23 de julho de 2011

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23/07/2011 -

Jorge Vieira -

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“Sairão todos” no comando do Denit e da Valec, diz Dilma

Presidente diz que faxina nos Transportes não poupará nenhum partido

Em entrevista a jornais, Dilma indica que poderá ser mais tolerante com a inflação para preservar a expansão da economia

FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

“Sairão todos os integrantes do Dnit e da Valec”, disse ontem a presidente Dilma Rousseff, referindo-se aos dirigentes que comandam essas duas instituições.
 
O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit) e a Valec, estatal de ferrovias, estão no centro da crise provocada por suspeitas de corrupção que derrubou a cúpula no Ministério dos Transportes.
 
O Dnit tem seis diretores. A Valec, três. A presidente afirmou que as demissões ocorrerão “independentes” dos “endereços partidários”.
 
A ideia de Dilma é fazer uma reestruturação do setor. Daí disse ter entendido ser necessário trocar todos os diretores dos órgãos.
 
A informação foi dada ontem durante uma conversa no Palácio do Planalto com repórteres de cinco publicações da mídia impressa, incluindo a Folha.
 
Apesar da “faxina” nos Transportes, a presidente disse que “não se pode demonizar a política”. Referia-se de maneira indireta ao PR, principal responsável pelas indicações na pasta.

POLÍTICA
 
A presidente procurou sempre um tom de neutralidade para agradar aliados e oposição. “Pelo fato que é do PT não significa que esteja certo. Pelo fato de ser da oposição não significa que esteja errado.” Dilma tem se esforçado nos últimos dois meses para melhorar seu relacionamento com o meio político.

COPA DO MUNDO
 
Dilma pretende garantir que exista boa conexão de internet de banda larga nas proximidades dos estádios. “Se as [empresas] privadas não fizerem, o governo faz. Fica como legado”, afirmou.

LEI DE ACESSO
 
O projeto de Lei de Acesso a Informações Públicas, em tramitação no Senado, será aprovado “tal qual veio da Câmara”. Se aprovada, a lei acaba com o sigilo eterno, prorrogação sucessiva dos prazos em que documentos ficam longe do público.

INFLAÇÃO
 
Indagada se o governo espera que a inflação faça a convergência para o centro da meta (4,5%) em 2012 ou 2013, a presidente não respondeu de forma precisa. Disse que o governo optou por manter “a economia crescendo consistentemente”, embora num ritmo menor do que em 2010.
 
Dilma afirmou que uma “política de convergência de curtíssimo prazo teria um efeito danoso para a economia”. “Não queremos inflação sob controle com crescimento zero [da economia]”.
Outra indicação de que o processo será moroso para trazer a inflação para o centro da meta veio na seguinte frase: “Estamos fazendo o chamado pouso suave, com uma taxa de crescimento e de emprego adequadas”.
 
Em março, Dilma chegou a dizer que não permitiria que inflação voltasse “sob qualquer circunstância”, e que ela seria uma “arara” no combate à alta de preços.
A presidente disse considerar “correta” a política de juros do Banco Central. Nesta semana a taxa básica foi elevada a 12,50% ao ano.

CÂMBIO
 
Quando o assunto foi a taxa de câmbio, com o real valorizado, respondeu com uma pergunta: “Você acha que a gente pode fazer alguma coisa se a gente não sabe se o pessoal está brincando na beira do abismo ou se já criou uma rede de proteção?”, em referência à situação nos EUA e na Europa.
 
Dilma disse não saber se haverá calote da dívida dos EUA, algo que disse considerar “uma coisa absurda”. Para a presidente, as atuais incertezas no cenário internacional não permitem ao Brasil tomar muitas decisões agora a respeito de câmbio.
 
“O mundo está andando de lado. Deixa ele andar um pouco para frente que a gente decide.” Confrontada com a declaração recente do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que disse estar perdendo o sono por causa da valorização do real, a presidente reagiu com bom humor: “É bom a gente não dormir. A gente fica alerta. O Guidinho de olhos abertos”.

MUNDO
 
Dilma falou sobre as dificuldades econômicas na Europa e Estados Unidos. Segundo a presidente, quando o governo brasileiro perceber “ameaça” de contaminação por causa da crise no mundo desenvolvido, serão tomadas “medidas duras”.

POLÍTICA INDUSTRIAL
 
A presidente confirmou que vai lançar medidas no próximo dia 2 de “incentivo para a exportação de manufaturados”. O Programa de Inovação do Brasil tentará ajudar a indústria nacional.
 
As medidas devem incluir quatro aspectos: 1) agregação de valor; 2) compras do governo; 3) política comercial e 4) exportação.
 
Em 9 de agosto, será anunciada uma “melhorada boa no Supersimples” -sistema de coleta de impostos que atende a micros e pequenas empresas. A ideia é ampliar a abrangência do programa.
 
“Na sequência””, segundo Dilma, haverá desoneração da folha de pagamento das empresas, para incentivar o aumento do emprego formal.

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