que impediriam delações. Neste fim de ano, quem perder o foro privilegiado pode entrar em desespero e os demais podem se sentir confortáveis para aprovar leis impopulares porque só haverá novas eleições depois de quatro anos.

Quantos políticos a Lava Jato revelou ligados a irregularidades?

Apenas a colaboração da Odebrecht mencionou 415 políticos de 26 partidos. Nas contas da imprensa, quase um terço dos senadores e ministros e quase metade dos governadores. Um político que decidiu colaborar afirmou que o esquema de nomeações políticas para arrecadação de propinas, que são usadas para enriquecimento dos envolvidos e financiamento de campanhas, existe há várias décadas. O que a Lava Jato revelou é um esquema político-partidário bastante espalhado que vai muito além da Petrobrás e que tem grande impacto nas eleições.

Como a corrupção impacta nas eleições?

A Lava Jato revelou que as propinas não só enriqueceram os envolvidos, mas também financiaram caras campanhas eleitorais. Estudos mostram uma correlação entre o dinheiro investido na campanha e o número de votos. Isso significa que a corrupção desequilibra as disputas eleitorais em favor dos corruptos. Uma vez reeleitos, mantêm ou aumentam seus esquemas, gerando mais propinas, o que nos coloca num círculo vicioso.

Veja-se que o ex-governador do Rio Sergio Cabral foi acusado de desviar para si mais de 300 milhões de reais. O custo médio da campanha para o governo do Rio de 2014 foi estimado, em julho daquele ano, em 186 milhões de reais para 7 candidatos, isto é, 26,5 milhões por candidato. O que aconteceria se Cabral investisse metade dos subornos na campanha? Teria chance para alguém?

A Lava Jato acusou o Partido Progressista de receber mais em propinas da Petrobras do que verbas do fundo partidário ao longo de uma década. De novo, há políticos íntegros e devem ser valorizados. Contudo, precisamos reconhecer que há uma seleção natural adversa que favorece os políticos corruptos, que sobrevivem e se multiplicam.

Como o voto pode influir nesse combate à corrupção?

Na Lava Jato temos feito o nosso melhor, mas sozinhos não vamos conseguir vencer a grande corrupção brasileira. É preciso que o eleitor faça a sua parte nas urnas. Não adianta reclamar da corrupção e eleger pessoas envolvidas até o pescoço nos esquemas. Se isso acontecer, os esquemas continuarão. Precisamos que o brasileiro se manifeste contra a corrupção por meio do voto consciente. Isso independe de partido político ou de ser conservador ou liberal. É importante elegermos um Congresso plural, que represente as diferentes visões da sociedade, e que ao mesmo tempo esteja comprometido com a integridade.

A Lava Jato não ‘judicializa’ o debate eleitoral?

O foco da Lava Jato não é a política, nem mesmo o caixa dois ou o financiamento das campanhas, mas sim o pagamento de propinas. A corrupção, a venda do serviço público, diz respeito à razão ou origem do pagamento. É sobre isso que a Lava Jato atua. Outra coisa é o destino do dinheiro. A propina pode ir para o bolso do político ou para a sua campanha eleitoral, tanto via caixa um como via caixa dois. Focamos na origem ou razão do pagamento, e não no seu destino. Por isso, a Lava Jato não judicializa ou criminaliza a política. A política pode e deve ser praticada sem cometer crimes. Existem políticos íntegros e devem ser valorizados. Agora não adianta querer culpar a Lava Jato pelos crimes que muitos decidiram praticar. Eles também devem estar debaixo da lei.

Olhando a Lava Jato em perspectiva agora, o que ele deve ensinar ao eleitor na escolha do seu candidato?

Olhando a Lava Jato em perspectiva, vemos que é muito difícil responsabilizar as pessoas mais poderosas, especialmente aquelas com foro privilegiado. Elas deveriam ser as primeiras a ser responsabilizadas para evitar que continuem a administrar a coisa pública quando provaram não ser confiáveis. Se você descobrisse que uma pessoa que presta serviços para você está roubando o seu dinheiro, você certamente encerraria essa relação. Do mesmo modo, o eleitor pode encerrar a relação com políticos corruptos, nas urnas. Por isso, espero que a Lava Jato incentive as pessoas a não reelegerem quem tem passado sujo. Esse é o modo mais rápido e prático de promover a sua responsabilização. Isso contribuirá também para que sejam investigados de modo mais eficiente, porque perderão o foro privilegiado.

