8 de Março de 2015

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08/03/2015 -

Jorge Vieira -

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Sarney diz que inclusão de Roseana é vingança de Janot

Em artigo publicado em seu jornal, ex-presidente
acusa o procurador-geral da República de incluir sua filha em lista de
investigados para tentar se “vingar” dele. Delator diz que ex-governadora
recebeu R$ 2 milhões de propina

O ex-presidente e ex-senador José
Sarney (PMDB-AP) disparou contra o procurador-geral da República, Rodrigo
Janot, por ter incluído sua filha, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB-MA),
na “cloaca” – termo utilizado pelo peemedebista – da lista dos políticos que
serão investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Operação Lava Jato. O
ex-senador atribuiu a abertura da investigação contra Roseana, suspeita de ter
recebido dinheiro do esquema de desvio de recursos da Petrobras, a uma
“vingança” do procurador-geral da República.

Em artigo publicado na edição de
domingo – mas que já circula em São Luís neste sábado (7) – do jornal O Estado do Maranhão, de sua propriedade, Sarney
associa a abertura do inquérito contra sua filha à rejeição, pelo Senado, em
2009, da indicação do procurador Nicolao Dino para o Conselho Nacional do
Ministério Público (CNMP). Na época, Sarney presidia o Senado. Atual secretário
de Relações Institucionais da PGR, Nicolao é irmão do governador do Maranhão,
Flávio Dino (PCdoB), que derrotou o grupo político de Sarney nas eleições do
ano passado. Janot só assumiu a PGR em setembro de 2013, ou seja, quatro anos
após a negativa do Senado a Nicolao.
“Um cabeça coroada do órgão, cérebro e braço
direito do dr. Janot, foi recusado para o CNMP pelo Senado. Agora, o dr. Janot,
em solidariedade ao colega, coloca mal a instituição MP. Como vem fazendo desde
a última eleição, quando pediu intervenção federal no Maranhão e perseguiu a
governadora Roseana Sarney no episódio de Pedrinhas, resolve vingar-se de mim,
atribuindo-me a culpa pela recusa do amigo”, acusou o senador.
Sarney diz que não teve qualquer responsabilidade
na negativa do Senado à indicação de Nicolao Dino. “Eu não votei, não presidi a
sessão que recusou seu nome, e nem sabia da votação. Agora, o dr. Janot, na sua
escolha da lista dos destinados autos de fé, inclui Roseana nessa cloaca”,
criticou.
O senador, que se aposentou recentemente da
política após 60 anos de mandatos, diz que não é do seu “feitio” perseguir quem
quer que seja. “Assim, é justo o nosso direito de revolta pela INJUSTIÇA.
Minha, porque jamais – não é do meu feitio – seria capaz de recusar o dr.
Nicolao Dino por motivos pessoais, que não tinha e não tenho, cujas referências
de bom profissional sempre ouvi; e de Roseana, que está amargando o fel da
vingança, uma mistura de ódio e política”, escreveu.
R$ 2 milhões
O procurador-geral pediu inquérito contra Roseana
com base na delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa,
que disse ter mandado entregar R$ 2 milhões a Roseana para sua campanha ao
governo do Maranhão, em 2010, a pedido do senador Edison Lobão (PMDB-MA), que
também será investigado na Lava Jato. Roseana nega ter recebido o dinheiro e
diz ter ficado “perplexa” com a abertura da investigação.
“As tratativas da governadora em relação ao
pagamento de propina para o abastecimento de sua campanha eram breves e se
restringia a perguntas se estava tudo acertado”, disse Paulo Roberto na delação
premiada. “Ela nunca foi à Petrobras, nunca teve nenhuma relação com o senhor
Paulo Roberto, nunca teve nenhum pleito na Petrobras por firmas ou pessoas”,
destacou o senador.

Sarney alega que sua filha não deveria ser
investigada porque, segundo ele, há contradições entre os depoimentos do
ex-diretor da Petrobras e o doleiro Alberto Youssef. “Evidentemente, o dr.
Janot fez uma escolha e usou a instituição Ministério Público para sua atuação,
nessa escolha de a quem denuncia ou não, atarefado com sua própria eleição
nestes dias”, atacou.

Flávio Dino responde

O governador Flávio Dino usou as redes sociais para rebater as acusações de Sarney ao ver sua filha na relação de políticos que serão investigados pelo Supremo Tribunal Federal por fazer parte da quadrilha que assaltou a Petrobras. 

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