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Dino ao portal 247: “há base para intervir no Maranhão”

Pré-candidato
ao governo do Maranhão pelo PCdoB, o presidente da Embratur, Flávio Dino, falou
com exclusividade ao 247 sobre a situação da segurança pública no Estado, onde
os ônibus deixaram de circular após uma onda de ataques extremamente violenta
na capital São Luís a partir de ordens dadas por presidiários; “É a ponta
de um iceberg, que mostra falta de autoridade e descontrole total no
Maranhão”; Dino diz ainda que o artigo 34 da Constituição já permitiria
uma intervenção no Estado governado por Roseana Sarney; “Por muito menos,
houve uma intervenção federal no Espírito Santo”
247 – Se a sensação nas ruas de São Luís é de medo,
diante da onda de violência e da decisão do sindicato dos ônibus de impedir a
circulação dos coletivos, a temperatura também deve subir no campo político. Em
entrevista exclusiva ao 247, o pré-candidato ao governo estadual, Flávio Dino,
afirmou que já existem condições jurídicas para uma intervenção federal no
Maranhão. “Dois casos que permitem intervenção são o comprometimento da
ordem pública e o desrespeito aos direitos humanos”, diz Dino. “Por
muito menos, houve intervenção no Espírito Santo”. 
Dino, que
é presidente da Embratur e filiado ao PCdoB, se refere à intervenção ocorrida
em 2002, no governo FHC, que atingiu seu aliado José Ignácio, também tucano, e
que se mostrava incapaz de combater o crime organizado no Estado. Doze anos
depois, no Maranhão, a situação seria ainda mais grave, segundo Dino. “No
presídio de Pedrinhas, 60 pessoas morreram no ano passado e outras duas foram
mortas neste ano”, afirma ele. 
O
político também classifica como “irresponsável” a declaração do
ex-presidente José Sarney, que teria rotulado a crise como “briga de
bandidos”, que ocorreria dentro dos presídios. “Nos presídios, estão
sendo mortos, os presos mais fracos, os mais frágeis. Fora deles, a população
está sendo atacada e agora ficou sem transporte público, impedida de retornar
ao lar depois do trabalho”.
Dino diz
que a crise da segurança pública no Maranhão é estrutural. “É o estado com
menor número de policiais por habitante em todo o País. Aqui, existe um
policial para cada 800 habitantes, quando a média nacional é de 1 para
415”, afirma. “Ou seja, é quase a metade”. A consequência
natural, diz ele, foi o aumento da violência. Dino afirma que o número de
homicídios em São Luís foi 630 para 800 entre 2012 e 2013.
Ele
também afirma ainda que a crise na segurança é apenas “a ponta de um
iceberg” muito maior. “O descalabro atinge todas as áreas da
administração: a saúde, a educação, a infraestrutura, tudo”, diz ele.
“Ou seja, reflete o fim de um ciclo, o esgotamento de uma estrutura de
poder que transformou o Maranhão no estado com os piores indicadores sociais do
País”.
Líder nas
pesquisas para o governo estadual, ele afirma que a crise atual amplia o
desconforto na relação entre PT e PMDB. “Como a base do PT irá apoiar essa
administração, que não consegue garantir direitos humanos básicos?”,
indaga. Dino lembra ainda que, assim como a família Sarney, ele também integra a
base aliada e que o PCdoB apoia o PT em vários outros estados.
O apoio à
família Sarney, no entanto, tem sido sempre uma condição imposta pela cúpula do
PMDB para garantir a aliança com o PT nas eleições nacionais. Desta vez, no
entanto, o caldo pode estar prestes a entornar.

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