A Lava Jato provou que doações eleitorais e aos partidos foram usadas para lavar dinheiro de propina. E mesmo com as operações em sua fase mais pesada, crimes de corrupção continuavam ativos. O sr. acha que a corrupção e os desvios nas campanhas acabaram, após a Lava Jato?

Eu acredito que diminuíram e é isso que temos ouvido por onde vamos. A Lava Jato promove um efeito educativo e inibidor. Na Mãos Limpas, a corrupção diminuiu também no curto prazo por medo de punição. Contudo, quando as investigações foram esvaziadas e como os incentivos para a corrupção foram mantidos, pesquisadores apontam que a corrupção voltou com força total. É esse o erro que devemos evitar no Brasil.

Como frear de forma efetiva a corrupção e os ilícitos nas campanhas eleitorais, nos governos e partidos?

Por meio de reformas que façam com que o crime de corrupção não compense mais no Brasil, viabilizando sua efetiva punição e a recuperação do dinheiro desviado, e por meio de reformas que mudem as condições que favorecem a corrupção no ambiente político e empresarial. As Novas Medidas Contra a Corrupção constituem um grande pacote de leis com potencial para romper o círculo vicioso da corrupção brasileira.

Quais bandeiras deveriam ser prioritárias para os candidatos no combate à corrupção?

Há muitas pautas importantes para o País, mas considero o compromisso contra a corrupção um requisito indispensável para o voto consciente. Dentre as medidas importantes, que fazem parte do pacote das Novas Medidas, estão a redução drástica do foro privilegiado, a desburocratização, a inserção do tema anticorrupção nas escolas, o aumento das penas da corrupção, a agilização de processos, a criação de instrumentos para recuperar o dinheiro desviado, o estímulo à democracia dentro dos partidos, a punição de partidos que se envolvem com corrupção, a criminalização do enriquecimento ilícito dos agentes públicos, a regulamentação do lobby e o aumento da transparência. E lá tem muito mais…

Como investigador, que dica o senhor dá para um cidadão comum que queira estar atento nessas eleições?

A primeira coisa que eu olharia é se o candidato preenche os requisitos da campanha Unidos Contra a Corrupção, se tem passado limpo, tem um compromisso com a democracia e ap

  • Jorge Vieira
  • 2/set/2018

Weverton segue em campanha pelo interior do estado

Faltando pouco mais de um mês para as eleições, o candidato Weverton  Rocha segue em campanha pelo interior do estado. Neste sábado, a comitiva formada pelos candidatos do grupo político do governador Flávio Dino, esteve em Dom Pedro, onde participou de uma carreata que arrastou uma multidão.

Em seguida, a comitiva foi para Barra do Corda, onde o prefeito Eric Costa apresentou seus candidatos nesse pleito. A cidade mostrou que quer fazer parte do projeto coletivo que vem mudando a história do Maranhão. “Estamos apoiando Weverton, porque ele já mostrou que defende o trabalhador e o povo e estamos precisando de pessoas assim representando
a gente”, defendeu a cacique Libiana.

No ato político, o candidato pedetista elevou o tom e rebateu os adversários. “A chapa adversária diz que tem experiência. Eu não quero a experiência deles, pois com 5 anos de mandato não fiz parte do golpe que tirou a presidente Dilma, da trama que prendeu Lula, que votaram a favor da Reforma Trabalhista que tira o direito dos trabalhadores, que votaram a favor do congelamento do dinheiro da saúde e da educação. É hora de mudar, de oxigenar o Senado Federal”, disparou Weverton.

De Barra do Corda a comitiva seguiu para uma reunião em Santa Luzia do Paruá, onde o prefeito Plácido Holanda apresentou seus candidatos. “Precisamos eleger nomes parceiros e garantir essa representatividade também no Senado e o nome certo é Weverton”, frisou o gestor.

