17 de setembro de 2011

Redação: (98) 98205-4499

17/09/2011 -

Jorge Vieira -

Comente

Sarney usa vácuo de nomes na Câmara para ampliar espaços

CACIQUE EMPLACA TERCEIRO NOME DO MARANHÃO NO PRIMEIRO ESCALÃO GRAÇAS A CRISE DE AUTORIDADE DO LÍDER DA BANCADA DE DEPUTADOS

VERA MAGALHÃES

A nomeação do terceiro peemedebista do Maranhão para o ministério de Dilma Rousseff levou analistas políticos e o público geral a indagar: por que, tantos anos depois de ter deixado a Presidência, José Sarney conserva tanto poder na República?
 
A resposta envolve múltiplos fatores e essa constatação sobre a força do patriarca, de todo correta, precisa ser matizada no caso da escolha de Gastão Vieira para o lugar do conterrâneo Pedro Novais na pasta do Turismo.
 
Sarney aproveitou o vácuo de nomes e uma rebelião da bancada do PMDB da Câmara -“dona”, da vaga de Novais- para encaixar mais um aliado no primeiro escalão.
 
O mesmo expediente já tinha sido usado na escolha do primeiro titular da pasta. Sarney e o líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), fizeram uma operação casada.
 
O primeiro indicou o primo do deputado, Garibaldi Alves (RN), para o Ministério da Previdência, latifúndio do PMDB do Senado. Em troca, Henrique agraciou o maranhense com a vaga do Turismo, que cabia aos deputados.
 
Assim, Sarney sentiu-se à vontade para se desvincular de Novais ao primeiro sinal de escândalo envolvendo o aliado, que foi flagrado usando verba de gabinete para custear estadia em um motel.
 
Agora a história se repete. Sem força para emplacar seus favoritos na pasta, Henrique viu sua autoridade questionada por parte da bancada.
 
Sarney e sua filha, a governadora Roseana, não esperaram: se puseram em campo, com telefonemas para o vice-presidente, Michel Temer, para emplacar Gastão Vieira.
 
É indicado de Sarney? Sim, mas adotado pela Câmara.
 
Ou, no dizer de um partidário: “É só olhar para o ministro e ver que tem bigode”.
 
Feita essa ressalva, o fato é que, 21 anos depois de seu período no Planalto, Sarney é o último dos oligarcas a gozar de poder nacionalmente.
 
Antonio Carlos Magalhães, outra figura de trajetória comparável, já vivia havia muitos anos o ocaso de sua influência quando morreu, em 2007.
 
O prestígio que tem junto ao PT se deve, em grande medida, a ter comprado ações de Lula em 2002 na baixa, quando se falava em risco PT.
 
Isso lhe valeu a chave dos cargos no setor elétrico, apoio (à revelia do PT) à eleição de Roseana e salvo-conduto na maior crise que já enfrentou, a dos atos secretos do Senado, em 2009.
 
Eleita, Dilma não mexeu nos feudos no setor elétrico e ainda ampliou seus espaços.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rádio Timbira Ao Vivo

Buscar

Nossa pagina