18 de julho de 2011

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18/07/2011 -

Jorge Vieira -

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Recesso servirá para acalmar os ânimos no Palácio Manoel Bequimão

O parlamento estadual, oficialmente, está de recesso a partir de hoje, após um período de muita confusão e pouca produção.  Foram cinco meses em que governo e a oposição tradicional se confrontaram em plenário, sem apresentar nada de novo à sociedade ou qualquer resultado prático.
Os deputados governistas, que deveriam ter aproveitado o início da legislatura para passar a limpo uma série de denúncias de corrupção que pairam sobre a administração Roseana Sarney (PMDB), preferiram jogar o lixo para debaixo do tapete.
Embora o nível de comparecimento às sessões tenha ficado acima das expectativas, os debates em plenário se limitaram a troca de acusações entre governo e a oposição tradicional comandada por Marcelo Tavares (PSB) e Gardênia Castelo (PSDB).
Digo oposição tradicional porque Marcelo Tavares e Gardênia Castelo são frutos da oligarquia que agora dizem combater, nasceram com ela, são patrimonialistas e defendem apenas os interesses dos grupos ao qual pertencem. Não são movidos por ideologias, mas por interesses pessoais.
Na verdade, esses dois grupos apenas trocaram insultos e agressões verbais. Todas as vezes que o “esforçado” Marcelo Tavares subiu à tribuna para denunciar corrupção no governo, seus ex-companheiros de oligarquia lembravam do seu passado nos braços da família Sarney.
“V.Ex não serve para esse papel de oposição, V.Ex foi criado só no Nescau, no Todinho”, reprovou Tatá Milhomem (DEM), amigo da família Tavares e para quem o figurino oposicionista não veste bem em Marcelo.       
Sem levar a sério o discurso da oposição tradicional, a bancada do governo fechou questão e não permitiu que auxiliares da governadora comparecessem ao plenário para dar explicações sobre os sucessivos escândalos ocorridos ao longo do semestre.
Colocaram o bisonho suplente Magno Bacelar (PV), o popular “Nota de Dez”, que não diz coisa com coisa e faz a alegria de quem freqüenta a Assembleia todas as vezes que sobe à tribuna pelo excesso de baboseiras pronunciadas, para responder a Tavares.
Os dois conseguiram transformar o parlamento num espetáculo circense. Todas as vezes que o líder da oposição tradicional levantou a voz para falar de falcatruas na atual administração, Magno Bacelar foi à tribuna perguntar de onde Marcelo veio e a qual governo serviu. Nunca respondeu uma acusação.
A discussão limitou-se a um acusar o outro, ou seja, um sujo falando do mal lavado. Já quase no encerramento do período legislativo Manoel Ribeiro recordou os bacanais no Palácio dos Leões onde cerveja era gelada em banheiras. Esse foi o nível dos debates entre governo e a oposição tradicional.
Louve-se o esforço do deputado Bira do Pindaré (PT), que mesmo sendo forçado a fazer parte da base de sustentação do governo, atuou com independência e desenvoltura denunciando desmandos do governo, crimes de violência contra trabalhadores rurais, quilombolas e mantendo-se fiel à sua história de vida e de lutas.  
O semestre, no entanto, não foi apenas circo (com todo respeito aos palhaços) protagonizado por quem deveria dar exemplo, serviu para apresentar ao Estado o esforço de jovens parlamentares de primeiro mandato para não decepcionar seus eleitores.
Eduardo Braide (PMN), por exemplo, revelou-se um grande tribuno e articulador competente. Jota Pinto (PR) e Roberto Costa (PMDB) idem. Já Bira do Pindaré (PT), apesar do primeiro mandato, mostrou desenvoltura de veterano, enquanto Neto Evangelista (PSDB) expôs a verve política herdada do pai. Rogério Cafeteira não decepcionou e até André Fufuca, o deputado mais jovem do País, apresentou serviço e afinidade com a política.
Mas teve parlamentar de primeiro mandato que, apesar da pouca idade, já chegou apresentando tendência ao servilismo.
O desconhecido Alexandre Almeida (PTdoB), cuja eleição custou alguns milhões de reais, chegou tropeçando nas próprias pernas e já querendo derrubar Manoel Ribeiro (PTB) da liderança do governo. Levou um puxão de orelha e recolheu-se à sua condição de bajulador do irmão da governadora.    
Por incrível que pareça, foi o próprio líder do governo quem provocou estragos na administração Roseana ao denunciar falta de infra-estrutura para receber turistas em Barreirinhas e cobrar investimentos no setor da chamada indústria sem chaminé.
Os fatos positivos aconteceram extra plenário: as audiências públicas onde foram debatidos e esclarecidos assuntos importantes, como a questão da telefonia móvel, o consumo de drogas e a Frente Parlamentar da Baixada, que pela primeira vez discutiu com seriedade os problemas da região mais pobre do Maranhão.

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