De Santa Luzia, a comitiva se uniu ao grupo de Josimar de Maranhãozinho e saiu em carreata para Presidente Médici, Maranhãozinho e Governador Nunes Freire, onde foram recebidos pelo vice-prefeito, Josimar da Serraria. Mais uma vez o candidato a senador criticou a política do Governo Federal e seus representantes estaduais. “Flávio Dino está mostrando que apesar de toda a crise está fazendo o dever de casa, pagando o funcionalismo em dia e ainda investindo em um projeto de mudança”, destacou o candidato.

  • Jorge Vieira
  • 2/set/2018

Flávio Dino tem início da campanha fulminante

A campanha do candidato da coligação Todos pelo Maranhão teve início fulminante. O resultado da pesquisa Econométrica/TV Guará foi apenas um ingrediente a mais favorável ao governador Flávio Dino, líder disparado na preferência do eleitorado, para renovar o mandato. Os outros cinco candidatos, conforme as últimas sondagens sobre o índice de preferência do eleitorado, incluindo até o desacreditado Ibope, não chegam sequer ameaçar levar a eleição para o segundo turno e tudo indica que o pleito será decidido dia 7 de outubro.

Enquanto na pesquisa da Econométrica Dino chega 53,1% das intenções de voto,  Roseana Sarney (MDB) tem apenas 28,8%, que somados aos 3,7% de Roberto Rocha (PSDB) 2,1 de Maura Jorge (PSL) e os menos de 1% dos  candidatos Ramon Zapata (PSTU) e Odívio Neto (PSOL) seriam insuficientes para evitar a reeleição logo no primeiro turno. Para complicar ainda mais a vida dos adversários, a pesquisa foi apresentada logo no início da propaganda eleitoral no Rádio e TV o que deve servir para encher ainda mais de entusiasmo a militância.

Quando aplicado apenas os votos válidos, a pesquisa Econométrica confirma números divulgados recentemente pelo Instituto DataIlha, que apontou também vitória de Flávio Dino no primeiro com placar superior a 60% do votos válidos. Roseana até que pontua bem para quem saiu do governo antes de terminar o mandato carregando um caminhão de denúncias de corrupção, sendo alvo inclusive de investigação, mas a linha auxiliar não ajuda. As candidaturas de Roberto Rocha e Maura Jorge simplesmente estão sendo ignoradas e os dois representantes da  esquerda radical participam apenas para marca posição.

Mesmo com o cenário totalmente favorável, a campanha do governador que acabou com a farra da lagosta na Casa de Veraneio, hoje transformada em Casa Ninar, não dorme no ponto, continua acelerando e realizando caminhadas, carreata e mobilizando a militância para ganhar as ruas em busca do voto, comportamento totalmente inverso das campanhas de Roberto Rocha e Maura Jorge, que parecem terem  jogaram a toalha e desistido do pleito.

A candidata da oligarquia Sarney tem feito tentativa de bota o bloco na rua, mas as vezes em que ousou realizar caminhadas nos municípios não encontrou quem caminhasse com ela, outras vezes teve que reunir em varanda de casa e até em quintal, como ocorreu na cidade de Parnarama, ou em baixo de mangueira, como foi o caso de Amapá do Maranhão, por falta de público, ou seja, pelo que se tem observado até agora, o consórcio montada por José Sarney caminha para fracasso.

 

  • Jorge Vieira
  • 1/set/2018

Othelino é recebido com carreata em Peri -Mirim e garante o apoio de lideranças locais

O candidato à reeleição, deputado Othelino Neto, participou, na noite de sexta-feira (31), de uma grande carreata em Peri-Mirim, município que já foi beneficiado com suas emendas parlamentares para a melhoria da infraestrutura.
“O meu objetivo é continuar trabalhando em benefício da população de Peri-Mirim, e tenho convicção de que, com a ajuda de vocês, continuaremos fazendo um bom trabalho”, afirmou o deputado, durante o seu discurso.
Além da participação de populares, a carreata contou com grandes lideranças políticas, que declararam apoio à candidatura de Othelino Neto.
O líder popular e pré-candidato a prefeito de Peri-Mirim, Heliezer Soares, reafirmou a parceria com o presidente da Assembleia Legislativa. “Este jovem deputado tem prestado um grande trabalho no Parlamento  e é muito importante garantir a continuidade dessa atuação, para ajudar no desenvolvimento do nosso município”, afirmou.
A deputada federal Luana Costa, candidata à reeleição, também falou da importância de lutar pelo município, em parceria com o parlamentar. “Othelino foi uma grata revelação na Assembleia Legislativa, mostrando vigor e força. Por isso, tenho o prazer de estar junto a ele nessa luta pela melhoria de Peri-Mirim”, acentuou.

  • Jorge Vieira
  • 1/set/2018

Disputa pelo Senado segue embolada, diz pesquisa TV Guará/Econométrica

Continua bastante acirrada a disputa pelo Senado nas eleições maranhenses deste ano. De acordo com a pesquisa TV Guará/Econométrica divulgada neste sábado (1), há múltiplos empates técnicos entre os primeiros colocados.

A disputa está assim: Edison Lobão tem 26,3% das intenções de votos, seguido por Sarney Filho (25,7%), Eliziane Gama (24%), Weverton Rocha (20,5%) e Zé Reinaldo (18,1%).

Como a margem de erro é de 2,61%, há uma série de empates técnicos entre os candidatos.

Mais afastados, estão Alexandre Almeida (9,3%), Preta Lú (2,2%), Samuel Campelo (2%), Saulo Arcangeli (1,6%), Saulo Pinto (1,4%) e Iêgo Bruno (0,6%).

Brancos e nulos somam 30,7%. Outros 37,5% não sabem ou não responderam. A soma total dá 200% porque, neste ano, os eleitores votam em dois senadores.

Votos válidos – Considerando apenas os votos válidos – que excluem brancos, nulos e indecisos – Lobão tem 20%; Sarney Filho, 19,5%; Eliziane, 18,5%; Weverton, 15,5%; Zé Reinaldo, 14%; Alexandre Almeida, 7%; Preta Lú, 1,5%; Samuel Campelo, 1,5%; Saulo Arcangeli, 1%; Saulo Pinto, 1%; Iêgo Brunno, 0,5%.

Nesse caso, a soma dá 100% porque são apenas os votos válidos, como são computados na apuração oficial.

A pesquisa está registrada no TSE sob o número MA-08877/2018. Foi feita entre 21 e 25 de agosto, com 1.407 entrevistados. A margem de erro é de 2,61 pontos.

  • Jorge Vieira
  • 1/set/2018

Pesquisa TV Guará/Econométrica confirma vitória de Flávio Dino no 1º turno

Do portal da TV Guará – A primeira pesquisa de intenções de voto TV Guará / Econométrica foi divulgada neste sábado (1º) para o Governo do Maranhão aponta vitória de Flávio Dino (PCdoB) ainda no primeiro turno.

Ao todo 1.407 pessoas de todas as seis regiões do Maranhão responderam a pesquisa no período entre 21 e 25 de agosto. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número MA-08877/2018. O intervalo de confiança  é de 95% com uma margem de erro de 2,61%.

Governo

No cenário de estimulada, o atual governador tem 53,1% das intenções de voto seguido por Roseana Sarney (MDB) com 28,8%. Em terceiro lugar vem o senador Roberto Rocha (PSDB) com 3,7% enquanto Maura Jorge (PSL) soma 2,1%. Os candidatos Ramon Zapata (PSTU) e Odívio Neto (PSOL) foram lembrados por menos de um por cento dos entrevistados.

Os brancos e nulos somam 6,6% enquanto que os entrevistados que não sabem ou não responderam chegou a 4,9.

Quando analisados apenas os votos válidos, o governador Flávio Dino chega a 60% das intenções de voto contra 32,5% da ex-governadora Roseana Sarney. O senador Roberto Rocha atinge 4,2% enquanto Maura Jorge chega a 2,4%. Ramón Zapata e Odívio Neto não ultrapassaram a marca de 1%.

Segundo turno

A pesquisa também estimulou dois cenários de segundo turno e o governador Flávio Dino venceria a eleição em ambos.

Caso enfrentasse a ex-governadora Roseana Sarney, Flávio Dino aparece com 56,3% contra 30,8% da candidata. Com o número de brancos e nulos chegando a 8,2% e não sabem ou não responderam com 4,7%.

Contra Roberto Rocha, Dino foi citado por 63,3% dos entrevistados enquanto o senador teria 17,3%. Neste cenário, o número de brancos e nulos subiu para 13,1% enquanto os que não sabem ou não responderam chegam a 6,3%.

Espontânea

Na pesquisa espontânea, na qual os entrevistados citam livremente os candidatos em que votam, Flávio Dino foi o mais bem colocado com 37% das citações seguido por Roseana Sarney com 16,1%. Novamente Roberto Rocha fica em terceiro com 1%.

Neste cenário, Maura Jorge e Ramón Zapata aparecem com menos de 1% enquanto Odívio Neto não foi citado por nenhum dos entrevistados. Neste caso os brancos e nulos somaram 4% enquanto o número de que não sabem ou não responderam bateu a marca de 40%.

Rejeição

Entre os candidatos com maior rejeição para os entrevistados, a ex-governadora Roseana Sarney está na liderança com 47,1% das respostas, seguida por Roberto Rocha com 26,3% e Flávio Dino com 23,4%.

Maura Jorge foi citada por 19,5%, Ramón Zapata por 17,3% e Odívio Neto por 12,7%. Os entrevistados que não sabem ou não responderam chegam a 12,1%.

Senador

A pesquisa TV Guará / Econométrica também traz números do cenário para o Senado Federal com uma disputa bem apertada pelas duas vagas a disposição.

O líder de intenções de voto é o senador Edison Lobão (MDB) com 26,3% seguido de perto por Sarney Filho (PV) com 25,7%. A deputada federal Eliziane Gama (PPS) vem em terceiro lugar com 24% seguida do também deputado Weverton Rocha (PDT) com 20,5%. Zé Reinaldo (PSDB) também está próximo dos líderes com 18,1%.

O outro candidato do PSDB, Alexandre Almeida, tem 9,3% das intenções de voto seguido por Preta Lú (PSTU) com 2,2% e Samoel Campelo (PSL) com 2%. Saulo Arcangeli (PSTU) foi citado por 1,6% e Saulo Pinto (PSOL) por 1,4%. Iego Bruno (PCB) foi citado por menos de 1% dos entrevistados.

O número de votos em branco e nulo chegou a 30,7% e o dos que não sabem ou não responderam bateu a marca de 37,5%.

Aprovação

O Governo de Flávio Dino foi aprovado por 65,2% dos entrevistados contra 31,1% dos que não aprovam a sua gestão a frente do Maranhão. Apenas 3,7% não sabem ou não responderam sobre a aprovação do governo.

 

 

 

 

 

 

 

  • Jorge Vieira
  • 1/set/2018

Carta Capital: Em um Maranhão renovado, Dino tenta confirmar fim da era Sarney

Enquanto estado surge na vanguarda em políticas educacionais e de inclusão, oligarquia local volta a apostar em Roseana

Por Murilo Matias – O grupo político mais antigo em atividade no Brasil confronta-se mais uma vez com o governador Flávio Dino no Maranhão. Após o líder do PCdoB derrotar o grupo político da família Sarney nas eleições de 2014, colocando fim à supremacia de meio século,o estado que costumava ocupar as manchetes nacionais pelas crises passou a ser exemplo para o Brasil em áreas como educação, infraestrutura e na atenção a pessoas com necessidades especiais.

“Dino faz um governo atuante, aceito pela população que defende sua reeleição. Ouço das pessoas que ele está realizando a maioria das promessas. Agora mesmo nossa avenida principal está em reforma e prometeram calçar a rua onde moro até o final do ano”, conta Marilene Costa, moradora da zona rural de São Luís, a trinta minutos do centro.

A dona de casa destaca ainda a democratização do acesso à internet através do Maranet, que em sua primeira etapa acumula 800 mil acessos e planeja atingir 61 cidades, das 217 do estado.

A busca de Dino pela reeleição baseia-se no fortalecimento do Estado como agente de transformação social junto da participação popular em discussões sobre o orçamento participativo. A partir dessa visão, o gestor aliou a busca por experiências bem sucedidas junto ao fortalecimento do funcionalismo para desenvolver políticas voltadas às necessidades mais urgentes.

O investimento em pessoal fez com que o Maranhão fosse considerado o paraíso dos concursos, em comparação aos outros estados que cortavam vagas na máquina pública.

“Acabou o tempo do Maranhão ser governado por uma ou duas famílias, agora o estado é governado por todas as famílias. Eu escolhi ser político porque gosto de ver o povo mobilizado, isso me emociona. Tenho muito orgulho de ser um servidor público sério”, definiu Flávio Dino, no lançamento da campanha que reuniu dez mil pessoas, incluindo os candidatos ao senado da chapa e Weverton Rocha (PDT ) e Eliziane Gama (PPS).

A ênfase ao sistema educacional com o Escola Digna resultou na reforma de 800 unidades,  qualificação a 50 mil professores e no pagamento do salário base mais alto do Brasil, R$ 5.750, além de treze mil matrículas em regime integral.

“Avançamos não somente financeiramente, mas nas condições de trabalho e no diálogo da entidade sindical com o governo, que já anunciou um novo edital para docentes. Nas gestões anteriores tudo ficava na conversa ou não éramos nem recebidos”, compara Raimundo Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma),com 33 mil sindicalizados.

No ensino superior, a Universidade Federal do Maranhão é pioneira no curso de cultura estudos africanos e  afrobrasileiros, sintonizada com a formação étnica da população. A licenciatura surgiu respaldada pela lei federal sancionada pelo ex-presidente Lula que tornou obrigatória a matéria para os alunos do fundamental e médio.

“Nesses tempos sombrios de perda de direitos e diminuição de políticas afirmativas somos uma resistência. Este ano levamos uma comitiva de cem alunos para a África, algo inédito. O Maranhão é o estado com maior população negra no Brasil e aqui o extermínio da juventude negra impressiona”, informa a professora Pollyanna Muniz.

A terra que se orgulha por preservar o português mais belo do país exclui 840 mil conterrâneos da possibilidade da leitura e escrita ao manter aproximadamente 17% da população no analfabetismo . O problema crônico teve um símbolo de transformação com os vinte mil maranhenses que se somaram aos três milhões e meio de latinoamericanos contemplados pelo programa “Sim eu posso”, método cubano aplicado em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), sobretudo aos idosos, maioria dos iletrados.

No segmento da saúde, o número de hospitais pulou de dois para dez e a cooperação foi novamente um trunfo com destaque para a presença dos médicos cubanos que junto aos brasileiros reforçaram a atenção básica com pico de 700 profissionais. Outra novidade, a transformação da casa de veraneio do governador em um local de assistência a crianças com carências de neurodesenvolvimento permite o atendimento semanal de 15 famílias na Casa de Apoio Ninar. Em paralelo, o projeto Travessia levou transporte gratuito a 1.500  portadores de deficiência em mais de 35 mil viagens desde 2006, segundo dados oficiais.

A superação de barreiras chegou também aos gramados. O Maranhão conquistou A Copa Nordeste, ou Lampions League, com o título do Sampaio Correa – o triunfo inédito veio depois de o clube ser excluído do campeonato em anos anteriores, motivo da festa sem fim promovida pelos torcedores da Bolívia Querida, apelido do time em razão de seu uniforme.

Dos chineses aos americanos, aqui é Jamaica

Se no campo social a integração foi com os cubanos, no terreno energético e econômico o executivo busca parcerias com a iniciativa privada da China para retomar a obra da refinaria de Bacabeira, projetada para ser a maior da América Latina antes de ter sua construção interrompida pela Petrobras devido à troca de comando na estatal. A negociação envolve o valor de dez bilhões de dólares, mas a capacidade de processar 300 mil barris de petróleo por dia anima os investidores asiáticos a longo prazo.

A geração de energia, aliás, preocupa os consumidores cotidianamente. O preço da tarifa praticado pela Companhia Energética do Maranhão (Cemar) é o segundo mais elevado do país afetando gravemente as casas em que a renda per capita familiar é inferior ou equivalente de 597 reais, média do estado e a menor nacional.

O governo contraargumenta que essa fatia da população paga valores inferiores ao fixado pela Agência Nacional de Energia Elétrica e cita baixa de impostos na concessão gratuita de carteiras de motorista e nos incentivos à agricultura familiar para demonstrar a postura tributária em relação aos mais pobres.

Os recursos naturais abundantes se estendem pela região mineradora de Godofredo Viana, abundante em ouro, ao longo do pólo agrícola de Balsas e na atração de turistas aos lençóis maranhenses. As possibilidades das terras e os constantes confrontos reforçam a necessidade de ações de proteção a comunidades quilombolas e etnias indígenas.

“O Brasil desde sua colonização mantém a concentração da terra como modelo imperante em detrimento a milhões que precisam de seus territórios para garantir a sua reprodução física e cultural, em especial nós povos originários. O agronegócio avança a cada dia apoiado pelo governo. No Maranhão o processo de reforma agrária é incipiente com muitos conflitos onde povos, comunidades tradicionais e agricultores familiares sempre saem perdendo. A presença desses grupos evidencia que o modelo de desenvolvimento deve se basear nos nossos modos de vida, somos o símbolo da resistência”, assegura a maranhense Sonia Guajajara, candidata a vice-presidência pelo Psol, a primeira indígena a concorrer ao posto.

Ao passo que a questão fundiária é alvo de disputas inclusive da especulação estrangeira, a supremacia estadunidense sobre a Base de Alcântara, localizada no município de mesmo nome, reflete o descompasso entre a defesa da soberania por parte da esfera estadual e o entreguismo de Michel Temer – o acordo dos golpistas com a potência do norte restringe a atuação dos cientistas brasileiros no local. A comunicação entre os poderes também deixa a desejar no que concerne à administração da penitenciária de Pedrinhas, palco de repetidas chacinas. A omissão da União exigiu do governo a revitalização do complexo para evitar as mortes que chocaram o Brasil em anos anteriores.

Buscando ares mais relaxados, a inauguração do Museu do Reggae reforçou a relação do povo com a música trazida pelos jamaicanos. São Luis, a capital brasileira do reggae, lembra até hoje dos shows de Jimmy Cliff na ilha e das afinidades entre o espírito maranhense e caribenho.

O meio século de poder

Os abalos à família Sarney iniciado com a vitória de Dino em 2014 teve novo capítulo em 2016 quando o PCdoB atingiu o recorde de 46 prefeituras diante das 22 mantidas pelo PMDB. Acossado pelo crescimento dos adversários, o ex-presidente Sarney retornou seu domicílio eleitoral ao Maranhão, levantando suspeitas de que concorreria ao Palácio dos Leões aos 88 anos, cargo que coube a sua filha, a ex-governadora por quatro mandatos Roseana Sarney.

“Já estou bem velho, mas não velhaco. Sou o político mais antigo em atividade no Brasil, já percorri todos os caminhos da política e tenho uma tradição de luta por nosso estado. Há sessenta anos a violência dominava o Maranhão, não havia luz, água, estrada e o povo era triste. Hoje sou eu quem está triste pelo fim das festas populares, com a volta da criminalidade e da perseguição. Esse governo só olha para trás e o escolhido sou eu. Nessa idade era para eu ser respeitado, mas sou acusado depois de passar a minha vida a serviço do Maranhão. Com Roseana a tristeza vai acabar”, declarou Sarney aos gritos de eterno presidente na convenção do PMDB realizada no espaço privado Renascença.

A capital é um exemplo da perda do controle político dos emedebistas, que elegeram apenas um vereador em São Luis, gerida pelo bem avaliado prefeito Edivaldo Holanda Junior (PDT), cujo partido integra a base do governo. Mas engana-se quem pensa que o clã perdeu instrumentos para exercer sua força, como demonstra a sentença da juíza Anelise Nogueira Reginato determinando a inelegebilidade de Dino por abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2016. Sem efeito imediato por ser uma decisão de primeiro grau, o risco está na possibilidade de cassação futura do governador, relembrando os tempos que Jackson Lago (PDT) foi retirado do cargo para o qual havia sido eleito derrotando Roseana, em 2006.

Historicamente o clã Sarney e seus aliados valeram-se de estratégias eficientes que permitiram sua perpetuação. Parte dos maranhenses considera ser visto com preconceito pelo restante dos brasileiros devido a sempre serem taxados como os mais pobres e detentores dos piores índices na saúde e educação.

Somado à ideia do estigma, muitos não se incomodam em manter uma relação personalista com o Estado dependendo de favores dos caciques e elogiam o apreço do grupo pela cultural local, a cena de Roseana dançando o boi percorre todas as campanhas de que participou.

“O presidente e sua filha nos defendem lá fora, isso é muito caro para nós. Sem ele e seus parceiros não teríamos as obras que estão em cada canto do território desde os tempos em que Glauber Rocha veio filmar Maranhão 66 por aqui”, recorda Assis Miranda, de Imperatriz, a maior cidade na mão dos sarneysistas.

A construção da imagem positiva inclusive alçou Roseana, intitulada guerreira do povo, a colocar-se como pré-candidata à presidência da república em 2002 pelo PFL, hoje DEM. O movimento trazia muitas semelhanças com a transição realizada por Fernando Collor em 1989, gestores jovens, modernos, que proporcionaram desenvolvimento a suas terras pobres do Nordeste.

A apreensão de 1,3 milhões de reais na construtora Lunus, em São Luís, empresa de propriedade da então governadora e seu marido Jorge Murad, acabaram com a chance de um Sarney voltar a presidir o Brasil, mas não acabaram com o poderio interno.

“Passei os últimos quatro anos em silêncio em respeito aos que escolheram Flávio Dino, mas agora chegou a minha hora de falar. É inadmissível que mais de 300 mil cidadãos tenham retornado à pobreza e que o governo confisque bens, carros, motos em leilões que humilham a dignidade das pessoas. Não permitirei que isso continue”, afirmou Roseana durante a oficialização de sua candidatura.

A hegemonia sobre a rádio e TV Mirante, retransmissora da Globo, é mais uma arma para desgastar os comunistas. Sob esse quadro, a esquerda questiona a pesquisa Ibope em que Dino aparece com 43% contra 34% de Roseana – correm por fora o senador Roberto Rocha (PSDB) e Maura Jorge (PSL), ambos com 3%. No estado, é comum os levantamentos do instituto superestimarem a performance de candidatos do grupo de Sarney.

O levantamento aponta ainda a liderança dos conservadores para o Senado com a dianteira de Sarney Filho (PV) e Edison Lobão (PMDB), que ganhou todas as eleições que participou. “Não tenho curral eleitoral, tenho a consciência política do estado”, declarou o ex-ministro de Minas e Energia, em entrevista ao Imparcial.

Apesar da distância ideológica, nem tudo é diferença entre os nomes que polarizam o cenário. Assim como os adversários faziam, Dino costurou uma grande aliança pela governabilidade, causando o fim à chamada “sarneyzação do PT”, em alusão ao tempo em que o partido estava junto do PMDB, pressionado pela conjuntura nacional. Junto aos petistas, integra a coligação o DEM e PP, siglas que apoiaram o golpe contra a presidente Dilma Roussesff.

Outro traço em comum é a defesa do ex-presidente Lula, o preferido dos maranhenses para o pleito presidencial. A manifestação de apoio ao direito de concorrer da maior liderança nacional coloca Roseana ao lado de Dino, que na condição de juiz federal critica os abusos do judiciário.

Por tudo que envolve, a campanha maranhense deve ser uma das emocionantes do Brasil pelo contraste que encarna. Se houvesse eleição pelo melhor jingle a chance seria grande para a música cantada por Alcione na campanha de Roseana, mas na ilha do amor os comunistas esperam bater o tambor do boi e os corações da gente com mais força.

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